{"id":41316,"date":"2021-11-04T12:08:32","date_gmt":"2021-11-04T15:08:32","guid":{"rendered":"http:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/2021\/11\/04\/guerra-no-iemen-mata-todo-dia-mas-quase-nao-chama-a-atencao\/"},"modified":"2021-11-04T12:08:32","modified_gmt":"2021-11-04T15:08:32","slug":"guerra-no-iemen-mata-todo-dia-mas-quase-nao-chama-a-atencao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/2021\/11\/04\/guerra-no-iemen-mata-todo-dia-mas-quase-nao-chama-a-atencao\/","title":{"rendered":"Guerra no I\u00eamen mata todo dia, mas quase n\u00e3o chama a aten\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>S\u00c3O PAULO, SP (FOLHAPRESS) &#8211; O disparo de um m\u00edssil contra a casa de um chefe tribal deixou ao menos 13 mortos, incluindo crian\u00e7as, pr\u00f3ximo a Marib, no I\u00eamen, na quinta-feira passada (28). Um dia antes, 105 pessoas morreram em ataques que destru\u00edram 13 ve\u00edculos militares na mesma cidade. Na ter\u00e7a (27), foram 85. Na segunda (26), mais 105.<\/p>\n<div class=\"dummyPub\"><\/div>\n<p>S\u00f3 entre segunda e quinta-feira da \u00faltima semana, 308 rebeldes houthis foram mortos no I\u00eamen, segundo a coaliz\u00e3o militar liderada pela Ar\u00e1bia Saudita, nesta que \u00e9 para a ONU (Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas) a crise humanit\u00e1ria mais grave do mundo.<\/p>\n<p>Dos 30 milh\u00f5es de habitantes do pa\u00eds, 21 milh\u00f5es precisam de ajuda, de acordo com o Escrit\u00f3rio das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Coordena\u00e7\u00e3o de Assuntos Humanit\u00e1rios. A t\u00edtulo de compara\u00e7\u00e3o, \u00e9 como se 149 milh\u00f5es de brasileiros n\u00e3o tivessem o m\u00ednimo para sobreviver.<\/p>\n<p>A guerra civil do I\u00eamen, que dura quase sete anos, j\u00e1 deixou mais de 10 mil crian\u00e7as iemenitas mortas ou mutiladas, segundo o Unicef (fundo da ONU para a inf\u00e2ncia). Ao todo, 11 milh\u00f5es de crian\u00e7as (ou seja, quatro a cada cinco no pa\u00eds) precisam de ajuda humanit\u00e1ria, 2 milh\u00f5es est\u00e3o fora da escola e 400 mil sofrem de malnutri\u00e7\u00e3o severa.<\/p>\n<p>Mas quando foi a \u00faltima vez que voc\u00ea ouviu algo sobre o I\u00eamen?<\/p>\n<p>&#8220;Quando se fala em Oriente M\u00e9dio, pensa-se em Israel, L\u00edbano, S\u00edria, Iraque. O I\u00eamen n\u00e3o \u00e9 um lugar importante para as religi\u00f5es, n\u00e3o teve di\u00e1spora para o Brasil, n\u00e3o possui petr\u00f3leo, riquezas. A aus\u00eancia desses elementos acaba fazendo dele um pa\u00eds menos importante, fora do mapa mental das pessoas&#8221;, diz o pesquisador liban\u00eas Danny Zahreddine, professor de rela\u00e7\u00f5es internacionais da PUC Minas.<\/p>\n<p>O Brasil, ainda assim, de certa maneira est\u00e1 presente nesse conflito. Relat\u00f3rio da ONU de 2017 apontou que a Taurus, maior fabricante de armas do pa\u00eds, vendeu armamento ao filho de um conhecido traficante de armas iemenita em 2015, tr\u00eas meses ap\u00f3s um embargo a esse tipo de com\u00e9rcio. A empresa afirmou \u00e0 \u00e9poca que seguiu os protocolos exigidos nas legisla\u00e7\u00f5es brasileiras e internacionais.<\/p>\n<p>Do outro lado, tamb\u00e9m se registrou o uso, por parte da coaliz\u00e3o militar liderada pelos sauditas, de lan\u00e7adores de foguetes Astros II, fabricados no Brasil, que usaram muni\u00e7\u00f5es cluster \u2013armas de fragmenta\u00e7\u00e3o banidas internacionalmente.<\/p>\n<p>O atual conflito no I\u00eamen remonta a 2014, quando rebeldes xiitas do grupo houthi se insurgiram e tomaram o controle da capital, Sanaa, for\u00e7ando a ren\u00fancia do ent\u00e3o presidente Abd Rabbu Mansour Hadi, em janeiro de 2015.<\/p>\n<p>Dois meses depois, uma coaliz\u00e3o militar de pa\u00edses do Golfo, liderada pela Ar\u00e1bia Saudita e com apoio log\u00edstico e de intelig\u00eancia dos Estados Unidos, come\u00e7ou a atacar os grupos rebeldes. Em setembro daquele ano, Hadi voltou atr\u00e1s em sua ren\u00fancia e passou a &#8220;governar do ex\u00edlio&#8221;.<\/p>\n<p>Os houthis apoiavam a volta ao poder do ex-ditador Ali Abdullah Saleh, que comandou o pa\u00eds de 1978 a 2012 \u2013quando foi um dos l\u00edderes a cair na Primavera \u00c1rabe. Em dezembro de 2017, por\u00e9m, Saleh rompeu com os insurgentes e foi morto dois dias depois.<\/p>\n<p>Hoje, o I\u00eamen vive uma &#8220;proxy war&#8221;, uma guerra por procura\u00e7\u00e3o, segundo Monique Sochaczewski, especialista em Oriente M\u00e9dio e professora do IDP (Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa). &#8220;Come\u00e7ou com um supet\u00e3o do [pr\u00edncipe saudita] Mohammed bin Salman, que achou que resolveria o problema rapidamente&#8221;, diz. &#8220;Mas a a\u00e7\u00e3o durou muito mais do que o esperado e acabou trazendo o Ir\u00e3, que apoia os houthis, para o conflito.&#8221;<\/p>\n<p>Ir\u00e3 e Ar\u00e1bia Saudita representam grupos opostos no jogo de poder no Oriente M\u00e9dio. O chamado crescente xiita \u2013iranianos \u00e0 frente, com Iraque e partes da S\u00edria e do L\u00edbano\u2013 se op\u00f5e aos interesses dos EUA e de Israel; no bloco liderado pelos sauditas est\u00e3o os outros pa\u00edses do Golfo e o Egito governado por Abdul Fatah al-Sisi.<\/p>\n<p>A brasileira Nathalia Quintiliano, 34, trabalhou para a ONU como oficial de monitoramento para o I\u00eamen por quatro anos, entre 2016 e 2019. Ela ficava baseada no Djibuti, pequeno pa\u00eds com menos de 1 milh\u00e3o de habitantes do outro lado do estreito de Babelm\u00e2ndebe (portal das l\u00e1grimas, em \u00e1rabe), que separa a \u00c1frica da \u00c1sia na sa\u00edda do mar Vermelho.<\/p>\n<p>\u00c0 \u00e9poca, a Ar\u00e1bia Saudita havia imposto um bloqueio naval, sob o argumento de que iemenitas recebiam armamentos por navios. Para resolver o impasse e liberar a ajuda humanit\u00e1ria a um pa\u00eds que precisa importar 90% de tudo o que consome, a ONU se comprometeu a fiscalizar as embarca\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Enquanto Quintiliano esteve l\u00e1, uma colega foi sequestrada pelo Estado Isl\u00e2mico, e um liban\u00eas que trabalhava para a Cruz Vermelha foi morto a tiros. Al\u00e9m da dificuldade de fiscalizar navios em alto-mar em meio a uma guerra, os trabalhadores ainda tinham que lidar com piratas da Som\u00e1lia, que atuam na regi\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 uma \u00e1rea bem movimentada, com pirataria, crime organizado, tr\u00e1fico. Como \u00e9 o \u00fanico caminho de cargas que saem de parte do Oriente M\u00e9dio para a Europa, passa muito dinheiro ali&#8221;, conta Quintiliano. A Marinha brasileira hoje lidera uma das miss\u00f5es que monitora a pirataria na mesma regi\u00e3o.<\/p>\n<p>Ela destaca ainda a quantidade de iemenitas que trabalhavam nos navios em condi\u00e7\u00f5es an\u00e1logas a escravid\u00e3o e o fluxo de pessoas da \u00c1frica que se arriscavam em embarca\u00e7\u00f5es prec\u00e1rias para cruzar o estreito e tentar fugir por terra at\u00e9 a Ar\u00e1bia Saudita.<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 muito parecido com o que acontece no Mediterr\u00e2neo, com refugiados tentando chegar \u00e0 Europa. Tem muito caso de embarca\u00e7\u00e3o que vira com todo mundo.&#8221;<\/p>\n<p>Hoje, o conflito no I\u00eamen tem se concentrado em Marib, onde aconteceram os ataques da \u00faltima semana reportados pela coaliz\u00e3o saudita. A cidade \u00e9 um dos \u00faltimos redutos governistas que os rebeldes tentam tomar.<\/p>\n<p>Agora vivendo na Turquia, Quintiliano diz que n\u00e3o v\u00ea uma sa\u00edda breve para o conflito. &#8220;\u00c9 uma guerra totalmente esquecida, em um pa\u00eds que j\u00e1 era muito pobre antes de tudo come\u00e7ar&#8221;, afirma. &#8220;Trata-se de uma cat\u00e1strofe muito maior que a da S\u00edria, em termos humanit\u00e1rios, mas que chama muito menos a aten\u00e7\u00e3o.&#8221;<\/p>\n<p>Not\u00edcias ao Minuto Brasil &#8211; Mundo<br \/>\n<a href=\"https:\/\/www.noticiasaominuto.com.br\/mundo\/1857287\/guerra-no-iemen-mata-todo-dia-mas-quase-nao-chama-a-atencao?utm_source=rss-mundo&amp;amp;utm_medium=rss&amp;amp;utm_campaign=rssfeed\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Read More<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>S\u00c3O PAULO, SP (FOLHAPRESS) &#8211; O disparo de um m\u00edssil contra a casa de um<\/p>\n","protected":false},"author":0,"featured_media":41317,"comment_status":"","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[],"class_list":["post-41316","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-mundo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/41316","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=41316"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/41316\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/41317"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=41316"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=41316"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=41316"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}