{"id":47024,"date":"2021-12-12T12:09:08","date_gmt":"2021-12-12T15:09:08","guid":{"rendered":"http:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/2021\/12\/12\/monarco-um-dos-maiores-nomes-da-historia-do-samba-morre-aos-88-anos\/"},"modified":"2021-12-12T12:09:08","modified_gmt":"2021-12-12T15:09:08","slug":"monarco-um-dos-maiores-nomes-da-historia-do-samba-morre-aos-88-anos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/2021\/12\/12\/monarco-um-dos-maiores-nomes-da-historia-do-samba-morre-aos-88-anos\/","title":{"rendered":"Monarco, um dos maiores nomes da hist\u00f3ria do samba, morre aos 88 anos"},"content":{"rendered":"<p>LUIZ FERNANDO VIANNA<br \/>RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) &#8211; Hildemar Diniz, o Monarco, l\u00edder da Velha Guarda da Portela, um dos maiores cantores da hist\u00f3ria do samba e figura altamente respeitada no meio musical morreu neste s\u00e1bado, dia 11, aos 88 anos, no Rio de Janeiro.<\/p>\n<div class=\"dummyPub\"><\/div>\n<p>Pode-se at\u00e9 imaginar que seu apelido \u00e9 uma varia\u00e7\u00e3o de monarca e faz alus\u00e3o \u00e0 sua nobreza. Mas n\u00e3o \u00e9 bem assim. A primeira parte est\u00e1 certa. Hildemar, que teve sua morte confirmada pela Portela ap\u00f3s complica\u00e7\u00f5es de uma cirurgia no intestino que ele fez no m\u00eas passado, tinha seis ou sete anos de idade quando ouviu um colega lendo a palavra &#8220;monarca&#8221; num gibi.<br \/>Gostou tanto que pediu para ouvi-la v\u00e1rias vezes. A turma em volta, para ca\u00e7oar, tascou-lhe o apelido Monarca. Como terminava em &#8220;a&#8221;, parecia afeminado. Pouco tempo depois, o pr\u00f3prio ca\u00e7oado adaptou para Monarco.<\/p>\n<p>A segunda parte, a do seu reconhecimento como um rei de seu of\u00edcio, se deu de forma lenta. Embora antes dos 20 anos ele j\u00e1 tivesse um samba seu cantado por toda a Portela, s\u00f3 na d\u00e9cada de 1980 Monarco foi entronizado como cantor e compositor de primeira linha.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 absurdo imaginar que algu\u00e9m cuja biografia \u00e9 indissoci\u00e1vel de uma escola de samba tenha crescido na quadra da agremia\u00e7\u00e3o. Este n\u00e3o \u00e9 o caso de Monarco.<\/p>\n<p>Ele nasceu em 17 de agosto de 1933 no sub\u00farbio carioca, mas no bairro de Cavalcante, n\u00e3o no de Oswaldo Cruz, ber\u00e7o da Portela. Com um ano, foi com seus seis irm\u00e3os para Nova Igua\u00e7u, na Baixada Fluminense.<br \/>Era uma vida dif\u00edcil, como registra Henrique Cazes no livro &#8220;Monarco &#8211; Voz e Mem\u00f3ria do Samba&#8221;. Sua m\u00e3e, Altair, quase n\u00e3o dormia: embalava laranjas durante o dia, lavava e passava roupas para clientes \u00e0 noite. E ainda cuidava dos filhos, que assumiu praticamente sozinha depois de se separar do marido, o marceneiro e poeta Jos\u00e9 Felippe, quando Monarco tinha seis anos. O menino entregava os pacotes de roupa passada pela m\u00e3e.<\/p>\n<p>A intelig\u00eancia engana, mas Monarco estudou s\u00f3 at\u00e9 o terceiro ano do antigo prim\u00e1rio. Tinha que ganhar dinheiro para ajudar Altair. Aos 14 anos, conseguiu seu primeiro emprego: office-boy da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Imprensa. Foi demitido ao ser flagrado sambando com uma vassoura erguida, como se segurasse um estandarte.<\/p>\n<p>\u00c9 que j\u00e1 estava influenciado por sua nova vizinhan\u00e7a. Desde os 13 anos, morava com a fam\u00edlia em Oswaldo Cruz, ao lado de Madureira. Fascinou-se pela malandragem e pela musicalidade da regi\u00e3o, mas n\u00e3o podia se dedicar a elas. Aos 18 anos, teve uma filha com Deolinda, Nigmar, e se casou com Maria Teresa, que lhe deu Mauro. Dividia-se entre empregos de curta dura\u00e7\u00e3o e biscates.<\/p>\n<p>Foi se aproximando aos poucos dos m\u00fasicos do bairro, a come\u00e7ar por Jaime Silva, que ficaria c\u00e9lebre por compor &#8220;O Pato&#8221;, sucesso de Jo\u00e3o Gilberto. Um irm\u00e3o de Jaime, Di\u00e7\u00e3o, deu a Monarco li\u00e7\u00f5es de cavaquinho. Era o que faltava para ele trocar os versinhos que fazia por composi\u00e7\u00f5es de verdade.<\/p>\n<p>O primeiro samba que considera para valer nasceu como &#8220;Retumbante Vit\u00f3ria&#8221;, mas entrou para a hist\u00f3ria como &#8220;O Passado da Portela&#8221;. \u00c9 de 1952, e o refr\u00e3o nunca deixou de ser cantado pelos amantes da escola. &#8220;O que nos vale \u00e9 a f\u00e9\/ Que encoraja e conduz\/ Portelense de verdade\/ Que defende Oswaldo Cruz.&#8221;<\/p>\n<p>O samba encantou tanto Natal, o todo-poderoso bicheiro da escola, que foi apresentado no ensaio mesmo Monarco sendo um desconhecido. Acabou escolhido para o aquecimento do desfile de 1953. Curiosamente, Monarco nunca teve um samba-enredo seu vencedor nas disputas da Portela, s\u00f3 em outras agremia\u00e7\u00f5es, como a Unidos do Jacarezinho, mas preserva essa emo\u00e7\u00e3o que sentiu aos 19 anos.<\/p>\n<p>Dado o pontap\u00e9 inicial, ele ganhou coragem para se aproximar de outros portelenses. Entre suas principais composi\u00e7\u00f5es est\u00e3o parcerias com Chico Santana (&#8220;Len\u00e7o&#8221;, &#8220;De Paulo a Paulinho&#8221;), Alcides Malandro Hist\u00f3rico (&#8220;Amor de Malandro&#8221;, &#8220;Enganadora&#8221;), Mijinha (&#8220;Sofres porque Quer Liberdade&#8221;, &#8220;Falsa Recompensa&#8221;), Walter Rosa (&#8220;Tudo Menos Amor&#8221;). E ainda teve a ousadia de complementar sambas de Paulo da Portela, nome maior da escola: &#8220;O Quitandeiro&#8221;, &#8220;Serei Teu Ioi\u00f4&#8221;, &#8220;Este Mundo \u00c9 uma Roleta&#8221;.<\/p>\n<p>Na lista de composi\u00e7\u00f5es sem parceria, destacam-se rever\u00eancias \u00e0 sua agremia\u00e7\u00e3o: &#8220;Portela sem Vaidade&#8221;, &#8220;Saudades da Portela&#8221;, &#8220;Homenagem \u00e0 Velha Guarda da Portela&#8221;, &#8220;Passado de Gl\u00f3ria&#8221;. Esta \u00faltima deu t\u00edtulo ao primeiro disco da Velha Guarda, produzido por Paulinho da Viola em 1970. Monarco aparece na foto da contracapa, mas n\u00e3o participou da grava\u00e7\u00e3o da m\u00fasica porque estava na feira, trabalhando especialmente como peixeiro, o que lhe permitiu ajudar no sustento dos filhos.<\/p>\n<p>Como compositor, ele se filiou ao que se chama de &#8220;estilo da Portela&#8221;, com melodias em tons menores e certa melancolia. Embora contempor\u00e2neo de Candeia, Casquinha, Bubu e outros portelenses mais ligados ao partido-alto, Monarco se manteve pr\u00f3ximo da linha mais antiga. Somando isso ao verso inicial de &#8220;O Passado da Portela&#8221; (&#8220;Um dia, um portelense de outrora&#8221;), explica-se a faixa com que ele foi recebido num show: &#8220;Hoje &#8211; Monarco e seu pessoal de outrora&#8221;.<\/p>\n<p>Como cantor, embora j\u00e1 fosse admirado muito antes, s\u00f3 teve chance de gravar o seu primeiro disco em 1976. Depois vieram outros, sempre elogiados pela cr\u00edtica, mas em periodicidade irregular. O \u00faltimo \u00e9 de 2014 e, numa alus\u00e3o a seus 80 anos, chama-se &#8220;Passado de Gl\u00f3ria&#8221;. Em 2012, gravara &#8220;Fam\u00edlia Diniz &#8211; Um Cora\u00e7\u00e3o Azul e Branco&#8221;, assumindo a condi\u00e7\u00e3o de patriarca de um cl\u00e3 musical, do qual fazem parte seus filhos Mauro Diniz (not\u00f3rio cavaquinista e arranjador) e Marquinho Diniz (compositor, integrante do Trio Calafrio).<\/p>\n<p>E foi um jovem muito amigo de seu filho Mauro quem o al\u00e7ou ao posto de autor de sucesso. Na voz de Zeca Pagodinho, duas parcerias suas com Ratinho, &#8220;Cora\u00e7\u00e3o em Desalinho&#8221; e &#8220;Vai Vadiar&#8221;, estouraram, respectivamente, em 1986 e 1998, e continuam sendo muito cantadas.<br \/>Monarco n\u00e3o \u00e9 apenas o rosto e a voz da Velha Guarda da Portela, mas a mem\u00f3ria de sua escola, de Paulo da Portela a Paulinho da Viola, como diz na letra de seu samba. Foi escolhido, em 2013, presidente de honra da Portela, posi\u00e7\u00e3o que refor\u00e7a a sua condi\u00e7\u00e3o de monarca.<\/p>\n<p>O sambista deixa a mulher, filhos e netos. Ainda n\u00e3o h\u00e1 informa\u00e7\u00f5es sobre vel\u00f3rio e enterro. Nesta sexta-feira, dia 10, um dia antes de sua morte, ele foi homenageado durante a inaugura\u00e7\u00e3o da sala de trof\u00e9us da Portela, que leva seu nome.<\/p>\n<p>Not\u00edcias ao Minuto Brasil &#8211; Cultura<br \/>\n<a href=\"https:\/\/www.noticiasaominuto.com.br\/ultima-hora\/1868039\/monarco-um-dos-maiores-nomes-da-historia-do-samba-morre-aos-88-anos?utm_source=rss-cultura&amp;amp;utm_medium=rss&amp;amp;utm_campaign=rssfeed\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Read More<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>LUIZ FERNANDO VIANNARIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) &#8211; Hildemar Diniz, o Monarco, l\u00edder da Velha<\/p>\n","protected":false},"author":0,"featured_media":47025,"comment_status":"","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[4],"tags":[],"class_list":["post-47024","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cultura"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/47024","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=47024"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/47024\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/47025"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=47024"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=47024"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=47024"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}