{"id":39054,"date":"2021-10-20T09:08:28","date_gmt":"2021-10-20T12:08:28","guid":{"rendered":"http:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/2021\/10\/20\/a-voz-humana-curta-de-almodovar-destaca-tilda-swinton-na-mostra-de-sp\/"},"modified":"2021-10-20T09:08:28","modified_gmt":"2021-10-20T12:08:28","slug":"a-voz-humana-curta-de-almodovar-destaca-tilda-swinton-na-mostra-de-sp","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/2021\/10\/20\/a-voz-humana-curta-de-almodovar-destaca-tilda-swinton-na-mostra-de-sp\/","title":{"rendered":"&#8216;A Voz Humana&#8217;, curta de Almod\u00f3var, destaca Tilda Swinton na Mostra de SP"},"content":{"rendered":"<p>S\u00c3O PAULO, SP (FOLHAPRESS) &#8211; Tudo come\u00e7ou com Jean Cocteau. Em 1929, o artista franc\u00eas de mil faces -poeta, escritor, desenhista, dramaturgo, cineasta- escreveu a pe\u00e7a &#8220;A Voz Humana&#8221;, imaginando uma mulher sozinha, no palco, falando ao telefone com seu marido, que a havia abandonado por um novo amor. Cocteau descia \u00e0 banalidade para alcan\u00e7ar a express\u00e3o m\u00e1xima da voz de uma atriz. Uma mulher, um adere\u00e7o, uma cadeira.<\/p>\n<div class=\"dummyPub\"><\/div>\n<p>A simplicidade da cena, montada pela primeira vez no palco da Com\u00e9die Fran\u00e7aise, em Paris, em 1930, com a atriz belga Berthe Bovy no papel-t\u00edtulo, se juntava \u00e0 modernidade do telefone, com o qual a sociedade ainda se acostumava. O p\u00fablico n\u00e3o escutava, em momento algum, a voz do homem do outro lado da linha. No livro, suas falas s\u00e3o eclipsadas por longas retic\u00eancias. Na pe\u00e7a, s\u00e3o escondidas pelo sil\u00eancio.<\/p>\n<p>Segundo Cocteau, a obra representou mais um passo \u00e0 incompreens\u00e3o entre os surrealistas, que, incomodados com suas muitas fases art\u00edsticas, o chamavam de &#8220;Cocktail de Cocteau&#8221;. Seus ep\u00edtetos se multiplicavam nos caf\u00e9s de Paris, de &#8220;Pr\u00edncipe Fr\u00edvolo&#8221; a &#8220;L&#8217;Enfant Terrible&#8221;, express\u00e3o conhecida at\u00e9 hoje. De apelido em apelido, a voz de Cocteau atravessaria o tempo, inspirando grandes artistas, como o cineasta Pedro Almod\u00f3var.<\/p>\n<p>At\u00e9 o dia 30 deste m\u00eas, a 45\u00aa Mostra Internacional de Cinema de S\u00e3o Paulo exibe, em diferentes salas da cidade, o curta &#8220;A Voz Humana&#8221;, adapta\u00e7\u00e3o de Almod\u00f3var da pe\u00e7a de 1930.<\/p>\n<p>De acordo com Renata de Almeida, diretora da Mostra, o filme, o primeiro de Almod\u00f3var em ingl\u00eas, \u00e9 um presente para os f\u00e3s do cineasta. &#8220;\u00c9 uma reuni\u00e3o de todas as caracter\u00edsticas dele. Tem uma mulher \u00e0 beira de um ataque de nervos, cores fortes e relacionamentos conturbados&#8221;, afirma. A brit\u00e2nica Tilda Swinton foi escolhida para interpretar a personagem. J\u00e1 no primeiro plano, ela aparece com um vestido Balenciaga armado, com um tom vermelho que contrasta com o fundo cinza de um set de filmagens.<\/p>\n<p>Durante o filme, sabemos que o apartamento da mulher sem nome fica em um est\u00fadio, deixado por ela apenas em um momento, quando vai at\u00e9 uma loja para comprar um machado, com o qual destr\u00f3i o palet\u00f3 do marido.<\/p>\n<p>No lugar do telefone, Swinton aparece de &#8220;air pods&#8221;. &#8220;Gosto de como ele usa os ru\u00eddos da conversa. Queremos saber o que o homem est\u00e1 dizendo. E, por ser num est\u00fadio, a rela\u00e7\u00e3o entre cinema e teatro \u00e9 expl\u00edcita&#8221;, afirma Almeida.<\/p>\n<p>Gravado durante a pandemia, o filme estreou no Festival de Veneza do ano passado, sendo a realiza\u00e7\u00e3o de um sonho antigo de Almod\u00f3var. Em &#8220;A Lei do Desejo&#8221;, de 1987, o diretor inseriu um trecho da pe\u00e7a de Cocteau no roteiro. J\u00e1 &#8220;Mulheres \u00e0 Beira de um Ataque de Nervos&#8221;, de 1988, nasceu como uma adapta\u00e7\u00e3o experimental do texto. Em &#8220;A Voz Humana&#8221;, Almod\u00f3var acena \u00e0 contemporaneidade, com um destino alternativo para a mulher abandonada. No filme, a languidez de Swinton, uma mulher alta e de tez p\u00e1lida, convive com decis\u00f5es impulsivas.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 a primeira vez que a pe\u00e7a de Cocteau ganha uma adapta\u00e7\u00e3o cinematogr\u00e1fica. Em &#8220;L&#8217;Amore&#8221;, de 1948, o cineasta italiano Roberto Rosselini criou sua vers\u00e3o para o enredo, estrelado por Anna Magnani. Muito antes, por\u00e9m, o pr\u00f3prio Cocteau se juntou ao compositor franc\u00eas Francis Poulenc para criar uma trag\u00e9dia l\u00edrica em um ato.<\/p>\n<p>Na noite desta segunda-feira, a soprano l\u00edrica Rosana Lamosa subiu ao palco do Theatro Muncipal de S\u00e3o Paulo para o primeiro ensaio geral da \u00f3pera &#8220;A Voz Humana&#8221;, de Poulenc, que estreia na pr\u00f3xima sexta-feira. Lamosa se posicionou de frente para a orquestra, a fim de repassar o monodrama. &#8220;Aproveitem que hoje ela est\u00e1 cantando para voc\u00eas. No pr\u00f3ximo ensaio, ela estar\u00e1 de frente para a plateia&#8221;, brincou o maestro Alessandro Sangiorgi.<\/p>\n<p>Durante o ensaio, o canto de Lamosa esteve ora rente \u00e0 fala, ora em notas altas, como o d\u00f3 natural, alcan\u00e7ado quando a personagem quase enlouquece. &#8220;Como cantora l\u00edrica, tenho que me preparar vocalmente, mas as pausas fazem com que a personagem seja muito dram\u00e1tica&#8221;, conta ela.<\/p>\n<p>Coube \u00e0 soprano Denise Duval cantar pela primeira vez a \u00f3pera, em 1959, na Salle Favart, em Paris. Um dos integrantes do afamado grupo &#8220;Les Six&#8221;, Poulenc soube incorporar a s\u00edncope do jazz para driblar os excessos do romantismo. Cocteau, esp\u00e9cie de porta-voz do grupo, soube explorar o som -e o sil\u00eancio- do parceiro. &#8220;A rela\u00e7\u00e3o com o teatro \u00e9 forte, mas na \u00f3pera existe uma diferen\u00e7a. Temos as respostas do marido, Poulenc fala&#8221;, pondera o diretor Andr\u00e9 Heller-Lopes.<\/p>\n<p>Sua concep\u00e7\u00e3o de &#8220;A Voz Humana&#8221; \u00e9 um contraponto \u00e0s cores de Almod\u00f3var. O cen\u00e1rio \u00e9 s\u00f3brio -ao lado de uma cama desarrumada, livros pelo ch\u00e3o criam o ambiente. Ao fundo, imensos espelhos refletem a express\u00e3o da soprano. A adapta\u00e7\u00e3o de Heller-Lopes oferece liberdade \u00e0 mulher abandonada e a leva a um plano et\u00e9reo. &#8220;Ela come\u00e7a a \u00f3pera j\u00e1 morta. \u00c9 um r\u00e9quiem para um amor. Um amor que n\u00e3o existe mais&#8221;, ele diz.<\/p>\n<p>Na sequ\u00eancia da obra de Poulenc, o programa traz ainda a &#8220;\u00d3pera Aberta para Cantora e Halterofilista&#8221;, um &#8220;happening&#8221;, concebido, em 1977, pelo compositor Gilberto Mendes. Nele, Lamosa contracena com um halterofilista, propondo diversas esquetes.<\/p>\n<p>&#8220;N\u00e3o h\u00e1 nem mesmo partitura. \u00c9 uma provoca\u00e7\u00e3o com a autorrefer\u00eancia das divas da \u00f3pera e dos atletas. A cantora \u00e9 a atleta da voz&#8221;, diz Lamosa. Do teatro ao &#8220;happening&#8221;, as vers\u00f5es da mesma trag\u00e9dia s\u00f3 reafirmam a frase de Cocteau. &#8220;Nunca quis pertencer a uma escola, porque elas come\u00e7am em p\u00e9 e acabam sentadas.&#8221;<\/p>\n<p>A VOZ HUMANA<br \/>Quando Mostra de SP: Qua. (20), \u00e0s 20h, no Espa\u00e7o Ita\u00fa Frei Caneca; Seg. (25), \u00e0s 20h40, no Cine Marquise; Qui. (28), \u00e0s 14h, no Reserva Cultural; S\u00e1b. (30), \u00e0s 13h30, no Petra Belas Artes<br \/>Classifica\u00e7\u00e3o 18 anos<br \/>Elenco Tilda Swinton<br \/>Produ\u00e7\u00e3o Espanha, 2020<br \/>Dire\u00e7\u00e3o Pedro Almod\u00f3var<\/p>\n<p>Not\u00edcias ao Minuto Brasil &#8211; Cultura<br \/>\n<a href=\"https:\/\/www.noticiasaominuto.com.br\/ultima-hora\/1852664\/a-voz-humana-curta-de-almodovar-destaca-tilda-swinton-na-mostra-de-sp?utm_source=rss-cultura&amp;amp;utm_medium=rss&amp;amp;utm_campaign=rssfeed\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Read More<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>S\u00c3O PAULO, SP (FOLHAPRESS) &#8211; Tudo come\u00e7ou com Jean Cocteau. 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