{"id":45405,"date":"2021-11-30T11:08:39","date_gmt":"2021-11-30T14:08:39","guid":{"rendered":"http:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/2021\/11\/30\/musica-no-seu-cerebro-e-didatico-ao-explicar-obsessao-por-cancoes\/"},"modified":"2021-11-30T11:08:39","modified_gmt":"2021-11-30T14:08:39","slug":"musica-no-seu-cerebro-e-didatico-ao-explicar-obsessao-por-cancoes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/2021\/11\/30\/musica-no-seu-cerebro-e-didatico-ao-explicar-obsessao-por-cancoes\/","title":{"rendered":"&#8216;M\u00fasica no seu C\u00e9rebro&#8217; \u00e9 did\u00e1tico ao explicar obsess\u00e3o por can\u00e7\u00f5es"},"content":{"rendered":"<p>(FOLHAPRESS) &#8211; Ouvir m\u00fasica se tornou uma atividade t\u00e3o banal e onipresente que \u00e9 preciso esfor\u00e7o deliberado para perceber a complexidade cognitiva que existe por tr\u00e1s daquilo. Para quem deseja dar uma sacudida nessa familiaridade enganosa, o livro &#8220;A M\u00fasica no seu C\u00e9rebro&#8221;, do psic\u00f3logo e neurocientista americano Daniel Levitin, \u00e9 um achado e tanto.<\/p>\n<div class=\"dummyPub\"><\/div>\n<p>Apesar de breve, a obra funciona tanto como uma introdu\u00e7\u00e3o bastante did\u00e1tica \u00e0 teoria musical quanto como apresenta\u00e7\u00e3o dos desafios de estudar o c\u00e9rebro humano. N\u00e3o \u00e9 pouca coisa, mas o surpreendente hist\u00f3rico profissional do autor ajuda.<\/p>\n<p>Levitin abandonou seu primeiro curso universit\u00e1rio para tocar numa banda e, depois que o grupo terminou, passou uma d\u00e9cada atuando como produtor musical nos Estados Unidos, tendo a oportunidade de trabalhar com engenheiros de som que recebiam artistas como Santana e Whitney Houston em seus est\u00fadios. A curiosidade que ele tinha sobre quest\u00f5es como os detalhes finos da percep\u00e7\u00e3o musical, a natureza do talento e as origens da criatividade fizeram com que ele voltasse \u00e0 universidade e iniciasse sua carreira acad\u00eamica.<\/p>\n<p>Como o especialista aponta, nas \u00faltimas d\u00e9cadas emergiu uma desconex\u00e3o curiosa entre o ato de ouvir m\u00fasica e o de produzi-la, ao menos na maior parte do mundo. Ficou t\u00e3o f\u00e1cil ter acesso a &#8220;conte\u00fado musical&#8221; (para usar a linguagem an\u00f3dina das plataformas virtuais) que a imensa maioria das pessoas apenas consome m\u00fasica passivamente, sem nem sonhar em tocar um instrumento ou mesmo cantar (fora do chuveiro).<\/p>\n<p>N\u00e3o foi assim que a coisa funcionou ao longo da maior parte da hist\u00f3ria da nossa esp\u00e9cie, no entanto. Tudo indica que a nossa predile\u00e7\u00e3o instintiva por ritmos e melodias \u00e9 pelo menos t\u00e3o antiga quanto a origem do Homo sapiens e, quase sempre, era algo que acontecia em contextos comunais ou familiares. Quem ouvia m\u00fasica tamb\u00e9m quase sempre era capaz de fazer m\u00fasica -cantando, batendo os p\u00e9s no ch\u00e3o, tocando instrumentos simples ou mesmo mais elaborados.<\/p>\n<p>Com as mudan\u00e7as nesse cen\u00e1rio, pessoas comuns passaram a se sentir cada vez menos \u00e0 vontade na hora de entender como uma m\u00fasica funciona, e \u00e9 essa barreira inicial que Levitin tenta vencer com seu curso r\u00e1pido de teoria musical no come\u00e7o do livro (o leitor pode ficar tranquilo: mesmo os que n\u00e3o sabem a diferen\u00e7a entre nota e acorde devem passar com tranquilidade).<\/p>\n<p>Essa introdu\u00e7\u00e3o j\u00e1 \u00e9 o suficiente para mostrar qual o grande tema do livro: como a m\u00fasica funciona uma janela privilegiada para entender a capacidade de abstra\u00e7\u00e3o do c\u00e9rebro humano.<\/p>\n<p>De fato, essa \u00e9 a grande m\u00e1gica. Um exemplo banal: como diabos conseguimos reconhecer sempre a indefect\u00edvel melodia de &#8220;F\u00fcr Elise&#8221; (a m\u00fasica de Beethoven que antigamente era tocada por todo santo caminh\u00e3o do g\u00e1s Brasil afora), seja quando \u00e9 gerada por um pianista habilidoso num instrumento bem afinado ou pelos sintetizadores toscos de um celular antigo?<\/p>\n<p>Entre um extremo e outro de compet\u00eancia musical, praticamente tudo muda, em especial o timbre (basicamente o lado qualitativo do som, que vem da maneira como ele \u00e9 produzido -pelas cordas vocais de uma pessoa ou pelas cordas de um viol\u00e3o, por exemplo). Mesmo assim, o c\u00e9rebro consegue captar a &#8220;ess\u00eancia&#8221; da melodia a partir do sistema de inter-rela\u00e7\u00f5es entre as notas (grosso modo, a varia\u00e7\u00e3o entre notas mais graves e mais agudas ao longo do tempo) e cravar: sim, isso \u00e9 &#8220;F\u00fcr Elise&#8221;.<\/p>\n<p>A m\u00fasica tamb\u00e9m abre portas importantes para a compreens\u00e3o dos elos entre expectativas, mem\u00f3rias e emo\u00e7\u00f5es. \u00c9 bem sabido que certas combina\u00e7\u00f5es de notas musicais s\u00e3o capazes de provocar rea\u00e7\u00f5es emocionais distintas, e que isso ocorre de modo mais ou menos independente da cultura \u00e0 qual o ouvinte pertence.<\/p>\n<p>Ao que tudo indica, \u00e9 o contexto emocional que faz certas m\u00fasicas se tornarem t\u00e3o f\u00e1ceis de recordar, assim como acontece com outras mem\u00f3rias de tipo n\u00e3o musical. O porqu\u00ea de fen\u00f4menos como esses terem se tornado t\u00e3o importantes para todas as culturas humanas ainda \u00e9 um mist\u00e9rio. Mas o livro \u00e9 uma excelente maneira de chamar a aten\u00e7\u00e3o para a complexidade que se esconde por tr\u00e1s do mais simples dos refr\u00e3os.<br \/>*<br \/>A M\u00daSICA NO SEU C\u00c9REBRO: A CI\u00caNCIA DE UMA OBSESS\u00c3O HUMANA<\/p>\n<p>Pre\u00e7o: R$ 69,90 (312 p\u00e1gs.); R$ 38,02 (ebook)<br \/>Autor: Daniel J. Levitin<br \/>Editora: Objetiva<br \/>Tradu\u00e7\u00e3o: Clovis Marques<br \/>Avalia\u00e7\u00e3o: Muito bom<\/p>\n<p>Not\u00edcias ao Minuto Brasil &#8211; Cultura<br \/>\n<a href=\"https:\/\/www.noticiasaominuto.com.br\/ultima-hora\/1864744\/musica-no-seu-cerebro-e-didatico-ao-explicar-obsessao-por-cancoes?utm_source=rss-cultura&amp;amp;utm_medium=rss&amp;amp;utm_campaign=rssfeed\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Read More<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>(FOLHAPRESS) &#8211; Ouvir m\u00fasica se tornou uma atividade t\u00e3o banal e onipresente que \u00e9 preciso<\/p>\n","protected":false},"author":0,"featured_media":45406,"comment_status":"","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[4],"tags":[],"class_list":["post-45405","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cultura"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/45405","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=45405"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/45405\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/45406"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=45405"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=45405"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=45405"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}