{"id":67191,"date":"2022-04-16T19:08:29","date_gmt":"2022-04-16T22:08:29","guid":{"rendered":"http:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/2022\/04\/16\/medo-de-se-machucar-atormenta-jogadores-em-ano-de-copa-do-mundo\/"},"modified":"2022-04-16T19:08:29","modified_gmt":"2022-04-16T22:08:29","slug":"medo-de-se-machucar-atormenta-jogadores-em-ano-de-copa-do-mundo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/2022\/04\/16\/medo-de-se-machucar-atormenta-jogadores-em-ano-de-copa-do-mundo\/","title":{"rendered":"Medo de se machucar atormenta jogadores em ano de Copa do Mundo"},"content":{"rendered":"<p>S\u00c3O PAULO, SP (FOLHAPRESS) &#8211; Come\u00e7a com o aumento dos batimentos card\u00edacos. Depois, a respira\u00e7\u00e3o fica ofegante. Pode ocorrer suor nas m\u00e3os, dores no est\u00f4mago e, no caso dos jogadores, o pior, a tens\u00e3o muscular.<\/p>\n<div class=\"dummyPub\"><\/div>\n<p>As rea\u00e7\u00f5es f\u00edsicas desencadeadas no corpo humano por fatores psicol\u00f3gicos, como o medo e a ansiedade, est\u00e3o entre os elementos que aumentam o risco de les\u00f5es.<\/p>\n<p>Em um ano de Copa do Mundo \u2013marcada para o Qatar, entre 21 de novembro e 18 de dezembro\u2013, o temor de se machucar e perder a oportunidade de ser convocado para defender seu pa\u00eds pode ser justamente o maior perigo para os atletas.<br \/>Psic\u00f3logos e preparadores f\u00edsicos explicam que, caso o corpo esteja funcionando em um grau excessivo de tens\u00e3o provocado, por exemplo, por ansiedade, os m\u00fasculos estar\u00e3o mais enrijecidos e mais suscet\u00edveis a contus\u00f5es.<\/p>\n<p>&#8220;Fibras musculares tensionadas perdem flexibilidade, e, no choque ou com deslocamentos, isso pode acabar provocando uma les\u00e3o&#8221;, diz o psic\u00f3logo do esporte Eduardo Cillo, doutor em psicologia pela USP (Universidade de S\u00e3o Paulo).<\/p>\n<p>Ele acrescenta que n\u00edveis emocionais elevados afetam a capacidade de vis\u00e3o perif\u00e9rica e a no\u00e7\u00e3o de profundidade dos atletas. &#8220;Isso impede o jogador de ter uma no\u00e7\u00e3o completa a respeito do espa\u00e7o f\u00edsico. Nesse sentido, choques que poderiam ser evitados acabam acontecendo, e o risco de les\u00e3o \u00e9 grande.&#8221;<\/p>\n<p>A lista de jogadores que j\u00e1 perderam a chance de disputar um Mundial por problemas f\u00edsicos \u00e9 extensa e tem nomes como o brasileiro Rom\u00e1rio, o alem\u00e3o Michael Ballack, os ingleses David Beckham e Michael Owen, o holand\u00eas Marco Van Basten e o argentino Alfredo Di St\u00e9fano.<\/p>\n<p>Recentemente, o atacante Antony temeu entrar nesse grupo. Ele machucou o tornozelo direito durante o \u00faltimo jogo do Brasil nas Eliminat\u00f3rias, contra a Bol\u00edvia, no final de abril, quando precisou deixar o campo de maca. Exames feitos pelo seu clube, o holand\u00eas Ajax, constataram que a contus\u00e3o \u00e9 s\u00e9ria e ele n\u00e3o atuar\u00e1 mais nesta temporada europeia, a ser finalizada no meio do ano. Por\u00e9m dever\u00e1 se recuperar a tempo de poder ser levado ao Qatar.<\/p>\n<p>De acordo com a Teoria Multidimensional de Ansiedade, proposta por Rainer Martens, psic\u00f3logo e professor do Departamento de Cinesiologia da Universidade de Illinois, nos EUA, a ansiedade em atletas \u00e9 provocada por dois tipos de componentes: cognitivo e som\u00e1tico.<\/p>\n<p>Em seu estudo, publicado em 1990, ele explica que o primeiro est\u00e1 relacionado ao desempenho durante a pr\u00e1tica esportiva e suas poss\u00edveis consequ\u00eancias, como vit\u00f3rias e derrotas. J\u00e1 o segundo est\u00e1 ligado \u00e0s rea\u00e7\u00f5es f\u00edsicas do corpo humano, como aumento dos batimentos card\u00edacos, respira\u00e7\u00e3o mais ofegante e, sobretudo, tens\u00e3o muscular.<\/p>\n<p>Embora sentimentos como medo e ansiedade sejam comuns e inevit\u00e1veis, o ideal \u00e9 que os atletas consigam encontrar um equil\u00edbrio para lidar com essas emo\u00e7\u00f5es e n\u00e3o comprometer seu rendimento.<\/p>\n<p>&#8220;As emo\u00e7\u00f5es s\u00e3o muito bem-vindas em intensidades adequadas. A ansiedade est\u00e1 relacionada ao planejamento futuro, e o medo, \u00e0 an\u00e1lise de riscos iminentes. Ou seja, s\u00e3o dois fatores essenciais para a performance de alto rendimento. O ideal \u00e9 que o trabalho seja conduzido para que o atleta consiga identificar a intensidade favor\u00e1vel dessas emo\u00e7\u00f5es para sua performance&#8221;, explica a psic\u00f3loga do Palmeiras, Gisele Silva.<\/p>\n<p>O trabalho psicol\u00f3gico indicado pela profissional, por\u00e9m, nem sempre faz parte da rotina dos jogadores. O tema ainda \u00e9 um tabu no futebol, ao mesmo tempo em que passou a ser destaque em outros esportes por situa\u00e7\u00f5es envolvendo atletas importantes, como a ginasta americana Simone Biles e o surfista brasileiro Gabriel Medina.<\/p>\n<p>Considerada a melhor atleta do mundo em sua modalidade, Biles desistiu de participar de algumas provas nos Jogos Ol\u00edmpicos de T\u00f3quio para cuidar de sua sa\u00fade mental. Medina abriu m\u00e3o de defender seu t\u00edtulo na liga mundial de surfe deste ano pelo mesmo motivo.<\/p>\n<p>Segundo o psic\u00f3logo Paulo Ribeiro, que trabalha no Botafogo, \u00e9 preciso desmistificar as discuss\u00f5es sobre o tema no futebol.<\/p>\n<p>&#8220;As pessoas que lidam com atletas precisam ensin\u00e1-los a lidar com as emo\u00e7\u00f5es como algo funcional e positivo. A partir do momento em que o atleta consegue se conhecer mais e conhecer suas emo\u00e7\u00f5es, ele tem mais ferramentas para lidar com as emo\u00e7\u00f5es que envolvem o jogo&#8221;, afirma Ribeiro.<\/p>\n<p>Essa necessidade ganhou ainda mais import\u00e2ncia no cen\u00e1rio da pandemia de Covid-19. De acordo com um estudo divulgado em abril de 2020 pela Fifpro, sindicato mundial dos jogadores, houve um aumento no n\u00famero de jogadores que relataram algum sintoma de depress\u00e3o ou ansiedade nos primeiros meses da pandemia.<\/p>\n<p>Entre as mulheres que participaram do estudo, 22% relataram sintomas &#8220;consistentes com o diagn\u00f3stico de depress\u00e3o&#8221;, como falta de interesse, falta de apetite e falta de energia. Entre os homens, esse n\u00famero foi de 13%. Entre dezembro de 2019 e janeiro de 2020, a mesma pesquisa havia apresentado \u00edndices de 11% e 6%, respectivamente.<\/p>\n<p>Ainda que a fase mais aguda da pandemia tenha passado, Eduardo Cillo afirma que estudos da OMS (Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade) indicam que as pessoas v\u00e3o sentir os impactos psicol\u00f3gicos desse per\u00edodo por, pelo menos, dez anos. No caso dos atletas, o efeito poder\u00e1 ser ainda pior.<\/p>\n<p>&#8220;Atletas que vinham negligenciando a sa\u00fade mental anteriormente, provavelmente, est\u00e3o lidando com eventos mais agudos a respeito de suas pr\u00f3prias mentalidades. E, nesse sentido, ou eles reconhecem suas fragilidades e a necessidade de cuidados ou v\u00e3o, provavelmente, ter mais dificuldades de gerenciamento das pr\u00f3prias emo\u00e7\u00f5es.&#8221;<\/p>\n<p>Not\u00edcias ao Minuto Brasil &#8211; Esporte<br \/>\n<a href=\"https:\/\/www.noticiasaominuto.com.br\/esporte\/1901983\/medo-de-se-machucar-atormenta-jogadores-em-ano-de-copa-do-mundo?utm_source=rss-esporte&amp;amp;utm_medium=rss&amp;amp;utm_campaign=rssfeed\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Read More<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>S\u00c3O PAULO, SP (FOLHAPRESS) &#8211; Come\u00e7a com o aumento dos batimentos card\u00edacos. 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