{"id":60831,"date":"2022-03-12T17:08:40","date_gmt":"2022-03-12T20:08:40","guid":{"rendered":"http:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/2022\/03\/12\/mulheres-ucranianas-antes-vetadas-no-exercito-combatem-russos-na-linha-de-frente\/"},"modified":"2022-03-12T17:08:40","modified_gmt":"2022-03-12T20:08:40","slug":"mulheres-ucranianas-antes-vetadas-no-exercito-combatem-russos-na-linha-de-frente","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/2022\/03\/12\/mulheres-ucranianas-antes-vetadas-no-exercito-combatem-russos-na-linha-de-frente\/","title":{"rendered":"Mulheres ucranianas, antes vetadas no Ex\u00e9rcito, combatem russos na linha de frente"},"content":{"rendered":"<p>FL\u00c1VIA MANTOVANI<br \/>S\u00c3O PAULO, SP (FOLHAPRESS) &#8211; Quando lutou contra separatistas russos na regi\u00e3o do Donbass em 2014, a ucraniana Andriana Susak cobria a cabe\u00e7a com uma balaclava para esconder seu g\u00eanero, j\u00e1 que mulheres estavam proibidas de combater. Hoje oficial do Ex\u00e9rcito, ela exibe abertamente nas redes sociais o uniforme camuflado cheio de ins\u00edgnias \u2013e posta como homenagem fotos de outras militares que n\u00e3o t\u00eam medo de mostrar o rosto.<\/p>\n<div class=\"dummyPub\"><\/div>\n<p>At\u00e9 2016, as For\u00e7as Armadas da Ucr\u00e2nia n\u00e3o aceitavam mulheres em posi\u00e7\u00f5es de combate, pois eram regidas por leis da era sovi\u00e9tica, que proibiam a elas fun\u00e7\u00f5es que afetassem a sa\u00fade reprodutiva. No Donbass, Susak se registrou como costureira volunt\u00e1ria, mas desafiou os comandantes e foi para a linha de frente. Quando engravidou, em 2015, permaneceu nas trincheiras at\u00e9 os cinco meses de gesta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Ela \u00e9 uma das retratadas no document\u00e1rio &#8220;Batalh\u00e3o Invis\u00edvel&#8221; (2017), sobre seis pioneiras que lutaram no front como volunt\u00e1rias no leste da Ucr\u00e2nia, registrando-se como cozinheiras, secret\u00e1rias e enfermeiras. Dirigido por tr\u00eas mulheres, o filme foi parte de uma campanha mais ampla que contribuiu para que a Ucr\u00e2nia passasse a permitir, em 2016, o alistamento feminino em 62 posi\u00e7\u00f5es de combate.<\/p>\n<p>Hoje, elas s\u00e3o ao menos 32 mil, de acordo com n\u00fameros do fim de 2021, ou 15% de todo o Ex\u00e9rcito ucraniano \u2013propor\u00e7\u00e3o aparentemente maior do que a dos oponentes russos; em maio de 2020, o ministro da Defesa de Moscou disse que havia cerca de 41 mil mulheres alistadas, 4,2% do total.<\/p>\n<p>O perfil das mulheres nas For\u00e7as Armadas de Kiev \u00e9 variado, segundo Anastasiia Banit, do Instituto para Programas de G\u00eanero, ONG respons\u00e1vel pelo document\u00e1rio &#8220;Batalh\u00e3o Invis\u00edvel&#8221; e por outras iniciativas em prol de militares ucranianas. &#8220;Quando a R\u00fassia atacou a Ucr\u00e2nia em 2014, nosso Ex\u00e9rcito n\u00e3o estava pronto, ent\u00e3o precisava de muitos volunt\u00e1rios, o m\u00e1ximo poss\u00edvel. \u00c9 por isso que muitas pessoas comuns que n\u00e3o tinham nada a ver com a esfera militar, mulheres tamb\u00e9m, ingressaram&#8221;, diz.<\/p>\n<p>&#8220;Havia mulheres jovens e velhas, com experi\u00eancias profissionais extraordin\u00e1rias em tempos de paz ou sem experi\u00eancia nenhuma, com filhos e sem, casadas e solteiras. Estamos aqui para dar apoio a todas.&#8221;<br \/>Segundo ela, nos \u00faltimos seis anos, o contingente feminino dobrou. Mudan\u00e7as na legisla\u00e7\u00e3o, impulsionadas pelos movimentos de veteranas, contribu\u00edram para tanto.<\/p>\n<p>Em 2018, o governo aprovou uma lei que garante \u00e0s mulheres direitos iguais aos dos homens nas For\u00e7as Armadas. Em 2019, elas passaram a poder estudar em academias militares, nas quais s\u00e3o treinadas para serem oficiais, e no mesmo ano aquelas que lutaram no leste ucraniano em 2014 foram reconhecidas como veteranas, com acesso a benef\u00edcios sociais. Em 2020, os uniformes militares passaram a contar com roupas de baixo femininas, em vez das masculinas que eram padr\u00e3o.<\/p>\n<p>Hoje, algumas bases militares possuem consultoras de g\u00eanero, que trabalham para convencer oficiais mais conservadores a seguirem pol\u00edticas de equidade em seus batalh\u00f5es. Mas casos de discrimina\u00e7\u00e3o persistem: em agosto, o Minist\u00e9rio da Defesa queria que as mulheres marchassem em um desfile de salto alto, em vez de botas. Parlamentares de oposi\u00e7\u00e3o e grupos feministas protestaram.<\/p>\n<p>&#8220;Os saltos sempre foram inclu\u00eddos nos uniformes militares femininos na Ucr\u00e2nia, mas s\u00f3 agora vemos que as pessoas come\u00e7am a entender como esses elementos estereotipados s\u00e3o desnecess\u00e1rios&#8221;, afirma Banit. &#8220;Alguns postos ainda s\u00e3o proibidos. Elas enfrentam o sexismo de chefes e companheiros, \u00e0s vezes da fam\u00edlia e da sociedade. Tivemos avan\u00e7os, mas livrar-se de preconceitos em uma esfera t\u00e3o masculina \u00e9 uma longa jornada.&#8221;<\/p>\n<p>Segundo ela, at\u00e9 recentemente a ONG vinha trabalhando para prevenir a viol\u00eancia sexual no Ex\u00e9rcito, com a cria\u00e7\u00e3o, por exemplo, de um atendimento virtual para apoio psicol\u00f3gico e canal de den\u00fancia para casos de ass\u00e9dio, viol\u00eancia ou abuso sexual. Hoje, a equipe lida com necessidades mais emergenciais, que surgiram ap\u00f3s a invas\u00e3o russa do fim de fevereiro.<\/p>\n<p>No fim de 2021, quando a R\u00fassia come\u00e7ou a mobilizar tropas na fronteira, o Minist\u00e9rio da Defesa ucraniano pediu que mulheres de 18 a 60 anos se alistassem, e muitas receberam treinamento militar. Cursos de autodefesa em cidades do leste tamb\u00e9m passaram a ser mais procurados por mulheres.<\/p>\n<p>A ag\u00eancia de not\u00edcias Reuters acompanhou uma m\u00e3e de 44 anos, gerente de uma construtora, e uma estudante de direito de 23 que passavam os fins de semana aprendendo tiro, artes marciais e primeiros socorros em um desses cursos na cidade de Kharkiv. Segundo o instrutor, um veterano de guerra, a demanda pelas aulas aumentava a cada novo ind\u00edcio de agress\u00e3o russa.<\/p>\n<p>Em um conflito marcado pela forte propaganda nas redes sociais de ambos os lados, mulheres tamb\u00e9m t\u00eam sido exibidas como hero\u00ednas em posts. A primeira-dama ucraniana, Olena Zelenska, homenageou-as com a foto de uma militar em uma trincheira, em sua conta com 2,5 milh\u00f5es de seguidores no Instagram.<\/p>\n<p>&#8220;Antes da guerra, escrevi que a Ucr\u00e2nia tem 2 milh\u00f5es de mulheres a mais do que homens. Essa estat\u00edstica agora assumiu um significado totalmente novo, porque significa que nossa oposi\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m tem um rosto feminino&#8221;, escreveu. Outro exemplo \u00e9 o v\u00eddeo-selfie de uma soldado n\u00e3o identificada que viralizou no Twitter. Caminhando, com a luz do sol ao fundo, ela se emociona e diz: &#8220;Ainda estou viva, o sol est\u00e1 brilhando, os p\u00e1ssaros est\u00e3o cantando. Tudo vai ficar bem. Longa vida \u00e0 Ucr\u00e2nia&#8221;.<\/p>\n<p>A como\u00e7\u00e3o gerou tamb\u00e9m not\u00edcias falsas, como a de que a miss Ucr\u00e2nia Anastasiia Lenna teria se juntado ao Ex\u00e9rcito para lutar contra os russos. O boato ganhou for\u00e7a quando viralizou uma foto que ela publicou nas redes segurando uma arma. Depois, ela pr\u00f3pria postou um v\u00eddeo esclarecendo que a arma era de airsoft, hobby que j\u00e1 tinha sido mencionado.<\/p>\n<p>&#8220;N\u00e3o sou uma militar. Sou apenas uma mulher, um ser humano normal&#8221;, disse, acrescentando que a inten\u00e7\u00e3o era &#8220;inspirar as pessoas&#8221; e &#8220;mostrar que as ucranianas s\u00e3o fortes, confiantes e poderosas&#8221;.<\/p>\n<p>Para Anastasiia Banit, o melhor Ex\u00e9rcito \u00e9 aquele &#8220;com profissionais que realmente querem proteger seu pa\u00eds e sabem o que est\u00e3o fazendo&#8221;, independentemente do g\u00eanero. &#8220;Cortar as mulheres desse campo significa diminuir o n\u00famero de membros potencialmente habilidosos e valiosos. O Ex\u00e9rcito que inclui mulheres \u00e9 a \u00fanica maneira que um Ex\u00e9rcito deveria ser.&#8221;<\/p>\n<p>Not\u00edcias ao Minuto Brasil &#8211; Mundo<br \/>\n<a href=\"https:\/\/www.noticiasaominuto.com.br\/mundo\/1892150\/mulheres-ucranianas-antes-vetadas-no-exercito-combatem-russos-na-linha-de-frente?utm_source=rss-mundo&amp;amp;utm_medium=rss&amp;amp;utm_campaign=rssfeed\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Read More<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>FL\u00c1VIA MANTOVANIS\u00c3O PAULO, SP (FOLHAPRESS) &#8211; Quando lutou contra separatistas russos na regi\u00e3o do Donbass<\/p>\n","protected":false},"author":0,"featured_media":60832,"comment_status":"","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[],"class_list":["post-60831","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-mundo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/60831","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=60831"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/60831\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/60832"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=60831"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=60831"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=60831"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}