{"id":49963,"date":"2022-01-03T13:09:55","date_gmt":"2022-01-03T16:09:55","guid":{"rendered":"http:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/2022\/01\/03\/campos-neto-fara-6a-carta-de-um-presidente-de-bc-para-justificar-inflacao-fora-da-meta\/"},"modified":"2022-01-03T13:09:55","modified_gmt":"2022-01-03T16:09:55","slug":"campos-neto-fara-6a-carta-de-um-presidente-de-bc-para-justificar-inflacao-fora-da-meta","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/2022\/01\/03\/campos-neto-fara-6a-carta-de-um-presidente-de-bc-para-justificar-inflacao-fora-da-meta\/","title":{"rendered":"Campos Neto far\u00e1 6\u00aa carta de um presidente de BC para justificar infla\u00e7\u00e3o fora da meta"},"content":{"rendered":"<p>BRAS\u00cdLIA, DF (FOLHAPRESS) &#8211; Quando a infla\u00e7\u00e3o termina o ano fora do intervalo determinado, o presidente do BC (Banco Central) precisa justificar os motivos em carta aberta e detalhar como o problema deve ser resolvido.<\/p>\n<div class=\"dummyPub\"><\/div>\n<p>A meta \u00e9 definida pelo CMN (Conselho Monet\u00e1rio Nacional) e cabe ao BC cumpri-la, especialmente por meio da calibragem da Selic, a taxa b\u00e1sica de juros.<\/p>\n<p>O atual titular da autoridade monet\u00e1ria, Roberto Campos Neto, escrever\u00e1 a sexta carta desde a cria\u00e7\u00e3o do sistema de metas para a infla\u00e7\u00e3o, em 1999. O texto, endere\u00e7ado ao ministro Paulo Guedes (Economia), precisa ser divulgado ap\u00f3s a divulga\u00e7\u00e3o do IPCA (\u00cdndice Nacional de Pre\u00e7os ao Consumidor Amplo) de dezembro, que traz o dado fechado do ano.<\/p>\n<p>No \u00faltimo relat\u00f3rio de infla\u00e7\u00e3o, o BC apontou probabilidade de 100% para o estouro do teto da meta de 2021.<\/p>\n<p>A expectativa \u00e9 que o indicador termine 2021 acima de 10%, quase o dobro do teto da meta. A meta hoje \u00e9 de 3,75% com toler\u00e2ncia de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo, podendo chegar at\u00e9 o m\u00e1ximo de 5,25%.<\/p>\n<p>A carta mais recente foi escrita pelo antecessor de Campos Neto, Ilan Goldfajn. O texto era relativo \u00e0 infla\u00e7\u00e3o de 2017, mas, na ocasi\u00e3o, o ent\u00e3o presidente do BC se justificava por ter deixado a infla\u00e7\u00e3o ficar ligeiramente inferior ao limite m\u00ednimo estabelecido.<\/p>\n<p>Naquele ano, o \u00edndice ficou em 2,95%, frente a uma meta de 4,5% com toler\u00e2ncia de 1,5 ponto percentual para baixo ou para cima. Os pre\u00e7os poderiam ter ficado entre 3% e 6%. A Selic terminou o per\u00edodo em 7%.<\/p>\n<p>De acordo com o documento, a principal raz\u00e3o da forte desacelera\u00e7\u00e3o da infla\u00e7\u00e3o era a queda de 4,85% dos pre\u00e7os (defla\u00e7\u00e3o) de alimenta\u00e7\u00e3o no domic\u00edlio, justamente o item que iniciou a s\u00e9rie de choques de custos que levaram o indicador de 2021 aos dois d\u00edgitos.<\/p>\n<p>As outras cartas foram escritas em 2015, 2003, 2002 e 2001, todas em raz\u00e3o de ter excedido o limite superior da meta de infla\u00e7\u00e3o. Os motivos foram diversos e passaram por desvaloriza\u00e7\u00e3o do real, crise de confian\u00e7a de investidores, crise global e realinhamento de pre\u00e7os que estavam reprimidos.<\/p>\n<p>Desde a implementa\u00e7\u00e3o do regime, todos os presidentes do BC j\u00e1 tiveram que justificar o descumprimento da meta de infla\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Mandat\u00e1rio mais longevo at\u00e9 agora, Henrique Meirelles foi o \u00fanico a ter que escrever duas cartas ao longo de seu mandato, de janeiro 2003 a dezembro de 2010, oito anos ao todo. Mas os cen\u00e1rios anteriores foram diferentes do atual, destacam os economistas.<\/p>\n<p>&#8220;A carta de 2015 ressalta que no meio do ano as expectativas do mercado j\u00e1 mostravam converg\u00eancia para 2016, o que \u00e9 totalmente distinto do que vemos agora. Apesar do esfor\u00e7o do BC em aumentar [a Selic] 1,5 ponto percentual a cada reuni\u00e3o, h\u00e1 desancoragem das expectativas [para os anos seguintes].<\/p>\n<p>Isso \u00e9 bem impactante porque mostra que talvez tenha que ir al\u00e9m [nos juros]&#8221;, compara o economista-chefe da consultoria An\u00e1lise Econ\u00f4mica, Andr\u00e9 Galhardo.<\/p>\n<p>Na \u00faltima decis\u00e3o, em 8 de dezembro, o Copom (Comit\u00ea de Pol\u00edtica Monet\u00e1ria) do BC elevou a taxa b\u00e1sica novamente em 1,5 ponto percentual, a 9,25% ao ano. No comunicado, o BC indicou nova alta de mesma magnitude para pr\u00f3xima reuni\u00e3o, em fevereiro, para 10,75% ao ano.<\/p>\n<p>Galhardo pondera ainda que esta \u00e9 a primeira carta escrita ap\u00f3s a autonomia do BC, que definiu objetivos secund\u00e1rios \u00e0 autarquia. Al\u00e9m da infla\u00e7\u00e3o, que continua sendo a principal atribui\u00e7\u00e3o, a autoridade precisa olhar para a atividade econ\u00f4mica e para o mercado de trabalho.<\/p>\n<p>&#8220;Mesmo que tenha deixado claro que o controle de pre\u00e7os \u00e9 o alvo principal, o BC ter\u00e1 que dar alguma satisfa\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o ao n\u00edvel de atividade econ\u00f4mica e colocar isso na carta sem causar estranheza ao mercado&#8221;, pontua o analista.<\/p>\n<p>Para economistas consultados pela reportagem, a carta \u00e9 s\u00f3 uma formaliza\u00e7\u00e3o das justificativas que j\u00e1 v\u00eam sendo divulgadas em comunica\u00e7\u00f5es oficiais, como a decis\u00e3o do Copom, a ata da reuni\u00e3o, o relat\u00f3rio de infla\u00e7\u00e3o e falas p\u00fablicas do presidente e de diretores da autarquia.<\/p>\n<p>Com base nesses documentos e discursos, Campos Neto deve citar os sucessivos choques de custos, que come\u00e7aram com a mudan\u00e7a na demanda por alimentos na pandemia de Covid-19. As pessoas ficaram em casa e a alimenta\u00e7\u00e3o no domic\u00edlio ficou mais cara.<\/p>\n<p>Depois vieram problemas em safras por eventos clim\u00e1ticos, eleva\u00e7\u00e3o nos pre\u00e7os das commodities acompanhada de desvaloriza\u00e7\u00e3o do real, alta nos combust\u00edveis e a crise h\u00eddrica, que encareceu a conta de luz do brasileiro.<\/p>\n<p>&#8220;A justificativa deve conter os choques e todo o descompasso na cadeia de suprimentos causado pela pandemia&#8221;, destaca o economista-chefe da Ativa Investimentos, \u00c9tore Sanchez.<\/p>\n<p>Embora o BC tenha atribu\u00eddo parte do descontrole das expectativas de infla\u00e7\u00e3o ao risco fiscal nas comunica\u00e7\u00f5es oficiais, Sanchez diz n\u00e3o acreditar que a carta d\u00ea muita \u00eanfase \u00e0s contas p\u00fablicas. &#8220;A percep\u00e7\u00e3o do mercado de perda de credibilidade na \u00e2ncora fiscal mexeu com as expectativas para a infla\u00e7\u00e3o futura, mas os dados correntes foram melhores que o esperado&#8221;, pontua.<\/p>\n<p>&#8220;As cartas tendem a ser bem sucintas, at\u00e9 para n\u00e3o dar muito guide [sinaliza\u00e7\u00e3o de passos futuros]. \u00c9 importante n\u00e3o gerar desentendimento&#8221;, diz Sanchez.<\/p>\n<p>J\u00e1 o economista-chefe da JF Trust Investimentos, Eduardo Velho, aposta que o BC dever\u00e1 trazer a deteriora\u00e7\u00e3o fiscal como justificativa.<\/p>\n<p>&#8220;Com certeza, ter\u00e3o que admitir a deteriora\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica fiscal, com adiamento de privatiza\u00e7\u00f5es, amea\u00e7a do descumprimento da regra do teto dos gastos, que s\u00f3 foi eliminada recentemente, e perspectiva de menor crescimento futuro. A alta dos juros e menos receita em 2022 devem sancionar maior deficit prim\u00e1rio e uma rea\u00e7\u00e3o maior do ajuste dos juros. Isso refletiu na alta do d\u00f3lar e da demanda de hedge [prote\u00e7\u00e3o cambial]&#8221;, coloca o economista.<\/p>\n<p>O economista-chefe Jo\u00e3o Beck, economista e s\u00f3cio da BRA, escrit\u00f3rio credenciado da XP Investimentos, ressalta que a carta deve conter as justificativas j\u00e1 divulgadas pela autoridade monet\u00e1ria.<\/p>\n<p>&#8220;O BC j\u00e1 se justifica a todo momento, no comunicado que sai junto com a decis\u00e3o, na ata da reuni\u00e3o, no relat\u00f3rio de infla\u00e7\u00e3o, ao TCU [Tribunal de Contas da Uni\u00e3o] e ao Senado. O que vem na carta geralmente \u00e9 uma extens\u00e3o de coisas que j\u00e1 foram faladas&#8221;, diz.<\/p>\n<p>Al\u00e9m dos choques, Beck pondera que o BC levou a taxa b\u00e1sica de juros ao menor n\u00edvel da hist\u00f3ria, a 2% ao ano em agosto do ano passado e manteve o patamar at\u00e9 mar\u00e7o deste ano. O patamar excessivamente estimulativo, segundo ele, veio acompanhado da comunica\u00e7\u00e3o do BC de que a infla\u00e7\u00e3o era tempor\u00e1ria, o que levou as expectativas a subirem ao longo de 2021.<\/p>\n<p>&#8220;O mundo todo acreditou que a press\u00e3o inflacion\u00e1ria seria tempor\u00e1ria, n\u00e3o s\u00f3 o Brasil. Isso porque acreditava-se que seria uma depress\u00e3o econ\u00f4mica, mas n\u00e3o foi. Por isso se reduziu muito os juros&#8221;, lembra Beck.<\/p>\n<p>A avalia\u00e7\u00e3o do mercado \u00e9 que a autoridade monet\u00e1ria demorou a perceber a persist\u00eancia de infla\u00e7\u00e3o, que foi qualificada como tempor\u00e1ria por meses a fio, e quando come\u00e7ou a subir juros deu sinaliza\u00e7\u00f5es equivocadas de que o aperto monet\u00e1rio n\u00e3o seria t\u00e3o longo ou t\u00e3o intenso. A condu\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica monet\u00e1ria deve ser uma das justificativas de Campos Neto.<\/p>\n<p>A alta dos pre\u00e7os foi mais persistente que o esperado e tamb\u00e9m contaminou as expectativas.<\/p>\n<p>Em seus discursos, contudo, o presidente do BC defende que a Selic foi levada a 2% ao ano diante da proje\u00e7\u00e3o de um cen\u00e1rio que n\u00e3o se concretizou, com queda dr\u00e1stica no PIB e risco de defla\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8220;As cartas normalmente s\u00e3o meras repeti\u00e7\u00f5es do que a gente viu nos comunicados e nas atas. O grande lance deste ano \u00e9 a quest\u00e3o de a Selic ter chegado a 2% ao ano, ter\u00e1 que justificar se tardou a come\u00e7ar o ciclo de alta e j\u00e1 existe um risco de a infla\u00e7\u00e3o furar o teto da meta tamb\u00e9m no pr\u00f3ximo ano&#8221;, pontua Galhardo.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.noticiasaominuto.com.br\/economia\/1872974\/campos-neto-fara-6-carta-de-um-presidente-de-bc-para-justificar-inflacao-fora-da-meta?utm_source=rss-economia&amp;amp;utm_medium=rss&amp;amp;utm_campaign=rssfeed\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Read More<\/a><br \/>\nNot\u00edcias ao Minuto Brasil &#8211; Economia<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>BRAS\u00cdLIA, DF (FOLHAPRESS) &#8211; Quando a infla\u00e7\u00e3o termina o ano fora do intervalo determinado, o<\/p>\n","protected":false},"author":0,"featured_media":49964,"comment_status":"","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[11],"tags":[],"class_list":["post-49963","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-economia"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/49963","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=49963"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/49963\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/49964"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=49963"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=49963"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=49963"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}