{"id":45733,"date":"2021-12-02T13:08:32","date_gmt":"2021-12-02T16:08:32","guid":{"rendered":"http:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/2021\/12\/02\/com-recuo-do-pib-de-01-no-3o-trimestre-brasil-entra-em-recessao-tecnica\/"},"modified":"2021-12-02T13:08:32","modified_gmt":"2021-12-02T16:08:32","slug":"com-recuo-do-pib-de-01-no-3o-trimestre-brasil-entra-em-recessao-tecnica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/2021\/12\/02\/com-recuo-do-pib-de-01-no-3o-trimestre-brasil-entra-em-recessao-tecnica\/","title":{"rendered":"Com recuo do PIB de 0,1% no 3\u00ba trimestre, Brasil entra em recess\u00e3o t\u00e9cnica"},"content":{"rendered":"<p>A economia brasileira seguiu estagnada na passagem do segundo para o terceiro trimestre. Mesmo com a normaliza\u00e7\u00e3o de algumas atividades, a infla\u00e7\u00e3o pressionada e o mercado de trabalho ainda dif\u00edcil impediram um impulso mais forte da demanda, enquanto desequil\u00edbrios provocados pela pandemia ainda atrapalham a ind\u00fastria.<\/p>\n<div class=\"dummyPub\"><\/div>\n<p>O resultado foi uma ligeira queda de 0,1% no Produto Interno Bruto (PIB, o valor de todos os produtos e servi\u00e7os produzidos na economia em determinado per\u00edodo) no terceiro trimestre ante o segundo, informou nesta quinta-feira, 2, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE).<\/p>\n<p>Ap\u00f3s nove meses de avan\u00e7os, do terceiro trimestre de 2020 ao primeiro deste ano, a economia parou a partir de abril. No segundo trimestre, o PIB caiu 0,4% ante os tr\u00eas primeiros meses do ano, conforme revis\u00e3o anunciada tamb\u00e9m nesta quinta-feira, pelo IBGE.<\/p>\n<p>Com isso, a economia brasileira entrou em &#8220;recess\u00e3o t\u00e9cnica&#8221;, como economistas de mercado chamam a situa\u00e7\u00e3o em que ocorrem dois trimestres seguidos de retra\u00e7\u00e3o no PIB.<\/p>\n<p>No terceiro trimestre, a economia foi puxada, pela \u00f3tica da oferta, pelo setor de servi\u00e7os, com avan\u00e7o de 1,1% sobre o segundo trimestre. &#8220;H\u00e1 uma normaliza\u00e7\u00e3o das atividades presenciais. Estamos colhendo os frutos da vacina\u00e7\u00e3o&#8221;, disse Alessandra Ribeiro, s\u00f3cia e diretora de Macroeconomia da Tend\u00eancias Consultoria, lembrando que essa &#8220;normaliza\u00e7\u00e3o&#8221; das atividades aparece no mercado de trabalho, com a recupera\u00e7\u00e3o de postos de trabalho, especialmente nos servi\u00e7os presenciais.<\/p>\n<p>Como responde por pouco mais de 70% do PIB, o setor de servi\u00e7os puxa a atividade como um todo, mas, no terceiro trimestre, a ind\u00fastria e a agropecu\u00e1ria seguraram o impulso, impedindo um crescimento maior.<\/p>\n<p>Sob efeito de quebras de safra provocadas pela estiagem hist\u00f3rica no meio do ano, a agropecu\u00e1ria registrou queda de 8% sobre o segundo trimestre.<\/p>\n<p>O PIB industrial ficou estagnado, ainda afetado pelos gargalos nas cadeias globais de produ\u00e7\u00e3o, marcados pelo travamento do transporte mar\u00edtimo e pela escassez de pe\u00e7as e componentes.<\/p>\n<p>&#8220;Essa quest\u00e3o das cadeias globais de fornecimento continua. \u00c9 um problema superrelevante. O tempo de entrega de insumos e pe\u00e7as, inclusive, est\u00e1 acima do primeiro momento da pandemia&#8221;, afirmou Alessandra Ribeiro.<\/p>\n<p>Pela \u00f3tica da demanda, o motor da economia no terceiro trimestre foi o consumo das fam\u00edlias, que cresceu 0,9% sobre o trimestre imediatamente anterior. Parte desse crescimento tamb\u00e9m tem a ver com a &#8220;normaliza\u00e7\u00e3o&#8221; da economia, uma vez que os consumidores de maior renda, menos afetados pela crise causada pela covid-19, puderam voltar a consumir, com a flexibiliza\u00e7\u00e3o de restri\u00e7\u00f5es impostas pela pandemia. Para quem teve a renda pouco ou nada afetada pela crise, a simples reabertura de neg\u00f3cios como sal\u00f5es de beleza, cinemas, bares e restaurantes j\u00e1 leva, quase que automaticamente, a um aumento do consumo.<\/p>\n<p>Por outro lado, para o conjunto das fam\u00edlias como um todo, o consumo \u00e9 mais diretamente ligado \u00e0 din\u00e2mica de emprego e renda. Embora o mercado de trabalho venha apresentando recupera\u00e7\u00e3o, com gera\u00e7\u00e3o de vagas, a retomada ainda n\u00e3o foi suficiente para repor todos os empregos perdidos na crise. Para piorar, as vagas que est\u00e3o sendo abertas t\u00eam sal\u00e1rios menores, e a acelera\u00e7\u00e3o da infla\u00e7\u00e3o nos \u00faltimos meses corr\u00f3i a renda, segurando o apetite para o consumo entre as fam\u00edlias de renda menor.<\/p>\n<p>Na vis\u00e3o do professor Gilberto Tadeu Lima, pesquisador do Centro de Pesquisa em Macroeconomia das Desigualdades da USP, o quadro \u00e9 agravado pela indefini\u00e7\u00e3o, desde 2020, em torno dos rumos do aux\u00edlio emergencial. O benef\u00edcio tempor\u00e1rio foi reduzido no fim do ano, demorou a ter a renova\u00e7\u00e3o garantida em 2021, chegando a ficar suspenso nos primeiros meses deste ano, e terminou no m\u00eas passado sem que se tenha um desenho claro, com valores, para o Aux\u00edlio Brasil, novo nome do Bolsa Fam\u00edlia, ap\u00f3s uma reformula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Como o aux\u00edlio emergencial ajudou a sustentar o n\u00edvel da atividade econ\u00f4mica, ajudando o consumo das fam\u00edlias e evitando um &#8220;colapso&#8221; maior no PIB do ano passado, a indefini\u00e7\u00e3o em torno da continuidade, e em que moldes, dos programas federais de transfer\u00eancia de renda tem, agora, o efeito oposto. Em vez de impulsionar o ritmo do consumo, tira f\u00f4lego para um crescimento para al\u00e9m do processo de &#8220;normaliza\u00e7\u00e3o&#8221; das atividades.<\/p>\n<p>&#8220;Sem d\u00favidas, o aux\u00edlio emergencial jogou um papel essencial (na retomada da economia desde meados de 2020), mas a pr\u00f3pria defini\u00e7\u00e3o de algo t\u00e3o essencial est\u00e1 sujeita a um processo capenga, de vaiv\u00e9m e indefini\u00e7\u00e3o&#8221;, diz Lima, criticando a falta de coordena\u00e7\u00e3o entre o governo federal e as demais esferas no enfrentamento da crise causada pela covid-19.<\/p>\n<p>Ainda na \u00f3tica da demanda, a forma\u00e7\u00e3o bruta de capital fixo (FBCF), conta dos investimentos no PIB, caiu 0,1% na compara\u00e7\u00e3o com o segundo trimestre. Frequentemente associada por economistas \u00e0s perspectivas futuras para os neg\u00f3cios, a din\u00e2mica de investimentos \u00e9 a primeira a ser atrapalhada pelas incertezas em torno dos atritos pol\u00edticos envolvendo o governo federal, sobre o tamanho dos desequil\u00edbrios nas contas p\u00fablicas e, a partir de 2022, sobre as elei\u00e7\u00f5es gerais. O agravamento desses pontos de incerteza refor\u00e7a o quadro de estagna\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A estagna\u00e7\u00e3o n\u00e3o impedir\u00e1 um crescimento econ\u00f4mico expressivo neste ano, mas a perda de f\u00f4lego aponta para um desempenho bem abaixo disso em 2022. A pesquisa do Proje\u00e7\u00f5es Broadcast com analistas do mercado financeiro, feita antes da divulga\u00e7\u00e3o dos dados desta quinta-feira pelo IBGE, apontava para um crescimento de 4,8% no PIB de 2021 ante 2020, desacelerando para apenas 0,5% em 2022 ante este ano.<\/p>\n<p>Economistas come\u00e7aram a revisar para baixo suas proje\u00e7\u00f5es para o crescimento de 2022 em setembro, quando a persist\u00eancia da infla\u00e7\u00e3o mais elevada ficou clara &#8211; para enfrentar a alta de pre\u00e7os, o Banco Central (BC) dever\u00e1 subir mais os juros b\u00e1sicos da economia, medida que visa esfriar a demanda e, portanto, tirar impulso do crescimento econ\u00f4mico.<\/p>\n<p>O processo se aprofundou em outubro, ap\u00f3s o governo dar sinais de que pretendia pagar parte do Aux\u00edlio Brasil com gastos que ficariam fora do &#8220;teto&#8221; (a regra fiscal que limita o crescimento das despesas p\u00fablicas, de um ano para o outro, apenas \u00e0 infla\u00e7\u00e3o).<\/p>\n<p>De l\u00e1 para c\u00e1, a Proposta de Emenda \u00e0 Constitui\u00e7\u00e3o (PEC) dos Prec\u00e1rios passou na C\u00e2mara dos Deputados e est\u00e1 prestes a ser aprovada no Senado Federal, com n\u00fameros apontando, cada vez mais, para aumento de gastos &#8211; n\u00e3o s\u00f3 com o novo Aux\u00edlio Brasil, mas tamb\u00e9m com emendas parlamentares no Or\u00e7amento. Como resultado, as cota\u00e7\u00f5es das a\u00e7\u00f5es negociadas na Bolsa v\u00eam despencando, a taxa de c\u00e2mbio disparando, assim como as taxas de juros do mercado futuro, sinalizando para juros b\u00e1sicos ainda mais altos e, portanto, ainda menos impulso para a economia.<\/p>\n<p>&#8220;O governo deu est\u00edmulos, a economia foi (desde meados de 2020), mas, agora, diante dos desequil\u00edbrios, com infla\u00e7\u00e3o e todo o risco ligado ao desequil\u00edbrio fiscal (das contas do governo), vamos pagar a conta com menos crescimento econ\u00f4mico&#8221;, disse Alessandra Ribeiro, da Tend\u00eancias.<\/p>\n<p>E h\u00e1 mais chances de piora do que de melhora, na avalia\u00e7\u00e3o da economista. O processo eleitoral pode elevar ainda mais as cota\u00e7\u00f5es do d\u00f3lar, levando a juros ainda mais altos e menos crescimento econ\u00f4mico. Al\u00e9m disso, a economia mundial est\u00e1 em desacelera\u00e7\u00e3o, incluindo a China, principal compradora das exporta\u00e7\u00f5es brasileiras.<\/p>\n<p>O economista-chefe do Banco BV, Roberto Padovani, acrescenta aos riscos para a economia brasileira em 2022 uma poss\u00edvel nova onda da covid-19, por causa da variante \u00d4micron, e uma eventual antecipa\u00e7\u00e3o na alta dos juros nos Estados Unidos. O aperto na pol\u00edtica monet\u00e1ria americana, ap\u00f3s o grande afrouxamento para apoiar a economia em meio \u00e0 pandemia, tende a elevar juros no mundo todo e retirar recursos dos mercados emergentes, um motivo a mais para as cota\u00e7\u00f5es do d\u00f3lar subirem.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.noticiasaominuto.com.br\/economia\/1865355\/com-recuo-do-pib-de-0-1-no-3-trimestre-brasil-entra-em-recessao-tecnica?utm_source=rss-economia&amp;amp;utm_medium=rss&amp;amp;utm_campaign=rssfeed\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Read More<\/a><br \/>\nNot\u00edcias ao Minuto Brasil &#8211; Economia<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A economia brasileira seguiu estagnada na passagem do segundo para o terceiro trimestre. 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