{"id":41273,"date":"2021-11-04T09:08:20","date_gmt":"2021-11-04T12:08:20","guid":{"rendered":"http:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/2021\/11\/04\/caca-ao-marfim-afeta-evolucao-e-faz-elefante-sem-presa-virar-maioria-em-mocambique\/"},"modified":"2021-11-04T09:08:20","modified_gmt":"2021-11-04T12:08:20","slug":"caca-ao-marfim-afeta-evolucao-e-faz-elefante-sem-presa-virar-maioria-em-mocambique","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/2021\/11\/04\/caca-ao-marfim-afeta-evolucao-e-faz-elefante-sem-presa-virar-maioria-em-mocambique\/","title":{"rendered":"Ca\u00e7a ao marfim afeta evolu\u00e7\u00e3o e faz elefante sem presa virar maioria em Mo\u00e7ambique"},"content":{"rendered":"<p>(FOLHAPRESS) &#8211; A guerra civil que devastou Mo\u00e7ambique entre 1977 e 1992 deixou marcas na trajet\u00f3ria evolutiva dos elefantes que habitam um dos parques nacionais do pa\u00eds. Durante os anos de conflito, a ca\u00e7a indiscriminada da esp\u00e9cie, em busca de seu cobi\u00e7ado marfim, fez com que as f\u00eameas sem presas se tornassem maioria no local, algo raro em popula\u00e7\u00f5es naturais de elefantes.<\/p>\n<div class=\"dummyPub\"><\/div>\n<p>Tudo indica que o processo est\u00e1 ligado a um conjunto de muta\u00e7\u00f5es no DNA dos paquidermes, revela uma pesquisa publicada em edi\u00e7\u00e3o recente do peri\u00f3dico especializado Science.<\/p>\n<p>S\u00e3o altera\u00e7\u00f5es gen\u00e9ticas que parecem ser letais para o desenvolvimento de filhotes machos, mas n\u00e3o teriam efeitos t\u00e3o severos nas f\u00eameas, o que explica o porqu\u00ea de terem se espalhado tanto pela popula\u00e7\u00e3o feminina da esp\u00e9cie.<\/p>\n<p>Trata-se de um dos efeitos mais intensos e r\u00e1pidos da a\u00e7\u00e3o humana sobre a evolu\u00e7\u00e3o de uma esp\u00e9cie selvagem, afirmam os autores do estudo, liderados por Robert Pringle, da Universidade Princeton (EUA). A equipe combinou observa\u00e7\u00f5es de longo prazo no Parque Nacional da Gorongosa, na regi\u00e3o central de Mo\u00e7ambique, com an\u00e1lises do DNA dos elefantes e simula\u00e7\u00f5es computacionais para entender como a popula\u00e7\u00e3o dos mam\u00edferos tinha se transformado nas \u00faltimas d\u00e9cadas.<\/p>\n<p>Durante a guerra civil, o marfim dos elefantes se tornou uma importante fonte de renda para ambos os lados do conflito -com isso, os bichos perderam 90% de sua popula\u00e7\u00e3o no parque.<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo, outra mudan\u00e7a ocorria: enquanto antes da guerra apenas 18,5% das f\u00eameas da reserva n\u00e3o tinham presas, essa propor\u00e7\u00e3o saltou para 50,9% delas na primeira d\u00e9cada do s\u00e9culo 21 (tamb\u00e9m existem f\u00eameas com apenas uma presa, caracter\u00edstica ainda pouco compreendida).<\/p>\n<p>O fato de n\u00e3o existirem machos sem marfim levou os cientistas a suspeitar que a caracter\u00edstica estava ligada ao cromossomo X, um dos componentes do genoma respons\u00e1veis pela determina\u00e7\u00e3o do sexo. Assim como nos seres humanos, elefantes machos carregam um cromossomo X e outro Y, enquanto as f\u00eameas possuem dois cromossomos X.<\/p>\n<p>Isso significa que uma muta\u00e7\u00e3o potencialmente danosa no DNA desse cromossomo tende a ter efeitos mais leves nas f\u00eameas: caso um dos cromossomos X delas seja afetado, o outro pode carregar uma vers\u00e3o &#8220;saud\u00e1vel&#8221; do mesmo gene, o que evita problemas mais s\u00e9rios para o organismo. J\u00e1 os machos, que s\u00f3 t\u00eam um cromossomo X, ficariam desprotegidos diante de uma muta\u00e7\u00e3o com efeitos delet\u00e9rios.<br \/>Um dado importante que batia exatamente com essa hip\u00f3tese tinha a ver com os filhotes das f\u00eameas sem presas.<\/p>\n<p>Dois ter\u00e7os dos beb\u00eas delas eram f\u00eameas &#8211; enquanto a propor\u00e7\u00e3o esperada de sexos gerados pelas m\u00e3es da esp\u00e9cie \u00e9 mais ou menos meio a meio, como no caso dos seres humanos. E dois ter\u00e7os era exatamente o n\u00famero esperado caso a muta\u00e7\u00e3o em um \u00fanico dos cromossomos da m\u00e3e fosse letal para o desenvolvimento de embri\u00f5es do sexo masculino (se o outro cromossomo materno for normal, ela ainda consegue gerar beb\u00eas machos, mas numa propor\u00e7\u00e3o menor).<\/p>\n<p>A pe\u00e7a final do quebra-cabe\u00e7a foi encaixada com a an\u00e1lise do genoma dos bichos. Os pesquisadores usaram t\u00e9cnicas bem estabelecidas para identificar \u00e1reas favorecidas pela sele\u00e7\u00e3o natural -ou seja, trechos de DNA muito semelhantes em diferentes indiv\u00edduos, o que indica que carregam vers\u00f5es de genes que ajudaram seus portadores a se reproduzir com mais efici\u00eancia que outros membros da esp\u00e9cie.<\/p>\n<p>Com isso, chegaram a um gene do cromossomo X que est\u00e1 justamente associado \u00e0 forma\u00e7\u00e3o dos dentes -o que, claro, \u00e9 algo esperado no caso de animais com anomalias na forma\u00e7\u00e3o das presas. Em seres humanos, altera\u00e7\u00f5es nessa mesma regi\u00e3o do DNA est\u00e3o associadas a m\u00e1 forma\u00e7\u00f5es no cr\u00e2nio e na face de mulheres, e s\u00e3o letais no caso de embri\u00f5es do sexo masculino. Uma vers\u00e3o de outro gene, num cromossomo diferente, tamb\u00e9m parece estar ligado \u00e0 falta de presas nas f\u00eameas de elefante.<\/p>\n<p>A boa not\u00edcia \u00e9 que, com o fim da guerra, a situa\u00e7\u00e3o parece estar voltando lentamente ao normal. &#8220;Descobrimos que a frequ\u00eancia de f\u00eameas sem presas na gera\u00e7\u00e3o nascida depois da guerra era menor do que na gera\u00e7\u00e3o que atravessou o conflito&#8221;, contou Pringle \u00e0 Folha. Para ser exato, agora as f\u00eameas sem marfim s\u00e3o 33% do total.<\/p>\n<p>&#8220;As f\u00eameas sem presas tendem a ter menos filhotes que as com presas, porque algumas de suas gesta\u00e7\u00f5es [as de embri\u00f5es machos] acabam sendo invi\u00e1veis&#8221;, explica ele. &#8220;Na aus\u00eancia de uma forte sele\u00e7\u00e3o em favor da aus\u00eancia de marfim, ou seja, quando a ca\u00e7a \u00e9 coibida, essa caracter\u00edstica deve diminuir de frequ\u00eancia com o passar do tempo.&#8221;<\/p>\n<p>Not\u00edcias ao Minuto Brasil &#8211; Mundo<br \/>\n<a href=\"https:\/\/www.noticiasaominuto.com.br\/brasil\/1857209\/caca-ao-marfim-afeta-evolucao-e-faz-elefante-sem-presa-virar-maioria-em-mocambique?utm_source=rss-mundo&amp;amp;utm_medium=rss&amp;amp;utm_campaign=rssfeed\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Read More<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>(FOLHAPRESS) &#8211; A guerra civil que devastou Mo\u00e7ambique entre 1977 e 1992 deixou marcas na<\/p>\n","protected":false},"author":0,"featured_media":41274,"comment_status":"","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[],"class_list":["post-41273","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-mundo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/41273","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=41273"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/41273\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/41274"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=41273"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=41273"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=41273"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}