{"id":42953,"date":"2021-11-13T11:09:05","date_gmt":"2021-11-13T14:09:05","guid":{"rendered":"http:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/2021\/11\/13\/unico-homem-trans-no-mma-faz-sua-ultima-luta-antes-de-tomar-hormonios\/"},"modified":"2021-11-13T11:09:05","modified_gmt":"2021-11-13T14:09:05","slug":"unico-homem-trans-no-mma-faz-sua-ultima-luta-antes-de-tomar-hormonios","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/2021\/11\/13\/unico-homem-trans-no-mma-faz-sua-ultima-luta-antes-de-tomar-hormonios\/","title":{"rendered":"\u00danico homem trans no MMA faz sua \u00faltima luta antes de tomar horm\u00f4nios"},"content":{"rendered":"<p>RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) &#8211; Cris sempre teve que escolher entre ser quem \u00e9 ou fazer o que ama. Hoje, escolheu ser quem \u00e9, e com isso encerra um ciclo de 15 anos subindo nos tatames, ringues e oct\u00f3gonos em categorias femininas das artes marciais.<\/p>\n<div class=\"dummyPub\"><\/div>\n<p>Aos 28 anos de idade, seis deles se reconhecendo e tr\u00eas se apresentando como um homem transg\u00eanero, o mineiro decidiu finalmente iniciar um processo de hormoniza\u00e7\u00e3o e cirurgias, por isso vai lutar MMA contra uma mulher pela \u00faltima vez neste s\u00e1bado (13), num evento em Tr\u00eas Rios (RJ).<\/p>\n<p>Primeiro e \u00fanico atleta da modalidade que se reconhece publicamente como tal, Cris Macfer n\u00e3o quer que outros tenham de fazer a mesma escolha, por isso daqui para frente pretende liderar um movimento pela inclus\u00e3o das categorias &#8220;T&#8221;, exclusivas para pessoas trans, em competi\u00e7\u00f5es do esporte.<\/p>\n<p>&#8220;O MMA est\u00e1 muito atrasado e \u00e9 a modalidade de combate mais visada, com maior reconhecimento e mais m\u00eddia. Ent\u00e3o, se abrirmos esse caminho ali, vai haver uma abertura tamb\u00e9m em outras modalidades. \u00c9 \u00e1rduo, mas precisa come\u00e7ar&#8221;, planeja ele.<\/p>\n<p>O curr\u00edculo do lutador inclui quatro especialidades, com tr\u00eas t\u00edtulos mundiais no hapkid\u00f4 won kisul (arte sul-coreana focada na defesa pessoal) e dois no jiu-jitsu. Tamb\u00e9m tem o &#8220;prajied&#8221; (esp\u00e9cie de la\u00e7o) preto no muay thai e est\u00e1 em fase de homologa\u00e7\u00e3o da faixa preta no taekwondo.<\/p>\n<p>A primeira barreira no esporte veio aos 14 anos. Foi expulso do projeto social no qual aprendeu a lutar quando assumiu a rela\u00e7\u00e3o com uma colega da equipe e viu o falat\u00f3rio na pequena Erv\u00e1lia, cidade de 20 mil habitantes a quatro horas de Belo Horizonte, se tornar insuport\u00e1vel.<\/p>\n<p>At\u00e9 ent\u00e3o achava que era l\u00e9sbica, porque assistiu Thammy Miranda se assumir como tal na TV. Nessa \u00e9poca j\u00e1 havia sofrido um abuso sexual e ouvia rotineiramente os apelidos de &#8220;maria-homem, maria-macho e sapat\u00e3o&#8221; na escola e quando rodava pelas ruas na sua bicicleta azul e prata.<\/p>\n<p>A consci\u00eancia de g\u00eanero chegou junto com as artes marciais. &#8220;Elas t\u00eam o poder de fazer voc\u00ea se voltar para o outro e para si mesmo, entender seus potenciais e fraquezas. Todo o meu processo para me descobrir foi muito por conta disso&#8221;, diz Cris.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m se deu num contexto em que &#8220;vlogs&#8221; de pessoas trans contando suas hist\u00f3rias se popularizaram, com o pr\u00f3prio Tammy e o ator Tarso Brant se assumindo como homens. &#8220;Se n\u00e3o fosse a m\u00eddia, at\u00e9 hoje n\u00e3o saberia quem sou&#8221;, afirma.<\/p>\n<p>Da\u00ed at\u00e9 se apresentar no masculino foi outro processo. Teve que colocar na balan\u00e7a os ent\u00e3o nove anos de carreira e os patrocinadores e apoiadores que poderia perder em Vi\u00e7osa (MG), onde passou a maior parte da vida e mora at\u00e9 hoje. No fim, decidiu seguir o conselho que ouviu da m\u00e3e desde pequeno.<\/p>\n<p>&#8220;Ela sempre me falou: n\u00e3o importa quem voc\u00ea seja, estude, abaste\u00e7a-se de informa\u00e7\u00f5es e saiba que o mundo l\u00e1 fora \u00e9 cruel. Se voc\u00ea n\u00e3o se preparar, vai sofrer dobrado.&#8221; Concluiu a gradua\u00e7\u00e3o em educa\u00e7\u00e3o f\u00edsica na universidade federal da cidade apresentando um trabalho sobre transg\u00eaneros em modalidades de combate. E ent\u00e3o, assumiu-se.<\/p>\n<p>A essa altura j\u00e1 tinha montado uma escola e um instituto de artes marciais com seu sobrenome, hoje com sedes f\u00edsicas em Vi\u00e7osa e na vizinha Cajuri. Para preserv\u00e1-los durante a pandemia, rodou de moto pela cidade dando sete aulas particulares por dia.<\/p>\n<p>&#8220;Tinha que manter o sonho vivo. N\u00e3o era a sobreviv\u00eancia de uma escola, mas de um ideal de vida, uma cren\u00e7a em algo muito maior. Criei o projeto porque via as artes marciais sendo comercializadas de forma muito vazia, sem ess\u00eancia&#8221;, acredita.<\/p>\n<p>\u00c9 a mesma ess\u00eancia que o faz hoje decidir parar de lutar antes de come\u00e7ar a tomar horm\u00f4nios, o que o enquadraria no doping.<\/p>\n<p>&#8220;N\u00e3o temos antidoping na grande maioria dos eventos, eu mesmo nunca passei por um, mas vai do car\u00e1ter e da estrat\u00e9gia de cada um. Sou muito criterioso na mensagem que vou passar para as pessoas, luto por um esporte justo e acess\u00edvel, ent\u00e3o n\u00e3o vou fazer isso&#8221;, justifica.<\/p>\n<p>A discuss\u00e3o sobre o tema no MMA \u00e9 antiga e j\u00e1 gerou muita pol\u00eamica. A maior delas estourou em 2014, quando a atleta americana trans Fallon Fox fraturou o cr\u00e2nio da filipina Tamikka Brents, que disse publicamente que Fox era mais forte que qualquer mulher.<\/p>\n<p>O assunto voltou \u00e0 tona em 2018, ano em que a amazonense Anne Viriato protagonizou a primeira luta profissional de uma trans contra um homem cisg\u00eanero de que se tem not\u00edcia. H\u00e1 dois meses, a estreante americana Alana McLaughlin tamb\u00e9m derrotou uma mulher e foi alvo de transfobia.<\/p>\n<p>&#8220;A sociedade vem resistindo a atletas trans porque n\u00e3o temos trazido as informa\u00e7\u00f5es com cuidado, de forma cient\u00edfica e did\u00e1tica. \u00c9 dif\u00edcil julgar, porque elas [lutadoras trans] querem fazer o que amam e, sem categorias espec\u00edficas, n\u00e3o t\u00eam para onde ir&#8221;, opina Cris.<\/p>\n<p>A grande quest\u00e3o em jogo \u00e9 se \u00e9 justo e seguro, em esportes de extremo contato e com riscos f\u00edsicos \u00e0s oponentes, que uma pessoa que nasceu biologicamente com o corpo de um homem, mesmo que tenha feito tratamento hormonal, lute contra mulheres.<\/p>\n<p>Atualmente, existem dois regulamentos. O Comit\u00ea Ol\u00edmpico Internacional diz que homens trans podem apenas se declarar como tal, mas mulheres trans precisam manter sua testosterona em determinado n\u00edvel a um ano da competi\u00e7\u00e3o \u2013regra de 2003 que o COI j\u00e1 admitiu n\u00e3o ser adequada.<\/p>\n<p>A Association of Boxing Commissions (ABC), por sua vez, que regula o boxe e o MMA, exige a hormoniza\u00e7\u00e3o tanto para homens quanto para mulheres trans. Elas, por\u00e9m, precisam passar pelo processo por ao menos dois anos e fazer a cirurgia de redesigna\u00e7\u00e3o de sexo.<\/p>\n<p>&#8220;Para mim tem outras vari\u00e1veis que deveriam ser levadas em conta&#8221;, diz Cris. &#8220;N\u00e3o me assegura que com dois anos de tratamento vou estar apto a lutar com um homem cis que teve um par\u00e2metro diferente do meu a vida toda. N\u00e3o \u00e9 s\u00f3 f\u00edsico, \u00e9 psicol\u00f3gico, emocional, social.&#8221;<\/p>\n<p>O atleta defende que, hoje, transexuais que n\u00e3o tomaram horm\u00f4nios lutem seguindo seus g\u00eaneros biol\u00f3gicos, mas sendo respeitados pelo que s\u00e3o. J\u00e1 os que passaram pelo processo por determinado tempo ou n\u00edvel se enquadrariam nas novas categorias trans.<\/p>\n<p>Sem refer\u00eancias e com poucos estudos no MMA, ele vai usar a pr\u00f3pria hormoniza\u00e7\u00e3o no ano que vem, acompanhada por um m\u00e9dico, como objeto de um projeto de pesquisa que inscreveu na universidade de Vi\u00e7osa. &#8220;Quero me resguardar para que possa seguir fazendo o que amo.&#8221;<\/p>\n<p>Not\u00edcias ao Minuto Brasil &#8211; Esporte<br \/>\n<a href=\"https:\/\/www.noticiasaominuto.com.br\/esporte\/1860108\/unico-homem-trans-no-mma-faz-sua-ultima-luta-antes-de-tomar-hormonios?utm_source=rss-esporte&amp;amp;utm_medium=rss&amp;amp;utm_campaign=rssfeed\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Read More<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) &#8211; Cris sempre teve que escolher entre ser quem \u00e9<\/p>\n","protected":false},"author":0,"featured_media":42954,"comment_status":"","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[3],"tags":[],"class_list":["post-42953","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-esportes"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/42953","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=42953"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/42953\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/42954"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=42953"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=42953"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=42953"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}