{"id":58486,"date":"2022-02-25T16:08:56","date_gmt":"2022-02-25T19:08:56","guid":{"rendered":"http:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/2022\/02\/25\/estudo-sobre-covid-de-2020-ja-projetava-restricoes-ate-2022\/"},"modified":"2022-02-25T16:08:56","modified_gmt":"2022-02-25T19:08:56","slug":"estudo-sobre-covid-de-2020-ja-projetava-restricoes-ate-2022","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/2022\/02\/25\/estudo-sobre-covid-de-2020-ja-projetava-restricoes-ate-2022\/","title":{"rendered":"Estudo sobre Covid de 2020 j\u00e1 projetava restri\u00e7\u00f5es at\u00e9 2022"},"content":{"rendered":"<p>S\u00c3O PAULO, SP (FOLHAPRESS) &#8211; &#8220;Estrat\u00e9gias intermitentes de distanciamento social talvez precisem ser empregadas at\u00e9 2022 para evitar que o novo coronav\u00edrus continue a colocar em risco os sistemas de sa\u00fade mundo afora.&#8221;<\/p>\n<div class=\"dummyPub\"><\/div>\n<p>Era assim que come\u00e7ava uma reportagem do jornal Folha de S.Paulo de 14 de abril de 2020, nos primeiros meses da pandemia de Covid, contando sobre uma pesquisa publicada na revista Science. O estudo foi assinado por uma equipe liderada por Marc Lipsitch, do departamento de epidemiologia da Universidade Harvard.<\/p>\n<p>Esse trabalho, a partir de dados do Sars-CoV-2 e de outros coronav\u00edrus, constru\u00edra modelos que simulavam poss\u00edveis cen\u00e1rios de evolu\u00e7\u00e3o da Covid ao longo dos anos, at\u00e9 2025.<\/p>\n<p>Nas redes sociais, o estudo e a not\u00edcia sobre ele foram recebidos com rea\u00e7\u00f5es c\u00e9ticas, chacota e, por vezes, tom de preocupa\u00e7\u00e3o.<br \/>&#8220;Kkkkkkk calma ai kkkkkkk piada pronta n\u00e9 at\u00e9 22&#8221;, dizia um coment\u00e1rio no Twitter da Folha de S.Paulo. &#8220;Tem cientistas esquerdistas doentes mentais&#8221;, afimava outro perfil na rede social.<\/p>\n<p>Nesta sexta-feira (25), o Brasil completa dois anos da confirma\u00e7\u00e3o do seu primeiro caso de Covid. Naquele momento, o pa\u00eds se tornava o primeiro da Am\u00e9rica Latina a ter um paciente com o novo v\u00edrus, que at\u00e9 ali matara cerca de 2.700 pessoas no mundo. Dois anos depois, o n\u00famero global de mortos j\u00e1 supera 5,9 milh\u00f5es.<\/p>\n<p>Rea\u00e7\u00f5es semelhantes tamb\u00e9m estiveram presentes em uma postagem, sobre o mesmo estudo, de Atila Iamarino, doutor em virologia.<\/p>\n<p>&#8220;Bom, \u00e9 \u00f3bvio que isso n\u00e3o vai acontecer&#8221;, dizia uma pessoa.<\/p>\n<p>&#8220;Oi \u00e1tila vc viu o estudo que fala que divulgador cient\u00edfico que divulga cen\u00e1rios absurdos como verdades sem ler direito mereceria bicuda no saco at\u00e9 virar bola de basquete?&#8221;, criticava outro.<\/p>\n<p>&#8220;L\u00e1 vem o alarmista!&#8221;, completava mais um internauta.<\/p>\n<p>Recentemente, o tu\u00edte de 2020 de Iamarino foi relembrado, e v\u00e1rios perfis come\u00e7aram a responder ironicamente \u00e0s postagens que duvidavam \u00e0 \u00e9poca que ainda estar\u00edamos, em 2022, com restri\u00e7\u00f5es pela Covid.<\/p>\n<p>Iamarino diz que o tu\u00edte de 2020 o fez perceber que tinha furado a &#8220;bolha&#8221; da divulga\u00e7\u00e3o cient\u00edfica e estava falando com um p\u00fablico mais amplo. No meio cient\u00edfico em que circula normalmente, diz o divulgador, &#8220;o que esse artigo discute n\u00e3o \u00e9 nada de novo&#8221;, mas uma vers\u00e3o formal e revisada sobre o que se sabia e sobre a gravidade da situa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Parte das cr\u00edticas aos tu\u00edtes de Iamarino dizia respeito \u00e0 sua primeira postagem, na qual afirmava que iria ler o estudo com mais calma depois, &#8220;mas as conclus\u00f5es j\u00e1 s\u00e3o tensas&#8221;. Essa constata\u00e7\u00e3o era seguida de um &#8220;fio&#8221; mostrando detalhes da pesquisa.<\/p>\n<p>&#8220;Quem estava disposto a aceitar que a Covid era um problema ficou mal por entender a dimens\u00e3o do problema, e quem n\u00e3o estava disposto estava entendendo isso como um ataque pol\u00edtico&#8221;, diz Iamarino.<\/p>\n<p>Naquele momento, o mundo ainda estava nos primeiros momentos da pandemia. Apesar de j\u00e1 haver alguma informa\u00e7\u00e3o sobre o Sars-CoV-2, a incerteza ainda era muito grande.<\/p>\n<p>Para se ter uma ideia, m\u00e1scaras \u2013uma prote\u00e7\u00e3o hoje tida como b\u00e1sica e essencial\u2013 s\u00f3 se tornaram obrigat\u00f3rias no estado de S\u00e3o Paulo no m\u00eas posterior \u00e0 publica\u00e7\u00e3o do estudo da Science.<\/p>\n<p>A OMS (Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade) s\u00f3 havia declarado a Covid como uma pandemia um m\u00eas antes.<\/p>\n<p>Vitor Mori, f\u00edsico pesquisador na Universidade de Vermont (EUA) e membro do Observat\u00f3rio Covid-19 BR, lembra que na \u00e9poca as pessoas em geral imaginavam que a pandemia n\u00e3o iria muito longe \u2013ou queriam fortemente acreditar nisso.<\/p>\n<p>Mas parte do barulho gerado pelo artigo naquele momento, ele avalia, pode tamb\u00e9m ter sido uma compreens\u00e3o err\u00f4nea da ideia de interven\u00e7\u00f5es &#8220;intermitentes&#8221;, como menciona o estudo.<\/p>\n<p>&#8220;Na \u00e9poca, muitas pessoas interpretaram que a gente ficaria no cen\u00e1rio de fechamento total que vivemos em mar\u00e7o\/abril por cinco anos. Acho que foi mais isso que assustou as pessoas&#8221;, diz Mori.<\/p>\n<p>Naquele momento, n\u00e3o estava claro o comportamento futuro do Sars-CoV-2 e n\u00e3o se sabia a dura\u00e7\u00e3o da imunidade adquirida pela infec\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Considerando a sobrecarga aos sistemas de sa\u00fade que a Covid j\u00e1 mostrava ser capaz de provocar e a falta de drogas e vacinas, o estudo tra\u00e7ava cen\u00e1rios futuros com medidas de distanciamento intermitentes. Elas seriam &#8220;ligadas&#8221; e &#8220;desligadas&#8221; a partir de determinados n\u00edveis de contamina\u00e7\u00e3o, visando impedir o colapso dos sistemas de sa\u00fade \u2013algo que lembra bastante o que vivemos nos \u00faltimos anos.<\/p>\n<p>Com os dados que tinha naquele momento, o estudo estimava que o Sars-CoV-2 poderia causar surtos em qualquer \u00e9poca do ano, algo que vimos com o passar do tempo. E apontava que, caso a imunidade ao v\u00edrus fosse curta (o que sabemos que, de fato, \u00e9), surtos anuais eram esperados.<\/p>\n<p>Os pesquisadores, inclusive, indicavam que haviam considerado que a imunidade contra a doen\u00e7a poderia durar ao menos dois anos, &#8220;mas as medidas de distanciamento social podem precisar ser estendidas se a imunidade ao Sars-CoV-2 diminuir mais rapidamente&#8221;. Hoje sabemos que a prote\u00e7\u00e3o come\u00e7a a cair j\u00e1 em poucos meses, especialmente para casos de infec\u00e7\u00e3o, e com menor for\u00e7a para casos graves e \u00f3bitos.<\/p>\n<p>&#8220;O que esse estudo fez n\u00e3o foi dizer que ia durar. Foi dar uma no\u00e7\u00e3o de quanto tempo seria esse &#8216;durar'&#8221;, resume Iamarino.<\/p>\n<p>A surpresa de parte das pessoas foi reflexo da falta de comunica\u00e7\u00e3o sobre o problema que estava sendo enfrentado e o que viria pela frente.<\/p>\n<p>&#8220;A gente estava na \u00e9poca de an\u00fancios de fechamento por 15 dias. A informa\u00e7\u00e3o [da gravidade] existia, a falha estava na comunica\u00e7\u00e3o para falar que o que a gente iria enfrentar n\u00e3o era uma corrida leve, mas uma maratona&#8221;, diz ainda.<\/p>\n<p>Para Mori, foi um balde de \u00e1gua fria o momento em que come\u00e7ou a ficar claro o enfraquecimento da imunidade por infec\u00e7\u00f5es pr\u00e9vias, algo que se tornou mais evidente no fim de 2020, pr\u00f3ximo \u00e0 explos\u00e3o de casos em Manaus.<\/p>\n<p>A trag\u00e9dia no Amazonas, causada pelo surgimento da variante gama, evidenciou que novas cepas mais problem\u00e1ticas poderiam surgir \u2013algo que at\u00e9 ent\u00e3o era incerto.<\/p>\n<p>Olhando para o estudo hoje, Mori aponta a dificuldade de se comunicar incertezas, considerando um contexto em que se buscavam (e ainda se buscam) respostas cada vez mais imediatas.<\/p>\n<p>&#8220;Geralmente comunicar incerteza \u00e9 muito menos atrativo do que uma fala convicta dizendo que vai acontecer X ou Y&#8221;, afirma, relembrando que o estado da pandemia \u00e9 atrelado ao comportamento humano e \u00e0s interven\u00e7\u00f5es realizadas.<\/p>\n<p>O f\u00edsico tamb\u00e9m aponta uma certa incompreens\u00e3o sobre a utilidade de modelos: eles n\u00e3o servem exatamente para &#8220;prever o futuro&#8221;, mas, sim, para apresentar cen\u00e1rios, poss\u00edveis impactos de interven\u00e7\u00f5es e incertezas \u2013pontos tratados no estudo publicado na Science.<\/p>\n<p>Atualmente, por exemplo, h\u00e1 maior compreens\u00e3o de que medidas de distanciamento n\u00e3o precisam ser totalmente restritivas e que h\u00e1 formas de aplica\u00e7\u00e3o que impactam menos o cotidiano, aponta o membro do Observat\u00f3rio Covid-19 BR.<\/p>\n<p>Mesmo com essa evolu\u00e7\u00e3o durante a pandemia, ainda h\u00e1 riscos no horizonte, diz Iamarino. &#8220;Temos o risco mundial de as pessoas estarem cansadas e da press\u00e3o econ\u00f4mica para falar que est\u00e1 tudo bem, porque n\u00e3o est\u00e1 se voc\u00ea for comparar com doen\u00e7as end\u00eamicas&#8221;, diz, em contraste com enfermidades como a dengue e a gripe sazonal, que matam muito menos pessoas.<\/p>\n<p>A dengue, por exemplo, levou a 6.429 \u00f3bitos de 2008 a 2019. Atualmente, mesmo com uma parcela expressiva da popula\u00e7\u00e3o vacinada (mas ainda com pouca gente com a dose de refor\u00e7o), a Covid mata em volume semelhante em cerca de uma semana, ap\u00f3s o surgimento da variante \u00f4micron.<\/p>\n<p>&#8220;Que doen\u00e7a naturalizada \u00e9 essa?&#8221;, questiona Iamarino.<\/p>\n<p>Not\u00edcias ao Minuto Brasil &#8211; Brasil<br \/>\n<a href=\"https:\/\/www.noticiasaominuto.com.br\/brasil\/1887737\/estudo-sobre-covid-de-2020-ja-projetava-restricoes-ate-2022?utm_source=rss-brasil&amp;amp;utm_medium=rss&amp;amp;utm_campaign=rssfeed\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Read More<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>S\u00c3O PAULO, SP (FOLHAPRESS) &#8211; &#8220;Estrat\u00e9gias intermitentes de distanciamento social talvez precisem ser empregadas at\u00e9<\/p>\n","protected":false},"author":0,"featured_media":58487,"comment_status":"","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[],"class_list":["post-58486","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-brasil"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/58486","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=58486"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/58486\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/58487"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=58486"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=58486"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=58486"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}