{"id":55742,"date":"2022-02-08T23:09:05","date_gmt":"2022-02-09T02:09:05","guid":{"rendered":"http:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/2022\/02\/08\/pais-vive-apagao-de-diagnosticos-de-hanseniase\/"},"modified":"2022-02-08T23:09:05","modified_gmt":"2022-02-09T02:09:05","slug":"pais-vive-apagao-de-diagnosticos-de-hanseniase","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/2022\/02\/08\/pais-vive-apagao-de-diagnosticos-de-hanseniase\/","title":{"rendered":"Pa\u00eds vive &#8216;apag\u00e3o&#8217; de diagn\u00f3sticos de hansen\u00edase"},"content":{"rendered":"<p>O n\u00famero de novos casos de hansen\u00edase no Brasil teve uma queda significativa nos \u00faltimos dois anos, mas essa n\u00e3o \u00e9 uma boa not\u00edcia. Segundo a Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) e a Fiocruz, a redu\u00e7\u00e3o de at\u00e9 45% nos registros, depois de d\u00e9cadas de estabilidade, indica que muitos diagn\u00f3sticos deixaram de ser feitos. O motivo \u00e9 a pandemia de covid-19.<\/p>\n<div class=\"dummyPub\"><\/div>\n<p>Em 2019, o Brasil registrou 27,8 mil notifica\u00e7\u00f5es de novos casos de hansen\u00edase. Foi um n\u00famero compat\u00edvel com a m\u00e9dia hist\u00f3rica de aproximadamente 30 mil novos casos por ano. Em 2020, primeiro ano da pandemia, por\u00e9m, o dado caiu para 17,9 mil. Teve redu\u00e7\u00e3o de 35%. Em 2021, o recuo foi ainda maior. Foram identificados 15,1 mil novos casos, 45% a menos do que no per\u00edodo pr\u00e9-pand\u00eamico.<\/p>\n<p>Para especialistas, os n\u00fameros sugerem que muitos casos de hansen\u00edase deixaram de ser diagnosticados. Pessoas infectadas, mas sem tratamento, correm o risco de transmitir a doen\u00e7a para mais gente. Tamb\u00e9m apresentam maior chance de desenvolver sequelas permanentes da doen\u00e7a.<\/p>\n<p>&#8220;Ao contr\u00e1rio do que poderia parecer, o fato das estat\u00edsticas indicarem uma queda acentuada no n\u00famero de novos casos em 2020 e 2021 n\u00e3o indica que o Brasil est\u00e1 avan\u00e7ando na luta contra a hansen\u00edase. Infelizmente, a realidade \u00e9 bem diferente&#8221;, afirma o vice-presidente da SBD, Heitor de S\u00e1 Gon\u00e7alves. &#8220;Isso indica que h\u00e1 grande subnotifica\u00e7\u00e3o no Pa\u00eds; nos preocupa muito a possibilidade de que mais pessoas estejam sendo afetadas e que outras tantas, mesmo depois de curadas, n\u00e3o tenham acesso \u00e0s assist\u00eancias m\u00e9dica e fisioter\u00e1pica continuadas para o tratamento das sequelas da doen\u00e7a.&#8221;<\/p>\n<p>Embora exista tratamento para a doen\u00e7a h\u00e1 d\u00e9cadas, o Brasil segue como o segundo Pa\u00eds do mundo em n\u00famero de casos, atr\u00e1s apenas da \u00cdndia. Especialistas temem uma piora no quadro por causa do &#8220;apag\u00e3o&#8221; de novos diagn\u00f3sticos.<\/p>\n<p>Professora de dermatologia da Universidade Federal Fluminense (UFF) e coordenadora do Departamento de Hansen\u00edase da SBD, Sandra Dur\u00e3es lembra que a pandemia gerou dois fen\u00f4menos que contribu\u00edram para a queda no volume de notifica\u00e7\u00f5es. &#8220;Em primeiro lugar, houve mudan\u00e7a no fluxo de funcionamento dos servi\u00e7os de sa\u00fade, que reduziram sua rotina de atendimento e passaram a dar prioridade aos casos de coronav\u00edrus&#8221;, afirmou a especialista. Ela lembrou ainda que teve grande n\u00famero de profissionais de sa\u00fade doentes. &#8220;Em segundo lugar, a popula\u00e7\u00e3o, mesmo com sinais e sintomas de adoecimento, evitou a busca de ajuda m\u00e9dica, com medo de estar em ambientes onde sup\u00f5e que o risco de cont\u00e1gio pela covid-19 \u00e9 maior.&#8221;<\/p>\n<p><strong>DIAGN\u00d3STICO<\/strong><\/p>\n<p>A hansen\u00edase \u00e9 uma doen\u00e7a infecciosa cr\u00f4nica causada pela bact\u00e9ria Mycobacterium leprae. Ela \u00e9 transmiss\u00edvel por got\u00edculas de saliva, quando uma pessoa contaminada tosse ou espirra muito pr\u00f3ximo de outras. A doen\u00e7a \u00e9 caracterizada pela redu\u00e7\u00e3o da sensibilidade principalmente em m\u00e3os, bra\u00e7os, p\u00e9s, pernas e olhos. Nos casos mais graves, ela afeta o tecido nervoso, podendo gerar incapacidades permanentes.<\/p>\n<p>O diagn\u00f3stico \u00e9 essencialmente cl\u00ednico. Os testes existentes s\u00e3o complexos, realizados apenas em centros de refer\u00eancia. O tratamento est\u00e1 dispon\u00edvel no Sistema \u00danico de Sa\u00fade (SUS), mas envolve diferentes antibi\u00f3ticos. E \u00e9 longo: leva de seis meses a um ano.<\/p>\n<p>Conhecida no passado como lepra, a hansen\u00edase sempre carregou um grande estigma, sobretudo, pelas deformidades f\u00edsicas presentes nos casos mais graves. Antes de surgirem os primeiros tratamentos, o que s\u00f3 aconteceu na d\u00e9cada de 1940, os doentes eram isolados da sociedade e da fam\u00edlia. Ficavam em lepros\u00e1rios, abandonados para morrer sozinhos. At\u00e9 hoje, \u00e9 considerada uma doen\u00e7a negligenciada. H\u00e1 pouco investimento em treinamento de profissionais de sa\u00fade e em novas drogas.<\/p>\n<p>Segundo o chefe do Laborat\u00f3rio de Hansen\u00edase da Fiocruz, Milton Oz\u00f3rio Moraes, a dificuldade para reduzir o n\u00famero de casos no Brasil est\u00e1 relacionada ao fato de ser uma doen\u00e7a de diagn\u00f3stico dif\u00edcil, tratamento longo, e, sobretudo, pela profunda desigualdade econ\u00f4mica e social do Pa\u00eds.<\/p>\n<p>&#8220;A hansen\u00edase \u00e9 uma doen\u00e7a associada \u00e0 pobreza, assim como tuberculose, leishmaniose e esquistossomose&#8221;, explicou Moraes. &#8220;A incid\u00eancia est\u00e1 associada \u00e0 qualidade de vida, sal\u00e1rio, infraestrutura, falta de \u00e1gua encanada, esgotamento sanit\u00e1rio.&#8221; Mato Grosso, Maranh\u00e3o, Par\u00e1, Sudeste da Bahia e Nordeste de Minas, sobretudo nos bols\u00f5es de pobreza, s\u00e3o as regi\u00f5es que concentram o maior n\u00famero de doentes.<\/p>\n<p><strong>CASOS<\/strong><\/p>\n<p>Em 2015, sentindo muitas dores, com uma mancha branca no corpo e depois de v\u00e1rios diagn\u00f3sticos errados em consult\u00f3rios particulares, o padeiro Jo\u00e3o Victor Pacheco Fos Kersul de Carvalho, 27 anos, descobriu numa consulta pelo SUS que estava infectado pela hansen\u00edase. &#8220;Foi um choque muito grande, mas segui a recomenda\u00e7\u00e3o m\u00e9dica, recebi alta em 2016, e fui reinfectado em 2020, em plena pandemia&#8221;, contou ele.<\/p>\n<p>Ele acabou o tratamento da reinfec\u00e7\u00e3o, mas sofre com as sequelas da doen\u00e7a. &#8220;Ainda tenho muitas dores, n\u00e3o consigo trabalhar e n\u00e3o consegui receber aux\u00edlio do INSS, mesmo com laudo do exame de eletroneuromiografia realizado pelo Instituto Lauro Sousa Lima, em Bauru&#8221;, conta. Questionado pelo <em>Estad\u00e3o<\/em>, o INSS n\u00e3o se posicionou sobre o caso de Jo\u00e3o Victor.<\/p>\n<p>J\u00e1 Judith Lemes de Arruda foi diagnosticada em 2019, ao ser atendida em um &#8220;postinho&#8221; do bairro onde mora, com hansen\u00edase. Fez o tratamento medicamentoso durante todo o ano de 2020. A m\u00e9dica deu alta, mas ela n\u00e3o estava curada. &#8220;As dores continuavam, inchava minhas pernas, cansava muito e, para completar, a covid me pegou.&#8221; Em janeiro de 2021 tentou consulta com um dermatologista-hansen\u00edase, mas n\u00e3o conseguiu. S\u00f3 teve atendimento gra\u00e7as a um amigo que conhecia uma m\u00e9dica especializada na doen\u00e7a. &#8220;Ele faz parte do Movimento de Reintegra\u00e7\u00e3o das Pessoas Atingidas pela Hansen\u00edase (Morhan), n\u00facleo Cuiab\u00e1. Consegui ser atendida no segundo semestre de 2021&#8221;. Judith recebe aux\u00edlio-doen\u00e7a do INSS.<\/p>\n<p><strong>TESTES<\/strong><\/p>\n<p>Em nota oficial, o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade confirmou que houve uma redu\u00e7\u00e3o de 35% no n\u00famero de diagn\u00f3sticos de hansen\u00edase em 2020 em rela\u00e7\u00e3o a 2019 no Pa\u00eds. O minist\u00e9rio lembrou ainda que est\u00e1 incorporando ao SUS tr\u00eas testes complementares de diagn\u00f3stico e que vai investir este ano R$ 3,7 milh\u00f5es nesses testes, inclusive um r\u00e1pido para detec\u00e7\u00e3o de anticorpos. Um deles, desenvolvido pela Fiocruz, \u00e9 um teste PCR com 91% de acur\u00e1cia.<\/p>\n<p>&#8220;O Brasil \u00e9 o primeiro Pa\u00eds do mundo a incorporar esses exames e oferec\u00ea-los gratuitamente \u00e0 popula\u00e7\u00e3o&#8221;, afirmou o ministro da Sa\u00fade, Marcelo Queiroga, no lan\u00e7amento dos exames. &#8220;Que n\u00f3s possamos fazer o diagn\u00f3stico cl\u00ednico, confirmar atrav\u00e9s dos exames e, com uma terapia adequada, fazer com que os pacientes sejam curados.&#8221;<\/p>\n<p>Milton Oz\u00f3rio Moraes considera que a incorpora\u00e7\u00e3o dos testes \u00e9 um grande avan\u00e7o. &#8220;Sou um entusiasta. Acho que \u00e9 uma grande oportunidade de termos uma mudan\u00e7a relevante do perfil epidemiol\u00f3gico da doen\u00e7a&#8221;, disse o especialista da Fiocruz. &#8220;No in\u00edcio, o mais prov\u00e1vel \u00e9 observarmos um aumento no n\u00famero de casos de 10% a 20% por causa do maior n\u00famero de diagn\u00f3sticos. Mas, depois de dois ou tr\u00eas anos, vamos come\u00e7ar a ver um decl\u00ednio gradual.&#8221; As informa\u00e7\u00f5es s\u00e3o do jornal <strong>O Estado de S. Paulo.<\/strong><\/p>\n<p>Not\u00edcias ao Minuto Brasil &#8211; Brasil<br \/>\n<a href=\"https:\/\/www.noticiasaominuto.com.br\/ultima-hora\/1882835\/pais-vive-apagao-de-diagnosticos-de-hanseniase?utm_source=rss-brasil&amp;amp;utm_medium=rss&amp;amp;utm_campaign=rssfeed\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Read More<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O n\u00famero de novos casos de hansen\u00edase no Brasil teve uma queda significativa nos \u00faltimos<\/p>\n","protected":false},"author":0,"featured_media":55743,"comment_status":"","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[],"class_list":["post-55742","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-brasil"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/55742","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=55742"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/55742\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/55743"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=55742"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=55742"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=55742"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}