{"id":68265,"date":"2022-04-23T12:11:55","date_gmt":"2022-04-23T15:11:55","guid":{"rendered":"http:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/2022\/04\/23\/disputa-entre-macron-e-le-pen-em-eleicoes-na-franca-decide-destino-da-uniao-europeia\/"},"modified":"2022-04-23T12:11:55","modified_gmt":"2022-04-23T15:11:55","slug":"disputa-entre-macron-e-le-pen-em-eleicoes-na-franca-decide-destino-da-uniao-europeia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/2022\/04\/23\/disputa-entre-macron-e-le-pen-em-eleicoes-na-franca-decide-destino-da-uniao-europeia\/","title":{"rendered":"Disputa entre Macron e Le Pen em elei\u00e7\u00f5es na Fran\u00e7a decide destino da Uni\u00e3o Europeia"},"content":{"rendered":"<p>MICHELE OLIVEIRA<br \/>MIL\u00c3O, IT\u00c1LIA (FOLHAPRESS) &#8211; A elei\u00e7\u00e3o presidencial na Fran\u00e7a ser\u00e1 decidida, neste domingo (24), por 49 milh\u00f5es de eleitores. Seu resultado, por\u00e9m, tem o potencial de afetar a vida de outros 400 milh\u00f5es de pessoas nos pa\u00edses da Uni\u00e3o Europeia e ainda de desequilibrar o xadrez geopol\u00edtico do continente em meio \u00e0 Guerra da Ucr\u00e2nia.<\/p>\n<div class=\"dummyPub\"><\/div>\n<p>Pela segunda vez seguida o segundo turno op\u00f5e Emmanuel Macron, 44, o presidente franc\u00eas mais europeu da hist\u00f3ria recente, a Marine Le Pen, 53, uma antieurope\u00edsta convicta.<br \/>Em sua tentativa de reelei\u00e7\u00e3o, Macron encerrou a campanha do segundo turno com vantagem de 14 pontos sobre a advers\u00e1ria, segundo pesquisa Ipsos divulgada na sexta-feira (22). Ele conta com 56,5% das inten\u00e7\u00f5es de voto, e Le Pen, com 43,5%. A diferen\u00e7a, que chegou a ser de 6 pontos na v\u00e9spera do primeiro turno, no dia 10, cresceu de forma lenta e constante nas \u00faltimas duas semanas.<\/p>\n<p>O candidato de centro-direita \u00e9 favorito, mas a ultradireitista nunca esteve t\u00e3o perto da vit\u00f3ria. Em 2017, Le Pen chegou \u00e0 decis\u00e3o com 34,2% das inten\u00e7\u00f5es \u2013e perdeu a elei\u00e7\u00e3o com 33,9% dos votos.<\/p>\n<p>A possibilidade de que a segunda maior economia da Uni\u00e3o Europeia possa ser governada, nos pr\u00f3ximos cinco anos, por uma presidente que destaca em seu programa diversos pontos de conflito com aspectos fundamentais do bloco preocupa seus principais l\u00edderes.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de prometer medidas que colocariam em risco a livre circula\u00e7\u00e3o de pessoas e mercadorias na UE, Le Pen \u00e9 uma antiga aliada do presidente da R\u00fassia, Vladimir Putin. Em 2014, reconheceu a anexa\u00e7\u00e3o da Crimeia por Moscou e viu seu partido obter um empr\u00e9stimo de cerca de EUR 9 milh\u00f5es em um banco do pa\u00eds. Nas \u00faltimas semanas, ela condenou a invas\u00e3o da Ucr\u00e2nia e procurou se distanciar do Kremlin, mas se op\u00f4s a san\u00e7\u00f5es contra o g\u00e1s e o petr\u00f3leo russos.<\/p>\n<p>Na quinta-feira (20), os primeiros-ministros de Alemanha, Espanha e Portugal declararam apoio \u00e0 reelei\u00e7\u00e3o de Macron \u2013interven\u00e7\u00e3o em assuntos dom\u00e9sticos considerada rara entre membros do bloco. &#8220;Precisamos da Fran\u00e7a do nosso lado. Uma Fran\u00e7a que defende justi\u00e7a e se op\u00f5e a autocratas como Putin. Uma Fran\u00e7a que defende nossos valores comuns em uma Europa em que nos reconhecemos, livre e aberta ao mundo, soberana, forte e generosa&#8221;, diz o texto assinado por Olaf Scholz, Pedro S\u00e1nchez e Ant\u00f3nio Costa e publicado no jornal franc\u00eas Le Monde.<\/p>\n<p>O apoio expl\u00edcito endossa uma das frases mais repetidas por Macron na reta final da campanha, usada na sua fala de encerramento do \u00fanico debate entre os candidatos, realizado na \u00faltima quarta-feira. &#8220;Esta elei\u00e7\u00e3o \u00e9 um referendo a favor ou contra a Uni\u00e3o Europeia.&#8221;<\/p>\n<p>Em 2017, Le Pen ficou marcada por sua proposta de retirar a Fran\u00e7a do bloco e retomar o franco como moeda corrente. Desde a derrota eleitoral, no entanto, a palavra &#8220;frexit&#8221; foi ficando para tr\u00e1s, como parte do processo de remodelamento de sua imagem, que acabou por reapresent\u00e1-la neste pleito como uma pol\u00edtica menos agressiva, mais sorridente, mais pr\u00f3xima do cidad\u00e3o comum. Trata-se de uma tentativa de estabelecer um contraste com Macron, visto como um presidente dos ricos, das metr\u00f3poles, arrogante e distante da vida real da popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Antes do primeiro turno, a ultradireitista realizou uma campanha centrada em temas relacionados ao custo de vida \u2013principal preocupa\u00e7\u00e3o dos franceses para definir o voto. A estrat\u00e9gia rendeu bons frutos e lhe garantiu o segundo lugar na disputa, com 23,1%, atr\u00e1s de Macron (27,8%) e pouco \u00e0 frente do ultraesquerdista Jean-Luc M\u00e9lenchon (21,9%).<\/p>\n<p>Al\u00e9m de tentar se distanciar dos temas internacionais, seu programa n\u00e3o menciona a sa\u00edda da Fran\u00e7a do bloco europeu. &#8220;Frexit n\u00e3o \u00e9 de forma alguma nosso projeto&#8221;, disse Le Pen, logo ap\u00f3s o primeiro turno. &#8220;Queremos reformar a UE por dentro.&#8221;<\/p>\n<p>Na sua lista de 22 propostas, por\u00e9m, o primeiro e o \u00faltimo t\u00f3pico se chocam com princ\u00edpios b\u00e1sicos da coaliz\u00e3o. No primeiro, um referendo constitucional para conter a imigra\u00e7\u00e3o &#8220;descontrolada&#8221;, com medidas para dar prioridade a franceses no acesso a emprego e habita\u00e7\u00e3o social. A ideia contraria os artigos 15 e 21 da carta de direitos fundamentais da UE, que garantem liberdade de trabalho para um cidad\u00e3o do bloco em qualquer pa\u00eds-membro e vetam todo tipo de discrimina\u00e7\u00e3o por nacionalidade.<\/p>\n<p>No item final, Le Pen indica a cria\u00e7\u00e3o de um minist\u00e9rio para combater fraudes e embute medidas como a &#8220;restaura\u00e7\u00e3o de fronteiras&#8221; para impedir a entrada de mercadorias que representem &#8220;concorr\u00eancia desleal&#8221;, como produtos aliment\u00edcios que &#8220;violem padr\u00f5es respeitados pelos agricultores franceses&#8221;. Diz um trecho do programa: &#8220;Um Estado deve saber quais mercadorias est\u00e3o entrando ou saindo de seu territ\u00f3rio. As graves defici\u00eancias dos mecanismos estabelecidos pela UE exigem o restabelecimento da vigil\u00e2ncia nacional das fronteiras&#8221;.<br \/>Juntas, se implementadas, na pr\u00e1tica as promessas resultariam no restabelecimento de barreiras para a livre circula\u00e7\u00e3o de pessoas, bens e capitais. Como consequ\u00eancia, outros pa\u00edses poderiam adotar medidas rec\u00edprocas contra Paris, e as autoridades do bloco acionariam um mecanismo de puni\u00e7\u00f5es, como multas.<\/p>\n<p>&#8220;Seria uma situa\u00e7\u00e3o muito dif\u00edcil para a Fran\u00e7a, que poderia ser isolada pelos outros pa\u00edses, com consequ\u00eancias enormes para cidad\u00e3os, servi\u00e7os e economia&#8221;, analisa Sylvain Kahn, ge\u00f3grafo e professor de assuntos europeus do departamento de hist\u00f3ria da Sciences Po.<\/p>\n<p>Segundo ele, ao dizer que pretende reformar o bloco por dentro, ela segue o exemplo do primeiro-ministro da Hungria, Viktor Orb\u00e1n. Rec\u00e9m-reeleito para um quinto mandato, ele se tornou um modelo para os pol\u00edticos ultranacionalistas de direita por seu projeto de &#8220;democracia iliberal&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;No programa dela h\u00e1 muitos pontos parecidos com o que Orb\u00e1n faz na pr\u00e1tica. De um lado, dizer &#8216;sim, devemos ficar na UE porque temos que ser unidos contra outras na\u00e7\u00f5es&#8217;. De outro, que n\u00e3o gosta da Comiss\u00e3o Europeia, que discorda das regras. A UE n\u00e3o pode funcionar assim.&#8221;<br \/>Para Teresa Coratella, analista da sede italiana do Conselho Europeu de Rela\u00e7\u00f5es Exteriores, existe em Bruxelas um sentimento de apreens\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 elei\u00e7\u00e3o francesa. &#8220;Ningu\u00e9m esperava ver uma diferen\u00e7a t\u00e3o pequena nas pesquisas entre duas vis\u00f5es completamente opostas da Fran\u00e7a e do papel da Fran\u00e7a na Europa. Dependendo de quem vencer, o equil\u00edbrio na UE pode ser completamente alterado.&#8221;<\/p>\n<p>Em cinco anos como presidente, Macron enfrentou no plano externo o brexit, as crises da Covid-19 e, agora, a Guerra da Ucr\u00e2nia. Ao longo desses momentos, viu seu papel dentro da Europa evoluir. No come\u00e7o do mandato, sua ideia da necessidade de fortalecer uma &#8220;Europa soberana&#8221;, com &#8220;autonomia estrat\u00e9gica&#8221;, era praticamente ignorada pelos demais l\u00edderes. Com a pandemia, o cen\u00e1rio mudou.<\/p>\n<p>Logo nas primeiras semanas ap\u00f3s a identifica\u00e7\u00e3o do v\u00edrus na Europa, em fevereiro de 2020, ele falava da necessidade de uma Europa unida e solid\u00e1ria contra o v\u00edrus e, ao lado da ex-primeira-ministra alem\u00e3 Angela Merkel, desempenhou papel importante na elabora\u00e7\u00e3o do plano de recupera\u00e7\u00e3o de EUR 750 bilh\u00f5es, aprovado em julho daquele ano.<\/p>\n<p>&#8220;Podemos dizer que Macron se tornou efetivamente um l\u00edder europeu na crise da Covid. Com a pandemia, o que ele falava havia anos come\u00e7ou a fazer sentido&#8221;, diz Kahn. Por outro lado, ele teria sido menos vision\u00e1rio sobre a quest\u00e3o da R\u00fassia, tendo insistido desde os primeiros anos no cargo em estabelecer um di\u00e1logo bilateral com Putin.<\/p>\n<p>&#8220;Ele defendia que era preciso tentar uma reaproxima\u00e7\u00e3o, diante do descr\u00e9dito dos outros l\u00edderes europeus. Obviamente, falar com Putin n\u00e3o teve nenhum resultado.&#8221;<\/p>\n<p>Em caso de reelei\u00e7\u00e3o neste domingo, al\u00e9m de lidar com o rev\u00e9s da guerra, outro desafio para a continuidade do projeto europeu est\u00e1 ainda mais pr\u00f3ximo da Fran\u00e7a \u2013a Alemanha. Segundo Coratella, a era p\u00f3s-Merkel combinada com o conflito com a R\u00fassia faz Berlim atravessar uma profunda crise identit\u00e1ria.<\/p>\n<p>&#8220;Macron est\u00e1 tendo problemas em administrar a posi\u00e7\u00e3o da Alemanha, que ainda se op\u00f5e ao embargo total energ\u00e9tico \u00e0 R\u00fassia. Em algum momento, Scholz e Macron, duas personalidades muito diferentes entre si, ter\u00e3o que encarar isso, o que pode representar um grave problema para o motor franco-alem\u00e3o que puxa o projeto europeu&#8221;, diz.<\/p>\n<p>A reconstru\u00e7\u00e3o de um di\u00e1logo com Berlim, que n\u00e3o deve mais ser o mesmo de antes da guerra, pode ver na sequ\u00eancia outra obriga\u00e7\u00e3o do tipo. Em 2023, a It\u00e1lia, terceira maior economia da UE, realiza elei\u00e7\u00f5es parlamentares. O partido mais bem colocado nas pesquisas hoje \u00e9 o Irm\u00e3os da It\u00e1lia, de Giorgia Meloni, uma ultradireitista que defende a reforma da UE por dentro, para que se torne mais respeitosa das identidades e soberanias nacionais \u2013semelhan\u00e7as que podem n\u00e3o ser meras coincid\u00eancias.<\/p>\n<p>Not\u00edcias ao Minuto Brasil &#8211; Mundo<br \/>\n<a href=\"https:\/\/www.noticiasaominuto.com.br\/mundo\/1903688\/disputa-entre-macron-e-le-pen-em-eleicoes-na-franca-decide-destino-da-uniao-europeia?utm_source=rss-mundo&amp;amp;utm_medium=rss&amp;amp;utm_campaign=rssfeed\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Read More<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>MICHELE OLIVEIRAMIL\u00c3O, IT\u00c1LIA (FOLHAPRESS) &#8211; A elei\u00e7\u00e3o presidencial na Fran\u00e7a ser\u00e1 decidida, neste domingo (24),<\/p>\n","protected":false},"author":0,"featured_media":68266,"comment_status":"","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[],"class_list":["post-68265","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-mundo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/68265","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=68265"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/68265\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/68266"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=68265"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=68265"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=68265"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}