{"id":43127,"date":"2021-11-14T20:09:19","date_gmt":"2021-11-14T23:09:19","guid":{"rendered":"http:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/2021\/11\/14\/livro-mostra-roberto-marinho-habilidoso-nos-meandros-do-poder-politico\/"},"modified":"2021-11-14T20:09:19","modified_gmt":"2021-11-14T23:09:19","slug":"livro-mostra-roberto-marinho-habilidoso-nos-meandros-do-poder-politico","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/2021\/11\/14\/livro-mostra-roberto-marinho-habilidoso-nos-meandros-do-poder-politico\/","title":{"rendered":"Livro mostra Roberto Marinho habilidoso nos meandros do poder pol\u00edtico"},"content":{"rendered":"<p>S\u00c3O PAULO, SP (FOLHAPRESS) &#8211; Classificado como um perfil biogr\u00e1fico, o que n\u00e3o chega a ser uma biografia, como logo explicar\u00e1 seu autor, o novo livro sobre Roberto Marinho descreve o brasileiro mais poderoso do s\u00e9culo passado como um sujeito de 1,64 m, que se valia de palmilhas internas nos cal\u00e7ados para forjar uma estatura maior.<\/p>\n<div class=\"dummyPub\"><\/div>\n<p>Assim relata Eug\u00eanio Bucci, que assina &#8220;Roberto Marinho: Um Jornalista e Seu Boneco Imagin\u00e1rio&#8221; (Cia. Das Letras).<br \/>Em 329 p\u00e1ginas, Bucci tra\u00e7a um perfil capaz de explicar a trajet\u00f3ria de sucesso de seu personagem, a partir da conex\u00e3o entre um epis\u00f3dio de agress\u00e3o na inf\u00e2ncia do fundador da Globo e da descri\u00e7\u00e3o sobre seu quadro favorito,<\/p>\n<p>&#8220;O Boneco&#8221;, de Jos\u00e9 Pancetti (1902-58), ostentado em uma das paredes da mans\u00e3o do Cosme Velho, onde o dono da Globo morou por muitos anos, at\u00e9 morrer, em 2003, aos 98 anos.<\/p>\n<p>Entre um ponto e outro, o autor percorre todo o hist\u00f3rico da constru\u00e7\u00e3o do maior imp\u00e9rio de comunica\u00e7\u00e3o do pa\u00eds, desde o jornal A Noite, fundado pelo patriarca, Irineu Marinho, neg\u00f3cio que foi perdido para um s\u00f3cio que lhe traiu a confian\u00e7a, at\u00e9 a cria\u00e7\u00e3o e ascens\u00e3o da Rede Globo, tra\u00e7ando um panorama da imprensa e da ind\u00fastria do entretenimento no s\u00e9culo 20.<\/p>\n<p>Foi de um concurso para batizar o novo jornal de Marinho que nasceu o nome O Globo, que depois nominaria a Globo e se tornaria a marca de m\u00eddia mais forte do pa\u00eds.<\/p>\n<p>O livro esmi\u00fa\u00e7a a invej\u00e1vel habilidade de seu retratado para circular pelos meandros do poder pol\u00edtico e econ\u00f4mico desde muito cedo, o que fez dele um aliado de Get\u00falio Vargas j\u00e1 em 1930 \u2013com rompimento pouco depois, em tempo de se dissociar do apoio de Vargas ao nazismo.<\/p>\n<p>Revisita tamb\u00e9m suas rela\u00e7\u00f5es com o regime militar, o que aconteceu sem esbarrar na subservi\u00eancia de entregar as cabe\u00e7as comunistas que o patr\u00e3o abrigava no jornal e na TV, devidamente protegidas por ele.<\/p>\n<p>E alcan\u00e7a a elei\u00e7\u00e3o de 1989, quando teve como franco favorito o ent\u00e3o candidato Fernando Collor de Mello, cujo pai, Arnon de Mello, conhecia de longa data.<\/p>\n<p>De mira ruim, Arnon tinha neg\u00f3cios com Marinho e foi claramente defendido pelas p\u00e1ginas do jornal O Globo quando atirou em Silvestre P\u00e9ricles no Senado, em 1963, tendo acertado o colega Jos\u00e9 Kairala, do Acre, que morreu.<\/p>\n<p>Os relatos sobre a primeira cena de pugilato do primog\u00eanito de Irineu Marinho, quando socou na rua um sujeito que o agredira ainda crian\u00e7a na escola, s\u00e3o parte das mem\u00f3rias anotadas pelo pr\u00f3prio Roberto Marinho em um ensaio de autobiografia que ele nunca chegaria a escrever, intitulada &#8220;Condenado ao \u00eaxito&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;Esse nome \u00e9 maravilhoso&#8221;, comenta Bucci em entrevista \u00e0 reportagem. No livro, o autor observa que &#8220;foi a mem\u00f3ria oculta, inconfessa, da crian\u00e7a nocauteada que o impeliu para o combate&#8221;, fato que resultou em todas as suas conquistas.<\/p>\n<p>A isso, Bucci relaciona a interpreta\u00e7\u00e3o de Marinho sobre &#8220;O Boneco&#8221;, por meio de um depoimento dado a pedido da curadora L\u00edcia Olivieri, em 1991: &#8220;Toda vez que olho esse pequeno quadro de Pancetti, tenho a comovida sensa\u00e7\u00e3o de estar olhando para dentro de mim mesmo. Tem ele um poder evocativo que me fascina, pois que dentro desse boneco h\u00e1 um menino, envolto de solid\u00e3o, mist\u00e9rio e fantasia [&#8230;]&#8221;<\/p>\n<p>&#8220;Aquela experi\u00eancia em que ele conta como o colega bateu nele na escola \u00e9 muito forte&#8221;, conclui Bucci. &#8220;E, a partir da luz lan\u00e7ada pelo quadro do &#8216;Boneco&#8217;, existe uma conex\u00e3o para compreender essa figura. Isso desperta a admira\u00e7\u00e3o, inclusive da minha parte&#8221;, explica.<\/p>\n<p>Professor da Escola de Comunica\u00e7\u00f5es e Artes (ECA), da USP, Bucci se dedica h\u00e1 quase 30 anos a compreender a televis\u00e3o, de sua concep\u00e7\u00e3o \u00e0 forma como \u00e9 recebida pela plateia, como endossava j\u00e1 no livro &#8220;O Brasil em Tempo de TV&#8221; (Boitempo, 1996), onde tra\u00e7a a relev\u00e2ncia da televis\u00e3o, com a Globo \u00e0 frente, para o projeto de unifica\u00e7\u00e3o do pa\u00eds almejado pelo regime militar a partir da cria\u00e7\u00e3o da Embratel.<\/p>\n<p>&#8220;Eu tinha essa forma de olhar, j\u00e1 que eu tinha estudado isso e \u00e9 uma coisa muito forte na minha vida&#8221;. \u00c0 base de leitura de artigos, livros e da recupera\u00e7\u00e3o de antigas pesquisas e estudos, &#8220;foi aparecendo uma esp\u00e9cie de chave psicol\u00f3gica do personagem&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;Claro que eu n\u00e3o quero nem tenho habilita\u00e7\u00e3o para fazer uma an\u00e1lise psicol\u00f3gica ou psicanal\u00edtica de uma pessoa, inclusive uma pessoa que j\u00e1 morreu, n\u00e3o \u00e9 isso. Mas essa hist\u00f3ria da agressividade, da combatividade foi me aparecendo, foi se mostrando para mim \u00e0 medida que eu fazia essas leituras, at\u00e9 que eu vi o que ele escreveu sobre o &#8216;Boneco&#8217; e vi que isso \u00e9 a revela\u00e7\u00e3o do que ele foi.&#8221;<\/p>\n<p>Por meio de v\u00e1rios textos sobre TV no seu hist\u00f3rico jornal\u00edstico, Bucci foi muitas vezes severo cr\u00edtico de Roberto Marinho, algu\u00e9m que se fazia chamar por &#8220;doutor&#8221;, apesar de n\u00e3o possuir qualquer forma\u00e7\u00e3o acad\u00eamica.<\/p>\n<p>Mas reconhece que ele mesmo se emocionou ao visitar a mans\u00e3o do Cosme Velho, no Rio, transformada em museu, e fitar &#8220;O Boneco&#8221; sob a perspectiva de seu biografado.<\/p>\n<p>Foi em 2013, ap\u00f3s participar de uma edi\u00e7\u00e3o do Roda Viva como entrevistado, que Bucci diz ter recebido de Mario Sergio Conti, ent\u00e3o \u00e2ncora do programa da TV Cultura e coordenador da cole\u00e7\u00e3o Perfis Brasileiros, da Cia. Das Letras, o primeiro convite para escrever sobre o criador da Globo.<\/p>\n<p>&#8220;Um perfil \u00e9 uma forma de olhar um personagem&#8221;, explica.<\/p>\n<p>&#8220;Isso \u00e9 uma categoria cl\u00e1ssica no jornalismo. Talvez por um tra\u00e7o da minha forma\u00e7\u00e3o, quando eu fico curioso, a minha primeira rea\u00e7\u00e3o \u00e9 ir para minha biblioteca ou para uma biblioteca. Primeiro vou ler sobre aquele assunto, e ao mesmo tempo eu fui falando com pessoas e cito fontes, al\u00e9m de eu ter um acompanhamento muito grande que eu fiz da Globo ao longo dos anos.&#8221;<\/p>\n<p>Uma das vozes ouvidas especificamente para o livro da vez foi Jo\u00e3o Roberto Marinho, hoje presidente do Grupo Globo, que sempre esteve \u00e0 frente da linha editorial do grupo, desde que o pai deixou essa fun\u00e7\u00e3o, pouco antes de morrer.<\/p>\n<p>Bucci aproveita para validar com ele um dos pol\u00eamicos epis\u00f3dios narrados pelo jornalista Leonencio Nossa naquela que ele mesmo trata como a principal biografia de Roberto Marinho, &#8220;O Poder Est\u00e1 no Ar&#8221;, projeto original da Cia. Das Letras que acabou saindo pela editora Nova Fronteira.<\/p>\n<p>O caso diz respeito a um prometido empr\u00e9stimo que o banqueiro Walther Moreira Salles faria a Roberto Marinho para quitar sua d\u00edvida com o Citibank.<\/p>\n<p>A institui\u00e7\u00e3o havia socorrido Marinho no momento em que a emissora precisou se livrar da sociedade com o grupo Time-Life, com o qual a emissora se associou em seus primeiros anos no ar e do qual teve se se livrar por restri\u00e7\u00f5es legislativas \u00e0 sociedade com grupos estrangeiros na radiodifus\u00e3o.<\/p>\n<p>Leonencio relata, por meio de tr\u00eas fontes, que Walther Moreira Salles bancaria o d\u00e9bito assumido como o Citibank, em troca de assumir a Globo.<\/p>\n<p>A Bucci Jo\u00e3o Roberto diz n\u00e3o acreditar nessa vers\u00e3o de que Moreira Salles seria um traidor porque o pai e o banqueiro pareciam nutrir \u00f3timas rela\u00e7\u00f5es, mas n\u00e3o refuta essa possibilidade.<\/p>\n<p>&#8220;Eu acho dif\u00edcil ter sido o Walther, mas tem v\u00e1rias pessoas que dizem que isso houve. Ent\u00e3o, eu n\u00e3o posso descartar essa hip\u00f3tese&#8221;, admite.<\/p>\n<p>Fato \u00e9 que Roberto Marinho foi socorrido por Jos\u00e9 Luiz de Magalh\u00e3es Lins, um dos mais altos executivos do Banco Nacional, que vem inclusive a ser uma das fontes ouvidas por Leonencio na biografia da Nova Fronteira.<\/p>\n<p>O lan\u00e7amento do livro de Bucci pela s\u00e9rie &#8220;Perfis Brasileiros&#8221;, na mesma Cia. Das Letras que perdeu o livro de Leonencio para a Nova Fronteira, suscitou rumores de que a editora quisesse lan\u00e7ar outra biografia para compensar a perda da anterior.<\/p>\n<p>Mas Bucci assegura que sua meta era de fato um perfil, n\u00e3o uma biografia, para a qual diz que n\u00e3o teria tempo. &#8220;A proposta \u00e9 completamente diferente, eu n\u00e3o quis fazer uma biografia e nem poderia. Eu n\u00e3o dispunha do tempo e da energia necess\u00e1rias para um projeto grande.&#8221;<\/p>\n<p>&#8220;Eu n\u00e3o tenho inten\u00e7\u00e3o de fazer grandes revela\u00e7\u00f5es, o livro n\u00e3o interessa tanto sob esse aspecto. O que me interessa \u00e9 o perfil, quem \u00e9 essa figura que aos 20 e poucos anos come\u00e7ou a assumir posi\u00e7\u00f5es de lideran\u00e7a num jornal e fica no comando dessa cena por 70 anos.&#8221;<\/p>\n<p>&#8220;Existe a biografia do Pedro Bial [Ed. Zahar, 2004], a do Leonencio, e podem aparecer outros [livros], at\u00e9 tor\u00e7o para que apare\u00e7am porque trata-se de algu\u00e9m que comporta muitos estudos, \u00e9 um nome-chave na evolu\u00e7\u00e3o do capitalismo brasileiro da segunda metade do s\u00e9culo 20.&#8221;<\/p>\n<p>\u00c0 reportagem, a Cia. Das Letras nega que o livro de Bucci seja uma esp\u00e9cie de compensa\u00e7\u00e3o ao de Leonencio, com quem a editora trava uma briga na Justi\u00e7a, desde que o jornalista e bi\u00f3grafo, alegando constrangimento por interven\u00e7\u00f5es na obra, deixou a editora e publicou o livro pela Nova Fronteira.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m por meio de sua assessoria, a Companhia das Letras nega interven\u00e7\u00e3o no livro e informa que o perfil de Bucci foi feito simultaneamente \u00e0 biografia de Leonencio, j\u00e1 que os dois produtos n\u00e3o s\u00e3o excludentes.<\/p>\n<p>Como exemplo, a editora cita a biografia de Get\u00falio Vargas por Lira Neto, em 2012, e o perfil do mesmo personagem, por Boris Fausto, em 2006. Outro exemplo de dualidade \u00e9 D. Pedro 2\u00ba, que conta com a biografia &#8220;As Barbas do Imperador&#8221;, de Lilia Schwarcz, de 1998, e &#8220;D. Pedro 2\u00ba&#8221;, tamb\u00e9m da s\u00e9rie Perfis Brasileiros, de 2007, feita por Jos\u00e9 Murilo de Carvalho.<br \/>*<br \/>&#8220;ROBERTO MARINHO &#8211; UM JORNALISTA E SEU BONECO IMAGIN\u00c1RIO&#8221;<br \/>Pre\u00e7o: R$ 84,90<br \/>Autor: Eug\u00eanio Bucci<br \/>Editora: Cia. Das Letras<br \/>Produ\u00e7\u00e3o: 329 p\u00e1ginas<\/p>\n<p>Not\u00edcias ao Minuto Brasil &#8211; Cultura<br \/>\n<a href=\"https:\/\/www.noticiasaominuto.com.br\/politica\/1860311\/livro-mostra-roberto-marinho-habilidoso-nos-meandros-do-poder-politico?utm_source=rss-cultura&amp;amp;utm_medium=rss&amp;amp;utm_campaign=rssfeed\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Read More<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>S\u00c3O PAULO, SP (FOLHAPRESS) &#8211; Classificado como um perfil biogr\u00e1fico, o que n\u00e3o chega a<\/p>\n","protected":false},"author":0,"featured_media":43128,"comment_status":"","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[4],"tags":[],"class_list":["post-43127","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cultura"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/43127","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=43127"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/43127\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/43128"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=43127"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=43127"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=43127"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}