{"id":56237,"date":"2022-02-11T14:08:37","date_gmt":"2022-02-11T17:08:37","guid":{"rendered":"http:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/2022\/02\/11\/nadia-nadim-fugiu-do-taleban-jogou-pela-dinamarca-e-agora-se-dedicara-a-medicina\/"},"modified":"2022-02-11T14:08:37","modified_gmt":"2022-02-11T17:08:37","slug":"nadia-nadim-fugiu-do-taleban-jogou-pela-dinamarca-e-agora-se-dedicara-a-medicina","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/2022\/02\/11\/nadia-nadim-fugiu-do-taleban-jogou-pela-dinamarca-e-agora-se-dedicara-a-medicina\/","title":{"rendered":"Nadia Nadim fugiu do Taleban, jogou pela Dinamarca e agora se dedicar\u00e1 \u00e0 medicina"},"content":{"rendered":"<p>&#8220;Mam\u00e3e, eu consegui&#8221;. Foi dessa maneira que Nadia Nadim comemorou a forma\u00e7\u00e3o em medicina pela Universidade de Aarhus, na Dinamarca. Jogando nos Estados Unidos desde o ano passado, o curso foi conclu\u00eddo de maneira remota. Mas, apesar da dist\u00e2ncia, o pa\u00eds n\u00f3rdico ainda \u00e9 a casa da atacante nascida no Afeganist\u00e3o, que aos 11 anos precisou fugir do Taleban com a fam\u00edlia e trilhar o caminho nos gramados longe da terra natal.<\/p>\n<p>Natural de Herat, Nadim teve uma inf\u00e2ncia confort\u00e1vel junto de Giti, Diana, Muskan e Mujda, suas quatro irm\u00e3s. Filhas de Rabena Khan, um general do Ex\u00e9rcito Nacional do Afeganist\u00e3o, as meninas viveram boa parte da inf\u00e2ncia em Cabul, capital afeg\u00e3, e acompanharam de perto, na d\u00e9cada de 1990, o surgimento do Taleban, grupo fundamentalista que busca instaurar uma vers\u00e3o radical da lei isl\u00e2mica. Um ano antes dos EUA invadir o pa\u00eds e dar fim ao regime, em 2001, a m\u00e3e das crian\u00e7as, Hamida, teve a certeza de que precisava fugir o mais r\u00e1pido poss\u00edvel com a fam\u00edlia. Certa noite, o marido n\u00e3o havia voltado para a casa ap\u00f3s uma reuni\u00e3o com um ministro. Pouco simp\u00e1tico aos opressores, fora sumariamente executado.<\/p>\n<\/p>\n<p>O ex\u00edlio na Dinamarca n\u00e3o aconteceu de forma instant\u00e2nea &#8211; muito menos planejada. O primeiro ref\u00fagio da fam\u00edlia foi a cidade de Karachi, no Paquist\u00e3o, onde viveram de forma discreta, sem levantar suspeitas, at\u00e9 conseguirem rumar \u00e0 Europa. Era comum Nadim ver a m\u00e3e conversando com um homem &#8220;gordo&#8221; e &#8220;com bigode&#8221; que ia na sua nova casa levar not\u00edcias. Foi com a ajuda dele que elas conseguiram seis passaportes falsos e voaram para Mil\u00e3o. Na It\u00e1lia, o plano era fazer uma perigosa travessia ilegal que supostamente as levariam para a Inglaterra, onde tinham parentes. Ap\u00f3s dias na escurid\u00e3o, com apenas uma garrafa d\u0092\u00e1gua, algumas torradas e tendo como companhia apenas o motor do caminh\u00e3o velho, s\u00e3o for\u00e7adas a descer do ve\u00edculo imediatamente.<\/p>\n<\/p>\n<p>&#8220;Tinha imaginado Londres de forma diferente, mas beleza&#8221;, conta Nadim em seu relato no site Players Tribune. &#8220;Depois de algumas horas, minha m\u00e3e encontra um senhor que est\u00e1 levando o cachorro pra passear e pergunta: \u0091Ei, onde estamos?\u0092. Ele diz: \u0091Em Randers\u0092. Acontece que n\u00e3o estamos em Londres. Estamos em uma pequena cidade na Dinamarca.&#8221;<\/p>\n<\/p>\n<p>DA FUGA AO SUCESSO &#8211; Com a ajuda da pol\u00edcia, a fam\u00edlia de Nadim encontrou abrigo em um acampamento. Ficaram l\u00e1 durante dois meses at\u00e9 se mudarem para um outro, com um perfil mais familiar, e decidiram pedir asilo. A resposta positiva veio em 2008, iniciando um novo cap\u00edtulo na vida das afeg\u00e3s, desta vez na Dinamarca. A lembran\u00e7a do pai, fan\u00e1tico por esportes, refletiu na paix\u00e3o de Nadim pela bola. A carreira nos gramados teve in\u00edcio em 2005, atuando pelos modestos B52 Aalborg e Team Viborg, antes de se transferir para o IK Skovbakken na temporada seguinte. Seis anos depois, em 2012, acertou com o Fortuna Hj\u00f8rring e teve a oportunidade de jogar sua primeira Liga dos Campe\u00f5es.<\/p>\n<\/p>\n<p>O not\u00e1vel talento de Nadim chamou a aten\u00e7\u00e3o da Associa\u00e7\u00e3o Dinamarquesa de Futebol (DBU, sigla em dinamarqu\u00eas), e a atacante se tornou a primeira atleta naturalizada a disputar uma partida oficial pela sele\u00e7\u00e3o da Dinamarca. Convocada para as edi\u00e7\u00f5es de 2009 e 2013 da Eurocopa, foi no torneio de 2017 em que a atleta demonstrou todo o seu brilho. A jogadora foi pe\u00e7a fundamental na campanha do vice-campeonato, marcando inclusive um gol na final da competi\u00e7\u00e3o, vencida pela Holanda por 4 a 2.<\/p>\n<\/p>\n<p>Com o nome em evid\u00eancia no futebol feminino, Nadim assinou com o Manchester City em janeiro de 2018, marcando seu primeiro gol pelo time ingl\u00eas com apenas seis minutos em campo, sendo vice-campe\u00e3 da FA WSL na mesma temporada. Mas como &#8220;casa&#8221; sempre foi algo importante na vida da atleta, a atacante pediu para ser transferida na temporada seguinte justamente por &#8220;n\u00e3o se sentir em casa&#8221; no clube. Nada que abalasse seu sucesso, e o Paris Saint-Germain surgiu como o destino perfeito. Na equipe parisiense, carregou a bra\u00e7adeira de capit\u00e3 por dois anos e meio, conquistando o t\u00edtulo do Campeonato Franc\u00eas 2020-2021.<\/p>\n<\/p>\n<p>MAIS DO QUE FUTEBOL &#8211; Durante sua carreira nos gramados, Nadia Nadim usou seu espa\u00e7o em prol de causas importantes, como a luta pela igualdade de g\u00eanero. Em 2019, a Unesco nomeou a atacante como embaixadora pela Defesa da Educa\u00e7\u00e3o de Meninas e Mulheres, entrando para o time de atletas ilustres parceiros da entidade, como Pel\u00e9. No Afeganist\u00e3o, as liberdades das mulheres s\u00e3o limitadas, incluindo a oportunidade de jogar futebol.<\/p>\n<\/p>\n<p>&#8220;Talvez tenha come\u00e7ado a jogar futebol para me sentir mais perto do meu pai outra vez&#8221;, disse em entrevista ao canal franc\u00eas LCI. &#8220;O que \u00e9 bonito \u00e9 que o futebol veio at\u00e9 mim. Eu descobri o jogo, comecei a treinar nas ruas, em todos os lugares. Pouco a pouco, depois de meses, ganhei confian\u00e7a para perguntar se podia jogar com minhas irm\u00e3s. Fui sortuda por me terem aceitado.&#8221;<\/p>\n<\/p>\n<p>Quando o Taleban retomou o controle do Afeganist\u00e3o no ano passado, o n\u00famero de pessoas que buscaram desesperadamente abandonar o pa\u00eds cresceu vertiginosamente, com aeroportos lotados e pessoas se agarrando em avi\u00f5es, assombrados pelo medo. Em entrevista \u00e0 CNN, Nadim fez quest\u00e3o de usar sua voz para jogar luz sobre a crise imigrat\u00f3ria na regi\u00e3o.<\/p>\n<\/p>\n<p>&#8220;Tenho apenas 33 anos, mas sinto que vivi sete, oito vidas. Sinto que isso me moldou, me deu esse car\u00e1ter, essa for\u00e7a que tenho hoje. Mas eu n\u00e3o quero que ningu\u00e9m passe pelas mesmas coisas que eu passei, honestamente. Nem mesmo meus inimigos.&#8221;<\/p>\n<\/p>\n<p>Nadim atualmente defende o Racing Louisville FC, dos EUA. Conforme a jogadora de 34 anos v\u00ea a carreira se aproximando do fim, novos objetivos v\u00e3o surgindo, mas sempre tendo como base a compaix\u00e3o e empatia pelo pr\u00f3ximo. A escolha pela Medicina n\u00e3o foi \u00e0 toa. Recentemente, a atleta revelou ao jornal <i>L\u0092\u00c9quipe<\/i> ter uma admira\u00e7\u00e3o pela ONG M\u00e9dicos Sem Fronteiras, onde gostaria de trabalhar um dia, conciliando com seu trabalho no futebol.<\/p>\n<\/p>\n<p>&#8220;Talvez possa colaborar com a Fifa, Uefa ou outra federa\u00e7\u00e3o, se me quiserem. Eu quero fazer o futebol maior do que \u00e9 e lev\u00e1-lo para onde ainda n\u00e3o \u00e9 realidade.&#8221;<\/p>\n<p>Not\u00edcias ao Minuto Brasil &#8211; Esporte<br \/>\n<a href=\"https:\/\/www.noticiasaominuto.com.br\/esporte\/1883824\/nadia-nadim-fugiu-do-taleban-jogou-pela-dinamarca-e-agora-se-dedicara-a-medicina?utm_source=rss-esporte&amp;amp;utm_medium=rss&amp;amp;utm_campaign=rssfeed\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Read More<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8220;Mam\u00e3e, eu consegui&#8221;. 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