{"id":5012,"date":"2021-04-11T11:16:35","date_gmt":"2021-04-11T14:16:35","guid":{"rendered":"http:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/2021\/04\/11\/curso-pre-vestibular-oferece-bolsa-em-homenagem-a-escritora-carolina-de-jesus\/"},"modified":"2021-04-11T11:16:35","modified_gmt":"2021-04-11T14:16:35","slug":"curso-pre-vestibular-oferece-bolsa-em-homenagem-a-escritora-carolina-de-jesus","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/2021\/04\/11\/curso-pre-vestibular-oferece-bolsa-em-homenagem-a-escritora-carolina-de-jesus\/","title":{"rendered":"Curso pr\u00e9-vestibular oferece bolsa em homenagem a escritora Carolina de Jesus"},"content":{"rendered":"<p>&#8220;Sou uma Silva, n\u00e9? Patricia Maria Lima da Silva&#8221;, conta a mulher que, recentemente, descobriu que tamb\u00e9m se chama Carolina.<\/p>\n<div class=\"dummyPub\"><\/div>\n<p>&#8220;Quando li o livro desta hero\u00edna, fiquei apaixonada pela hist\u00f3ria dela&#8221;, diz Patricia, 43, sobre a escritora Carolina de Jesus (1914-1977) e sua obra-prima, &#8220;Quarto de Despejo &#8211; Di\u00e1rio de uma Favelada&#8221;. &#8220;Tantas outras Carolinas que vivem nas favelas e n\u00e3o t\u00eam visibilidade. Que t\u00eam a mesma capacidade de se expressar, de escrever, e n\u00e3o t\u00eam suas obras reconhecidas.&#8221;<\/p>\n<p>Carolina foi catadora de papel e viveu na favela do Canind\u00e9, na regi\u00e3o central de S\u00e3o Paulo. Foi l\u00e1 que o jornalista Aud\u00e1lio Dantas a encontrou no fim dos anos 1950. Soube que preenchia milhares de p\u00e1ginas com relatos do seu dia a dia, editou esse material, e dali surgiu &#8220;Quarto de Despejo&#8221;, fartamente traduzido no exterior.<\/p>\n<p>Patricia \u00e9 uma diarista que mora na favela do Amarelinho, na zona norte carioca, para onde se mudou tem pouco tempo, por achar caro os R$ 600 que pagava numa quitinete na Nova Holanda, uma das favelas do Complexo da Mar\u00e9 -agora desembolsa R$ 400. Quer entrar no curso de pedagogia da Uerj (Universidade do Estado do Rio de Janeiro) para seguir a profiss\u00e3o da professora Ana, a primeira de sua vida.<\/p>\n<p>&#8220;Sempre sonhei em ser professora. Nasci no sert\u00e3o do Nordeste, sou de fam\u00edlia de analfabetos, agricultores, e queria fazer diferente&#8221;, conta. Durante a maior parte da inf\u00e2ncia, num povoado do Cear\u00e1 &#8220;literalmente no mato, sem luz el\u00e9trica&#8221;, ela aprendeu com &#8220;aquelas pessoas que davam aula na casa delas e que mal sabiam ler direito&#8221;.<\/p>\n<p>J\u00e1 tinha mais de 10 anos quando come\u00e7ou a frequentar um col\u00e9gio. Ali conheceu a &#8220;tia Ana&#8221;. Quando repetiu de ano, a docente lhe disse assim: &#8220;Patricia, n\u00e3o chora, \u00e9 melhor repetir e aprender do que passar sem saber. E, outra, voc\u00ea ficar\u00e1 mais um ano na minha turma, n\u00e3o vai ficar feliz?&#8221;.<\/p>\n<p>Ela ficou feliz demais, por\u00e9m, os anos trataram de murchar suas expectativas. &#8220;Infelizmente, a vida leva a gente para outros caminhos.&#8221; Patricia diz que o horizonte, contudo, voltou a se abrir quando conheceu o Unifavela, pr\u00e9-vestibular na Mar\u00e9, conjunto no Rio com 16 favelas e cerca de 140 mil moradores.<\/p>\n<p>O projeto escolheu Patricia e outros quatro estudantes para a Bolsa Carolina de Jesus, que a partir de abril dar\u00e1 tr\u00eas parcelas mensais de R$ 200. O objetivo, segundo Breno Laerte, 25, presidente do Unifavela, \u00e9 brecar a evas\u00e3o de alunos.<\/p>\n<p>No come\u00e7o de 2020, antes da crise da Covid-19 estourar, o pr\u00e9-vestibular tinha 40 alunos no turno da tarde e outros 40 \u00e0 noite. &#8220;Perdemos mais de 80% da turma na pandemia&#8221;, diz. Nem todos os vestibulandos t\u00eam wi-fi ou como pagar chips para ter internet liberada no celular, por exemplo.<\/p>\n<p>&#8220;E tem a desmotiva\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m, n\u00e9? \u00c9 dif\u00edcil, muitos alunos n\u00e3o foram ao Enem. Isso deixou a gente bem baqueado&#8221;, conta Laerte. &#8220;A gente sabe que R$ 200 n\u00e3o v\u00e3o salvar ningu\u00e9m, mas \u00e9 um \u00e2nimo, um g\u00e1s, uma tentativa de fazer com que aquele aluno consiga pagar a internet, comprar um caderno, at\u00e9 ajudar na renda da casa.&#8221;<\/p>\n<p>Patricia sentiu na pele o sufoco financeiro. &#8220;Eu trabalhava como diarista. At\u00e9 tinha umas faxinas boas durante a semana, mas perdi logo no in\u00edcio da pandemia, e outras tantas com a segunda onda.&#8221; Sobrou uma: a cada 15 dias, ganha R$ 150 para limpar uma casa, fora bicos espor\u00e1dicos, como passar roupa.<\/p>\n<p>A aspirante a pedagoga ouviu falar de Carolina de Jesus num curso de escrita criativa do Unifavela. &#8220;Quando li pela primeira vez, fiquei me perguntando em que planeta eu vivia que eu n\u00e3o conhecia a hist\u00f3ria desta mulher t\u00e3o linda. \u00cdntegra, trabalhadeira, honesta. Valores que muitas vezes as pessoas nem imaginam ver dentro da favela, que aqui tenha tanta riqueza de conhecimento&#8221;, diz Patricia, que se recuperava da Covid-19 quando conversou com a reportagem por telefone.<\/p>\n<p>Segundo Laerte, o foco da oficina era apresentar autores negros antes mesmo da faculdade -ele pr\u00f3prio s\u00f3 ficou sabendo na universidade que Carolina de Jesus queria &#8220;comprar um par de sapatos&#8221; para a filha Vera Eunice, mas acabou remendado um que achou no lixo porque &#8220;o custo dos g\u00eaneros aliment\u00edcios nos impede a realiza\u00e7\u00e3o dos nossos desejos&#8221;, como a autora conta no in\u00edcio de seu di\u00e1rio.<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 uma mulher negra que fala de g\u00eanero, ra\u00e7a e classe num Brasil espec\u00edfico&#8221;, Laerte diz sobre a autora da frase &#8220;eu sou negra, a fome \u00e9 amarela e d\u00f3i muito&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;Ela n\u00e3o fala s\u00f3 sobre a fome, fala de pol\u00edtica tamb\u00e9m, entende?&#8221;<\/p>\n<p>Not\u00edcias ao Minuto Brasil &#8211; Brasil<br \/>\n<a href=\"https:\/\/www.noticiasaominuto.com.br\/brasil\/1794316\/curso-pre-vestibular-oferece-bolsa-em-homenagem-a-escritora-carolina-de-jesus?utm_source=rss-brasil&amp;amp;utm_medium=rss&amp;amp;utm_campaign=rssfeed\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Read More<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8220;Sou uma Silva, n\u00e9? 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