{"id":51944,"date":"2022-01-15T14:09:58","date_gmt":"2022-01-15T17:09:58","guid":{"rendered":"http:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/2022\/01\/15\/jovens-de-periferias-apostam-nos-games-como-plataforma-de-ascensao-social\/"},"modified":"2022-01-15T14:09:58","modified_gmt":"2022-01-15T17:09:58","slug":"jovens-de-periferias-apostam-nos-games-como-plataforma-de-ascensao-social","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/2022\/01\/15\/jovens-de-periferias-apostam-nos-games-como-plataforma-de-ascensao-social\/","title":{"rendered":"Jovens de periferias apostam nos games como plataforma de ascens\u00e3o social"},"content":{"rendered":"<p>LUCIANO TRINDADE E HAVOLENE VALINHOS<br \/>S\u00c3O PAULO, SP (FOLHAPRESS) &#8211; Era para ser uma peneira em busca de novos talentos para o futebol, mas a pandemia de Covid-19 fez Igor Oliveira, 23, mudar de ideia. No come\u00e7o de 2020, ele promoveu uma seletiva para formar um time de Free Fire na comunidade do Jardim Elba, que re\u00fane 11 favelas na zona leste de S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<div class=\"dummyPub\"><\/div>\n<p>Montar uma equipe para o game mais popular no Brasil p\u00f4s o paulista e outros seis garotos dentro do cen\u00e1rio digital -espa\u00e7o que ainda \u00e9 restrito para muitos jovens que moram em periferias, mas que tamb\u00e9m tem sido uma plataforma de ascens\u00e3o social para gamers e streamers de regi\u00f5es carentes.<\/p>\n<p>&#8220;Meu pai \u00e9 um dos organizadores do futebol do complexo e me deu essa tarefa de fazer um time que nos representasse&#8221;, diz Oliveira. &#8220;Montamos e ganhamos o campeonato estadual de S\u00e3o Paulo disputado entre 48 favelas. Na Ta\u00e7a das Favelas, entre 1.296 times, disputamos com os 12 finalistas e ficamos em oitavo lugar &#8220;, orgulha-se.<\/p>\n<p>Mais de 400 garotos participaram da peneira. Esse interesse reflete uma importante caracter\u00edstica para a populariza\u00e7\u00e3o do Free Fire: o jogo pode ser reproduzido em qualquer smartphone b\u00e1sico e n\u00e3o requer uma conex\u00e3o de internet com muita velocidade, condi\u00e7\u00f5es que facilitam seu acesso.<\/p>\n<p>Mesmo assim, n\u00e3o s\u00e3o todos que podem jog\u00e1-lo. Cerca de 70 milh\u00f5es de brasileiros t\u00eam acesso prec\u00e1rio \u00e0 internet ou n\u00e3o t\u00eam nenhum acesso. Daqueles que pertencem \u00e0s classes D e E j\u00e1 conectados, 85,1% usam a internet s\u00f3 pelo celular e com pacotes limitados, segundo dados do Cetic.br -o departamento do Comit\u00ea Gestor da Internet que monitora a ado\u00e7\u00e3o de tecnologias de informa\u00e7\u00e3o h\u00e1 15 anos.<\/p>\n<p>Essa situa\u00e7\u00e3o ficou mais evidente quando a necessidade de isolamento social devido \u00e0 pandemia impediu que muitos jovens, principalmente os que moram em periferias, continuassem os estudos a dist\u00e2ncia. De acordo com o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica), 4,3 milh\u00f5es de estudantes n\u00e3o tinham acesso \u00e0 rede no in\u00edcio da crise sanit\u00e1ria. Destes, 4,1 milh\u00f5es estudavam na rede p\u00fablica de ensino.<\/p>\n<p>Oliveira -que, al\u00e9m de fundador, \u00e9 treinador do time e orienta as estrat\u00e9gias dos jogadores- conhece bem essa realidade e deseja transformar a vida dos jovens de sua equipe. Para isso, deixou recentemente a profiss\u00e3o de videomaker para se dedicar integralmente aos garotos.<\/p>\n<p>&#8220;Eu conhe\u00e7o a hist\u00f3ria de vida e a fam\u00edlia de cada jogador. Ent\u00e3o, pretendo continuar com eles, pensando estrat\u00e9gias e focando para crescermos e subirmos para s\u00e9rie A [da Liga Brasileira de Free Fire], pois essa tamb\u00e9m \u00e9 uma oportunidade profissional para eles&#8221;, afirma.<br \/>Em Vig\u00e1rio Geral, favela da zona norte do Rio de Janeiro, Ricardo Chantilly identificou uma oportunidade semelhante e fundou, em 2019, a AfroGames, o primeiro centro de treinamento de esportes eletr\u00f4nicos do pa\u00eds com sede em uma favela.<\/p>\n<p>At\u00e9 2021, o local atendia mais de cem alunos. Neste ano, de acordo com Chantilly, o espa\u00e7o ser\u00e1 ampliado para 170 participantes. &#8220;Todos podem ter aulas de League of Legends, programa\u00e7\u00e3o de jogos e Fortnite, al\u00e9m de aulas de ingl\u00eas. Fora lanche, uniforme e equipamento de primeira qualidade.&#8221;<\/p>\n<p>No ano passado, a organiza\u00e7\u00e3o montou o primeiro time de League of Legends, com os melhores alunos de 2019. A equipe, formada por cinco garotos e uma menina, conta com t\u00e9cnico, preparador f\u00edsico e psic\u00f3logo. Todos os jogadores recebem um sal\u00e1rio m\u00ednimo.<\/p>\n<p>&#8220;Dois desses garotos s\u00e3o os \u00fanicos faturamentos formais da casa deles. As m\u00e3es eram diaristas, os pais eram pedreiros, e, com a pandemia, foram mandados embora. Ent\u00e3o, o \u00fanico faturamento formal \u00e9 com eles&#8221;, ressalta Chantilly.<\/p>\n<p>Na esteira do Free Fire e de outros jogos, como Fifa e League of Legends, tornar-se um gamer profissional est\u00e1 entre os desejos de 96% dos jovens que moram em periferias em todo o pa\u00eds, segundo pesquisa do Instituto Data Favela em parceria com a Locomotiva e a Cufa (Central \u00danica das Favelas).<\/p>\n<p>&#8220;Os jogos eletr\u00f4nicos t\u00eam crescido bastante, est\u00e3o ganhando reconhecimento, principalmente nas favelas, porque, diferentemente do futebol, a favela n\u00e3o \u00e9 vista como celeiro de talentos para esse tipo de esporte&#8221;, afirma o coordenador da Ta\u00e7a das Favelas de Free Fire, Marcus Vinicius Athayde.<\/p>\n<p>Ele diz ainda que, durante um ano, foi disponibilizado um chip com Free Fire liberado para que cada um dos mais 7.000 jogadores da competi\u00e7\u00e3o pudesse treinar sem limita\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>No cen\u00e1rio brasileiro, o maior expoente do jogo \u00e9 justamente um atleta oriundo das favelas, Bruno &#8220;Nobru&#8221; Goes, 21. Nascido na comunidade paulistana Jardim Novo Oriente, ele \u00e9 streamer e jogador, com mais de 33 milh\u00f5es de seguidores, sucesso que alcan\u00e7ou ap\u00f3s superar v\u00e1rios obst\u00e1culos.<\/p>\n<p>&#8220;No in\u00edcio da minha carreira nos games, eu nem tinha celular, porque tinha sido assaltado&#8221;, lembra Nobru.<\/p>\n<p>Para jogar, ele passou a usar o telefone de trabalho do pai. &#8220;Fazendo as coisas certas, muitos jovens tamb\u00e9m conseguir\u00e3o seguir o mesmo caminho e mudar de vida&#8221;, afirma o paulista, que tem um faturamento entre R$ 1,5 milh\u00e3o e R$ 2 milh\u00f5es por m\u00eas apenas com suas lives na plataforma Twitch.<\/p>\n<p>Jakeline Benites, 24, moradora da Vila Nhanh\u00e1, Mato Grosso do Sul, fez parte da equipe campe\u00e3 da Ta\u00e7a das Favelas em 2021. Ela tamb\u00e9m deseja seguir carreira profissional como gamer, por\u00e9m ainda n\u00e3o encontrou uma oportunidade que atenda sua necessidade, j\u00e1 que ela e o marido, Helden Alves, que \u00e9 o treinador do time, t\u00eam duas filhas.<\/p>\n<p>O casal trabalha atualmente entregando produtos vendidos em lojas online, mas a participa\u00e7\u00e3o de ambos no torneio do ano passado possibilitou \u00e0 fam\u00edlia a chance de empreender.<br \/>Ela conta que o pr\u00eamio de R$ 60 mil foi dividido entre os sete jogadores do time e que utilizar\u00e1 a sua parte para come\u00e7ar um neg\u00f3cio pr\u00f3prio.<\/p>\n<p>&#8220;Com a premia\u00e7\u00e3o, come\u00e7arei a vender semijoias e pav\u00ea no pote. Tamb\u00e9m conseguimos comprar um guarda-roupa, um arm\u00e1rio de cozinha e uma cama para as nossas filhas. Esse pr\u00eamio trouxe novas perspectivas para a nossa fam\u00edlia. A gente trabalha para sobreviver e com esse valor extra ser\u00e1 poss\u00edvel empreender.&#8221;<\/p>\n<p>Jakeline diz que, nas viagens com o time para participar de campeonatos, entrou pela primeira de vez em um avi\u00e3o e se hospedou em um hotel de cinco estrelas. &#8220;O mesmo aconteceu com os outros jogadores. Eles tamb\u00e9m nunca tinham viajado de avi\u00e3o&#8221;, relata.<\/p>\n<p>O cen\u00e1rio de jogos competitivos tamb\u00e9m tem sido uma plataforma usada por jovens para conquistar um espa\u00e7o em \u00e1reas como a m\u00fasica. Foi assim, por exemplo, que o rapper Guxta, 19, conseguiu dar um salto em sua carreira.<\/p>\n<p>Nascido e criado na Baixada Fluminense, ele fechou em 2021 parceria com a Loud -uma das maiores organiza\u00e7\u00f5es de esportes eletr\u00f4nicos do pa\u00eds, com cerca de 25 milh\u00f5es de seguidores nas redes sociais- e passou a ser um dos produtores de conte\u00fado da empresa.<\/p>\n<p>Desde ent\u00e3o, j\u00e1 lan\u00e7ou tr\u00eas m\u00fasicas e tr\u00eas videoclipes e conseguiu ajudar a m\u00e3e, que parou de trabalhar. Antes, ela era bab\u00e1.<\/p>\n<p>&#8220;At\u00e9 o Natal de 2020, eu nunca tinha tido uma ceia na minha casa. Sempre faltava dinheiro para a minha m\u00e3e. A gente ficava abra\u00e7ado e chorava, mas tinha f\u00e9. No ano que passou, consegui fazer uma ceia de Natal com toda a minha fam\u00edlia, com muitos amigos&#8221;, conta. &#8220;\u00c9 uma quest\u00e3o de acreditar.&#8221;<\/p>\n<p>Not\u00edcias ao Minuto Brasil &#8211; Esporte<br \/>\n<a href=\"https:\/\/www.noticiasaominuto.com.br\/esporte\/1876408\/jovens-de-periferias-apostam-nos-games-como-plataforma-de-ascensao-social?utm_source=rss-esporte&amp;amp;utm_medium=rss&amp;amp;utm_campaign=rssfeed\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Read More<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>LUCIANO TRINDADE E HAVOLENE VALINHOSS\u00c3O PAULO, SP (FOLHAPRESS) &#8211; Era para ser uma peneira em<\/p>\n","protected":false},"author":0,"featured_media":51945,"comment_status":"","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[3],"tags":[],"class_list":["post-51944","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-esportes"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/51944","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=51944"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/51944\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/51945"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=51944"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=51944"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=51944"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}