{"id":5114,"date":"2021-04-11T16:21:37","date_gmt":"2021-04-11T19:21:37","guid":{"rendered":"http:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/2021\/04\/11\/garimpo-da-fome-na-periferia-de-sp-tem-peregrinacao-por-doacoes-e-busca-de-comida-no-lixo\/"},"modified":"2021-04-11T16:21:37","modified_gmt":"2021-04-11T19:21:37","slug":"garimpo-da-fome-na-periferia-de-sp-tem-peregrinacao-por-doacoes-e-busca-de-comida-no-lixo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/2021\/04\/11\/garimpo-da-fome-na-periferia-de-sp-tem-peregrinacao-por-doacoes-e-busca-de-comida-no-lixo\/","title":{"rendered":"Garimpo da fome na periferia de SP tem peregrina\u00e7\u00e3o por doa\u00e7\u00f5es e busca de comida no lixo"},"content":{"rendered":"<p>Cercada de moscas, Marli Oliveira Gama, 54, revira uma ca\u00e7amba de lixo, no Jardim S\u00e3o Norberto, regi\u00e3o de Parelheiros (extremo sul de SP).<\/p>\n<div class=\"dummyPub\"><\/div>\n<p>Ela d\u00e1 alguns restos de comida para seu c\u00e3o, enquanto tenta encontrar qualquer coisa que possa aproveitar. De \u00fatil, s\u00f3 encontrou duas latinhas de cerveja na \u00faltima quinta (8) -para ganhar R$ 3 com venda de alum\u00ednio, precisaria de mais cerca de 60.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m n\u00e3o encontrou nada para comer ali. Conforme a pandemia foi se estendendo, a situa\u00e7\u00e3o piorou em casa e ela passou a aproveitar alimentos que encontra no lixo.<\/p>\n<p>Na periferia de S\u00e3o Paulo, sem renda e com o recrudescimento da pandemia, muitas fam\u00edlias passaram a garimpar comida por a\u00ed, seja indo atr\u00e1s de doa\u00e7\u00f5es de entidades e vizinhos e at\u00e9 procurando no lixo.<\/p>\n<p>&#8220;Eu j\u00e1 peguei p\u00e3o para os meus filhos comerem, n\u00e3o tinha nada nem para o caf\u00e9 nesse dia, tem uns tempinhos a\u00ed para tr\u00e1s. \u00c0s vezes, jogam algo que a gente v\u00ea que d\u00e1 [para comer]&#8221;, diz. &#8220;Eu tenho uma menina em casa que t\u00e1 com meus tr\u00eas netos. Essa semana mesmo achei umas bolachas a\u00ed, n\u00f3s comemos, a vida est\u00e1 dif\u00edcil&#8221;.<\/p>\n<p>Marli brinca que j\u00e1 levou para casa diversas coisas que achou e n\u00e3o morreu ainda. &#8220;\u00c0s vezes jogam feij\u00e3o cru, no saquinho, eu pego. Eu ponho de molho, a gente cozinha, ainda n\u00e3o morremos, n\u00e3o&#8221;, ri. &#8220;\u00c0s vezes eles jogam frango, coxa, p\u00f5em num saquinho, congelado. Eu pego, fervento, cozinho&#8221;.<\/p>\n<p>Ela diz que costuma ferver e usar vinagre para limpar os alimentos que aproveita. Quando chega em casa, esquenta tudo num fog\u00e3o a lenha, porque tamb\u00e9m n\u00e3o tem dinheiro para comprar g\u00e1s.<\/p>\n<p>A incerteza sobre o que haver\u00e1 para comer \u00e9 parte permanente do card\u00e1pio. &#8220;No dia que d\u00e1 certo a gente compra o arroz e o feij\u00e3o e come. No dia que n\u00e3o d\u00e1 certo vai vivendo como Deus permite&#8221;.<\/p>\n<p>No bairro vizinho, o Jardim Papai Noel, Maria de Loudes dos Anjos Pereira, 58, respons\u00e1vel por uma associa\u00e7\u00e3o de moradores que distribui comida e mantimentos, diz que tamb\u00e9m h\u00e1 casos de pessoas que buscam nas ca\u00e7ambas restos para comer.<\/p>\n<p>Quando h\u00e1 alimentos dispon\u00edveis para doar, longas filas crescem na porta da entidade gerida por Maria de Lourdes e sua fam\u00edlia. A peregrina\u00e7\u00e3o por alimento inclui gente vinda de outros bairros, ap\u00f3s a informa\u00e7\u00e3o ser repassada em grupos de WhatsApp.<\/p>\n<p>No entanto, segundo ela, as remessas de alimentos doados t\u00eam rareado cada vez mais. &#8220;Est\u00e1 pior que no come\u00e7o da pandemia&#8221;, ela diz.<\/p>\n<p>Diferentemente do centro de S\u00e3o Paulo, onde muitos grupos se re\u00fanem para distribuir comidas e doa\u00e7\u00f5es, a fome na periferia \u00e9 muitas vezes invis\u00edvel. E os Jardins Papai Noel e S\u00e3o Norberto ficam a cerca de 40 quil\u00f4metros da pra\u00e7a da S\u00e9, um ponto de refer\u00eancia tanto para pessoas que doam quanto para as que buscam uma marmita.<\/p>\n<p>Conforme dados do Inqu\u00e9rito Nacional sobre Inseguran\u00e7a Alimentar no Contexto da Pandemia da Covid-19 no Brasil, conduzido pela Rede Penssan (Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Seguran\u00e7a Alimentar e Nutricional), a fome atingiu 19 milh\u00f5es de brasileiros na pandemia em 2020.<\/p>\n<p>Eles est\u00e3o entre as 116,8 milh\u00f5es de pessoas que conviveram com algum grau de inseguran\u00e7a alimentar no Brasil nos \u00faltimos meses do ano, o que corresponde a 55,2% dos domic\u00edlios.<\/p>\n<p>Com v\u00e1rios meses sem aux\u00edlio emergencial, em S\u00e3o Paulo, algumas fam\u00edlias t\u00eam como renda apenas aux\u00edlios de alimenta\u00e7\u00e3o repassados pela prefeitura ou pelo governo estadual.<\/p>\n<p>M\u00e3e de um menino de dois anos, Franciele Alves da Silva, 22, recebe apenas os R$ 100 dados pela prefeitura como ajuda para alimenta\u00e7\u00e3o de alunos. O dinheiro, diz ela, d\u00e1 para comprar apenas fralda e leite.<\/p>\n<p>Franciele trabalhava como cuidadora de crian\u00e7as, mas est\u00e1 parada desde o come\u00e7o da pandemia. Ela conta com ajuda dos pais para sobreviver, mas afirma n\u00e3o ter como escapar do fato de que a dieta do filho \u00e9 muito diferente do que j\u00e1 foi. &#8220;O que falta mais \u00e9 fruta&#8221;, diz ela.<\/p>\n<p>Segundo ela, o menino, por sua vez, sente falta de alguns tipos de alimentos que geralmente s\u00e3o dados nas escolas. &#8220;O que ele mais pede \u00e9 danone&#8221;, afirma.<\/p>\n<p>As fam\u00edlias t\u00eam sobrevivido por meio de meio de uma rede de contatos com entidades e solidariedade entre vizinhos.<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 um ajudando o outro. Se falta uma coisa, ela bate aqui, outra bate l\u00e1 e assim a gente vai. Tem igrejas que ajudam, na medida do poss\u00edvel&#8221;, diz a pensionista Gisele Martins, 42.<\/p>\n<p>M\u00e3e de dois filhos, ela est\u00e1 desempregada, em tratamento de hepatite C. Na casa dela, a alimenta\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m costuma se resumir na maioria do tempo a arroz com feij\u00e3o, sem vegetais ou qualquer prote\u00edna.<\/p>\n<p>J\u00e1 Ros\u00e2ngela da Silva, 38, sofreu mais no come\u00e7o da pandemia, quando vendia balas no sem\u00e1foro e vivia com a geladeira vazia. M\u00e3e de cinco filhos menores de idade, o mais novo hoje com quatro anos, ela tem recebido valores relacionados a benef\u00edcios de alimenta\u00e7\u00e3o dado pelas escolas, o que ajudou um pouco na melhoria da dieta.<\/p>\n<p>A reportagem mostrou a hist\u00f3ria de Ros\u00e2ngela h\u00e1 um ano, na s\u00e9rie Fome na Pandemia. Na ocasi\u00e3o, ap\u00f3s sua hist\u00f3ria ser contada, ela recebeu diversas doa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Meses depois, ela ganhou tamb\u00e9m uma casa de pessoas que se sensibilizaram com a situa\u00e7\u00e3o. &#8220;Perguntaram que cor eu queria. Eu disse: quero azul da cor do c\u00e9u&#8221;, diz ela, sentada em frente \u00e0 constru\u00e7\u00e3o, feita no mesmo terreno em que morava.<\/p>\n<p>Apesar de a situa\u00e7\u00e3o ter melhorado um pouco, ela ainda precisa continuar recolhendo materiais recicl\u00e1veis para vender. &#8220;Tem que continuar trabalhando, sen\u00e3o&#8230; &#8220;, diz Ros\u00e2ngela.<br \/>Com carrinho de m\u00e3o, ela circula pelas ruas de terra do bairro e arredores, dividindo espa\u00e7o com carros a cavalos. Pelo caminho, encontra cada vez mais gente precisando de ajuda e menos pessoas querendo ajudar.<\/p>\n<p>&#8220;At\u00e9 o pessoal que dava ferro hoje est\u00e1 vendendo ferro, porque a coisa t\u00e1 feia&#8221;, diz.COMO AJUDAR<\/p>\n<p>Associa\u00e7\u00e3o Unidos Comunit\u00e1ria do Jardim Papai Noel &#8211; 11-98896-0950 (WhatsApp) ou 11-5921-3994, com Ellen ou Maria de Lourdes<\/p>\n<p>Not\u00edcias ao Minuto Brasil &#8211; Brasil<br \/>\n<a href=\"https:\/\/www.noticiasaominuto.com.br\/brasil\/1794353\/garimpo-da-fome-na-periferia-de-sp-tem-peregrinacao-por-doacoes-e-busca-de-comida-no-lixo?utm_source=rss-brasil&amp;amp;utm_medium=rss&amp;amp;utm_campaign=rssfeed\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Read More<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cercada de moscas, Marli Oliveira Gama, 54, revira uma ca\u00e7amba de lixo, no Jardim S\u00e3o<\/p>\n","protected":false},"author":0,"featured_media":5115,"comment_status":"","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[],"class_list":["post-5114","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-brasil"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5114","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5114"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5114\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/5115"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5114"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5114"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5114"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}