{"id":59288,"date":"2022-03-03T11:08:30","date_gmt":"2022-03-03T14:08:30","guid":{"rendered":"http:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/2022\/03\/03\/aquecimento-global-de-15c-pode-levar-ate-14-das-especies-a-extincao\/"},"modified":"2022-03-03T11:08:30","modified_gmt":"2022-03-03T14:08:30","slug":"aquecimento-global-de-15c-pode-levar-ate-14-das-especies-a-extincao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/2022\/03\/03\/aquecimento-global-de-15c-pode-levar-ate-14-das-especies-a-extincao\/","title":{"rendered":"Aquecimento global de 1,5\u00b0C pode levar at\u00e9 14% das esp\u00e9cies \u00e0 extin\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>S\u00c3O PAULO, SP (FOLHAPRESS) &#8211; Em um cen\u00e1rio pr\u00f3ximo do atual, o aquecimento global de 1,5\u00b0C pode levar 9% a 14% das esp\u00e9cies de todos os ecossistemas a um risco muito alto de extin\u00e7\u00e3o. O planeta j\u00e1 aqueceu 1,1\u00b0C.<\/p>\n<div class=\"dummyPub\"><\/div>\n<p>A avalia\u00e7\u00e3o faz parte do novo relat\u00f3rio do IPCC (Painel Intergovernamental de Mudan\u00e7a do Clima da ONU, na sigla em ingl\u00eas), lan\u00e7ado na segunda-feira (28). Elaborado por 270 cientistas, o estudo revisou 34 mil pesquisas e computou os impactos das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas para o desenvolvimento humano e para a biodiversidade.<\/p>\n<p>O painel do clima classifica como prov\u00e1vel o risco de extin\u00e7\u00e3o de 9% a 14% de esp\u00e9cies em todos os ecossistemas com o aquecimento de 1,5\u00b0C. Em um cen\u00e1rio de 2\u00b0C de aquecimento m\u00e9dio global, o risco de extin\u00e7\u00e3o sobre para a faixa de 10% a 18%, chegando ao m\u00e1ximo de 48% em um cen\u00e1rio de 5\u00b0C.<\/p>\n<p>Os grupos sob maior risco s\u00e3o os invertebrados e os polinizadores, seguidos de anf\u00edbios e plantas com flores. Embora os cen\u00e1rios em que o aquecimento global \u00e9 contido em at\u00e9 2\u00b0C sejam muito menos danosos \u00e0 biodiversidade, o relat\u00f3rio observa que at\u00e9 mesmo a m\u00ednima taxa de extin\u00e7\u00e3o prevista -9%- \u00e9 mil vezes maior que o ritmo natural.<\/p>\n<p>Desde o \u00faltimo relat\u00f3rio do tipo lan\u00e7ado pelo IPCC, em 2014, a cobertura geogr\u00e1fica das pesquisas foi ampliada, assim como os modelos clim\u00e1ticos usados nas proje\u00e7\u00f5es de cen\u00e1rios.<\/p>\n<p>&#8220;Uma coisa que nos surpreendeu \u00e9 que diversos hotspots [\u00e1reas priorit\u00e1rias] no Brasil, na Amaz\u00f4nia, mata atl\u00e2ntica e no cerrado, est\u00e3o entre os mais bem estudados do mundo em termos dos impactos projetados das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas&#8221;, afirma Mariana Vale, pesquisadora da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) e uma das autoras do relat\u00f3rio do IPCC.<\/p>\n<p>&#8220;Desde a \u00faltima edi\u00e7\u00e3o do relat\u00f3rio, em 2014, houve uma gera\u00e7\u00e3o de conhecimento muito grande. Mas ainda h\u00e1 car\u00eancia de estudos na caatinga, pantanal e pampas&#8221;, ela aponta.<\/p>\n<p>No caso de esp\u00e9cies end\u00eamicas em \u00e1reas priorit\u00e1rias de conserva\u00e7\u00e3o da biodiversidade, o risco de extin\u00e7\u00e3o pode dobrar no cen\u00e1rio de aquecimento entre 1,5\u00b0C e 2\u00b0C e aumentar pelo menos dez vezes se o aquecimento saltar para 3\u00b0C, segundo o relat\u00f3rio.<\/p>\n<p>Dano irrevers\u00edvel \u00e0 biodiversidade, a extin\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies desencadeia uma s\u00e9rie de impactos aos ecossistemas e aos servi\u00e7os ambientais que afetam a sa\u00fade humana.<\/p>\n<p>&#8220;As esp\u00e9cies s\u00e3o a unidade fundamental dos ecossistemas e o aumento do risco para elas aumenta o risco para a integridade, funcionamento e resili\u00eancia do ecossistema&#8221;, afirma o relat\u00f3rio.<\/p>\n<p>&#8220;\u00c0 medida que as esp\u00e9cies se tornam raras, seus pap\u00e9is no funcionamento do ecossistema diminuem. A perda de esp\u00e9cies reduz a capacidade de um ecossistema de fornecer servi\u00e7os e diminui sua resili\u00eancia \u00e0s mudan\u00e7as clim\u00e1ticas&#8221;, explica o estudo.<\/p>\n<p>A perda de biodiversidade e a degrada\u00e7\u00e3o ambiental j\u00e1 s\u00e3o observadas em todas as regi\u00f5es do planeta atualmente. As mudan\u00e7as no biomas e o risco de inc\u00eandios tamb\u00e9m aumentam com a eleva\u00e7\u00e3o da temperatura.<\/p>\n<p>&#8220;Aproximadamente metade das esp\u00e9cies avaliadas globalmente se mudaram para os polos ou, em terra, tamb\u00e9m para altitudes mais elevadas. Centenas de perdas locais de esp\u00e9cies foram impulsionado por aumentos na magnitude de extremos de calor, bem como eventos de mortandade em massa em terra e no oceano e perda de florestas de algas&#8221;, aponta o painel do clima.<\/p>\n<p>A perda de popula\u00e7\u00e3o local de esp\u00e9cies tamb\u00e9m j\u00e1 est\u00e1 acontecendo devido \u00e0s mudan\u00e7as na temperatura, especialmente ondas de calor e secas prolongadas.<\/p>\n<p>De 976 esp\u00e9cies avaliadas em diversas regi\u00f5es do mundo, 47% sofreram extin\u00e7\u00e3o de popula\u00e7\u00f5es locais em anos de temperatura recorde.<\/p>\n<p>A maior parte da extin\u00e7\u00e3o de popula\u00e7\u00f5es locais da biodiversidade aconteceu em regi\u00f5es tropicais (55%), enquanto 39% aconteceu em regi\u00f5es temperadas. Os ambientes de \u00e1gua doce tamb\u00e9m tiveram maior desaparecimento de popula\u00e7\u00f5es inteiras (74%). Os habitats marinhos sofreram perdas de 51% e os terrestres, de 46%. Metade das popula\u00e7\u00f5es extintas foi de animais (50%), outros 39% das perdas foram de plantas.<\/p>\n<p>O sapo-dourado foi uma das esp\u00e9cies cuja extin\u00e7\u00e3o, em 1990, \u00e9 associada \u00e0 mudan\u00e7a do clima. End\u00eamico das florestas de altitude da Costa Rica, ele desapareceu ap\u00f3s sucessivas secas extremas.<\/p>\n<p>Outro caso citado pelo relat\u00f3rio da ONU \u00e9 de uma esp\u00e9cie de gamb\u00e1 da Austr\u00e1lia, que quase desapareceu ap\u00f3s ondas de calor em 2005 -quatro anos depois, apenas dois indiv\u00edduos da esp\u00e9cie foram encontrados.<\/p>\n<p>Estudos t\u00eam avaliado as altera\u00e7\u00f5es gen\u00e9ticas de algumas esp\u00e9cies, mas experimentos de sele\u00e7\u00e3o controlada e observa\u00e7\u00f5es de campo indicam que a evolu\u00e7\u00e3o n\u00e3o impediria que uma esp\u00e9cie se extinguisse, caso seu espa\u00e7o clim\u00e1tico desaparecesse globalmente.<\/p>\n<p>&#8220;Riscos clim\u00e1ticos fora daqueles aos quais as esp\u00e9cies est\u00e3o adaptadas est\u00e3o ocorrendo em todos os continentes. Eventos extremos mais frequentes e intensos, sobrepostos a tend\u00eancias clim\u00e1ticas de longo prazo, t\u00eam empurrado esp\u00e9cies e ecossistemas sens\u00edveis para pontos de inflex\u00e3o, al\u00e9m da capacidade de adapta\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica e evolutiva&#8221;, aponta o relat\u00f3rio.<\/p>\n<p>No entanto, se houver ref\u00fagios com temperaturas mais baixas, as esp\u00e9cies podem persistir.<\/p>\n<p>&#8220;Proteger ref\u00fagios, por exemplo, onde os solos permanecem \u00famidos durante a seca ou o risco de inc\u00eandio \u00e9 reduzido e, em alguns casos, criando microclimas mais frios, s\u00e3o medidas de adapta\u00e7\u00e3o promissoras&#8221;, conclui o estudo, embora ressalve que ainda h\u00e1 pouca literatura cient\u00edfica sobre a efetividade das medidas de adapta\u00e7\u00e3o clim\u00e1tica para proteger ecossistemas.<\/p>\n<p>As medidas transversais, defende o painel do clima, podem representar solu\u00e7\u00f5es conjuntas para a biodiversidade e o desenvolvimento humano.<\/p>\n<p>&#8220;Evid\u00eancias crescentes mostram que t\u00e9cnicas de adapta\u00e7\u00e3o baseadas em ecossistemas em \u00e1reas urbanas e rurais podem diminuir os riscos clim\u00e1ticos para as pessoas (em inunda\u00e7\u00f5es, secas, inc\u00eandios e superaquecimento) e tamb\u00e9m ter benef\u00edcios para a biodiversidade e a prote\u00e7\u00e3o das florestas&#8221;, diz o relat\u00f3rio.<\/p>\n<p>Not\u00edcias ao Minuto Brasil &#8211; Mundo<br \/>\n<a href=\"https:\/\/www.noticiasaominuto.com.br\/brasil\/1889294\/aquecimento-global-de-1-5c-pode-levar-ate-14-das-especies-a-extincao?utm_source=rss-mundo&amp;amp;utm_medium=rss&amp;amp;utm_campaign=rssfeed\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Read More<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>S\u00c3O PAULO, SP (FOLHAPRESS) &#8211; Em um cen\u00e1rio pr\u00f3ximo do atual, o aquecimento global de<\/p>\n","protected":false},"author":0,"featured_media":59289,"comment_status":"","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[],"class_list":["post-59288","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-mundo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/59288","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=59288"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/59288\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/59289"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=59288"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=59288"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=59288"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}