{"id":69634,"date":"2022-05-02T07:09:55","date_gmt":"2022-05-02T10:09:55","guid":{"rendered":"http:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/2022\/05\/02\/raias-invadem-rio-tiete-no-interior-de-sp-e-acendem-alerta\/"},"modified":"2022-05-02T07:09:55","modified_gmt":"2022-05-02T10:09:55","slug":"raias-invadem-rio-tiete-no-interior-de-sp-e-acendem-alerta","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/2022\/05\/02\/raias-invadem-rio-tiete-no-interior-de-sp-e-acendem-alerta\/","title":{"rendered":"Raias invadem rio Tiet\u00ea no interior de SP e acendem alerta"},"content":{"rendered":"<p>S\u00c3O PAULO, SP (FOLHAPRESS) &#8211; Nos \u00faltimos anos, novos moradores passaram a ser vistos nos afluentes dos rios Paran\u00e1 e Tiet\u00ea, no interior de S\u00e3o Paulo. S\u00e3o as raias de \u00e1gua doce, mais especificamente esp\u00e9cies do g\u00eanero Potamotrygon.<\/p>\n<div class=\"dummyPub\"><\/div>\n<p>Com seu formato de disco e corpo recoberto de bolinhas pretas e amarelas que lembram uma estampa de leopardo, esses peixes cartilaginosos, apesar de n\u00e3o serem ex\u00f3ticos, s\u00e3o considerados invasores -isto \u00e9, n\u00e3o ocorrem originalmente ali. Essa presen\u00e7a tem acendido um alerta em especialistas.<\/p>\n<p>As raias (ou arraias, os dois s\u00e3o usados igualmente para esses peixes que, junto com os tubar\u00f5es, formam os elasmobr\u00e2nquios) possuem mais de 600 esp\u00e9cies no mundo, das quais cerca de 30 s\u00e3o de \u00e1gua doce e end\u00eamicas da Am\u00e9rica do Sul.<\/p>\n<p>Apesar da sua presen\u00e7a bem demarcada na regi\u00e3o Amaz\u00f4nica e no Pantanal, sua distribui\u00e7\u00e3o ao sul era limitada abaixo da bacia do rio Paraguai, comum apenas na bacia do rio Prata, na Argentina.<\/p>\n<p>Com a forma\u00e7\u00e3o das barragens no rio Paran\u00e1, especialmente para constru\u00e7\u00e3o da Usina de Itaipu, levando \u00e0 transposi\u00e7\u00e3o da barreira natural de Sete Quedas, esses animais conseguiram subir o rio e j\u00e1 se espalham por quase todo o territ\u00f3rio do interior dos estados de S\u00e3o Paulo e Paran\u00e1.<\/p>\n<p>Em cerca de 30 anos, os peixes j\u00e1 avan\u00e7aram 140 quil\u00f4metros acima do Rio Tiet\u00ea, uma velocidade extremamente r\u00e1pida para animais com cerca de 1 metro de comprimento e que geralmente ficam na beira dos rios, sem percorrer longas dist\u00e2ncias.<\/p>\n<p>O problema, segundo especialistas, \u00e9 que as raias s\u00e3o animais pe\u00e7onhentos e a sua presen\u00e7a em novos locais tem levado a um aumento de acidentes.<\/p>\n<p>&#8220;A primeira vez que soube da presen\u00e7a de arraias no Paran\u00e1 foi h\u00e1 20 anos, no pontal do Paranapanema [afluente do rio Paran\u00e1], pr\u00f3ximo ao munic\u00edpio de Teodoro Sampaio, em S\u00e3o Paulo. Nesse tempo, elas subiram em uma velocidade inacredit\u00e1vel, e agora j\u00e1 h\u00e1 dados da presen\u00e7a delas no baixo do rio Tiet\u00ea, em cidades como Tr\u00eas Lagoas e Itapura e, mais recentemente, Ara\u00e7atuba e Buritama&#8221;, explica o professor da Faculdade de Medicina da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Botucatu, Vidal Haddad J\u00fanior.<\/p>\n<p>Embora sejam consideradas pouco agressivas, os acidentes com as raias surgem quando s\u00e3o pisadas. Nesse momento, para se defenderem, elas usam suas caudas como se fosse um chicote. Elas t\u00eam tamb\u00e9m um ferr\u00e3o repleto de veneno abaixo do rabo e costumam atingir principalmente p\u00e9s e pernas.<\/p>\n<p>Em sua pesquisa de doutorado na Unesp, a enfermeira Isleide Moreira documentou a invas\u00e3o desses animais no interior do estado de S\u00e3o Paulo, chegando em \u00e1reas conhecidas como &#8220;prainhas&#8221;, muito procuradas pelas popula\u00e7\u00f5es locais como op\u00e7\u00e3o de lazer e turismo. O registro mais longevo que ela encontrou em sua an\u00e1lise foi em Buritama (a 531 km da capital).<\/p>\n<p>Segundo a bi\u00f3loga Patricia Charvet, da Universidade Federal do Cear\u00e1, as raias da fam\u00edlia Potamotrygonidae (da qual fazem parte as esp\u00e9cies encontradas no Tiet\u00ea) j\u00e1 s\u00e3o reconhecidas na regi\u00e3o amaz\u00f4nica como uma das principais causas de afastamento por motivos de sa\u00fade dos pescadores.<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 importante destacar que a ferroada \u00e9 um mecanismo de defesa desses animais. Elas vivem em geral enterradas em ambiente arenoso e n\u00e3o muito fundo, e \u00e9 em situa\u00e7\u00f5es assim que o acidente pode ocorrer, ou no momento de manuseio ap\u00f3s a pesca&#8221;, afirma.<\/p>\n<p>Charvet ressalta que comunidades ribeirinhas na Amaz\u00f4nia e tamb\u00e9m na Argentina j\u00e1 possuem comportamento &#8220;adaptado&#8221; para as raias: os locais costumam entrar nos rios &#8220;arrastando&#8221; os p\u00e9s no fundo, sem levant\u00e1-los, pois ao menor contato as raias costumam fugir.<\/p>\n<p>Como \u00e9 um tipo de acidente que n\u00e3o costuma ter registro, faltam dados oficiais no Brasil sobre les\u00f5es causadas por raias. De acordo com uma pesquisa da Universidade Estadual do Amazonas, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amaz\u00f4nia e da Funda\u00e7\u00e3o da Sa\u00fade do Estado do Amazonas, publicada em 2018, a incid\u00eancia de acidentes com raias naquela regi\u00e3o \u00e9 de 1,7 a cada 100 mil pessoas.<\/p>\n<p>Segundo Haddad, a r\u00e1pida expans\u00e3o das arraias no Tiet\u00ea tamb\u00e9m est\u00e1 relacionado com sua biologia. &#8220;S\u00e3o peixes viv\u00edparos, ou seja, d\u00e3o \u00e0 luz a filhotes j\u00e1 formados. Como n\u00e3o tem predadores naturais, elas se espalharam de maneira muito r\u00e1pida. Eu cheguei a coletar mais de 50 bichos em uma mesma manh\u00e3&#8221;, diz.<\/p>\n<p>O icti\u00f3logo (especialista no estudo de peixes) e doutor em zoologia pela USP Thiago Loboda j\u00e1 realizou diversos estudos com as raias e explica que a a\u00e7\u00e3o humana nos rios Tiet\u00ea e Paran\u00e1 facilitou uma coloniza\u00e7\u00e3o natural do animal.<\/p>\n<p>Para diminuir a ocorr\u00eancia dos acidentes, o bi\u00f3logo d\u00e1 algumas dicas. &#8220;O momento de cuidado \u00e9 ao entrar no rio ou descer de uma embarca\u00e7\u00e3o, pois \u00e9 nessa hora que elas podem ferroar. Entrar correndo, espalhando \u00e1gua para todo lado, n\u00e3o \u00e9 uma boa, pois elas v\u00e3o se assustar&#8221;, explica.<\/p>\n<p>Um dos fatores que comprovam como essas esp\u00e9cies se adaptaram bem aos &#8220;novos ambientes&#8221; \u00e9 que estudos gen\u00e9ticos de algumas popula\u00e7\u00f5es t\u00eam mostrado que elas s\u00e3o est\u00e1veis, completa ele.<\/p>\n<p>A bi\u00f3loga e coordenadora do projeto Tubar\u00f5es e Raias de Noronha, Bianca Rangel, ressalta que h\u00e1 muita preocupa\u00e7\u00e3o com os acidentes que podem ocorrer no mar com os elasmobr\u00e2nquios, mas pouca preocupa\u00e7\u00e3o com casos na \u00e1gua doce.<\/p>\n<p>&#8220;Diariamente ocorrem acidentes com raias em todos os rios, principalmente na regi\u00e3o amaz\u00f4nica [por ser a maior \u00e1rea de distribui\u00e7\u00e3o das esp\u00e9cies], mas as pessoas nem ligam, tratam como se fosse um acidente comum&#8221;, diz.<\/p>\n<p>Ela afirma que o fato de os animais estarem l\u00e1 deve agora ser encarado como algo natural, n\u00e3o devendo ser feito um controle. &#8220;\u00c9 aquela velha briga de ambientalistas, no momento em que os empreendimentos s\u00e3o feitos n\u00e3o h\u00e1 uma avalia\u00e7\u00e3o a longo prazo dos efeitos que podem gerar [na natureza]. Agora que est\u00e1 feito, n\u00e3o temos como controlar, mas informar sobre o h\u00e1bito de vida desses animais&#8221;, afirma.<\/p>\n<p>Segundo Haddad, programas de educa\u00e7\u00e3o ambiental e conscientiza\u00e7\u00e3o j\u00e1 est\u00e3o sendo feitos com os pescadores de Pereira Barreto, no baixo Tiet\u00ea. &#8220;Para os pescadores, \u00e9 um animal que antes eles n\u00e3o conheciam, e pode parecer estranho. O cuidado de conscientizar, mostrar como reagir, o que deve ser feito, isso \u00e9 uma forma de reduzir os acidentes&#8221;, diz.\u200b<\/p>\n<p><span class=\"news_bold\">O QUE FAZER AP\u00d3S UM ACIDENTE COM RAIAS<\/span><\/p>\n<p>&#8211; Em primeiro lugar, \u00e9 importante sair da \u00e1rea e n\u00e3o tentar capturar o animal, evitando assim um segundo ataque<br \/>&#8211; Procurar assist\u00eancia m\u00e9dica o mais r\u00e1pido poss\u00edvel<br \/>&#8211; A \u00e1gua quente (mas n\u00e3o fervente) possui propriedades que quebram a prote\u00edna do veneno e aliviam a dor<br \/>&#8211; N\u00e3o jogar nenhum l\u00edquido ou subst\u00e2ncia sem efic\u00e1cia no local da ferida<br \/>&#8211; N\u00e3o fazer torniquetes nem compressas de gelo<br \/>&#8211; Se necess\u00e1rio, o m\u00e9dico ou profissional de sa\u00fade pode receitar antibi\u00f3ticos devido \u00e0 alta quantidade de bact\u00e9rias que podem se proliferar no local da ferida<\/p>\n<p>Not\u00edcias ao Minuto Brasil &#8211; Brasil<br \/>\n<a href=\"https:\/\/www.noticiasaominuto.com.br\/brasil\/1905878\/raias-invadem-rio-tiete-no-interior-de-sp-e-acendem-alerta?utm_source=rss-brasil&amp;amp;utm_medium=rss&amp;amp;utm_campaign=rssfeed\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Read More<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>S\u00c3O PAULO, SP (FOLHAPRESS) &#8211; Nos \u00faltimos anos, novos moradores passaram a ser vistos nos<\/p>\n","protected":false},"author":0,"featured_media":69635,"comment_status":"","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[],"class_list":["post-69634","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-brasil"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/69634","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=69634"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/69634\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/69635"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=69634"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=69634"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=69634"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}