{"id":38052,"date":"2021-10-14T08:09:47","date_gmt":"2021-10-14T11:09:47","guid":{"rendered":"http:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/2021\/10\/14\/crise-na-ancine-espanta-grandes-estudios-que-fazem-filmes-sem-dinheiro-publico\/"},"modified":"2021-10-14T08:09:47","modified_gmt":"2021-10-14T11:09:47","slug":"crise-na-ancine-espanta-grandes-estudios-que-fazem-filmes-sem-dinheiro-publico","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/2021\/10\/14\/crise-na-ancine-espanta-grandes-estudios-que-fazem-filmes-sem-dinheiro-publico\/","title":{"rendered":"Crise na Ancine espanta grandes est\u00fadios, que fazem filmes sem dinheiro p\u00fablico"},"content":{"rendered":"<p>(FOLHAPRESS) &#8211; O momento \u00e9 de crise no audiovisual brasileiro. Uma das raz\u00f5es, al\u00e9m da pandemia, \u00e9 a escassez de fomento vindo da Ancine, a Ag\u00eancia Nacional do Cinema. Nesse cen\u00e1rio, h\u00e1 quem consiga se dar ao luxo de recusar se envolver com projetos feitos com recursos vindos da ag\u00eancia.<\/p>\n<div class=\"dummyPub\"><\/div>\n<p>&#8220;Neste momento, a O2 optou por n\u00e3o trabalhar com leis de incentivo. \u00c9 muita inseguran\u00e7a jur\u00eddica. A Ancine fica cheia de presta\u00e7\u00f5es de contas abertas e voc\u00ea fica sujeito a mudan\u00e7as do governo&#8221;, conta Andr\u00e9a Barata Ribeiro, s\u00f3cia da O2 Filmes, produtora de filmes como &#8220;Cidade de Deus&#8221; e &#8220;Dois Papas&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;A gente acabou de recusar um filme que envolvia dinheiro p\u00fablico'&#8221;, diz Barata Ribeiro, que \u00e9 membro da Academia do Oscar, sobre recursos de fomento da Ancine.<\/p>\n<p>Grandes produtoras nacionais t\u00eam conseguido se apoiar no mercado nascente do streaming. Para os produtores independentes, por\u00e9m, o cen\u00e1rio \u00e9 mais desolador.<\/p>\n<p>S\u00e3o dois pontos de estrangulamento na ag\u00eancia do cinema hoje. O primeiro \u00e9 a escassez de novos editais e fomentos para a produ\u00e7\u00e3o de obras audiovisuais.<\/p>\n<p>O segundo \u00e9 a inseguran\u00e7a jur\u00eddica causada por um passivo de presta\u00e7\u00e3o de contas que a ag\u00eancia acumulou e que podem ser reabertas quase duas d\u00e9cadas depois do lan\u00e7amento do filme \u2013o \u00f3rg\u00e3o vem desenterrando algumas e, em certos casos, reprovando projetos antigos.<\/p>\n<p>&#8220;A Ancine est\u00e1 paralisada e al\u00e9m disso voc\u00ea fica num imbr\u00f3glio jur\u00eddico que n\u00e3o \u00e9 seu, com presta\u00e7\u00e3o de contas pendurada, que eles n\u00e3o deram baixa. A\u00ed os caras come\u00e7am a pedir de novo presta\u00e7\u00f5es de contas de 15 anos atr\u00e1s&#8221;, diz Barata Ribeiro.<\/p>\n<p>Em maio, a Ancine sinalizou a retomada de investimentos em s\u00e9ries e filmes brasileiros. A ag\u00eancia anunciou que, ap\u00f3s ajustes, o Fundo Setorial do Audiovisual, o FSA, contava com R$ 400 milh\u00f5es para novos investimentos em 2021 e que 65% do passivo de projetos em an\u00e1lise -alguns deles em tr\u00e2mite desde 2016- est\u00e3o resolvidos.<\/p>\n<p>O filme &#8220;Marighella&#8221;, da O2, talvez seja hoje um dos principais s\u00edmbolos da rela\u00e7\u00e3o entre produtores de audiovisual e o governo Bolsonaro. Ao menos dois pedidos de recursos para a comercializa\u00e7\u00e3o do filme enviados \u00e0 Ancine foram negados. O longa \u00e9 uma cinebiografia do guerrilheiro comunista.<\/p>\n<p>Enquanto a Ancine n\u00e3o volta ao fluxo que costumava ter, a chegada das plataformas de streaming ao Brasil \u2013e o interesse delas em produzir conte\u00fado local para o p\u00fablico daqui\u2013 fez com que o v\u00e1cuo deixado pela crise na ag\u00eancia pudesse ser preenchido. A quest\u00e3o \u00e9 que, segundo a s\u00f3cia da O2, os efeitos ben\u00e9ficos dos streamings tendem a recair mais sobre as grandes produtoras.<\/p>\n<p>&#8220;Quem mais sofre com isso s\u00e3o as produtoras pequenas, que n\u00e3o t\u00eam tanto recurso&#8221;, diz Barata Ribeiro. &#8220;Existem outras leis [de incentivo ao audiovisual], coprodu\u00e7\u00f5es internacionais. O produtor nunca parou de buscar outras formas, mesmo quando os incentivos [da Ancine] funcionavam.&#8221;<\/p>\n<p>&#8220;Os streamings hoje t\u00eam movimentado o mercado brasileiro, t\u00eam gerado empregos e oportunidades incr\u00edveis. Mas o streaming n\u00e3o absorve tudo e nem deve&#8221;, diz, por email, Fabiano Gullane, da Gullane Filmes, produtora de longas como &#8220;Que Horas Ela Volta?&#8221;, &#8220;At\u00e9 Que a Sorte Nos Separe&#8221; e &#8220;Carandiru&#8221;.<\/p>\n<p>Gullane, por\u00e9m, afirma n\u00e3o ter se afastado do fomento da ag\u00eancia. &#8220;Trabalhamos bastante com a Ancine e temos muitos projetos ativos, projetos em diversas fases. E temos total interesse em continuar trabalhando por muitos anos com a ag\u00eancia&#8221;, diz. &#8220;Essa \u00e9 uma paralisa\u00e7\u00e3o moment\u00e2nea da Ancine, um reflexo da demora do governo federal em empossar novos diretores colegiados. A Ancine estava andando muito de lado, de forma insegura.&#8221;<\/p>\n<p>Segundo Rafael Neumayr, advogado especializado em audiovisual, n\u00e3o \u00e9 exatamente correto falar num movimento de produtoras se afastando da ag\u00eancia. &#8220;H\u00e1 poucas produtoras apresentando projetos para a Ancine, mas \u00e9 porque a Ancine n\u00e3o abriu as portas para essas produtoras&#8221;, diz o advogado.<\/p>\n<p>&#8220;Os pequenos n\u00e3o est\u00e3o fugindo [da Ancine], est\u00e3o desesperados por novas oportunidades&#8221;, afirma. &#8220;Agora, os grandes, que est\u00e3o fazendo uma produ\u00e7\u00e3o de streaming atr\u00e1s da outra, come\u00e7am realmente a repensar se v\u00e3o ou se n\u00e3o v\u00e3o continuar. Seria \u00f3timo se houvesse uma chance de fuga, mas a gente nem isso tem. O problema est\u00e1 l\u00e1 na ag\u00eancia e n\u00e3o nas produtoras. Se elas n\u00e3o acessam n\u00e3o \u00e9 porque n\u00e3o querem, \u00e9 porque n\u00e3o h\u00e1 o que acessar.&#8221;<\/p>\n<p>Mauro Garcia, o presidente da Brasil Audiovisual Independente, a Bravi, diz enxergar um afastamento entre produtoras e Ancine. &#8220;Mas acho que \u00e9 um afastamento tempor\u00e1rio. E acho que o aprendizado que houve \u2013de busca de alternativas [de financiamento]\u2013 vai ficar. Ningu\u00e9m vai ficar s\u00f3 dependente do Fundo Setorial do Audiovisual. Todo mundo aprendeu a se mexer&#8221;, diz.<\/p>\n<p>Garcia conta que, junto com outras organiza\u00e7\u00f5es, se empenhou em &#8220;contratar um mapeamento de fundos internacionais que aceitam coprodu\u00e7\u00e3o com o Brasil&#8221;. S\u00e3o fundos internacionais, sobretudo europeus, mas tamb\u00e9m de pa\u00edses como Austr\u00e1lia, pouco usados por produtores brasileiros. N<\/p>\n<p>esse arranjo, as produtoras brasileiras podem entrar com um contribui\u00e7\u00e3o minorit\u00e1ria e ainda surfar nas redes de contatos, festivais e canais de distribui\u00e7\u00e3o desses poss\u00edveis parceiros internacionais. Um entrave a isso, por\u00e9m, \u00e9 o d\u00f3lar valendo R$ 5,50.<\/p>\n<p>Nesses fundos, os brasileiros poderiam entrar com recursos obtidos, por exemplo, de mecanismos de fomento estaduais ou municipais \u2013que nem de longe s\u00e3o capazes de se equiparar ao que a Ancine costumava representar para o ecossistema do audiovisual brasileiro, mas s\u00e3o uma boa ajuda.<\/p>\n<p>Raquel Valadares, integrante da diretoria da API, a Associa\u00e7\u00e3o das Produtoras Independentes do Audiovisual Brasileiro, fez um levantamento com seus associados para mapear o impacto da pandemia e da crise da Ancine. &#8220;Muitas entregaram as sedes, venderam equipamentos, demitiram funcion\u00e1rios, pegaram empr\u00e9stimos, recorreram aos recursos emergenciais para a cultura da Lei Aldir Blanc quando dispon\u00edveis, enfim, deram seu jeito. Mas, de modo geral, a t\u00f4nica \u00e9 que as produtoras pequenas tiveram que deixar de lado seus projetos para trabalhar para outras produtoras, \u00e0s vezes maiores, com projetos em execu\u00e7\u00e3o&#8221;<\/p>\n<p>Segundo Valadares, 86% das produtoras que responderam a um question\u00e1rio feito no \u00faltimo fim de semana declararam queda substancial de faturamento e 77% ficaram mais de seis meses sem faturamento. Houve casos em que os s\u00f3cios n\u00e3o conseguiram manter o pr\u00f3-labore ou tiveram de mudar de \u00e1rea para enfrentar a crise.<\/p>\n<p>Apesar disso, ela diz que h\u00e1 motivos para otimismo. &#8220;\u00c9 de se celebrar que muitas de n\u00f3s conseguiram executar seus projetos audiovisuais durante esse tri\u00eanio [2019 a 2021], seja porque eram oriundos de editais regionais, seja porque a contrata\u00e7\u00e3o de projetos antigos do FSA finalmente saiu.&#8221;<\/p>\n<p>Em nota, a Ancine afirma que aprovou o lan\u00e7amento de &#8220;novas linhas de investimento no valor total de R$ 473,2 milh\u00f5es&#8221; e que &#8220;em breve um cronograma de lan\u00e7amentos ser\u00e1 divulgado, e a previs\u00e3o \u00e9 que os lan\u00e7amentos se iniciem no fim deste ano&#8221;. &#8220;Os recursos est\u00e3o sendo liberados de acordo com o fluxo de sele\u00e7\u00f5es e an\u00e1lises, conforme as regras dos editais&#8221;, diz a nota da ag\u00eancia. &#8220;N\u00e3o houve descontinuidade ou desinvestimento na atividade audiovisual.&#8221;<\/p>\n<p>&#8220;Outro ponto importante \u00e9 que as condi\u00e7\u00f5es espec\u00edficas dos editais ser\u00e3o previamente debatidas com um grupo de produtores de not\u00f3ria especializa\u00e7\u00e3o, no \u00e2mbito de uma c\u00e2mara t\u00e9cnica de produ\u00e7\u00e3o, a ser divulgada em breve. Na c\u00e2mara t\u00e9cnica produtores de diferentes regi\u00f5es e com diversas experi\u00eancias na atividade audiovisual ir\u00e3o opinar no modelo mais efetivo e eficiente para os pr\u00f3ximos editais&#8221;, segue a nota.<\/p>\n<p>Al\u00e9m da crise no fomento e a inseguran\u00e7a jur\u00eddica, o fantasma da censura amea\u00e7a assombrar o setor cultural. Recentemente, um projeto de um festival de jazz antifascista recebeu sinal vermelho para capta\u00e7\u00e3o em parecer recheado de frases religiosas, por exemplo.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de &#8220;Marighella&#8221;, outro projeto mais recente gerou pol\u00eamica ao ter ganhado sinal vermelho da Ancine -um projeto de filme sobre a vida e a trajet\u00f3ria do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que foi indeferido. A obra j\u00e1 havia sido aprovada em 2018 pela ag\u00eancia.<\/p>\n<p>A justificativa da reprova\u00e7\u00e3o foi de que o projeto &#8220;d\u00e1 margem a ineg\u00e1vel promo\u00e7\u00e3o da imagem pessoal do ex-presidente da Rep\u00fablica homenageado no document\u00e1rio, com o not\u00f3rio aproveitamento pol\u00edtico, \u00e0s custas dos cofres p\u00fablicos&#8221;. Na opini\u00e3o de Maur\u00edcio Magalh\u00e3es, s\u00f3cio da Giros Filmes, que produz &#8220;Presidente Improv\u00e1vel&#8221;, o document\u00e1rio sobre FHC, o veto ao projeto na Ancine foi um caso claro de censura.<\/p>\n<p>Para contornar o imbr\u00f3glio, os s\u00f3cios da produtora, empresa de 23 anos de estrada, decidiram criar um fundo de investidores e discutir valores de licenciamento do filme com o streaming, que deve ser exibido pela Globoplay. &#8220;Esse filme est\u00e1 sendo feito, mesmo com esse processo todo da Ancine. N\u00f3s estamos tentando viabilizar por v\u00e1rios caminhos&#8221;, diz Magalh\u00e3es.<\/p>\n<p>Ainda assim, o produtor segue na expectativa de conseguir reverter o veto e captar via Lei do Audiovisual, uma vez que o fundo e o licenciamento com o streaming n\u00e3o conseguiu cobrir todos os gastos necess\u00e1rios para a finaliza\u00e7\u00e3o de &#8220;Presidente Improv\u00e1vel&#8221;.<\/p>\n<p>Mesmo antes do filme sobre FHC, Magalh\u00e3es afirma que a sua produtora j\u00e1 vinha se preparando para funcionar em meio ao governo Bolsonaro. &#8220;A gente tem que sair um pouco de ficar naquele mecanismo hist\u00f3rico [de fomento p\u00fablico ao audiovisual], que \u00e9 l\u00edcito, maravilhoso para o desenvolvimento do setor e que existe no mundo inteiro. Por\u00e9m, a gente j\u00e1 achava que esse governo teria esse tipo de rea\u00e7\u00e3o&#8221;, diz.<\/p>\n<p>Segundo Magalh\u00e3es, embora o governo esteja &#8220;asfixiando o setor&#8221;, o atual cen\u00e1rio de escassez acabou fazendo &#8220;com que a gente sa\u00edsse de uma zona de conforto&#8221;.<\/p>\n<p>Not\u00edcias ao Minuto Brasil &#8211; Cultura<br \/>\n<a href=\"https:\/\/www.noticiasaominuto.com.br\/ultima-hora\/1850904\/crise-na-ancine-espanta-grandes-estudios-que-fazem-filmes-sem-dinheiro-publico?utm_source=rss-cultura&amp;amp;utm_medium=rss&amp;amp;utm_campaign=rssfeed\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Read More<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>(FOLHAPRESS) &#8211; O momento \u00e9 de crise no audiovisual brasileiro. Uma das raz\u00f5es, al\u00e9m da<\/p>\n","protected":false},"author":0,"featured_media":38053,"comment_status":"","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[4],"tags":[],"class_list":["post-38052","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cultura"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/38052","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=38052"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/38052\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/38053"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=38052"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=38052"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=38052"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}