{"id":58686,"date":"2022-02-27T12:13:05","date_gmt":"2022-02-27T15:13:05","guid":{"rendered":"http:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/2022\/02\/27\/crescem-as-mortes-por-infarto-em-mulheres-jovens-durante-a-pandemia\/"},"modified":"2022-02-27T12:13:05","modified_gmt":"2022-02-27T15:13:05","slug":"crescem-as-mortes-por-infarto-em-mulheres-jovens-durante-a-pandemia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/2022\/02\/27\/crescem-as-mortes-por-infarto-em-mulheres-jovens-durante-a-pandemia\/","title":{"rendered":"Crescem as mortes por infarto em mulheres jovens durante a pandemia"},"content":{"rendered":"<p>CL\u00c1UDIA COLLUCCI<br \/>S\u00c3O PAULO, SP (FOLHAPRESS) &#8211; A morte por infarto agudo do mioc\u00e1rdio da m\u00e9dica Ana Carolina Borges Gorga, 30, no m\u00eas passado durante plant\u00e3o em um hospital de Cubat\u00e3o (litoral paulista), acendeu o alerta para a escalada desses \u00f3bitos em mulheres jovens durante a pandemia de Covid-19.<\/p>\n<div class=\"dummyPub\"><\/div>\n<p>Um levantamento in\u00e9dito da SBC (Sociedade Brasileira de Cardiologia), a partir dos dados do Portal da Transpar\u00eancia da Associa\u00e7\u00e3o Nacional dos Registradores de Pessoas Naturais (Arpen-Brasil), mostra que entre 20 e 29 anos, foram 161 mortes em 2021, contra 132 em 2020 e 131, em 2019 -um aumento de 22%.<\/p>\n<p>Entre mulheres de 30 a 39 anos, a alta foi de 27% em rela\u00e7\u00e3o a 2020 (638 contra 494). Em 2019, foram 464 \u00f3bitos. Entre 40 e 49 anos, o salto foi de 25,3% (2.050 mortes contra 1.636). Em 2019, foram 1.543 \u00f3bitos.<\/p>\n<p>Os dados foram extra\u00eddos a partir das certid\u00f5es de \u00f3bito registradas nos cart\u00f3rios. As informa\u00e7\u00f5es oficiais do SIM (Sistema de Informa\u00e7\u00f5es sobre Mortalidade), do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, de 2021, ainda n\u00e3o est\u00e3o dispon\u00edveis.<\/p>\n<p>O aumento de mortes por infarto tamb\u00e9m \u00e9 observado entre homens jovens no per\u00edodo. Por exemplo, na faixa et\u00e1ria dos 20 aos 29 anos, passou de 351 para 440, entre 2019 e 2021. Dos 30 aos 39, passou de 1.106 para 1.531. E entre 40 e 49 anos, de 3.513 para 4.243.<\/p>\n<p>Um estudo apresentado em encontro do Col\u00e9gio Americano de Cardiologia mostra que, nos Estados Unidos, o n\u00famero de infartos se estabilizou entre os americanos mais velhos, mas a incid\u00eancia entre adultos jovens se amplia 2% ao ano. O mesmo movimento come\u00e7a a ser observado no Brasil. A explica\u00e7\u00e3o seria o aumento de h\u00e1bitos n\u00e3o saud\u00e1veis, como sedentarismo, excesso de peso, tabagismo e estresse -que pioraram durante a pandemia de Covid-19.<\/p>\n<p>A preocupa\u00e7\u00e3o dos m\u00e9dicos \u00e9 que, em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s mulheres jovens, ainda h\u00e1 muita dificuldade no reconhecimento dos sinais de infarto, que s\u00e3o confundidos com crise de ansiedade, por exemplo. Tanto por elas pr\u00f3prias e seus familiares quanto nas salas de emerg\u00eancia dos hospitais.<\/p>\n<p>Foi o que aconteceu com auxiliar de enfermagem Bianca de Souza da Silva, 36, do Rio de Janeiro. Ela sofreu um infarto no dia 29 de julho de 2020, dois meses depois de ter tido a forma leve da Covid. &#8220;Comecei a sentir calafrios, sudorese e muita dor no peito. Meu marido pensou que fosse crise de ansiedade porque eu j\u00e1 tive anos atr\u00e1s. Mas eu sentia que era algo diferente.&#8221;<\/p>\n<p>Como n\u00e3o tinha nenhum fator de risco card\u00edaco, a equipe m\u00e9dica que a atendeu na emerg\u00eancia tamb\u00e9m suspeitou de ansiedade e a medicou com ansiol\u00edtico. &#8220;Eu dizia: doutora, eu t\u00f4 infartando, eu t\u00f4 infartando. E ela respondia: &#8216;esse rem\u00e9dio vai te acalmar.&#8217; Quando saiu o resultado do exame de sangue, s\u00f3 me lembro de ouvir o pessoal gritando CTI, CTI, CTI, ela infartou, ela infartou. Fiquei uma semana na UTI.&#8221;<\/p>\n<p>De acordo com o cardiologista intervencionista Esmeralci Ferreira, coordenador do setor de hemodin\u00e2mica do Hospital Universit\u00e1rio Pedro Ernesto, no Rio, para onde Bianca foi transferida para fazer uma angioplastia, \u00e9 muito comum que os sintomas do infarto em mulheres jovens sejam negligenciados por elas e pelos companheiros, levando a uma demora na busca por atendimento.<\/p>\n<p>&#8220;Esse tempo mais demorado leva a mais perda de m\u00fasculo card\u00edaco, e o resultado tende a ser pior porque j\u00e1 tem uma forma\u00e7\u00e3o de trombo mais acentuada&#8221;, explica Ferreira.<\/p>\n<p>A cardiologista Gl\u00e1ucia Maria Moraes de Oliveira, professora da Uerj (Universidade Estadual do Rio de Janeiro), tamb\u00e9m refor\u00e7a que essa demora no reconhecimento do infarto em mulheres jovens tamb\u00e9m ocorre nos setores de emerg\u00eancia nos hospitais.<\/p>\n<p>&#8220;H\u00e1 estudos que mostram que os m\u00e9dicos ainda t\u00eam dificuldade de perceber esses sintomas. Acham que as mulheres est\u00e3o estressadas, ansiosas, as medicam e logo as despacham. H\u00e1 alguns trabalhos mostrando que as m\u00e9dicas mulheres parecem estar mais atentas em reconhecer esses sintomas, e a taxa de sobreviv\u00eancia das pacientes acaba sendo maior.&#8221;<\/p>\n<p>Historicamente, h\u00e1 aumento de casos e mortes por infarto e doen\u00e7as cardiovasculares em mulheres acima dos 50 anos e isso j\u00e1 \u00e9 esperado devido \u00e0 menopausa. Nessa fase da vida da mulher, existe uma perda da prote\u00e7\u00e3o que o horm\u00f4nio estrog\u00eanio d\u00e1 ao cora\u00e7\u00e3o. Entre outras fun\u00e7\u00f5es, esse horm\u00f4nio estimula a dilata\u00e7\u00e3o dos vasos, facilitando o fluxo sangu\u00edneo.<\/p>\n<p>Para cardiologistas, o aumento dessa juveniliza\u00e7\u00e3o das mortes card\u00edacas por infarto tamb\u00e9m pode estar ligada \u00e0 Covid-19, uma vez que pesquisas j\u00e1 mostraram que a pandemia tem aumentado o risco de doen\u00e7as cardiovasculares. Tanto pelos efeitos da infec\u00e7\u00e3o no cora\u00e7\u00e3o quanto pela piora dos h\u00e1bitos de vida.<\/p>\n<p>\u00c9 tamb\u00e9m a justificativa de Bianca Silva na falta explica\u00e7\u00e3o cl\u00ednica para ter infartado aos 35 anos e agora carregar no cora\u00e7\u00e3o dois stents. &#8220;Meu colesterol \u00e9 baixo, n\u00e3o tenho sobrepeso, me alimento bem, n\u00e3o sou sedent\u00e1ria, n\u00e3o tenho hipertens\u00e3o ou diabetes, n\u00e3o tenho hist\u00f3rico familiar de doen\u00e7a card\u00edaca. S\u00f3 pode ter sido a Covid&#8221;, diz ela, que teve a forma moderada da doen\u00e7a dois meses antes do infarto.<\/p>\n<p>Para a cardiologista Maria Cristina de Almeida, que coordena o departamento de doen\u00e7a coronariana da Sociedade Brasileira de Cardiologia, independentemente dos efeitos sabidos da Covid-19 no cora\u00e7\u00e3o, \u00e9 muito mais prov\u00e1vel que esse aumento de mortes por infartos em mulheres jovens esteja relacionado ao estilo de vida, que piorou durante a crise sanit\u00e1ria.<\/p>\n<p>&#8220;Elas est\u00e3o estressadas, mais sedent\u00e1rias, fumando muito, com obesidade, deprimidas e isso tudo afeta o cora\u00e7\u00e3o. Sem falar da associa\u00e7\u00e3o entre tabagismo e o uso de anticoncepcional oral. Isso \u00e9 um veneno. Com a pandemia, a situa\u00e7\u00e3o piorou ainda mais.&#8221;<\/p>\n<p>Dados da Pesquisa de Vigil\u00e2ncia de Fatores de Risco e Prote\u00e7\u00e3o para Doen\u00e7as Cr\u00f4nicas por Inqu\u00e9rito Telef\u00f4nico (Vigitel, 2020), 65% das mulheres entre 18 e 45 anos est\u00e3o com excesso de peso, e cerca de um quinto delas, obesas. Cerca de 27% t\u00eam hipertens\u00e3o. J\u00e1 a taxa de diabetes, outra doen\u00e7a que aumenta o risco cardiovascular, dobrou entre mulheres de 24 a 35 anos.<\/p>\n<p>A faxineira Adriana de Souza Ferreira, 42, infartou em agosto de 2020. &#8220;Minha vida era muito corrida, estressada, me alimentava mal, fumava muito, estava com sobrepeso, n\u00e3o praticava exerc\u00edcio. S\u00f3 vivia correndo de l\u00e1 para c\u00e1. Na pandemia, piorou, tudo ficou ainda mais dif\u00edcil&#8221;, conta.<\/p>\n<p>Ela diz que nem suspeitou que as dores nas costas, no peito e nos bra\u00e7os pudessem ser sintomas de um ataque card\u00edaco. &#8220;Quem imagina infartar com 40 anos? Achei que fosse dor muscular. Mas foi piorando, chamaram ambul\u00e2ncia e, a caminho do hospital, sofri uma parada card\u00edaca. Chegando ao hospital, sofri outra.&#8221;<\/p>\n<p>Segundo a cardiologista Gl\u00e1ucia de Oliveira, a tend\u00eancia de aumento de mortes de mulheres jovens por infarto e outras doen\u00e7as cardiovasculares j\u00e1 era observada antes da pandemia n\u00e3o s\u00f3 no Brasil como nos Estados Unidos tamb\u00e9m. &#8220;Com a pandemia, os filhos em casa, a carga de trabalho triplicou. A ansiedade, a depress\u00e3o, os determinantes sociais s\u00e3o muito mais prevalentes na mulher.&#8221;<\/p>\n<p>Segundo Almeida, da SBC, em geral, a mulher n\u00e3o pensa que pode sofrer ou at\u00e9 morrer de doen\u00e7as cardiovasculares. &#8220;Ela \u00e9 mais fiel ao ginecologista do que ao cardiologista. Ela n\u00e3o sabe que se morre muito mais de doen\u00e7a cardiovascular do que de c\u00e2ncer ginecol\u00f3gico.&#8221;<br \/>No Brasil, mais de 200 mulheres de todas as idades morrem por dia v\u00edtimas de infarto. Se somados outros problemas cardiovasculares, como o AVC, o n\u00famero de mortes chega a ser seis vezes maior do que as causadas por c\u00e2ncer de mama.<\/p>\n<p>A m\u00e9dica lembra um problema ginecol\u00f3gico muito comum entre as mulheres jovens, a s\u00edndrome dos ov\u00e1rios polic\u00edsticos, tamb\u00e9m aumenta o risco cardiovascular.<\/p>\n<p>Em geral, a s\u00edndrome vem acompanhada de obesidade, altera\u00e7\u00e3o do metabolismo da glicose, e hipertens\u00e3o. Mulheres jovens que tiveram pr\u00e9-ecl\u00e2mpsia, diabetes gestacional, abortos de repeti\u00e7\u00e3o ou que tiveram beb\u00eas prematuros tamb\u00e9m t\u00eam um risco maior.<br \/>De acordo com a cardiologista Gl\u00e1ucia de Oliveira, da Uerj, atualmente h\u00e1 uma &#8220;\u00e1rdua&#8221; tentativa de parceria dos cardiologistas com as sociedades de ginecologia e obstetr\u00edcia.<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 preciso que eles chamem aten\u00e7\u00e3o das mulheres para esse aumento enorme do tabagismo, da obesidade, da glicose s\u00e9rica e do sedentarismo. Al\u00e9m disso tudo, elas ganham &#8216;de gr\u00e1tis&#8217; a hipertens\u00e3o. Se a gente n\u00e3o fizer nada, cada vez mais mulheres jovens v\u00e3o morrer.&#8221;<br \/>Adriana Ferreira, m\u00e3e de dois filhos, diz que nunca foi alertada para esses riscos. &#8220;Foi um susto muito grande. Agora parei de fumar, t\u00f4 comendo coisas mais saud\u00e1veis, verduras, me alimento melhor, com fruta, legumes, fa\u00e7o pelo menos uma hora de caminhada, tomo meus rem\u00e9dios direitinho.&#8221;<\/p>\n<p>Gl\u00e1ucia Oliveira tamb\u00e9m lembra que uma parte dos infartos em mulheres jovens n\u00e3o est\u00e1 relacionada a doen\u00e7as obstrutivas das coron\u00e1rias. Uma das causas \u00e9 a disseca\u00e7\u00e3o espont\u00e2nea da coron\u00e1ria. \u00c9 uma condi\u00e7\u00e3o rara, que afeta, em geral, pessoas mais jovens, sem fatores de risco card\u00edacos. Pode ser causada por diversos fatores, como uso de contraceptivos associados ao tabagismo.<\/p>\n<p>Not\u00edcias ao Minuto Brasil &#8211; Brasil<br \/>\n<a href=\"https:\/\/www.noticiasaominuto.com.br\/brasil\/1888253\/crescem-as-mortes-por-infarto-em-mulheres-jovens-durante-a-pandemia?utm_source=rss-brasil&amp;amp;utm_medium=rss&amp;amp;utm_campaign=rssfeed\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Read More<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>CL\u00c1UDIA COLLUCCIS\u00c3O PAULO, SP (FOLHAPRESS) &#8211; A morte por infarto agudo do mioc\u00e1rdio da m\u00e9dica<\/p>\n","protected":false},"author":0,"featured_media":58687,"comment_status":"","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[],"class_list":["post-58686","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-brasil"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/58686","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=58686"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/58686\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/58687"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=58686"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=58686"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=58686"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}