{"id":54174,"date":"2022-01-29T12:09:41","date_gmt":"2022-01-29T15:09:41","guid":{"rendered":"http:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/2022\/01\/29\/ariadna-se-diz-cansada-de-ser-taxada-de-polemica\/"},"modified":"2022-01-29T12:09:41","modified_gmt":"2022-01-29T15:09:41","slug":"ariadna-se-diz-cansada-de-ser-taxada-de-polemica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/2022\/01\/29\/ariadna-se-diz-cansada-de-ser-taxada-de-polemica\/","title":{"rendered":"Ariadna se diz cansada de ser taxada de pol\u00eamica"},"content":{"rendered":"<p>MARTHA ALVES<br \/>S\u00c3O PAULO, SP (FOLHAPRESS) &#8211; Antes mesmo de as alian\u00e7as come\u00e7arem, foi um pronome, supostamente errado, que mobilizou os f\u00e3s do Big Brother Brasil 22 (Globo). Mesmo com o aviso nada discreto estampado na testa da cantora Linn da Quebrada, ou apenas Lina, alguns de seus colegas n\u00e3o conseguiram entender que \u00e9 ela, e n\u00e3o ele.<br \/>Ariadna Arantes, 37, n\u00e3o passou por isso. N\u00e3o houve erro de pronome, mas houve outros problemas. A primeira mulher trans a participar do reality, em 2011, assiste agora \u00e0 colega retomar sua luta por representatividade. \u00c9 apenas a segunda trans a ter chance ao pr\u00eamio do programa, hoje de R$ 1,5 milh\u00e3o.<\/p>\n<div class=\"dummyPub\"><\/div>\n<p>Passados 11 anos de sua participa\u00e7\u00e3o, Ariadna diz que n\u00e3o houve grandes mudan\u00e7as na sociedade e as pessoas transg\u00eanero ainda vivem sob o peso da viol\u00eancia, do preconceito, da falta de oportunidades e da invisibilidade.<\/p>\n<p>&#8220;Se tivessem [ocorrido] mudan\u00e7as, voc\u00ea estaria vendo mulheres trans fazendo faculdade, trabalhando em bancos, em grandes cargos. Claro que tivemos alguma melhoria, n\u00e3o \u00e9 que eu queira generalizar, mas mudou pouca coisa, n\u00e3o \u00e9 o suficiente ainda para o s\u00e9culo em que estamos&#8221;, afirma ela.<\/p>\n<p>Apostando na carreira de influenciadora, ela diz que ainda n\u00e3o \u00e9 contratada por grandes marcas para fazer propaganda, mesmo com um milh\u00e3o de seguidores no Instagram. Ap\u00f3s a participa\u00e7\u00e3o do reality No Limite (Globo), ela conta que foi procurada por algumas empresas, mas n\u00e3o consegue viver como influenciadora.<\/p>\n<p>&#8220;Estamos na semana da visibilidade trans e nenhum trabalho rolou. Voc\u00ea n\u00e3o est\u00e1 vendo nenhuma trans influenciadora famosa fazendo trabalhos. [A transfobia] \u00e9 algo que \u00e9 muito descarado na sociedade&#8221;, afirma ela se referindo ao Dia Nacional da Visibilidade Trans, celebrado neste s\u00e1bado (29).<\/p>\n<p>Nascida no Rio de Janeiro, Ariadna convive com o preconceito desde cedo e, como acontece com muitas trans, ele come\u00e7ou em casa. Ela conta que foi expulsa pela m\u00e3e aos 14 anos. &#8220;Fui morar com a minha av\u00f3 e ela tamb\u00e9m n\u00e3o tolerava o fato de eu ser trans e me botou para fora tamb\u00e9m.&#8221;<\/p>\n<p>Depois disso, Ariadna chegou a se candidatar a uma vaga de servi\u00e7os gerais em um banco e ouviu que n\u00e3o era da pol\u00edtica da empresa dar emprego para pessoas como ela. &#8220;A \u00fanica coisa que me restou foi a estrada&#8221;, afirma a influenciadora, se referindo ao per\u00edodo em que se prostituiu.<\/p>\n<p>Aos 19, uma cafetina lhe deu a oportunidade de trabalhar na It\u00e1lia, ainda com prostitui\u00e7\u00e3o. Ela conta que a mulher cobrou 12 mil euros (R$ 71 mil), que seriam pagos com o dinheiro que recebesse dos programas. &#8220;Como n\u00e3o tinha perspectiva, vi a possibilidade de sair do pesadelo [que era a vida no Brasil] e, depois de pagar a d\u00edvida, poderia juntar dinheiro para fazer a cirurgia de redesigna\u00e7\u00e3o sexual.&#8221;<\/p>\n<p>O procedimento aconteceu cerca de sete anos depois, em 2009, em Bangkok, na Tail\u00e2ndia. Ariadna ent\u00e3o voltou \u00e0 It\u00e1lia, onde viveu durante 19 anos, at\u00e9 retornar, no ano passado, para o Brasil para investir na carreira de influenciadora, chegando recentemente a 1 milh\u00e3o de seguidores. &#8220;Um presente no Dia da Visibilidade Trans&#8221;, comemora.<\/p>\n<p>Mesmo estabelecida e hoje mantendo uma rela\u00e7\u00e3o boa com a fam\u00edlia, Ariadna ainda destaca muitos obst\u00e1culos, at\u00e9 na comunidade LGBTQI+. Segundo ela, mesmo lembradas na sigla T, as pessoas trans dificilmente s\u00e3o exaltadas como divas e rainhas na comunidade. &#8220;S\u00f3 somos lembradas na \u00e9poca das milit\u00e2ncias, no resto do ano somos descartadas.&#8221;<br \/>A influenciadora cita as rainhas das paradas gay de S\u00e3o Paulo e do Rio como exemplo: &#8220;Voc\u00ea v\u00ea a Lu\u00edsa Sonza, Lexa, Anitta, Viviane Ara\u00fajo que s\u00e3o heteras. N\u00e3o quero causar um desconforto a elas, porque elas tamb\u00e9m lutam pela comunidade, mas quando a gente fala de representatividade \u00e9 importante falar com quem vive na pele.&#8221;<\/p>\n<p>A esperan\u00e7a da influenciadora \u00e9 que a participa\u00e7\u00e3o da Linn no BBB 22 ajude a comunidade a dar alguns passos, como quebrar a ideia de que as trans s\u00e3o pol\u00eamicas, briguentas e associadas \u00e0 prostitui\u00e7\u00e3o. &#8220;Linn, al\u00e9m de travesti, \u00e9 poeta, uma ativista cultural e uma pessoa que pode estar ali no nosso conv\u00edvio.&#8221;<\/p>\n<p>Sobre o pronome masculino usado por colegas de confinamento para se referir a Linn, como aconteceu com Eslov\u00eania, em pelo menos duas ocasi\u00f5es, e em mensagens envidas por La\u00eds dentro da casa, Ariadna afirma que eles n\u00e3o se d\u00e3o ao trabalho de respeitar a cantora.<\/p>\n<p>&#8220;Eu posso entender uma irm\u00e3 que trata uma travesti com o pronome masculino, porque cresceu com ela. Mesmo um primo ou a m\u00e3e podem ter ainda dificuldade de adapta\u00e7\u00e3o. Mas n\u00e3o uma pessoa que foi apresentada a ela ouvindo &#8216;Oi, eu sou Lina&#8217;. E muito menos vendo a palavra &#8216;ela&#8217; tatuada no rosto.&#8221;<\/p>\n<p>Apesar de n\u00e3o ter tido problemas como esse em sua participa\u00e7\u00e3o no BBB, Ariadna afirma que sofreu com coment\u00e1rio e ataques da m\u00eddia e de pessoas que estavam fora da casa mais vigiada do Brasil. Ela chegou a comentar recentemente em suas redes sociais sobre uma capa do jornal Meia Hora que a abalou na \u00e9poca.<\/p>\n<p>&#8220;Eu lembro que chorei muito por tudo que aconteceu. Segurei por nove dias, mas teve uma hora que eu n\u00e3o aguentei, desabei, passei o dia inteiro chorando em casa, no escuro. N\u00e3o queria comer, n\u00e3o queria levantar [da cama] com toda aquela press\u00e3o.&#8221;<\/p>\n<p>O pedido de desculpas do jornal chegou apenas este ano, h\u00e1 cerca de uma semana, via redes sociais, e Ariadna diz que n\u00e3o respondeu, assim como optou por n\u00e3o processar a publica\u00e7\u00e3o na \u00e9poca. &#8220;As pessoas est\u00e3o acostumadas a um pedido de desculpas, mas n\u00e3o me procuram para falar &#8216;vamos fazer uma capa falando sobre o que as trans sofrem?&#8217;.&#8221;<\/p>\n<p>Em tom de desabafo, Ariadna diz que est\u00e1 cansada de ser taxada como pol\u00eamica. &#8220;Eu estou h\u00e1 11 anos gritando por respeito, reconhecimento, querendo trabalho e ajudar as outras meninas como eu. E o meu grito \u00e9 leg\u00edtimo.&#8221;<\/p>\n<p>Not\u00edcias ao Minuto Brasil &#8211; Fama<br \/>\n<a href=\"https:\/\/www.noticiasaominuto.com.br\/celebridades\/1880154\/ariadna-se-diz-cansada-de-ser-taxada-de-polemica?utm_source=rss-fama&amp;amp;utm_medium=rss&amp;amp;utm_campaign=rssfeed\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Read More<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>MARTHA ALVESS\u00c3O PAULO, SP (FOLHAPRESS) &#8211; Antes mesmo de as alian\u00e7as come\u00e7arem, foi um pronome,<\/p>\n","protected":false},"author":0,"featured_media":54175,"comment_status":"","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[],"class_list":["post-54174","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-fama-e-tv"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/54174","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=54174"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/54174\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/54175"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=54174"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=54174"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=54174"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}