{"id":65872,"date":"2022-04-08T16:10:50","date_gmt":"2022-04-08T19:10:50","guid":{"rendered":"http:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/2022\/04\/08\/futebol-brasileiro-ja-vislumbra-maiores-investimentos-de-empresarios-americanos\/"},"modified":"2022-04-08T16:10:50","modified_gmt":"2022-04-08T19:10:50","slug":"futebol-brasileiro-ja-vislumbra-maiores-investimentos-de-empresarios-americanos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/2022\/04\/08\/futebol-brasileiro-ja-vislumbra-maiores-investimentos-de-empresarios-americanos\/","title":{"rendered":"Futebol brasileiro j\u00e1 vislumbra maiores investimentos de empres\u00e1rios americanos"},"content":{"rendered":"<p>A forte presen\u00e7a de investidores dos Estados Unidos j\u00e1 \u00e9 uma realidade no futebol mundial. Nas cinco principais ligas europeias j\u00e1 s\u00e3o 19 clubes com donos americanos, em especial na Inglaterra e It\u00e1lia. Com a Lei da SAF (Sociedade An\u00f4nima do Futebol) em 2021, o futebol brasileiro tamb\u00e9m integrou esse movimento, com o &#8220;desembarque&#8221; de empresas da Fl\u00f3rida no Pa\u00eds.<\/p>\n<div class=\"dummyPub\"><\/div>\n<p>Enquanto o milion\u00e1rio americano John Textor comprou as a\u00e7\u00f5es do Botafogo, o Vasco assinou um acordo com a empresa 777 Partners. A Kapital Football, do empres\u00e1rio Joseph DaGrosa, s\u00f3cio minorit\u00e1rio que acentuou a crise financeira do Bordeaux, da Fran\u00e7a, entre 2018 e 2019, negociou com o Am\u00e9rica-MG, mas as partes n\u00e3o chegaram a um entendimento.<\/p>\n<p>Tanto Textor quanto a 777 Partners tamb\u00e9m s\u00e3o donos de clubes europeus e integram o movimento crescente chamado &#8220;Multi Club Ownership&#8221;, em que se cria uma rede de v\u00e1rios times de futebol pelo mundo. Ambos adquiriram recentemente equipes da B\u00e9lgica (Molenbeek e Standard Li\u00e8ge). Textor possui ainda a\u00e7\u00f5es no Crystal Palace, da Inglaterra, e a 777 Partners \u00e9 dona do Genoa, da It\u00e1lia, al\u00e9m de ser s\u00f3cia minorit\u00e1ria do Sevilla, da Espanha. &#8220;Olhamos times de mercados que t\u00eam possibilidade de crescimento&#8221;, disse o diretor da 777 Partners, Juan Arciniegas, ao Estad\u00e3o.<\/p>\n<p>Os motivos para investir no futebol brasileiro v\u00e3o desde a fonte quase que inesgot\u00e1vel de talento, n\u00famero grande de torcedores e a for\u00e7a do esporte no Pa\u00eds, com agenda de janeiro a dezembro. A percep\u00e7\u00e3o do mercado internacional \u00e9 de que se trata de uma liga subvalorizada e capaz de crescimento de receitas em todas as \u00e1reas. No entanto, a inseguran\u00e7a jur\u00eddica \u00e9 um dos problemas apontados por especialistas em rela\u00e7\u00e3o aos investimentos no futebol nacional.<\/p>\n<p>Os novos investidores tamb\u00e9m vislumbram a possibilidade de obter um crescimento de receitas a partir de uma nova e lucrativa venda de direitos de transmiss\u00e3o do Brasileir\u00e3o tocada por uma liga de clubes, independente da CBF, que ainda est\u00e1 se organizando e cujo trabalho s\u00f3 deve come\u00e7ar em 2025, quando os atuais contratos de TV chegam ao fim.<\/p>\n<p>EXEMPLOS<\/p>\n<p>Parte do sucesso da liga inglesa dentro e fora de campo foi acompanhada e impulsionada por lucrativas vendas de direitos de transmiss\u00e3o. Esse \u00e9 um tipo de trampolim que investidores projetam tanto na It\u00e1lia quanto no Brasil. Clubes bem estruturados, como Palmeiras e Flamengo, geram receitas anuais de R$ 1 bilh\u00e3o &#8211; valor considerado baixo perto das ligas europeias, por exemplo.<\/p>\n<p>&#8220;N\u00e3o sabemos como ser\u00e1 essa liga e como vai gerar dinheiro para os clubes. O mercado, hoje, n\u00e3o \u00e9 claramente de aumento de receitas de transmiss\u00e3o de TV a curto prazo. Ent\u00e3o, o crescimento (desses valores) tende a ser um pouco mais lento do que nos exemplos extremados da Inglaterra e Espanha. \u00c9 preciso ter uma expectativa justa de receitas&#8221;, analisa o economista e s\u00f3cio da consultoria Convocados Cesar Grafietti.<\/p>\n<p>O futebol brasileiro ainda ficou em banho-maria durante dois anos da pandemia, e isso esfriou alguns neg\u00f3cios. Foram temporadas de sobreviv\u00eancia.<\/p>\n<p>DE OLHO NA IT\u00c1LIA<\/p>\n<p>A chegada de americanos tamb\u00e9m passou a ocorrer recentemente na It\u00e1lia. Na primeira divis\u00e3o, oito dos vinte clubes &#8211; incluindo Milan e Roma &#8211; s\u00e3o de propriedade de empres\u00e1rios americanos.<\/p>\n<p>Existe o elo emocional com o pa\u00eds &#8211; alguns dos bilion\u00e1rios s\u00e3o \u00edtalo-americanos -, com interesse na cultura, gastronomia e hist\u00f3ria. Mas o principal motivo \u00e9 a avalia\u00e7\u00e3o de que tamb\u00e9m se trata de uma liga subvalorizada e com chance de crescimento exponencial de receitas.<\/p>\n<p>O futebol italiano j\u00e1 foi o melhor e mais prestigiado da Europa. Para os envolvidos, trata-se de uma oportunidade de mercado dif\u00edcil de recusar. Os americanos acreditam que o Campeonato Italiano pode ser mais bem gerido, com aumento significativo de receitas e moderniza\u00e7\u00e3o dos antigos est\u00e1dios do pa\u00eds. \u00c9 uma liga forte e que sonha em se aproximar financeiramente dos rivais ingleses e espanh\u00f3is.<\/p>\n<p>As &#8220;armadilhas&#8221; talvez n\u00e3o sejam \u00f3bvias para investidores americanos que desconhecem a fundo o seu novo neg\u00f3cio. Muitos desses investidores americanos t\u00eam experi\u00eancias com outros esportes, especialmente no futebol dos Estados Unidos, beisebol e basquete, que se organizam de forma bem distinta do futebol tradicional fora do pa\u00eds. Esses esportes americanos n\u00e3o t\u00eam ligas concorrentes estrangeiras e os donos precisam aprender como o jogo funciona.<\/p>\n<p>LIGA AMERICANA<\/p>\n<p>A pr\u00f3pria Major League Soccer, principal liga de futebol dos Estados Unidos, tamb\u00e9m se organiza e se estrutura de forma diferente do restante do mundo. A MLS, por exemplo, n\u00e3o tem acesso nem rebaixamento. As regras diferentes interferem dentro e fora de campo e os investidores precisam se adequar a esse aspecto que pode ser decisivo no sucesso esportivo e financeiro de um clube estrangeiro.<\/p>\n<p>&#8220;Ao longo do tempo, as franquias americanas ficaram muito caras, at\u00e9 as que eram mais baratas da MLS, por conta do crescimento e da demanda. Custa muito caro, apesar de ter retorno. Como o esporte dominante no mundo \u00e9 o futebol, (os investidores) viram um potencial de retorno maior fora dos Estados Unidos: os valores de compra desses clubes eram baixos e um retorno relativamente alto&#8221;, explica o economista Grafietti.<\/p>\n<p>Por causa dos riscos financeiros e esportivos de uma queda para uma divis\u00e3o inferior, os clubes devem investir continuamente em talentos, o que pode dificultar a gera\u00e7\u00e3o de lucros. Especialmente, quando h\u00e1 concorrentes bancados por governos, como o Manchester City (pelo Catar) e o Paris Saint-Germain (pelo Emirados \u00c1rabes Unidos).<\/p>\n<p>Os principais alvos dos empres\u00e1rios americanos s\u00e3o geralmente clubes com graves problemas financeiros e desorganizados. Uma das estrat\u00e9gias usadas \u00e9 a do &#8220;turnaround&#8221;: comprar o clube em baixa, colocar a casa em ordem, sanar as contas, melhorar as receitas, recolocar o time no caminho do crescimento e revender por um valor maior do que comprou.<\/p>\n<p>Essa cultura \u00e9 muito usada para aquisi\u00e7\u00e3o de empresas nos Estados Unidos. Reflexo disso \u00e9 que tanto Vasco quanto Botafogo foram avaliados com pre\u00e7os em baixa e com potencial de crescer pelos seus investidores americanos.<\/p>\n<p>INGL\u00caS, O MAIOR MERCADO<\/p>\n<p>Mas \u00e9 no futebol da Inglaterra que se encontra o maior n\u00famero de investidores americanos. Hoje, nove dos 20 clubes da primeira divis\u00e3o inglesa t\u00eam donos dos Estados Unidos. A &#8220;primeira gera\u00e7\u00e3o&#8221; de americanos no futebol ingl\u00eas se deu entre 2005 e 2012, per\u00edodo em que sete clubes foram comprados.<\/p>\n<p>Atualmente, tr\u00eas dos principais times ingleses, Arsenal, Liverpool e Manchester United, s\u00e3o de propriedade de empres\u00e1rios americanos, que tamb\u00e9m possuem franquias de futebol americano, beisebol e basquete.<\/p>\n<p>Os bilion\u00e1rios Stan Kroenke, do Arsenal, e os irm\u00e3os Avram e Joel Glazer, do Manchester United, t\u00eam sido alvo de muitos protestos dos torcedores ao longo dos anos por decis\u00f5es estrat\u00e9gicas consideradas equivocadas, enquanto os rivais acumulam cada vez mais trof\u00e9us.<\/p>\n<p>A falta de sucesso esportivo \u00e9 o principal motivo das cr\u00edticas. Em maio do ano passado, centenas de torcedores do Manchester United invadiram o est\u00e1dio de Old Trafford e entraram no gramado com faixas e bandeiras pedindo a sa\u00edda dos Glazer. A chegada de Cristiano Ronaldo, que voltou ao United depois de quase fechar com o rival City, acalmou os \u00e2nimos.<\/p>\n<p>Uma das pol\u00eamicas foi como a fam\u00edlia realizou a aquisi\u00e7\u00e3o do clube, por meio do &#8220;leveraged buyout&#8221;. Essa \u00e9 uma pr\u00e1tica em que se contrai empr\u00e9stimo e o dinheiro obtido \u00e9 usado justamente para comprar um ativo, que passa a ser respons\u00e1vel por essa d\u00edvida &#8211; os ativos s\u00e3o utilizados como garantia.<\/p>\n<p>&#8220;Na Inglaterra, temos \u00f3timos modelos de administra\u00e7\u00e3o americana com investimentos em analytics e crescimento comercial, como \u00e9 o caso do Liverpool, mas muitos casos de leveraged buyout, que normalmente s\u00e3o muito mal vistos pelos torcedores dado o aumento da d\u00edvida e o limitado investimento de capital por parte dos donos&#8221;, avalia o empres\u00e1rio brasileiro Guilherme Decca, que comprou o Wakefield AFC, da 11.\u00aa divis\u00e3o inglesa, em 2020. &#8220;Um \u00f3timo exemplo \u00e9 o Burnley, um time que estava saud\u00e1vel e, se cair para segunda divis\u00e3o, estar\u00e1 em uma situa\u00e7\u00e3o complicada por conta disso.&#8221;<\/p>\n<p>IMPULSO<\/p>\n<p>No Liverpool, o atual dono, o americano John W. Henry, substituiu em 2010 no comando do clube os compatriotas Tom Hicks e George Gillett Jr., que causaram pesadelos na torcida em fun\u00e7\u00e3o da grav\u00edssima crise financeira. O clube foi do inferno ao c\u00e9u a partir da mudan\u00e7a.<\/p>\n<p>&#8220;A compra do clube por eles (Hicks e Gillett Jr.), outro leveraged buyout, havia sobrecarregado o Liverpool com d\u00edvidas impressionantes de 351 milh\u00f5es de libras, o que inclu\u00eda um empr\u00e9stimo de 237 milh\u00f5es de libras do Royal Bank of Scotland que venceria em quest\u00e3o de semanas. Incapaz de cumprir tais obriga\u00e7\u00f5es, o Liverpool enfrentava um s\u00e9rio risco de fal\u00eancia&#8221;, diz um trecho do livro &#8220;A Liga: Como a Premier League se tornou o neg\u00f3cio mais rico e revolucion\u00e1rio do esporte mundial&#8221;.<\/p>\n<p>O cen\u00e1rio encontrado pela Fenway Sports Group (FSG), a empresa de Henry, no Liverpool, era ca\u00f3tico em 2010. Em campo, o time havia terminado o Campeonato Ingl\u00eas apenas na s\u00e9tima posi\u00e7\u00e3o, com resultados frustrantes. A situa\u00e7\u00e3o financeira era delicada e a corda no pesco\u00e7o s\u00f3 apertava.<\/p>\n<p>Nos \u00faltimos 12 anos, Henry colocou dinheiro de sua empresa no clube, aumentou receitas com melhores patroc\u00ednios, fez reformas para aumentar a capacidade de Anfield, visando retorno financeiro, e precisou vender grandes nomes como Fernando Torres e Luis Su\u00e1rez para equilibrar as contas. As receitas comerciais, sem considerar o montante gerado em dias de jogos e os relacionados \u00e0 venda de direitos de transmiss\u00e3o, aumentaram de 67,7 milh\u00f5es de libras em 2010 para 188 milh\u00f5es de libras em 2019.<\/p>\n<p>ACERTO NO T\u00c9CNICO<\/p>\n<p>Demorou, mas o sucesso tamb\u00e9m veio dentro de campo. Tudo come\u00e7ou a mudar em 2015, com a contrata\u00e7\u00e3o do t\u00e9cnico alem\u00e3o J\u00fcrgen Klopp, que liderou o processo de reconstru\u00e7\u00e3o da equipe. Desde ent\u00e3o, foram cinco t\u00edtulos, incluindo o Campeonato Ingl\u00eas e a Liga dos Campe\u00f5es.<\/p>\n<p>&#8220;N\u00e3o depende da origem do investidor, mas sim da organiza\u00e7\u00e3o e do preparo. Os donos do Liverpool tinham essa vis\u00e3o clara de reconstru\u00e7\u00e3o. Tem modelo de gest\u00e3o muito bem definido. Um clube com potencial imenso, mas \u00e0 \u00e9poca desestruturado. Sem gastar mais do que arrecadava, investiu o que p\u00f4de e melhorou as receitas&#8221;, analisa Grafietti.<\/p>\n<p>Na cabe\u00e7a dos investidores americanos, todo neg\u00f3cio tem de ser bem organizado, bem gerido e lucrativo. E o futebol brasileiro, para eles, come\u00e7a a oferecer tais condi\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Not\u00edcias ao Minuto Brasil &#8211; Esporte<br \/>\n<a href=\"https:\/\/www.noticiasaominuto.com.br\/esporte\/1899784\/futebol-brasileiro-ja-vislumbra-maiores-investimentos-de-empresarios-americanos?utm_source=rss-esporte&amp;amp;utm_medium=rss&amp;amp;utm_campaign=rssfeed\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Read More<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A forte presen\u00e7a de investidores dos Estados Unidos j\u00e1 \u00e9 uma realidade no futebol mundial.<\/p>\n","protected":false},"author":0,"featured_media":65873,"comment_status":"","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[3],"tags":[],"class_list":["post-65872","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-esportes"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/65872","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=65872"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/65872\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/65873"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=65872"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=65872"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=65872"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}