{"id":55387,"date":"2022-02-07T09:08:34","date_gmt":"2022-02-07T12:08:34","guid":{"rendered":"http:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/2022\/02\/07\/brasileiros-nascidos-no-japao-mudam-perfil-de-imigracao-e-vivem-limbo-de-idiomas\/"},"modified":"2022-02-07T09:08:34","modified_gmt":"2022-02-07T12:08:34","slug":"brasileiros-nascidos-no-japao-mudam-perfil-de-imigracao-e-vivem-limbo-de-idiomas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/2022\/02\/07\/brasileiros-nascidos-no-japao-mudam-perfil-de-imigracao-e-vivem-limbo-de-idiomas\/","title":{"rendered":"Brasileiros nascidos no Jap\u00e3o mudam perfil de imigra\u00e7\u00e3o e vivem limbo de idiomas"},"content":{"rendered":"<p>TOYOHASHI, JAP\u00c3O (FOLHAPRESS) &#8211; Nacionalidade &#8220;brasileira&#8221;, diz o documento de identifica\u00e7\u00e3o de Marcela (nome fict\u00edcio), 19, que trabalha numa f\u00e1brica de autope\u00e7as no Jap\u00e3o. Ela nasceu na cidade de Okazaki, na prov\u00edncia de Aichi -mas, como \u00e9 filha de brasileiros, aos olhos das autoridades nip\u00f4nicas n\u00e3o \u00e9 considerada cidad\u00e3 japonesa.<\/p>\n<div class=\"dummyPub\"><\/div>\n<p>Os pais de Marcela migraram na d\u00e9cada de 1990, na primeira onda do movimento decass\u00e9gui, o fluxo de descendentes de japoneses que foram trabalhar \u2013a princ\u00edpio\u2013 temporariamente nas f\u00e1bricas do arquip\u00e9lago. A ideia era economizar dinheiro e um dia voltar. Para muitos imigrantes, por\u00e9m, esse &#8220;um dia&#8221; nunca chegou. Eles ficaram, formaram fam\u00edlias e tiveram filhos no pa\u00eds, uma gera\u00e7\u00e3o que n\u00e3o quer ir embora para o Brasil. &#8220;Voltar para qu\u00ea?&#8221;, pergunta Marcela. &#8220;Ainda mais na pandemia.&#8221;<\/p>\n<p>Hoje h\u00e1 206 mil brasileiros no Jap\u00e3o, segundo dados mais recentes do Minist\u00e9rio da Justi\u00e7a. Quase 60% t\u00eam visto de resid\u00eancia permanente, o que indica uma tend\u00eancia de enraizamento.<\/p>\n<p>Radicado h\u00e1 mais de 30 anos no pa\u00eds, o advogado paulista Etsuo Ishikawa presta consultoria para institui\u00e7\u00f5es voltadas a brasileiros. J\u00e1 deu diversas orienta\u00e7\u00f5es jur\u00eddicas a interessados em obter a cidadania japonesa -ocorre ao menos uma consulta por m\u00eas sobre o assunto. &#8220;Muitas vezes, s\u00e3o jovens que nasceram e cresceram no Jap\u00e3o e nunca pisaram no Brasil. S\u00e3o brasileiros s\u00f3 no papel&#8221;, diz ele.<\/p>\n<p>&#8220;H\u00e1 uma gera\u00e7\u00e3o de nikkeis [descendentes de japoneses] que est\u00e3o no Jap\u00e3o para ficar, uma mudan\u00e7a ante os primeiros imigrantes. \u00c9 importante pensar no futuro deles. Um futuro n\u00e3o muito distante.&#8221;<\/p>\n<p>Cerca de 43 mil dos brasileiros residentes no Jap\u00e3o s\u00e3o crian\u00e7as e jovens de at\u00e9 18 anos. Entre eles, 4.000 est\u00e3o matriculados em col\u00e9gios brasileiros, institui\u00e7\u00f5es particulares idealizadas para acolher filhos de imigrantes no fim da d\u00e9cada de 1990. At\u00e9 2008, foram abertas mais de cem escolas brasileiras. Em 2010, o n\u00famero caiu para 76, entre as quais apenas 47 eram homologadas pelo Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o do Brasil, o que possibilita que os estudos realizados no Jap\u00e3o sejam validados no Brasil.<\/p>\n<p>Atualmente, segundo dados da embaixada do Brasil em T\u00f3quio, h\u00e1 36 escolas homologadas, a maioria delas nas prov\u00edncias de Aichi e Shizuoka. Elas cumprem um papel importante, diz o c\u00f4nsul Aldemo Garcia, da representa\u00e7\u00e3o brasileira em Hamamatsu: com hor\u00e1rios diferentes, muitas vezes mais extensos que os das escolas japonesas, s\u00e3o uma alternativa para os pais que passam longas jornadas nas f\u00e1bricas.<\/p>\n<p>&#8220;O problema \u00e9 que as escolas brasileiras t\u00eam, em m\u00e9dia, s\u00f3 duas horas [de aula] de japon\u00eas por semana.&#8221;<\/p>\n<p>O dom\u00ednio do idioma \u00e9 considerado o principal entrave para a integra\u00e7\u00e3o dos imigrantes \u00e0 sociedade nip\u00f4nica -e h\u00e1 quem viva at\u00e9 hoje num tipo de &#8220;bolha brasileira&#8221; no Jap\u00e3o. Entre crian\u00e7as, dizem especialistas, muitas vezes a falta de compreens\u00e3o da l\u00edngua e a inabilidade para se comunicar podem levar a um diagn\u00f3stico de autismo ou TDAH (transtorno de d\u00e9ficit de aten\u00e7\u00e3o\/hiperatividade).&#8221;<\/p>\n<p>Estudos indicam que crian\u00e7as correm o risco de se sentirem &#8220;perdidas&#8221; nas idas e vindas entre Brasil-Jap\u00e3o, enfrentando dificuldades ao tentar desenvolver o portugu\u00eas e o japon\u00eas ao mesmo tempo. \u00c9 o que conta Giulia (nome fict\u00edcio), 16: nascida no interior de S\u00e3o Paulo, ela viveu dos 3 aos 6 anos no Jap\u00e3o, foi ao Brasil e ficou at\u00e9 os 11, e voltou ao Jap\u00e3o. Hoje, frequenta uma escola brasileira de Aichi.<\/p>\n<p>&#8220;Queria aprender japon\u00eas, mas at\u00e9 agora n\u00e3o consegui&#8221;, diz a estudante paulista, que n\u00e3o v\u00ea a hora de come\u00e7ar a fazer &#8220;arubaito&#8221;, o trabalho tempor\u00e1rio que, no geral, n\u00e3o exige educa\u00e7\u00e3o superior e muitas vezes dispensa a profici\u00eancia na l\u00edngua japonesa.<\/p>\n<p>Sem perspectiva de ingressar em uma universidade, investir em uma qualifica\u00e7\u00e3o profissional ou empreender, h\u00e1 jovens brasileiros buscando vagas de oper\u00e1rios, como fizeram seus pais. &#8220;Muitas vezes, o sonho dos pais n\u00e3o \u00e9 o mesmo dos filhos&#8221;, diz a pesquisadora Nilta Dias, do Departamento de Estudos Luso-Brasileiros na Universidade Sophia, em T\u00f3quio. &#8220;Pais podem querer que filhos aproveitem a oportunidade que eles n\u00e3o tiveram para estudar e almejar um futuro melhor; j\u00e1 jovens podem preferir ganhar dinheiro na f\u00e1brica, pensando no presente imediato&#8221;, destaca ela, que pesquisa o tema desde 1999.<br \/>Na d\u00e9cada de 2000, conta Dias, era rar\u00edssimo ver alunos brasileiros na universidade. Hoje, pondera, \u00e9 mais comum encontrar estudantes estrangeiros no campus -estima-se que cerca de 500 jovens brasileiros, egressos de col\u00e9gios japoneses ou brasileiros, conseguiram chegar ao ensino superior.<\/p>\n<p>&#8220;Sempre digo: cada caso \u00e9 um caso. Sim, h\u00e1 jovens indo para f\u00e1bricas; mas h\u00e1 muitos indo para universidades, interc\u00e2mbios, cursos t\u00e9cnicos. Que viraram enfermeiros, empreendedores e uma s\u00e9rie de profiss\u00f5es. Que s\u00e3o modelos para motivar as novas gera\u00e7\u00f5es.&#8221;<\/p>\n<p>Consulados e ONGs de brasileiros v\u00eam realizando eventos educacionais e culturais para conscientizar conterr\u00e2neos sobre a import\u00e2ncia da educa\u00e7\u00e3o, inclusive o mais b\u00e1sico para quem pretende ficar &#8220;para sempre&#8221; \u2013ou ao menos por um bom tempo\u2013 no pa\u00eds asi\u00e1tico: a alfabetiza\u00e7\u00e3o na l\u00edngua japonesa.<\/p>\n<p>A ideia dessas iniciativas \u00e9 fortalecer os la\u00e7os com o Brasil e, ao mesmo tempo, a integra\u00e7\u00e3o com o Jap\u00e3o. Natalia Oliveira Takahashi, 24, entende bem o que \u00e9 viver entre os dois mundos. Ela nasceu em Nishio e, desde pequena, estudou em escola japonesa de manh\u00e3 e em escola brasileira \u00e0 tarde. \u00c9 fluente nos dois idiomas. &#8220;Dos 7 aos 12, tive uma professora muito legal, que n\u00e3o ensinava s\u00f3 o portugu\u00eas, mas contava como era a cultura al\u00e9m do Brasil que se via nas novelas e nas not\u00edcias&#8221;, afirma ela, que at\u00e9 hoje visitou o pa\u00eds sul-americano apenas tr\u00eas vezes, de f\u00e9rias.<\/p>\n<p>Natalia cursou pol\u00edtica internacional na Universidade Sophia -foi uma das alunas de Dias. Graduou-se em 2020 e hoje trabalha na \u00e1rea de marketing, em T\u00f3quio. &#8220;Tive sorte, meus pais sempre me incentivaram. N\u00e3o s\u00f3 apoio financeiro, mas acolhimento, conselhos, tudo isso faz diferen\u00e7a para a nossa forma\u00e7\u00e3o.&#8221;<\/p>\n<p>Ela se considera brasileira e japonesa ao mesmo tempo, mas, desde os tempos de universidade, no contato com outras culturas, diz que prefere se ver como uma &#8220;global citizen&#8221;, ou seja, uma cidad\u00e3 global. &#8220;Tenho essas duas culturas enraizadas, mas tento pensar que n\u00e3o sou s\u00f3 isso: fa\u00e7o parte do mundo.&#8221;<\/p>\n<p>Not\u00edcias ao Minuto Brasil &#8211; Mundo<br \/>\n<a href=\"https:\/\/www.noticiasaominuto.com.br\/mundo\/1882316\/brasileiros-nascidos-no-japao-mudam-perfil-de-imigracao-e-vivem-limbo-de-idiomas?utm_source=rss-mundo&amp;amp;utm_medium=rss&amp;amp;utm_campaign=rssfeed\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Read More<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>TOYOHASHI, JAP\u00c3O (FOLHAPRESS) &#8211; Nacionalidade &#8220;brasileira&#8221;, diz o documento de identifica\u00e7\u00e3o de Marcela (nome fict\u00edcio),<\/p>\n","protected":false},"author":0,"featured_media":55388,"comment_status":"","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[],"class_list":["post-55387","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-mundo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/55387","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=55387"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/55387\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/55388"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=55387"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=55387"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=55387"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}