{"id":62135,"date":"2022-03-20T12:08:15","date_gmt":"2022-03-20T15:08:15","guid":{"rendered":"http:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/2022\/03\/20\/na-contramao-mundial-brasil-reduz-diplomados-em-areas-estrategicas\/"},"modified":"2022-03-20T12:08:15","modified_gmt":"2022-03-20T15:08:15","slug":"na-contramao-mundial-brasil-reduz-diplomados-em-areas-estrategicas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/2022\/03\/20\/na-contramao-mundial-brasil-reduz-diplomados-em-areas-estrategicas\/","title":{"rendered":"Na contram\u00e3o mundial, Brasil reduz diplomados em \u00e1reas estrat\u00e9gicas"},"content":{"rendered":"<p>DOUGLAS GAVRAS<br \/>S\u00c3O PAULO, SP (FOLHAPRESS) &#8211; Na contram\u00e3o da tend\u00eancia mundial, o n\u00famero de diplomados por universidades brasileiras em boa parte das \u00e1reas conhecidas como STEM (Ci\u00eancias, Engenharia, Matem\u00e1tica e Computa\u00e7\u00e3o) caiu ao longo de uma d\u00e9cada. De 67 mil formados nessa \u00e1rea em 2009, o n\u00famero despencou para 60 mil em 2019.<\/p>\n<div class=\"dummyPub\"><\/div>\n<p>Esses campos s\u00e3o estrat\u00e9gicos tanto para o mercado de trabalho quanto para inova\u00e7\u00f5es cient\u00edficas, e a queda do n\u00famero de especializados prejudica ainda mais o pa\u00eds na corrida pela economia do futuro.<br \/>O ponto fora da curva foi a \u00e1rea que inclui a engenharia, em que o n\u00famero de formados triplicou no per\u00edodo.<\/p>\n<p>O levantamento, feito pela consultoria IDados a partir de dados do Inep, mostra que as universidades p\u00fablicas, especialmente, perderam participa\u00e7\u00e3o no n\u00famero de formados em \u00e1reas priorit\u00e1rias para o mercado de trabalho, apesar de um aumento no total de brasileiros com ensino superior na maior parte das carreiras.<br \/>Em 6 de 8 setores de conhecimento analisados, elas tiveram queda no percentual de diplomados na compara\u00e7\u00e3o com as institui\u00e7\u00f5es privadas.<\/p>\n<p>Na compara\u00e7\u00e3o entre 2009 e 2019, na \u00e1rea de sa\u00fade e bem-estar, por exemplo, o percentual de formados nessas institui\u00e7\u00f5es caiu de 20,7% para 16,4%, enquanto a fatia do setor privado subiu de 79,3% para 83,6%. Na de agricultura, silvicultura, pesca e veterin\u00e1ria, a universidade p\u00fablica perdeu quase 12 pontos percentuais, de 59,2% para 47,8%.<\/p>\n<p>Mesmo quando ocorreu um aumento significativo no n\u00famero de diplomados \u2013como os da \u00e1rea de engenharia, produ\u00e7\u00e3o e constru\u00e7\u00e3o, que passaram de 21,4 mil para 61,1 mil no per\u00edodo\u2013, a fatia das institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas caiu de 38,2% para 24,5%.<\/p>\n<p>O desempenho errante do pa\u00eds em formar profissionais voltados principalmente para ci\u00eancia e computa\u00e7\u00e3o vai na contram\u00e3o do resto do mundo. Um estudo recente, da colunista da Folha Cecilia Machado, em parceria com os pesquisadores La\u00edsa Rachter, F\u00e1bio Schanaider e Mariana Stussi, usou diferentes bases de dados para mapear os trabalhadores STEM no Brasil.<\/p>\n<p>No terceiro trimestre do ano passado, o n\u00famero de trabalhadores em fun\u00e7\u00f5es STEM era de 1,5 milh\u00e3o, enquanto os demais passavam de 7,6 milh\u00f5es. Enquanto isso, na economia norte-americana, 10 milh\u00f5es (7%) ocupam essas fun\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Segundo o pesquisador do FGV Ibre (Instituto Brasileiro de Economia, da Funda\u00e7\u00e3o Getulio Vargas) Fernando Veloso, \u00e9 vis\u00edvel o esfor\u00e7o que os pa\u00edses desenvolvidos t\u00eam feito para aumentar investimentos na forma\u00e7\u00e3o de trabalhadores do futuro.<\/p>\n<p>&#8220;H\u00e1 uma tentativa de preparar as futuras gera\u00e7\u00f5es e tamb\u00e9m sobre como requalificar quem j\u00e1 est\u00e1 no mercado de trabalho. No Brasil, a experi\u00eancia mais recente foi com o Pronatec, mas que teve resultados muito abaixo das expectativas.&#8221;<\/p>\n<p>Ele destaca que os programas em que o governo tenta determinar as \u00e1reas de forma\u00e7\u00e3o costumam ter um desempenho pior do que aqueles em que h\u00e1 um di\u00e1logo com as empresas para facilitar a empregabilidade do aluno no futuro em fun\u00e7\u00f5es com demanda mais clara.<\/p>\n<p>Veloso tamb\u00e9m considera que h\u00e1, muitas vezes, um excesso de academicismo nas institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas de ensino superior. &#8220;O ensino, muitas vezes, \u00e9 mais voltado para pesquisas e com menos conex\u00e3o com o mercado de trabalho. Uma alternativa, como o que acontece nas faculdades comunit\u00e1rias norte-americanas, seria tentar tornar a universidade p\u00fablica mais flex\u00edvel, sem perder a qualidade.&#8221;<\/p>\n<p>&#8220;A gente ouve muito falar na baixa produtividade do trabalhador brasileiro, ent\u00e3o, poderia haver uma orienta\u00e7\u00e3o mais clara por parte do governo federal para avan\u00e7armos nessas \u00e1reas-chave&#8221;, diz o pesquisador Guilherme Hirata, da IDados.<\/p>\n<p>J\u00e1 Amauri Fragoso de Medeiros, do Andes-SN (Sindicato Nacional dos Docentes das Institui\u00e7\u00f5es de Ensino Superior) e professor da Universidade Federal de Campina Grande (PB), avalia que gerar conhecimento apenas tendo em vista suprir o mercado de trabalho \u00e9 uma quest\u00e3o falaciosa.<\/p>\n<p>&#8220;O mercado \u00e9 apenas uma c\u00e9lula da sociedade, n\u00e3o \u00e9 a sociedade inteira. Al\u00e9m disso, o que se observa \u00e9 que as universidades privadas pegam as camadas mais pobres da popula\u00e7\u00e3o, na ilus\u00e3o de comprar com a educa\u00e7\u00e3o uma melhora na qualidade de vida que n\u00e3o veio.&#8221;<\/p>\n<p>Para Claudia Massei, executiva da Siemens na Alemanha, al\u00e9m de formar mais profissionais voltados para as profiss\u00f5es do futuro, o Brasil precisa desenvolver um mercado de trabalho que absorva mais profissionais ap\u00f3s formados.<\/p>\n<p>&#8220;Do lado privado, muitas empresas de grande porte que est\u00e3o no Brasil n\u00e3o t\u00eam centros de pesquisa no pa\u00eds. Na pol\u00edtica p\u00fablica, falta estrat\u00e9gia para definir o profissional que ser\u00e1 demandado em cinco ou dez anos.&#8221;<\/p>\n<p>Sobre a perspectiva de aumento na oferta de vagas para as \u00e1reas STEM, Elizabeth Guedes, da Anup (Associa\u00e7\u00e3o Nacional das Universidades Particulares), que tamb\u00e9m \u00e9 irm\u00e3 do ministro da Economia, Paulo Guedes, avalia que isso deve se dar de forma contundente nos pr\u00f3ximos anos.<\/p>\n<p>&#8220;O futuro social e econ\u00f4mico do Brasil depende da forma\u00e7\u00e3o de profissionais preparados para enfrentar os novos desafios de um mundo onde as cadeias de valor est\u00e3o interligadas&#8221;, diz ela.Universidade p\u00fablica n\u00e3o consegue acompanhar o ritmo das privadas<\/p>\n<p>A universidade p\u00fablica n\u00e3o conseguiu acompanhar o ritmo das particulares, mesmo quando elas conseguiram um aumento no n\u00famero de vagas, diz Hirata, da IDados.<\/p>\n<p>&#8220;A depender da \u00e1rea de forma\u00e7\u00e3o, a redu\u00e7\u00e3o foi consider\u00e1vel na propor\u00e7\u00e3o dos que saem da universidade p\u00fablica. J\u00e1 a expans\u00e3o de universidades privadas foi fomentada por programas de financiamento e descontos de mensalidades, o que facilitou bastante o aumento de diplomas.&#8221;<\/p>\n<p>Segundo Adriano Senkevics, pesquisador do Inep e doutor em educa\u00e7\u00e3o pela USP (Universidade de S\u00e3o Paulo), o per\u00edodo de 2009 at\u00e9 2019 compreende dois momentos opostos para o ensino superior: o que vai at\u00e9 2015 \u00e9 de um novo olhar para universidade p\u00fablica, por meio do Reuni (Programa de Apoio a Planos de Reestrutura\u00e7\u00e3o e Expans\u00e3o das Universidades Federais), e de apoio ao ensino privado, com Fies e ProUni.<\/p>\n<p>&#8220;Ao longo da expans\u00e3o do ensino superior, no entanto, o setor p\u00fablico perdeu espa\u00e7o, enquanto o privado cresceu em ritmo forte, absorvendo uma massa de jovens maior ao longo do tempo e aumentando sua participa\u00e7\u00e3o relativa&#8221;, diz.<\/p>\n<p>Ele pondera que pesa nessa diferen\u00e7a de desempenho a politica do setor privado de oferta de cursos mais baratos e voltados para o mercado de trabalho, enquanto o p\u00fablico tem carreiras mais caras e que dependem de professores mais especializados. &#8220;A diferen\u00e7a qualitativa dos dois sistemas tamb\u00e9m imp\u00f5e ritmos de expans\u00e3o distintos.&#8221;<\/p>\n<p>A partir de 2015, quando o pa\u00eds entrou em recess\u00e3o, ambos os sistemas entraram em uma fase amarga de estagna\u00e7\u00e3o e de perda de recursos. Do lado das universidades p\u00fablicas, o per\u00edodo foi de recursos minguados, cen\u00e1rio que persiste at\u00e9 hoje.<\/p>\n<p>No fim do ano passado, uma reportagem do jornal O Globo mostrou, a partir de dados do Painel do Or\u00e7amento Federal, que os recursos para gastos discricion\u00e1rios (usados para pagar \u00e1gua, luz, bolsas, insumos para pesquisas, entre outros itens) estavam em 2021 no n\u00edvel mais baixo desde 2004, mesmo com o dobro de alunos nas universidades p\u00fablicas.<\/p>\n<p>No caso das privadas, o freio na expans\u00e3o se deu pela dificuldade que parte dos alunos tem tido para pagar as mensalidades. &#8220;O setor privado sentiu essa queda econ\u00f4mica, com a crise de 2015 e 2016 e agora com a pandemia, e s\u00f3 tem respirado por meio de cursos EAD como estrat\u00e9gia de redu\u00e7\u00e3o de custos&#8221;, diz Senkevics.<\/p>\n<p>De acordo com o Censo da educa\u00e7\u00e3o superior, de 2020, havia 2.457 institui\u00e7\u00f5es de educa\u00e7\u00e3o superior no Brasil. Dessas, 2.153 (87,6%) eram privadas e 304 (12,4%), p\u00fablicas. E 3 em cada 4 estudantes estavam em centros particulares.<\/p>\n<p>Massei, da Siemens, concorda que a universidade p\u00fablica, pela melhor qualidade de ensino, costuma formar profissionais qualificados para trabalhar diferentes \u00e1reas, enquanto boa parte do aumento expressivo nos alunos de cursos particulares se deveu por quest\u00f5es comerciais.<br \/>&#8220;No Brasil, a maior parte do sistema privado de ensino superior acaba sendo guiada pelo lucro, e o sistema p\u00fablico sempre depende muito do or\u00e7amento e da orienta\u00e7\u00e3o governamental.&#8221;<\/p>\n<p>Medeiros, do Andes-SN, diz que, embora as universidades tenham autonomia para gerir o n\u00famero de vagas e de cursos, essa liberdade \u00e9 limitada pela falta de recursos.<\/p>\n<p>&#8220;Nos \u00faltimos anos, apesar do Reuni, houve uma clara virada de investimentos do governo no setor privado, o que explica boa parte da perda de participa\u00e7\u00e3o da universidade p\u00fablica em alguns setores.&#8221;<br \/>O porta-voz do Andes tamb\u00e9m destaca o papel fundamental que as institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas t\u00eam no desenvolvimento de pesquisas, bem a frente do setor privado.<\/p>\n<p>A liga\u00e7\u00e3o das institui\u00e7\u00f5es particulares com o mercado de trabalho faz com que elas atendam de forma mais r\u00e1pida \u00e0s demandas por determinadas \u00e1reas de forma\u00e7\u00e3o, rebate Elizabeth Guedes, presidente da Anup (Associa\u00e7\u00e3o Nacional das Universidades Particulares).<\/p>\n<p>&#8220;Teoricamente, as velocidades deveriam ser iguais, uma vez que gozamos da mesma autonomia. Mas sempre olhamos as vagas atuais e as tend\u00eancias para o futuro, considerando-se que as profiss\u00f5es est\u00e3o mudando de forma cont\u00ednua e n\u00e3o suprir essa demanda \u00e9 destinar nosso aluno ao desemprego&#8221;, diz.<\/p>\n<p>Questionado sobre a perda de participa\u00e7\u00e3o das universidades p\u00fablicas no n\u00famero de formados, as dificuldades de abertura de vagas e cursos e a redu\u00e7\u00e3o na verba das universidades, o MEC (Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o) n\u00e3o havia respondido os questionamentos at\u00e9 a publica\u00e7\u00e3o desta reportagem.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.noticiasaominuto.com.br\/economia\/1894328\/na-contramao-mundial-brasil-reduz-diplomados-em-areas-estrategicas?utm_source=rss-economia&amp;amp;utm_medium=rss&amp;amp;utm_campaign=rssfeed\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Read More<\/a><br \/>\nNot\u00edcias ao Minuto Brasil &#8211; Economia<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>DOUGLAS GAVRASS\u00c3O PAULO, SP (FOLHAPRESS) &#8211; Na contram\u00e3o da tend\u00eancia mundial, o n\u00famero de diplomados<\/p>\n","protected":false},"author":0,"featured_media":62136,"comment_status":"","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[11],"tags":[],"class_list":["post-62135","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-economia"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/62135","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=62135"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/62135\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/62136"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=62135"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=62135"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=62135"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}