{"id":4323,"date":"2021-04-07T09:25:39","date_gmt":"2021-04-07T12:25:39","guid":{"rendered":"http:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/2021\/04\/07\/dia-do-jornalista-tem-origem-na-queda-de-d-pedro-1o-e-em-morte\/"},"modified":"2021-04-07T09:25:39","modified_gmt":"2021-04-07T12:25:39","slug":"dia-do-jornalista-tem-origem-na-queda-de-d-pedro-1o-e-em-morte","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/2021\/04\/07\/dia-do-jornalista-tem-origem-na-queda-de-d-pedro-1o-e-em-morte\/","title":{"rendered":"Dia do Jornalista tem origem na queda de d. Pedro 1\u00ba e em morte"},"content":{"rendered":"<p>S\u00c3O PAULO, SP (FOLHAPRESS) &#8211; Se houvesse Datafolha em 1830, o instituto mostraria que a popularidade de dom Pedro 1\u00ba andava de mal a pior entre os mineiros.<\/p>\n<div class=\"dummyPub\"><\/div>\n<p>Oito anos antes, ainda como regente, ele havia feito viagem por Minas Gerais para conquistar apoio a fim de se contrapor \u00e0 corte portuguesa. As articula\u00e7\u00f5es foram bem-sucedidas e contribu\u00edram para que, em setembro de 1822, Pedro se tornasse o imperador. O Brasil anunciava, enfim, sua independ\u00eancia.<\/p>\n<p>Em 1830, tudo seria diferente nas andan\u00e7as do monarca pelas montanhas mineiras.<\/p>\n<p>Em dezembro daquele ano, dom Pedro 1\u00ba partiu rumo \u00e0 prov\u00edncia com a expectativa de ser louvado como antes. &#8220;Viagem impopular e melanc\u00f3lica&#8221;, escreveu o historiador Pedro Calmon no livro &#8220;A Hist\u00f3ria da Civiliza\u00e7\u00e3o Brasileira&#8221;.<br \/>Entre as raz\u00f5es para a receptividade fria, havia um caso tr\u00e1gico ocorrido poucas semanas antes, o assassinato de L\u00edbero Badar\u00f3 em S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>Apesar da precariedade das comunica\u00e7\u00f5es em um pa\u00eds de territ\u00f3rio enorme, mas popula\u00e7\u00e3o pequena (pouco mais de 5 milh\u00f5es de habitantes), a not\u00edcia da morte do jornalista e m\u00e9dico se espalhou rapidamente.<\/p>\n<p>Al\u00e9m das decis\u00f5es t\u00edpicas de um d\u00e9spota, como a cria\u00e7\u00e3o de cargos vital\u00edcios, o imperador se desgastava com epis\u00f3dios como o fracasso do Brasil na Guerra da Cisplatina, encerrada em 1828, e a crise econ\u00f4mica de 1829.<\/p>\n<p>O assassinato de Badar\u00f3, que se contrapunha em textos veementes ao pendor absolutista do monarca, engrossou o caldo da insatisfa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>H\u00e1 190 anos, em 7 de abril de 1831, dom Pedro 1\u00ba abdicou o trono. Cem anos depois, a ABI (Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Imprensa) instituiu essa data como Dia do Jornalista em homenagem a Badar\u00f3.<\/p>\n<p>\u00c0 frente do jornal paulistano Observador Constitucional, Badar\u00f3 era um nome em ascens\u00e3o entre os cr\u00edticos do autoritarismo crescente do imperador, o que n\u00e3o significa que sua morte tenha as marcas de dom Pedro 1\u00ba.<\/p>\n<p>Tudo indica, segundo os bi\u00f3grafos de Badar\u00f3, que seu assassinato tenha sido ordenado pelo ouvidor Candido Ladislau Japi-Assu, nome forte da Justi\u00e7a na prov\u00edncia de S\u00e3o Paulo naquele per\u00edodo. No entanto, correram boatos pa\u00eds afora de que o monarca estava ligado ao crime.<\/p>\n<p>A vida de Badar\u00f3 daria um filme e tanto \u2013e n\u00e3o s\u00f3 por ter sido o primeiro jornalista em atua\u00e7\u00e3o no Brasil a ser assassinado em raz\u00e3o do seu of\u00edcio.<\/p>\n<p>Nascido em 1798 em Laigueglia, pequena cidade na regi\u00e3o da Lig\u00faria, norte da It\u00e1lia, o rapaz alto e magro estudou medicina em Pavia e Turim e bot\u00e2nica em Bolonha. Tinha, desde muito jovem, uma vis\u00e3o liberal, ou seja, defendia as liberdades individuais e a imposi\u00e7\u00e3o de limites ao poder do Estado. Era tamanha a sua convic\u00e7\u00e3o que acrescentou L\u00edbero ao nome de batismo.<\/p>\n<p>Inquieto, Badar\u00f3 se mudou para o Rio de Janeiro em 1826 e logo se notabilizou como &#8220;operador e parteiro&#8221;, nas palavras de Brasil Bandecchi, um de seus bi\u00f3grafos, e no combate \u00e0 epidemia de var\u00edola. Nas horas vagas, dedicava-se aos estudos da vegeta\u00e7\u00e3o tropical, pela qual ficou maravilhado.<br \/>No Rio, conheceu o baiano Jos\u00e9 da Costa Carvalho, fundador de O Farol Paulistano, o primeiro jornal paulista impresso. A amizade deles se fortaleceu com base nas ideias liberais em comum.<\/p>\n<p>Foi Carvalho quem convidou o amigo italiano a se transferir em 1828 para S\u00e3o Paulo, onde, al\u00e9m das atividades como m\u00e9dico, escrevia artigos para O Farol.<\/p>\n<p>Rec\u00e9m-criada, a Faculdade de Direito, no largo de S\u00e3o Francisco, precisava de professores, e Badar\u00f3 se ofereceu para lecionar geometria. Da\u00ed em diante, sua casa se tornou uma extens\u00e3o do ambiente acad\u00eamico e, em meio \u00e0s intensas discuss\u00f5es pol\u00edticas, nasceu o Observador Constitucional, segundo jornal de S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>M\u00e9dico, bot\u00e2nico e professor, Badar\u00f3 passou a se dedicar tamb\u00e9m ao jornalismo. Surgia um homem de imprensa cr\u00edtico e arrojado.<\/p>\n<p>&#8220;Sobre os atos do governo, diremos mui francamente o nosso parecer, tanto em louvor, como em contr\u00e1rio, sem por isso darmos nossas palavras por Evangelhos, ficando cada um livre de combater a nossa maneira de pensar, sendo que cada um pensa como sabe e como pode&#8221;, dizia o programa do Observador em sua primeira edi\u00e7\u00e3o, de outubro de 1829.<\/p>\n<p>N\u00e3o foi esse, entretanto, o texto do jornal que ganhou peso hist\u00f3rico. Mais adiante, em uma s\u00e9rie de artigos depois reunidos em livro, Badar\u00f3 defendeu uma imprensa sem amarras com clareza jamais vista no incipiente jornalismo brasileiro.<\/p>\n<p>&#8220;Se n\u00e3o \u00e9 a liberdade de imprensa que fa\u00e7a chegar ao ouvido dos imperantes o gemido dos oprimidos, qual ser\u00e1 outro meio?&#8221;, escreveu.<\/p>\n<p>Nos primeiros meses da Independ\u00eancia, dom Pedro 1\u00ba demonstrava uma tend\u00eancia liberal. Mas, com o passar dos anos, passou a ceder \u00e0s tenta\u00e7\u00f5es absolutistas, postura que era alvo de Badar\u00f3 e dos demais redatores do Observador.<\/p>\n<p>N\u00e3o demorou para que o jornal passasse a incomodar o poder. E logo vieram as amea\u00e7as de morte ao jovem italiano.<\/p>\n<p>A rua de S\u00e3o Jos\u00e9, onde Badar\u00f3 morava, estava deserta na noite de 20 de novembro de 1830. Ao voltar para casa, a poucos metros da faculdade, ele foi abordado por dois imigrantes alem\u00e3es, que lhe fizeram uma pergunta com a inten\u00e7\u00e3o de confirmar a identidade do jornalista. Mal respondera, levou um tiro, que o acertou no abd\u00f4men.<\/p>\n<p>No dia seguinte, muito debilitado, Badar\u00f3 disse aos amigos que o acompanhavam a frase que se tornaria c\u00e9lebre. &#8220;Morre um liberal, mas n\u00e3o morre a liberdade&#8221;, conforme relato de Joaquim Antonio Pinto Junior, estudante de direito que estava ao lado dele nos momentos finais.<\/p>\n<p>A S\u00e3o Paulo de 1830 tinha cerca de 9.000 habitantes, e &#8220;quase toda a popula\u00e7\u00e3o&#8221;, como descreveu Augusto Goeta na biografia &#8220;L\u00edbero Badar\u00f3&#8221;, acompanhou o enterro do jornalista de apenas 32 anos.<\/p>\n<p>Japi-Assu e os alem\u00e3es foram julgados e absolvidos por um tribunal no Rio.<\/p>\n<p>O Observador teve vida curta (13 meses), mas o jornalista tomou as mem\u00f3rias daquela gera\u00e7\u00e3o e das seguintes. Em 1889, ano da Proclama\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica, a rua de S\u00e3o Jos\u00e9, no centro da cidade, ganhou outro nome: L\u00edbero Badar\u00f3.<\/p>\n<p>Not\u00edcias ao Minuto Brasil &#8211; Cultura<br \/>\n<a href=\"https:\/\/www.noticiasaominuto.com.br\/politica\/1793059\/dia-do-jornalista-tem-origem-na-queda-de-d-pedro-1-e-em-morte?utm_source=rss-cultura&amp;amp;utm_medium=rss&amp;amp;utm_campaign=rssfeed\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Read More<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>S\u00c3O PAULO, SP (FOLHAPRESS) &#8211; Se houvesse Datafolha em 1830, o instituto mostraria que a<\/p>\n","protected":false},"author":0,"featured_media":4324,"comment_status":"","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[4],"tags":[],"class_list":["post-4323","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cultura"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4323","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4323"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4323\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/4324"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4323"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4323"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4323"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}