{"id":64197,"date":"2022-03-30T16:08:35","date_gmt":"2022-03-30T19:08:35","guid":{"rendered":"http:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/2022\/03\/30\/quase-1-3-dos-desempregados-procura-vaga-ha-pelo-menos-2-anos\/"},"modified":"2022-03-30T16:08:35","modified_gmt":"2022-03-30T19:08:35","slug":"quase-1-3-dos-desempregados-procura-vaga-ha-pelo-menos-2-anos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/2022\/03\/30\/quase-1-3-dos-desempregados-procura-vaga-ha-pelo-menos-2-anos\/","title":{"rendered":"Quase 1\/3 dos desempregados procura vaga h\u00e1 pelo menos 2 anos"},"content":{"rendered":"<p>RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) &#8211; As dificuldades intensificadas pela pandemia elevaram a um patamar recorde a propor\u00e7\u00e3o dos brasileiros desempregados que buscam trabalho h\u00e1 pelo menos dois anos.<\/p>\n<div class=\"dummyPub\"><\/div>\n<p>No quarto trimestre de 2021, per\u00edodo mais recente com dados dispon\u00edveis, 30,3% do total de desocupados no pa\u00eds estavam \u00e0 procura de vagas por no m\u00ednimo 24 meses.<\/p>\n<p>Em termos absolutos, isso quer dizer que 3,6 milh\u00f5es de um universo de 12 milh\u00f5es de desempregados tentavam ingressar no mercado de trabalho, sem sucesso, havia dois anos ou mais.<\/p>\n<p>\u00c9 a primeira vez que a porcentagem rompe a barreira dos 30% na Pnad Cont\u00ednua (Pesquisa Nacional por Amostra de Domic\u00edlios Cont\u00ednua). Os n\u00fameros foram compilados pela consultoria IDados, a pedido da Folha de S.Paulo.<\/p>\n<p>A s\u00e9rie hist\u00f3rica da Pnad, realizada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica), teve in\u00edcio em 2012.<\/p>\n<p>No quarto trimestre daquele ano, os desempregados de longo prazo (1,3 milh\u00e3o) representavam 18,6% do contingente total em busca de trabalho no Brasil (6,7 milh\u00f5es).<\/p>\n<p>A pandemia come\u00e7ou a provocar restri\u00e7\u00f5es no pa\u00eds no final do primeiro trimestre de 2020. Assim, dificultou a busca por vagas de quem j\u00e1 estava sem atuar antes da crise, segundo economistas.<\/p>\n<p>&#8220;As pessoas que entraram no desemprego antes da pandemia est\u00e3o tendo mais dificuldades para sair. H\u00e1 muito impacto da crise para o n\u00famero ter ido para cima&#8221;, diz o pesquisador Bruno Ottoni, da IDados.<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 uma situa\u00e7\u00e3o bastante ruim para o trabalhador. Quanto mais tempo ele permanece sem emprego, mais dif\u00edcil fica retornar para o mercado. Na hora de contratar, o empregador costuma dar prefer\u00eancia para quem est\u00e1 h\u00e1 menos tempo desempregado&#8221;, completa.<\/p>\n<p>O economista Ely Jos\u00e9 de Mattos, professor da Escola de Neg\u00f3cios da PUCRS (Pontif\u00edcia Universidade Cat\u00f3lica do Rio Grande do Sul), vai na mesma linha.<\/p>\n<p>&#8220;A pandemia aprofundou as dificuldades. A crise aumentou o contingente de desempregados e a competi\u00e7\u00e3o por vagas. Quem est\u00e1 desocupado h\u00e1 mais tempo sente mais&#8221;, aponta.<\/p>\n<p>Aida Herminio dos Santos, 63, est\u00e1 sem trabalhar h\u00e1 dois anos. Antes da crise sanit\u00e1ria, a moradora de Nova Igua\u00e7u (RJ), na Baixada Fluminense, cuidava de idosos em casas de fam\u00edlia, fun\u00e7\u00e3o que ela j\u00e1 havia desempenhado em um abrigo do Rio.<\/p>\n<p>Com o in\u00edcio da pandemia e das restri\u00e7\u00f5es a atividades econ\u00f4micas, as oportunidades desapareceram para Aida a partir de mar\u00e7o de 2020.<\/p>\n<p>&#8220;Parei de trabalhar nessa \u00e9poca, quando come\u00e7aram a isolar as pessoas com mais de 60 anos. N\u00e3o consegui mais nada. Nem faxina, nem bico de cuidadora&#8221;, lamenta.<\/p>\n<p>Em raz\u00e3o da crise, Aida diz que passou a depender da renda de programas sociais e de doa\u00e7\u00f5es para sobreviver. Seu companheiro, relata, tamb\u00e9m est\u00e1 em busca de emprego.<\/p>\n<p>&#8220;N\u00e3o sobra dinheiro nem para o g\u00e1s de cozinha. A sa\u00edda \u00e9 o fog\u00e3o a lenha&#8221;, conta.<\/p>\n<p>Aida deseja retornar a todo custo para o mercado de trabalho. Diz amar a tarefa de cuidar de pessoas, mas n\u00e3o descarta migrar para outras fun\u00e7\u00f5es -ela menciona que tamb\u00e9m j\u00e1 buscou, na pandemia, emprego em supermercado.<\/p>\n<p>&#8220;O que mais quero \u00e9 trabalhar. Quero voltar a ter uma vida normal. Sempre fui uma mulher independente. Sempre corri atr\u00e1s, mas, com a pandemia, a situa\u00e7\u00e3o ficou muito dif\u00edcil&#8221;, afirma.<\/p>\n<p><span class=\"news_bold\">Mulheres e negros formam maioria <\/span><\/p>\n<p>De acordo com microdados da Pnad Cont\u00ednua levantados pela IDados, as mulheres representavam 62,6% (quase 2,3 milh\u00f5es) do total de brasileiros que enfrentavam o desemprego de longa dura\u00e7\u00e3o no quarto trimestre de 2021 (3,6 milh\u00f5es). Os homens (quase 1,4 milh\u00e3o) correspondiam aos demais 37,4%.<\/p>\n<p>O levantamento da IDados tamb\u00e9m aponta que os negros formam a maioria dos desempregados de longo prazo.<\/p>\n<p>Entre outubro e dezembro do ano passado, eles eram 63,9% (2,3 milh\u00f5es) dos desocupados que buscavam trabalho por no m\u00ednimo dois anos. Os brancos (quase 1,3 milh\u00e3o) representavam 35,4%.<\/p>\n<p>No recorte por escolaridade, a fatia mais volumosa \u00e9 a dos trabalhadores com ensino m\u00e9dio. Eles correspondiam a 50,8% dos desempregados de longo prazo (1,8 milh\u00e3o do total de 3,6 milh\u00f5es), conforme os microdados.<\/p>\n<p>Pelas estat\u00edsticas do IBGE, uma pessoa de 14 anos ou mais \u00e9 considerada desocupada quando n\u00e3o tem trabalho e segue \u00e0 procura de oportunidades. A Pnad avalia tanto o mercado formal, com carteira assinada ou CNPJ, quanto o informal, que inclui os populares bicos.<\/p>\n<p>Na passagem do terceiro para o quarto trimestre de 2021, o n\u00famero de desempregados h\u00e1 dois anos ou mais at\u00e9 recuou 6,5% em termos absolutos. Passou de 3,9 milh\u00f5es, recorde da s\u00e9rie hist\u00f3rica, para os 3,6 milh\u00f5es.<\/p>\n<p>No entanto, como a propor\u00e7\u00e3o deles em rela\u00e7\u00e3o ao total de desocupados aumentou, h\u00e1 uma sinaliza\u00e7\u00e3o de que a retomada na gera\u00e7\u00e3o de vagas para esse grupo tem sido mais lenta, dizem economistas.<\/p>\n<p>&#8220;A situa\u00e7\u00e3o melhorou de maneira geral do terceiro para o quarto trimestre do ano passado, mas a melhora foi mais expressiva para outros grupos, para quem estava desempregado por menos tempo&#8221;, avalia o pesquisador Bruno Ottoni, da IDados.<\/p>\n<p><span class=\"news_bold\">PIB FRACO JOGA CONTRA REA\u00c7\u00c3O<\/span><\/p>\n<p>Economistas afirmam que a recupera\u00e7\u00e3o mais consistente do mercado de trabalho depende do crescimento da atividade econ\u00f4mica.<\/p>\n<p>O problema \u00e9 que as previs\u00f5es sinalizam baixo desempenho para o PIB (Produto Interno Bruto) em 2022, em um cen\u00e1rio de infla\u00e7\u00e3o persistente e juros altos.<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 prov\u00e1vel que o desemprego de longa dura\u00e7\u00e3o caia, mas \u00e9 dif\u00edcil esse indicador mudar muito rapidamente. Para isso, precisar\u00edamos de um crescimento econ\u00f4mico mais forte&#8221;, analisa Ottoni.<\/p>\n<p>Segundo o boletim Focus, do BC (Banco Central), o mercado financeiro prev\u00ea leve avan\u00e7o de 0,5% para o PIB deste ano.<br \/>&#8220;As proje\u00e7\u00f5es de crescimento arrefeceram com a infla\u00e7\u00e3o e os juros altos no pa\u00eds. Essa combina\u00e7\u00e3o tende a frear o mercado de trabalho&#8221;, diz o economista Ely Jos\u00e9 de Mattos, professor da PUCRS.<\/p>\n<p>&#8220;N\u00e3o acho que vamos ter um novo ciclo de avan\u00e7o do desemprego, mas a retomada deve ser adiada.&#8221;<\/p>\n<p>A percep\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o sobre o mercado de trabalho, contudo, piorou recentemente. Conforme pesquisa Datafolha em mar\u00e7o, 50% dos brasileiros acreditam em aumento do desemprego, enquanto 20% apostam em diminui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Em dezembro, o contingente que previa alta na desocupa\u00e7\u00e3o e a parcela que projetava melhora no indicador estavam empatados, com 35% para cada um.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.noticiasaominuto.com.br\/economia\/1897438\/quase-13-dos-desempregados-procura-vaga-ha-pelo-menos-2-anos?utm_source=rss-economia&amp;amp;utm_medium=rss&amp;amp;utm_campaign=rssfeed\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Read More<\/a><br \/>\nNot\u00edcias ao Minuto Brasil &#8211; Economia<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) &#8211; As dificuldades intensificadas pela pandemia elevaram a um patamar<\/p>\n","protected":false},"author":0,"featured_media":64198,"comment_status":"","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[11],"tags":[],"class_list":["post-64197","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-economia"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/64197","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=64197"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/64197\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/64198"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=64197"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=64197"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=64197"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}