{"id":48865,"date":"2021-12-25T14:09:26","date_gmt":"2021-12-25T17:09:26","guid":{"rendered":"http:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/2021\/12\/25\/na-california-catastrofes-mais-frequentes-dificultam-reconstrucao-antes-de-proximo-fogo-comecar\/"},"modified":"2021-12-25T14:09:26","modified_gmt":"2021-12-25T17:09:26","slug":"na-california-catastrofes-mais-frequentes-dificultam-reconstrucao-antes-de-proximo-fogo-comecar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/2021\/12\/25\/na-california-catastrofes-mais-frequentes-dificultam-reconstrucao-antes-de-proximo-fogo-comecar\/","title":{"rendered":"Na Calif\u00f3rnia, cat\u00e1strofes mais frequentes dificultam reconstru\u00e7\u00e3o antes de pr\u00f3ximo fogo come\u00e7ar"},"content":{"rendered":"<p>MARINA DIAS E LALO DE ALMEIDA<br \/>CALIF\u00d3RNIA, EUA (FOLHAPRESS) &#8211; Em menos de uma hora, o fogo engoliu Greenville. Na noite de 4 de agosto, uma parede de chamas desceu as montanhas e devastou 75% da pequena cidade no norte da Calif\u00f3rnia.<\/p>\n<div class=\"dummyPub\"><\/div>\n<p>As \u00e1rvores altas que cercam o munic\u00edpio centen\u00e1rio, junto com o vento forte e a vegeta\u00e7\u00e3o seca, deram mais combust\u00edvel \u00e0s labaredas. Prefeitura, igreja, casas e com\u00e9rcios viravam cinzas, enquanto os \u00faltimos dos quase mil moradores eram levados para longe dali.<\/p>\n<p>Nenhuma pessoa morreu, mas dois meses depois, quando chegamos \u00e0 cidade, ainda era poss\u00edvel sentir o cheiro de fuma\u00e7a deixado pelo Dixie, o segundo maior inc\u00eandio florestal da hist\u00f3ria da Calif\u00f3rnia. O cen\u00e1rio era desolador: carca\u00e7as, peda\u00e7os de m\u00f3veis e carros derretidos em meio a grossas camadas de poeira que cobriam estruturas irreconhec\u00edveis.<\/p>\n<p>Uma delas tinha sido, durante 17 anos, a casa da ex-garimpeira Tami Spang, que perdeu para o fogo dois gatos, um carro e tudo o que tinha. Em um balde de pl\u00e1stico, juntava o que conseguia salvar dos escombros. At\u00e9 ali, pe\u00e7as de um pres\u00e9pio e um bracelete.<\/p>\n<p>&#8220;Tem gente que fala que n\u00e3o vale a pena procurar, que \u00e9 s\u00f3 porcaria queimada, mas \u00e9 a minha porcaria queimada&#8221;, diz Tami. &#8220;Greenville era conhecida como a regi\u00e3o das minas de ouro. Agora, seremos a cidade destru\u00edda pelo Dixie. O fogo levou a nossa hist\u00f3ria.&#8221;<\/p>\n<p>Os inc\u00eandios florestais s\u00e3o comuns na Calif\u00f3rnia, mas a crise do clima tem aumentado o potencial destrutivo do fogo, j\u00e1 que as ondas extremas de calor e seca criam condi\u00e7\u00f5es para que as chamas se espalhem com mais rapidez e se tornem mais dif\u00edceis de combater.<\/p>\n<p>Os intervalos entre as cat\u00e1strofes tamb\u00e9m est\u00e3o mais curtos. Dos 20 maiores inc\u00eandios na Calif\u00f3rnia, nove aconteceram entre 2020 e 2021, em um sinal de que o processo de reconstru\u00e7\u00e3o de cidades e de florestas dizimadas est\u00e1 pr\u00f3ximo do insustent\u00e1vel.<\/p>\n<p>Em 2018, a 120 quil\u00f4metros de Greenville, o inc\u00eandio florestal Camp deixou 86 mortos e destruiu o munic\u00edpio de Paradise, que at\u00e9 hoje n\u00e3o conseguiu se recuperar completamente.<\/p>\n<p>Segundo o Departamento Florestal e de Inc\u00eandios da Calif\u00f3rnia, de 1987 a 2019 a extens\u00e3o de terreno queimado no estado nunca havia passado de 8.000 km\u00b2 por ano. Em 2020, por\u00e9m, esse n\u00famero saltou para 16 mil km\u00b2. At\u00e9 outubro de 2021, j\u00e1 eram 11 mil km\u00b2, 3.800 dos quais devido ao Dixie. O inc\u00eandio que destruiu Greenville s\u00f3 ficou atr\u00e1s do August Complex, de 2020, o maior da hist\u00f3ria na regi\u00e3o ao queimar mais de 4.000 km\u00b2.<\/p>\n<p>O Dixie come\u00e7ou no norte da Calif\u00f3rnia em 14 de julho, ap\u00f3s uma \u00e1rvore cair em uma linha de transmiss\u00e3o da Pacific Gas and Electric, a maior empresa de energia do estado. O fogo ent\u00e3o se espalhou rapidamente pela Floresta Nacional de Plumas.<\/p>\n<p>De acordo com levantamento do jornal The New York Times, o inc\u00eandio precisou de quase tr\u00eas meses, 6.500 pessoas, milh\u00f5es de litros de \u00e1gua e US$ 610 milh\u00f5es (R$ 3,35 bilh\u00f5es) para ser controlado -de longe, a campanha mais cara de combate ao fogo no estado.<\/p>\n<p>Enquanto o Dixie queimava \u00e1reas gigantescas, outros inc\u00eandios florestais menores se espalhavam pela Calif\u00f3rnia, deslocando popula\u00e7\u00f5es e equipes de socorro. Na semana em que passamos por l\u00e1, aprendemos um mantra repetido pelos moradores como senso de sobreviv\u00eancia: &#8220;You see the glow, you go&#8221;, algo como &#8220;quando enxergar o clar\u00e3o, corra&#8221;.<\/p>\n<p>No in\u00edcio de outubro, ainda eram poucos os que tinham voltado para conferir o estrago em Greenville. Richard Hamblin era um deles e estava desolado. A casa constru\u00edda havia algumas d\u00e9cadas pelo av\u00f4 dele estava vazia no dia do inc\u00eandio e virou p\u00f3.<\/p>\n<p>Com a ajuda de volunt\u00e1rios, Richard tentava encontrar um anel que seu pai, hoje com 92 anos, ganhou ao se formar no ensino m\u00e9dio, no fim da d\u00e9cada de 1940.<\/p>\n<p>&#8220;Meu pai foi bombeiro por 70 anos&#8221;, conta ele, para ilustrar que lidar com inc\u00eandios era rotina em sua casa. Por isso, ao ser questionado sobre como vai se preparar para o pr\u00f3ximo, Richard \u00e9 pragm\u00e1tico. &#8220;N\u00e3o h\u00e1 mais nada para queimar aqui, mas n\u00e3o vou reconstruir.&#8221;<\/p>\n<p>Greenville foi atingida por outros inc\u00eandios ao longo dos anos, mas uma devasta\u00e7\u00e3o nessas propor\u00e7\u00f5es s\u00f3 \u00e9 compar\u00e1vel ao fogo de 1881, quando 500 pessoas viviam na cidade. Naquela \u00e9poca, a reconstru\u00e7\u00e3o levou menos de um ano, mas, desta vez, n\u00e3o h\u00e1 previs\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 imposs\u00edvel estimar prazos&#8221;, diz Colin Dillon, da McLarens, seguradora que faz a cobertura dos pr\u00e9dios p\u00fablicos de Greenville. &#8220;Setenta e cinco por cento da cidade foi destru\u00edda, e deve custar centenas de milh\u00f5es de d\u00f3lares para refazer toda a infraestrutura.&#8221;<\/p>\n<p>Colin estava na cidade no in\u00edcio de outubro para avaliar os danos e calcular os custos para a reconstru\u00e7\u00e3o dos pr\u00e9dios que abrigavam prefeitura, biblioteca, delegacia e corpo de bombeiros, em um trabalho que ele diz repetir \u00e0 exaust\u00e3o h\u00e1 15 anos.<\/p>\n<p>Por d\u00e9cadas, o governo investiu no combate a inc\u00eandios florestais, o que deu a muitos na Calif\u00f3rnia confian\u00e7a para viver em \u00e1reas cercadas por florestas. O problema \u00e9 que, ao mesmo tempo em que protegia as comunidades, essa pol\u00edtica permitiu que vegeta\u00e7\u00e3o seca se acumulasse, um fator que ajuda as chamas a se espalharem cada vez mais longe.<\/p>\n<p>Ao sul de Greenville e perto da Ba\u00eda de S\u00e3o Francisco, por exemplo, as vin\u00edcolas do Napa Valley -cora\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o de vinho dos EUA- veem os inc\u00eandios se tornarem uma grave crise. Turistas ainda lotam o mercado gourmet e os restaurantes no centro de Napa, mas, no alto das montanhas, encontramos produtores cercados por \u00e1rvores queimadas, com pouco acesso a \u00e1gua e a expectativa de que esse panorama s\u00f3 vai piorar.<\/p>\n<p>Stuart Smith nos recebeu em 10 de outubro na vin\u00edcola Smith-Madrone, que ele comprou em 1971. Dirigindo um carrinho de golfe, mostrou as planta\u00e7\u00f5es verdes e bem alinhadas de uvas que costumavam produzir de 4.000 a 5.000 caixas de vinho por ano.<\/p>\n<p>Por mais de tr\u00eas d\u00e9cadas, a vin\u00edcola n\u00e3o sentiu os impactos da crise do clima. Em 2008, no entanto, o cen\u00e1rio mudou. A fuma\u00e7a de inc\u00eandios florestais que atingiam outras partes da Calif\u00f3rnia chegaram at\u00e9 o Napa Valley e contaminaram as uvas de Stuart.<\/p>\n<p>Antes de engarrafar parte do vinho tinto, o irm\u00e3o dele, Charlie, provou e fez careta. &#8220;O gosto muda, a fuma\u00e7a suga a fruta, deixa o vinho avinagrado e menos interessante&#8221;, diz Stuart.<\/p>\n<p>Naquele ano, eles ainda conseguiram vender algumas garrafas -a fuma\u00e7a prejudica, principalmente, a uva para os tintos, cuja casca \u00e9 usada na produ\u00e7\u00e3o-, mas agora o fogo tem chegado cada vez mais perto. O inc\u00eandio Glass, no ano passado, queimou \u00e1rvores dentro da propriedade de Stuart e chegou a poucos metros do vinhedo. As chamas n\u00e3o atingiram as uvas, mas a proximidade da fuma\u00e7a deixou todas elas inutiliz\u00e1veis.<\/p>\n<p>Neste ano, Stuart conseguiu produzir vinho, mas em quantidades menores. A culpa, diz ele, \u00e9 da seca, o maior problema para sua vin\u00edcola. &#8220;Estamos aterrorizados com os reservat\u00f3rios secos, sem chuvas substanciais, sem saber o que fazer para o pr\u00f3ximo ano&#8221;, afirma, destacando que j\u00e1 recorre a medidas para economizar \u00e1gua que logo ser\u00e3o insuficientes.<\/p>\n<p>Os produtores do Napa Valley venderam US$ 829 milh\u00f5es (R$ 4,6 bi) em uvas para vinho tinto em 2019. Em 2020, com o inc\u00eandio Glass, o valor caiu para US$ 384 milh\u00f5es (R$ 2,1 bi).<\/p>\n<p>&#8220;Voc\u00ea acorda cansado, trabalha cansado, dorme cansado. Estamos deprimidos&#8221;, diz Stuart. Quando questionado se vale a pena enfrentar a crise do clima e a m\u00e1 gest\u00e3o florestal para produzir vinhos, responde: &#8220;Espere at\u00e9 a pr\u00f3xima colheita para bebermos uma ta\u00e7a do nosso pr\u00f3prio vinho. Tem que ser resiliente&#8221;.<\/p>\n<p>Do outro lado do vale, Susan Boswell n\u00e3o teve a mesma sorte de Stuart, que viu as labaredas cederem antes de atingirem suas parreiras. Em setembro do ano passado, o fogo do Glass devastou a vin\u00edcola Ch\u00e2teau Boswell, constru\u00edda pelo marido dela em 1979.<\/p>\n<p>&#8220;Acordei de madrugada, olhei pela janela e vi uma bola laranja chegando. Peguei meus cachorros, minha bolsa, pulei no carro e acelerei&#8221;, conta Susan. &#8220;O fogo atingiu em cheio a minha propriedade, de tr\u00eas dire\u00e7\u00f5es diferentes. Eu n\u00e3o tinha chance.&#8221;<\/p>\n<p>Ela diz ter perdido a casa em que morava, o pr\u00e9dio no qual funcionava o escrit\u00f3rio e a sala de degusta\u00e7\u00e3o da vin\u00edcola, al\u00e9m de parreiras e da cave, com centenas de barris e milhares de garrafas de vinho -toda a produ\u00e7\u00e3o de 2018, 2019 e 2020.<\/p>\n<p>Quando chegamos ao Ch\u00e2teau Boswell, pouco mais de um ano depois do inc\u00eandio, Susan ainda n\u00e3o havia reaberto o espa\u00e7o, hoje em processo de reconstru\u00e7\u00e3o. &#8220;Considerei o custo financeiro e emocional de reconstruir e tive uma equipe que me apoiou. Queremos mostrar ao p\u00fablico que somos os mesmos de antes.&#8221;<\/p>\n<p>Susan restaurou a parte interna da cave e vai usar pedra, a\u00e7o e vidro para refazer outras constru\u00e7\u00f5es, comprou regadores gigantes para cercar o terreno, espalhando \u00e1gua e aumentando a umidade em \u00e9pocas de seca, e diz adotar medidas para que tudo seja feito de forma sustent\u00e1vel.<\/p>\n<p>Antes do estrago, a Ch\u00e2teau Boswell produzia 3.000 caixas de vinho por ano e foi a primeira vin\u00edcola da regi\u00e3o a ganhar o selo verde do Napa Green Winery Program, que, desde 2004, estimula produtores a se comprometerem com a gest\u00e3o ambiental e a\u00e7\u00e3o clim\u00e1tica.<\/p>\n<p>Assim como Stuart, Susan cobra melhor gest\u00e3o das florestas por parte do governo e prefere n\u00e3o adotar medidas alternativas para proteger as uvas do calor intenso. Borrifar protetor solar sobre as planta\u00e7\u00f5es virou moda neste ver\u00e3o, mas parte dos produtores que o fizeram diz que o resultado n\u00e3o \u00e9 satisfat\u00f3rio.<\/p>\n<p>O retrato de calamidade no terceiro maior estado americano -e o sexto visitado nesta s\u00e9rie de reportagens- completa o quadro de emerg\u00eancia ambiental nos EUA.<\/p>\n<p>O enfrentamento da crise do clima exige mudan\u00e7as no sistema de desenvolvimento e no modo de vida americano, sem tempo para solu\u00e7\u00f5es paliativas ou individuais. A busca pelo lucro e a falta de senso coletivo, por\u00e9m, ainda s\u00e3o obst\u00e1culos para transforma\u00e7\u00f5es urgentes.<\/p>\n<p>No Vale do Sil\u00edcio, sede de gigantes de tecnologia e startups de inova\u00e7\u00e3o, visitamos duas empresas que buscam solu\u00e7\u00f5es para uma economia mais sustent\u00e1vel. Fundada em 2013, a Turntide produz sistemas de motores inteligentes para otimizar gastos de energia em grandes edif\u00edcios e nos setores de agricultura e transporte. J\u00e1 a QuantumScape trabalha, desde 2010, no desenvolvimento de baterias mais baratas e dur\u00e1veis para carros el\u00e9tricos.<\/p>\n<p>Em comum, elas t\u00eam o discurso de que sustentabilidade \u00e9 tamb\u00e9m uma oportunidade de neg\u00f3cio e que, para uma mudan\u00e7a sist\u00eamica, \u00e9 preciso convencer os americanos de que a ado\u00e7\u00e3o de medidas contra a crise do clima vai gerar lucro e benefici\u00e1-los pessoalmente.<\/p>\n<p>&#8220;Mesmo se o clima n\u00e3o estivesse mudando, se voc\u00ea n\u00e3o tivesse que se preocupar com a emiss\u00e3o de poluentes, [adotar sistemas de motores inteligentes] seria um investimento a se fazer porque se paga rapidamente e voc\u00ea fica \u00e0 frente no jogo&#8221;, diz Eric Meyerson, vice-presidente de Comunica\u00e7\u00e3o e Marketing da Turntide. &#8220;N\u00e3o \u00e9 algo que voc\u00ea faz porque precisa, mas porque quer. Se n\u00e3o fizer, seu concorrente vai fazer e passar na sua frente.&#8221;<\/p>\n<p>A QuantumScape, por sua vez, passou os \u00faltimos dez anos pesquisando como produzir uma bateria para carros el\u00e9tricos que dure mais tempo e seja mais barata do que as que existem hoje. Com milh\u00f5es de d\u00f3lares de investidores que v\u00e3o de Bill Gates \u00e0 Volkswagen, a empresa tem 500 funcion\u00e1rios e pretende come\u00e7ar a comercializar as baterias em 2025.<\/p>\n<p>&#8220;Eletrificar a frota \u00e9, provavelmente, a maior mudan\u00e7a na ind\u00fastria de transporte e automotiva dos \u00faltimos cem anos&#8221;, afirma Asim Hussain, diretor de marketing da QuantumScape. &#8220;Mais de 25% das emiss\u00f5es de poluentes do mundo v\u00eam do setor de transporte. Se a gente n\u00e3o mudar esse setor e o uso do petr\u00f3leo, n\u00e3o tem muitas maneiras de impactar significativamente a mudan\u00e7a clim\u00e1tica.&#8221;<\/p>\n<p>Os carros el\u00e9tricos representam apenas 3% do mercado americano. Apesar de as vendas e a aceita\u00e7\u00e3o desses ve\u00edculos terem aumentado nos \u00faltimos meses, eles ainda s\u00e3o considerados caros e sofrem cr\u00edticas devido \u00e0 baixa durabilidade de suas baterias e ao tempo que leva para carreg\u00e1-las -geralmente uma hora.<\/p>\n<p>A m\u00e9dia de pre\u00e7o de ve\u00edculos novos e n\u00e3o el\u00e9tricos nos EUA \u00e9 de US$ 20 mil a US$ 30 mil, enquanto o modelo mais barato da Tesla -montadora de carros el\u00e9tricos mais famosa do pa\u00eds, capitaneada pelo midi\u00e1tico Elon Musk- n\u00e3o sai por menos de US$ 40 mil. Asim explica que a bateria da QuantumScape usa l\u00edtio em estado s\u00f3lido, o que melhora sua efici\u00eancia em 85% e exige apenas 15 minutos para a carga, em carros que devem custar at\u00e9 US$ 30 mil.<\/p>\n<p>Ele diz acreditar que o custo-benef\u00edcio apresentado para o consumidor vai ser suficiente para fazer com que mais pessoas queiram comprar carros el\u00e9tricos.<\/p>\n<p>Gerenciar a crise do clima exige a reorienta\u00e7\u00e3o da economia global, repensar a cadeia produtiva, os sistemas de moradia e fornecimento de energia em pa\u00edses que, por muito tempo, ignoraram o aquecimento global e seus efeitos.<\/p>\n<p>O palco mais recente para esse debate foi a 26\u00aa confer\u00eancia global do clima das Na\u00e7\u00f5es Unidas, realizada em Glasgow, na Esc\u00f3cia, no in\u00edcio de novembro. Um dos objetivos era que os pa\u00edses apresentassem compromissos mais ambiciosos para enfrentar a crise do clima, mas os resultados ficaram aqu\u00e9m do esperado.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s duas semanas de reuni\u00f5es, quase 200 negociadores bateram o martelo sobre a conclus\u00e3o do livro de regras do Acordo de Paris, que regulamenta o tratado de 2015, com mecanismos de transpar\u00eancia e prazos para revis\u00f5es das metas clim\u00e1ticas. A falta de novos compromissos de financiamento por parte das na\u00e7\u00f5es mais ricas, por\u00e9m, bloqueou a disposi\u00e7\u00e3o do resto do mundo de ir al\u00e9m com metas de redu\u00e7\u00e3o de emiss\u00f5es de poluentes.<\/p>\n<p>Ao deixar objetivos mais arrojados, de novo, para o futuro, os acordos firmados em Glasgow n\u00e3o devem impedir que a temperatura global aumente, no m\u00ednimo, 2,4\u00b0C em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 era pr\u00e9-industrial -patamar muito acima do 1,5\u00b0C estabelecido como limite para evitar cen\u00e1rios ainda mais catastr\u00f3ficos.<\/p>\n<p>&#8220;O que estamos fazendo coletivamente n\u00e3o \u00e9 suficiente&#8221;, diz Yoca Arditi-Rocha, diretora-executiva do Instituto CLEO, que atua na prote\u00e7\u00e3o \u00e0 crise clim\u00e1tica.<\/p>\n<p>&#8220;A crise que estamos vivendo deve ser vista no modo emerg\u00eancia, algo que nunca vivemos antes, e precisamos trat\u00e1-la com a abordagem e o foco que tivemos diante da pandemia.&#8221;<\/p>\n<p>Ao cruzar os EUA, \u00e9 f\u00e1cil perceber que a maneira abstrata como discutimos a crise do clima -&#8220;uma amea\u00e7a existencial ao planeta e \u00e0 humanidade&#8221;- falhou em capturar a urg\u00eancia do momento. &#8220;N\u00e3o \u00e9 sobre urso polar ou coisas que est\u00e3o longe da nossa realidade&#8221;, diz Yoca. &#8220;Como voc\u00ea conecta esses pontos \u00e0 vida das pessoas \u00e9 o que vai fazer diferen\u00e7a.&#8221;<br \/>O caos clim\u00e1tico j\u00e1 nos atinge em cheio. Est\u00e1 evidente nas cidades que viraram escombros pela for\u00e7a da \u00e1gua ou do fogo, nas planta\u00e7\u00f5es destru\u00eddas pela seca ou pelo vento e nos rostos de pessoas que tiveram suas vidas transformadas de forma dr\u00e1stica -a maior parte delas, sem nenhum recurso para uma segunda chance.<\/p>\n<p>Not\u00edcias ao Minuto Brasil &#8211; Mundo<br \/>\n<a href=\"https:\/\/www.noticiasaominuto.com.br\/mundo\/1871379\/na-california-catastrofes-mais-frequentes-dificultam-reconstrucao-antes-de-proximo-fogo-comecar?utm_source=rss-mundo&amp;amp;utm_medium=rss&amp;amp;utm_campaign=rssfeed\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Read More<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>MARINA DIAS E LALO DE ALMEIDACALIF\u00d3RNIA, EUA (FOLHAPRESS) &#8211; Em menos de uma hora, o<\/p>\n","protected":false},"author":0,"featured_media":48866,"comment_status":"","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[],"class_list":["post-48865","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-mundo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/48865","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=48865"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/48865\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/48866"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=48865"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=48865"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=48865"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}