{"id":49838,"date":"2022-01-02T12:09:03","date_gmt":"2022-01-02T15:09:03","guid":{"rendered":"http:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/2022\/01\/02\/paises-mais-ricos-monopolizam-estudos-de-fosseis-mostra-levantamento\/"},"modified":"2022-01-02T12:09:03","modified_gmt":"2022-01-02T15:09:03","slug":"paises-mais-ricos-monopolizam-estudos-de-fosseis-mostra-levantamento","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/2022\/01\/02\/paises-mais-ricos-monopolizam-estudos-de-fosseis-mostra-levantamento\/","title":{"rendered":"Pa\u00edses mais ricos monopolizam estudos de f\u00f3sseis, mostra levantamento"},"content":{"rendered":"<p>REINALDO JOS\u00c9 LOPES<br \/>S\u00c3O CARLOS, SP (FOLHAPRESS) &#8211; Os pa\u00edses mais ricos do mundo chegaram perto de monopolizar a produ\u00e7\u00e3o de conhecimento sobre o passado da vida na Terra nos \u00faltimos 30 anos: 97% dos dados publicados sobre f\u00f3sseis no mundo durante esse per\u00edodo tiveram a participa\u00e7\u00e3o de cientistas dessas na\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<div class=\"dummyPub\"><\/div>\n<p>A conclus\u00e3o faz parte de uma an\u00e1lise que disseca o papel do colonialismo e das desigualdades globais na paleontologia, ramo da ci\u00eancia que estuda os seres vivos extintos.<\/p>\n<p>O estudo, que acaba de sair na revista cient\u00edfica Nature Ecology &amp; Evolution, mostra ainda que a maioria dos pa\u00edses em desenvolvimento, entre eles o Brasil, tem sido alvo da chamada &#8220;ci\u00eancia paraquedista&#8221; nessa \u00e1rea.<\/p>\n<p>Ou seja, pesquisadores de na\u00e7\u00f5es desenvolvidas frequentemente d\u00e3o um jeito de usar os f\u00f3sseis de pa\u00edses mais pobres em seus estudos sem nenhuma colabora\u00e7\u00e3o com os cientistas dos locais onde as preciosidades paleontol\u00f3gicas foram encontradas.<\/p>\n<p>O levantamento sobre o tema tem como primeira autora uma cientista das ilhas Maur\u00edcio, Nussa\u00efbah Raja, que hoje trabalha na Universidade Friedrich-Alexander, na Alemanha. Tamb\u00e9m assina o estudo a paleont\u00f3loga brasileira Aline Ghilardi, do Departamento de Geologia da UFRN (Universidade Federal do Rio Grande do Norte).<\/p>\n<p>A pesquisadora da UFRN conta que foi contatada por Raja e sua colega Emma Dunne, da Universidade de Birmingham (Reino Unido), porque elas passaram a acompanhar a mobiliza\u00e7\u00e3o dos paleont\u00f3logos brasileiros em favor da repatria\u00e7\u00e3o do dinossauro cearense Ubirajara jubatus.<br \/>O f\u00f3ssil de 110 milh\u00f5es de anos foi parar num museu alem\u00e3o por meios quase certamente ilegais (j\u00e1 que a legisla\u00e7\u00e3o brasileira considera que todos os f\u00f3sseis s\u00e3o bens da Uni\u00e3o) e acabou sendo batizado por uma equipe inteiramente estrangeira, num caso cl\u00e1ssico de &#8220;ci\u00eancia paraquedista&#8221;.<\/p>\n<p>A campanha dos cientistas brasileiros acerca do f\u00f3ssil surrupiado conseguiu que o estudo sobre a esp\u00e9cie fosse retratado (grosso modo, &#8220;despublicado&#8221;, deixando de ser v\u00e1lido para a comunidade cient\u00edfica). Falta ainda conseguir que as autoridades alem\u00e3s devolvam o dinossauro ao Brasil.<\/p>\n<p>&#8220;Nussa\u00efbah e Emma se interessaram em saber mais sobre o caso e tamb\u00e9m queriam detalhes da minha percep\u00e7\u00e3o sobre colonialismo na ci\u00eancia. Marcamos uma reuni\u00e3o e conversamos muito. Percebemos que t\u00ednhamos v\u00e1rios interesses e ideias em comum&#8221;, contou Ghilardi \u00e0 reportagem. &#8220;Disseram que estavam reunindo dados para esse trabalho e que precisariam de ajuda para analisar tudo isso, sobretudo sob a perspectiva de outros pa\u00edses e regi\u00f5es do mundo.&#8221;<\/p>\n<p>O resultado da colabora\u00e7\u00e3o deixa claro que o problema tem v\u00e1rias camadas. De um lado, a heran\u00e7a do colonialismo e imperialismo europeu e norte-americano desde a era dos Descobrimentos, e em especial a partir do s\u00e9culo 19, faz com que certos pa\u00edses &#8220;loteiem&#8221; entre si suas antigas col\u00f4nias e zonas de influ\u00eancia.<\/p>\n<p>Na Arg\u00e9lia, na Tun\u00edsia e no Marrocos, por exemplo, que foram dominados pela Fran\u00e7a at\u00e9 os anos posteriores \u00e0 Segunda Guerra Mundial, at\u00e9 hoje um quarto de todas as pesquisas paleontol\u00f3gicas s\u00e3o feitas por franceses.<\/p>\n<p>J\u00e1 a atual Tanz\u00e2nia fez parte da chamada \u00c1frica Oriental Alem\u00e3 por pouco tempo, de 1886 a 1919, mas mesmo assim paleont\u00f3logos alem\u00e3es ainda s\u00e3o respons\u00e1veis por 17% dos estudos feitos na regi\u00e3o nas \u00faltimas d\u00e9cadas.<\/p>\n<p>Outros pa\u00edses, com jazidas fossil\u00edferas particularmente ricas e sistemas regulat\u00f3rios problem\u00e1ticos, podem virar alvo de &#8220;turismo cient\u00edfico&#8221; generalizado ou do mercado negro de f\u00f3sseis.<\/p>\n<p>\u00c9 o caso de Myanmar, no Sudeste Asi\u00e1tico, e da Rep\u00fablica Dominicana, no Caribe, por causa de suas fontes de \u00e2mbar, material que costuma preservar invertebrados com dezenas de milh\u00f5es de anos.<\/p>\n<p>Nesses casos, h\u00e1 cientistas que simplesmente compram fragmentos de \u00e2mbar na internet e descrevem esp\u00e9cies sem que pesquisadores do pa\u00eds de origem dos f\u00f3sseis sequer saibam da exist\u00eancia deles.<\/p>\n<p>Se o cen\u00e1rio \u00e9 desolador em muitos casos, outros pa\u00edses em desenvolvimento t\u00eam tido sucesso em enfrentar o problema e criar uma produ\u00e7\u00e3o de conhecimento mais equitativa na \u00e1rea.<\/p>\n<p>&#8220;Podemos dar destaque para a China e a Argentina. Apesar de n\u00e3o terem conseguido coibir completamente esse tipo de pr\u00e1tica, eles aumentaram bastante a produ\u00e7\u00e3o dom\u00e9stica de trabalhos em paleontologia, t\u00eam desenvolvido colabora\u00e7\u00f5es internacionais mais equitativas e isso tem reduzido as investidas paraquedistas. A Mong\u00f3lia est\u00e1 trabalhando fortemente para isso, mas n\u00e3o apareceu com destaque nos nossos dados&#8221;, analisa Ghilardi.<\/p>\n<p>&#8220;O Brasil tamb\u00e9m melhorou a produ\u00e7\u00e3o de paleontologia dom\u00e9stica nas \u00faltimas d\u00e9cadas, novos centros de pesquisa surgiram em mais regi\u00f5es durante a \u00e9poca da expans\u00e3o das universidades, mas isso n\u00e3o conseguiu coibir a ci\u00eancia paraquedista em algumas \u00e1reas espec\u00edficas, como \u00e9 o caso da chapada do Araripe [no sert\u00e3o do Cear\u00e1 e regi\u00f5es vizinhas].&#8221;<\/p>\n<p>O trabalho traz ainda recomenda\u00e7\u00f5es para minimizar as desigualdades regionais na \u00e1rea, como mais aten\u00e7\u00e3o de pesquisadores estrangeiros \u00e0 legisla\u00e7\u00e3o local e o investimento para que os f\u00f3sseis achados num pa\u00eds possam ficar nele, beneficiando a comunidade cient\u00edfica e a popula\u00e7\u00e3o do lugar de origem.<\/p>\n<p>Not\u00edcias ao Minuto Brasil &#8211; Mundo<br \/>\n<a href=\"https:\/\/www.noticiasaominuto.com.br\/brasil\/1872926\/paises-mais-ricos-monopolizam-estudos-de-fosseis-mostra-levantamento?utm_source=rss-mundo&amp;amp;utm_medium=rss&amp;amp;utm_campaign=rssfeed\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Read More<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>REINALDO JOS\u00c9 LOPESS\u00c3O CARLOS, SP (FOLHAPRESS) &#8211; Os pa\u00edses mais ricos do mundo chegaram perto<\/p>\n","protected":false},"author":0,"featured_media":49839,"comment_status":"","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[],"class_list":["post-49838","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-mundo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/49838","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=49838"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/49838\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/49839"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=49838"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=49838"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=49838"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}