{"id":37940,"date":"2021-10-13T15:08:13","date_gmt":"2021-10-13T18:08:13","guid":{"rendered":"http:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/2021\/10\/13\/livro-sobre-os-pecados-da-colonizacao-portuguesa-vira-best-seller-na-suecia-2\/"},"modified":"2021-10-13T15:08:13","modified_gmt":"2021-10-13T18:08:13","slug":"livro-sobre-os-pecados-da-colonizacao-portuguesa-vira-best-seller-na-suecia-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/2021\/10\/13\/livro-sobre-os-pecados-da-colonizacao-portuguesa-vira-best-seller-na-suecia-2\/","title":{"rendered":"Livro sobre os \u2018pecados da coloniza\u00e7\u00e3o portuguesa\u2019 vira best-seller na Su\u00e9cia"},"content":{"rendered":"<p>LISBOA, PORTUGAL (FOLHAPRESS) &#8211; Correspondente do jornal Dagens Nyheter, o maior da Su\u00e9cia e da Escandin\u00e1via, Henrik Brand\u00e3o J\u00f6nsson, 52, vive h\u00e1 20 anos no Rio de Janeiro. Antes de se fixar no Brasil, o jornalista morou ainda em Portugal e em Cabo Verde, o que lhe rendeu um enorme interesse por tudo relacionado \u00e0 lusofonia.<\/p>\n<div class=\"dummyPub\"><\/div>\n<p>O entusiasmo de Brand\u00e3o J\u00f6nsson com o tema acabou por convencer um editor da Su\u00e9cia a publicar um livro sobre o universo da coloniza\u00e7\u00e3o portuguesa, com a provocadora premissa dos pecados espalhados pelos exploradores lusitanos.<\/p>\n<p>Sem grandes expectativas, a editora programou o lan\u00e7amento de &#8220;Viagem pelos Sete Pecados da Coloniza\u00e7\u00e3o Portuguesa&#8221; para agosto -principal m\u00eas das f\u00e9rias de ver\u00e3o na Europa e um per\u00edodo tradicionalmente pouco movimentado no mercado liter\u00e1rio escandinavo.<\/p>\n<p>O desempenho da obra surpreendeu: em duas semanas, a primeira edi\u00e7\u00e3o se esgotou. A segunda tamb\u00e9m desapareceu das prateleiras em cerca de 15 dias. Pouco mais de um ano ap\u00f3s o lan\u00e7amento, o livro est\u00e1 na s\u00e9tima edi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8220;Do nada virou um best-seller, j\u00e1 vendeu mais de 10 mil c\u00f3pias. Os editores se perguntaram como \u00e9 que um livro sobre a lusofonia pode vender t\u00e3o bem. Eu acho que os suecos s\u00e3o um povo que gosta de viajar. N\u00f3s temos uma hist\u00f3ria forte com alguns pa\u00edses lus\u00f3fonos. A Su\u00e9cia foi o primeiro pa\u00eds europeu a reconhecer a independ\u00eancia de Mo\u00e7ambique, Guin\u00e9 Bissau e Angola. Durante a guerra colonial, o governo sueco apoiou a luta pela independ\u00eancia&#8221;, diz o jornalista, em portugu\u00eas com forte sotaque carioca.<\/p>\n<p>O sucesso na Escandin\u00e1via, somado ao fato de sua agente liter\u00e1ria na Su\u00e9cia ser uma portuguesa emigrada, favoreceu a publica\u00e7\u00e3o da obra em Portugal. Lan\u00e7ado pela editora Objectiva, a edi\u00e7\u00e3o em l\u00edngua portuguesa acaba de chegar \u00e0s livrarias.<\/p>\n<p>Em Lisboa para o lan\u00e7amento, Brand\u00e3o J\u00f6nsson -o sobrenome portugu\u00eas foi incorporado ap\u00f3s o casamento com uma brasileira- diz estar curioso para ver as rea\u00e7\u00f5es dos leitores lusitanos sobre a obra.<\/p>\n<p>O livro \u00e9 dividido em sete cap\u00edtulos. Seis deles s\u00e3o dedicados \u00e0s antigas col\u00f4nias, cada uma com seu respectivo pecado capital associado: Goa (gula), Mo\u00e7ambique (lux\u00faria), Macau (avareza), Timor-Leste (soberba), Angola (ira) e Brasil (pregui\u00e7a).<\/p>\n<p>O cap\u00edtulo final \u00e9 dedicado a Portugal, que, na avalia\u00e7\u00e3o do jornalista, tem como pecado a inveja.<\/p>\n<p>A associa\u00e7\u00e3o de cada pais e seu respectivo pecado \u00e9 uma avalia\u00e7\u00e3o bastante subjetiva, sendo uma interpreta\u00e7\u00e3o do autor sobre as caracter\u00edsticas de cada um dos lugares que visitou.<\/p>\n<p>Algumas liga\u00e7\u00f5es s\u00e3o mais \u00f3bvias, como a rela\u00e7\u00e3o entre Macau -\u00fanico territ\u00f3rio da China em que cassinos s\u00e3o liberados- e a avareza. Outras, precisam de uma certa gin\u00e1stica filos\u00f3fica.<\/p>\n<p>&#8220;Timor Leste foi o mais dif\u00edcil, porque \u00e9 um pa\u00eds muito simp\u00e1tico, muito humilde. Voc\u00ea n\u00e3o poderia pensar em por soberba em um pa\u00eds com 1,2 milh\u00f5es de pessoas. Mas eles t\u00eam um mito por l\u00e1: eles acham que s\u00e3o o povo do crocodilo, porque eles querem se sentir melhores do que a Indon\u00e9sia [que j\u00e1 dominou o pa\u00eds]. Eles querem se diferenciar porque s\u00e3o crist\u00e3os, querem mostrar que s\u00e3o mais fortes do que a Indon\u00e9sia&#8221;, explica.<\/p>\n<p>O livro foi escrito em primeira pessoa e \u00e9 resultado de viagens que come\u00e7aram em 2016. O texto \u00e9 uma esp\u00e9cie de grande reportagem, mesclando elementos de hist\u00f3ria e pol\u00edtica de cada regi\u00e3o com observa\u00e7\u00f5es feitas in loco e entrevistas. Muitas entrevistas.<\/p>\n<p>As conversas foram sobre variados temas e com diferentes perfis. Em Mo\u00e7ambique, por exemplo, Brand\u00e3o J\u00f6nsson entrevistou desde pessoas que se prostituem em bares e discotecas at\u00e9 o escritor Mia Couto, um dos principais nomes da literatura africana.<\/p>\n<p>&#8220;Aprendi muito com \u00c5sne Seierstad [jornalista norueguesa], que escreveu &#8216;O Livreiro de Cabul&#8217;. Na obra fica muito claro que ela \u00e9 uma branca de olhos azuis que mora em Cabul, e o livro incorpora isso. Eu quis fazer a mesma coisa: eu sou um sueco mimado, de olhos azuis, que estava vendo as coisas de uma determinada maneira. Eu sempre quis que isso ficasse muito claro&#8221;, relata.<\/p>\n<p>No cap\u00edtulo sobre o Brasil, a associa\u00e7\u00e3o com a pregui\u00e7a \u00e9 feita em forma de cr\u00edtica social, chamando a aten\u00e7\u00e3o para o fato de que os s\u00e9culos de escravatura fizeram com que muitos brasileiros tivessem avers\u00e3o ao trabalho dom\u00e9stico e a outras formas de ocupa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Certos setores pouco produtivos do funcionalismo p\u00fablico e as generosas pens\u00f5es para filhas de militares tamb\u00e9m s\u00e3o alvo de cr\u00edtica.<\/p>\n<p>&#8220;Eu sou do pa\u00eds da Ikea, onde temos por h\u00e1bito fazer tudo sozinhos. Infelizmente, no Brasil ainda tem isso de deixar o outro fazer. Mas \u00e9 claro que h\u00e1 quem trabalhe muito, como as pessoas que moram no sub\u00farbio e acordam \u00e0s 4h30 para pegar o trem e ir para o servi\u00e7o&#8221;, explica.<\/p>\n<p>No livro, o jornalista sueco descreve o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) como a defini\u00e7\u00e3o do brasileiro pregui\u00e7oso.<\/p>\n<p>&#8220;Bolsonaro \u00e9 um exemplo t\u00edpico da pregui\u00e7a do homem branco no Brasil. O nacionalista de direita acusa os descendentes das pessoas escravizadas de n\u00e3o trabalharem, apesar de terem sido eles quem, literalmente, constru\u00edram o pa\u00eds. Na realidade, Bolsonaro \u00e9 quem n\u00e3o faz muito: foi expulso do Ex\u00e9rcito logo no grau de capit\u00e3o, por conduta impr\u00f3pria, e durante as suas quase tr\u00eas d\u00e9cadas como deputado s\u00f3 conseguiu a aprova\u00e7\u00e3o de dois projetos-lei &#8211; uma m\u00e9dia de uma lei a cada quinze anos. Nem um caracol trabalha t\u00e3o lentamente&#8221;, escreve.<\/p>\n<p>Em seu cap\u00edtulo sobre Portugal e a inveja, o jornalista sueco recorre ao pensamento do fil\u00f3sofo portugu\u00eas Jos\u00e9 Gil: :&#8221;ele fala que inveja em Portugal n\u00e3o \u00e9 um sentimento, \u00e9 um sistema. Isso, \u00e9 claro, \u00e9 uma provoca\u00e7\u00e3o&#8221;, diz o autor.<\/p>\n<p>Segundo Henrik Brand\u00e3o J\u00f6nsson, Portugal gosta de falar das gl\u00f3rias do passado e da \u00e9poca dos Descobrimentos sem tocar em outras quest\u00f5es que tamb\u00e9m fizeram parte da coloniza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8220;Tem o outro lado tamb\u00e9m: quem inventou o tr\u00e1fico transatl\u00e2ntico de escravos foram os portugueses. Claro, existiam muitos escravos antes, como no Egito e em outros lugares, mas essa coisa de fazer neg\u00f3cio em larga escala com a escravid\u00e3o, isso foram os portugueses&#8221;, diz.<\/p>\n<p>Apesar das cr\u00edticas, o livro exalta muitas qualidades e pontos hist\u00f3ricos e culturais de Portugal e de suas antigas col\u00f4nias.<\/p>\n<p>&#8220;O livro \u00e9 uma declara\u00e7\u00e3o de amor ao mundo lus\u00f3fono, n\u00e3o estou s\u00f3 criticando. Como eu sou sueco e n\u00e3o tenho nada a ver com o mundo lus\u00f3fono, eu posso criticar e elogiar. Se fosse um portugu\u00eas escrevendo sobre a mesma coisa, poderia acontecer de pender mais para o elogio ou para a cr\u00edtica. Mas, como eu tenho um olhar de fora, consigo avaliar como jornalista aquilo que \u00e9 bom ou rui&#8221;, resume.<\/p>\n<p>A obra, por enquanto, n\u00e3o tem previs\u00e3o de lan\u00e7amento no Brasil.<\/p>\n<p>Not\u00edcias ao Minuto Brasil &#8211; Cultura<br \/>\n<a href=\"https:\/\/www.noticiasaominuto.com.br\/cultura\/1850558\/livro-sobre-os-pecados-da-colonizacao-portuguesa-vira-best-seller-na-suecia?utm_source=rss-cultura&amp;amp;utm_medium=rss&amp;amp;utm_campaign=rssfeed\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Read More<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>LISBOA, PORTUGAL (FOLHAPRESS) &#8211; Correspondente do jornal Dagens Nyheter, o maior da Su\u00e9cia e da<\/p>\n","protected":false},"author":0,"featured_media":37941,"comment_status":"","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[4],"tags":[],"class_list":["post-37940","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cultura"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/37940","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=37940"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/37940\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/37941"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=37940"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=37940"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=37940"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}