{"id":36677,"date":"2021-10-05T11:08:19","date_gmt":"2021-10-05T14:08:19","guid":{"rendered":"http:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/2021\/10\/05\/quem-e-marc-rebillet-dj-e-youtuber-que-ficou-famoso-ao-fazer-shows-so-de-cueca\/"},"modified":"2021-10-05T11:08:19","modified_gmt":"2021-10-05T14:08:19","slug":"quem-e-marc-rebillet-dj-e-youtuber-que-ficou-famoso-ao-fazer-shows-so-de-cueca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/2021\/10\/05\/quem-e-marc-rebillet-dj-e-youtuber-que-ficou-famoso-ao-fazer-shows-so-de-cueca\/","title":{"rendered":"Quem \u00e9 Marc Rebillet, DJ e youtuber que ficou famoso ao fazer shows s\u00f3 de cueca"},"content":{"rendered":"<p>PARIS, FRAN\u00c7A (FOLHAPRESS) &#8211; Mais de cem roup\u00f5es. Essa \u00e9 a estimativa que Marc Rebillet faz quando questionado sobre a pe\u00e7a que virou sua marca registrada nos \u00faltimos meses. &#8220;Mas s\u00e3o apenas roup\u00f5es, eles v\u00e3o e v\u00eam&#8221;, diz ele, de camisa branca, numa chamada de v\u00eddeo.<\/p>\n<div class=\"dummyPub\"><\/div>\n<p>Rebillet est\u00e1 ciente de que suas principais ferramentas de trabalho s\u00e3o um teclado, uma c\u00e2mera conectada \u00e0 internet, um telefone \u2013\u00e0s vezes\u2013 e a loopstation, um aparelho que pode armazenar um sem-fim de ru\u00eddos e repetir todos eles em ciclo como uma bateria eletr\u00f4nica.<\/p>\n<p>\u00c9 com esse arsenal que o artista americano faz sua m\u00fasica \u2013um fluxo quase cont\u00ednuo de uma hora e meia repleta de improvisos, piadas e batidas energ\u00e9ticas. Encarnando algo entre jazzista escrachado, rockstar involunt\u00e1rio e apresentador de talk show do mundo p\u00f3s-TV, Rebillet se tornou uma estrela em meio \u00e0 pandemia. Ele \u00e9 uma banda de um homem s\u00f3, incluindo os pap\u00e9is de mestre de cerim\u00f4nias, t\u00e9cnico e respons\u00e1vel pela comunica\u00e7\u00e3o. Tudo isso sem sair de casa.<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 estranho dizer isso, mas eu tive sorte com essa pandemia&#8221;, reflete o m\u00fasico. &#8220;Quando isso tudo come\u00e7ou, eu j\u00e1 estava bem posicionado para fazer o que eu fa\u00e7o hoje porque eu j\u00e1 vinha fazendo isso por anos, eu tinha uma f\u00f3rmula.&#8221;<\/p>\n<p>Logo que a pandemia deu as caras, m\u00fasicos do mundo inteiro se viram \u00e0s voltas com a ideia de fazer shows em plataformas digitais. Mas o que se convencionou chamar de live, afinal, n\u00e3o \u00e9 um concerto t\u00edpico. H\u00e1 ali intera\u00e7\u00f5es em tempo real com o p\u00fablico, novos tipos de remunera\u00e7\u00e3o, formas musicais incomuns aos palcos e at\u00e9 mesmo quest\u00f5es t\u00e9cnicas \u2013transmitir uma apresenta\u00e7\u00e3o pela internet, ao contr\u00e1rio do que faz pensar o mito, pode ser uma tarefa complicada.<\/p>\n<p>Nos \u00faltimos anos, Rebillet j\u00e1 vinha tateando esse mundo que, hoje, \u00e9 conhecido como streaming ou livestream \u2013transmiss\u00f5es em v\u00eddeo feitas por pessoas comuns que englobam de um tudo, de games a mesas redondas. Produto de uma era em que plataformas como Twitch e TikTok se confundem tanto quanto g\u00eaneros, o artista domina n\u00e3o s\u00f3 essa estrutura, como sua linguagem.<\/p>\n<p>Seu estilo se alimenta da descartabilidade de v\u00eddeos e m\u00fasicas cada vez mais curtos e vem carregado de uma verve nonsense que costura temas contempor\u00e2neos como positividade t\u00f3xica e autodeprecia\u00e7\u00e3o. No caso de Rebillet, esse caldo foi dar em sess\u00f5es ao vivo no YouTube que n\u00e3o s\u00e3o apenas uma forma de divulgar seu trabalho \u2013o que costuma ser mais comum para artistas\u2013, mas tamb\u00e9m uma forma de fazer m\u00fasica.<\/p>\n<p>Um dos pontos altos dos seus v\u00eddeos, por exemplo, s\u00e3o as chamadas telef\u00f4nicas. Entre uma m\u00fasica e outra, ele atende f\u00e3s que, numa conversa fiada, lan\u00e7am temas para seus improvisos. Foi assim que Rebillet criou um gospel desses americanos sobre fazer coc\u00f4 nas cal\u00e7as e, numa outra oportunidade, improvisou um funk suingado que versava sobre vacina\u00e7\u00e3o. &#8220;Eu fiz isso baseado numa sitcom que eu gostava, &#8216;Frasier&#8217;, e gosto dessa coisa de telefone, tem uma est\u00e9tica por tr\u00e1s disso&#8221;, diz o artista.<\/p>\n<p>Sempre no calor do momento, Rebillet vai montando m\u00fasicas como se estivesse perseguindo notas, acordes e se\u00e7\u00f5es. Ele ensaia uma batida com a boca ou com o teclado, cantarola algumas frases, adiciona um trecho de melodia e, empilhando camadas, busca o que melhor se encaixa no quebra-cabe\u00e7a.<\/p>\n<p>&#8220;Quando eu estou fazendo m\u00fasica eu sinto que estou no modo sobreviv\u00eancia&#8221;, ele explica. &#8220;E vou fazendo coisas com muita energia, coisas mais tranquilas, mais doces. Eu preciso chegar a um destino, e tudo que eu fa\u00e7o \u00e9 para chegar a esse ponto.&#8221;<\/p>\n<p>\u00c9 um m\u00e9todo que, embora brinque com diferentes sons, tem uma dose de repeti\u00e7\u00e3o. Rebillet cria momentos de cl\u00edmax pouco a pouco at\u00e9 que, subitamente, corta o tema e, num sil\u00eancio suspenso, volta ao refr\u00e3o. Essa estrutura faz sucesso na m\u00fasica pop atual, mas raras vezes ela surge com o misto de despretens\u00e3o e repert\u00f3rio sofisticado do artista \u2013ele pode ir de linhas de piano de jazz cl\u00e1ssico a batidas de hip-hop em alguns poucos toques no maquin\u00e1rio.<\/p>\n<p>A pe\u00e7a-chave de suas performances \u00e9 a tal loopstation. N\u00e3o fosse por ela, Rebillet teria desistido da m\u00fasica. Ele estudou piano na adolesc\u00eancia e, depois de largar a faculdade, tentou se lan\u00e7ar como produtor musical.<\/p>\n<p>Acumulando empregos de curta dura\u00e7\u00e3o \u2013de suporte t\u00e9cnico a corretor de im\u00f3veis\u2013, o ent\u00e3o m\u00fasico desiludido se encontrou quando assistiu a uma apresenta\u00e7\u00e3o do comediante e produtor americano Reggie Watts.<\/p>\n<p>&#8220;A maneira como ele usava a loopstation me deixou maluco, era algo muito inovador e foi algo que me inspirou muito&#8221;, diz Rebillet. &#8220;Assim que fui demitido do meu \u00faltimo emprego fixo, em 2014, eu resolvi tentar aquilo em um restaurante da minha cidade que abria para shows aos fins de semana.&#8221;<\/p>\n<p>O espa\u00e7o n\u00e3o podia ser mais estranho a algu\u00e9m que havia tentado a vida no hip-hop \u2013interior dos Estados Unidos, mesas grandes, fam\u00edlias pacatas, barulho de cozinha e molecada correndo. Em uma de suas apresenta\u00e7\u00f5es, Rebillet usou o microfone para anunciar que o jipe preto estacionado na entrada do estabelecimento estava em vaga irregular. Era Dia dos Pais e, em seguida, ele emendou uma m\u00fasica com ajuda das crian\u00e7as que dan\u00e7avam ao som do seu teclado. Tudo, \u00e9 claro, transmitido pela internet.<\/p>\n<p>&#8220;Quando comecei esses shows eu tinha expectativas baixas, e era um ambiente muito \u00fanico porque ningu\u00e9m sabia muito bem o que esperar de mim&#8221;, ele lembra. &#8220;Mas os shows come\u00e7aram a encher mais e mais e a \u00faltima apresenta\u00e7\u00e3o estava lotada. Teve um cara que viajou de outro estado s\u00f3 para me ver l\u00e1, e eu nunca tinha vivido algo assim.&#8221;<\/p>\n<p>O m\u00fasico j\u00e1 vinha numa crescente de shows e turn\u00eas internacionais nos \u00faltimos cinco anos, mas o confinamento for\u00e7ado foi o empurr\u00e3o que faltava para que sua popularidade explodisse. Hoje, seu canal no YouTube acumula mais de 130 milh\u00f5es de visualiza\u00e7\u00f5es, n\u00famero consider\u00e1vel para um artista independente.<\/p>\n<p>Entre os v\u00eddeos mais vistos est\u00e3o uma curta apresenta\u00e7\u00e3o de Rebillet com a artista Erykah Badu e uma sess\u00e3o de improviso com ele, o pr\u00f3prio Reggie Watts e o produtor Flying Lotus. Esses nomes s\u00e3o refer\u00eancia na expans\u00e3o est\u00e9tica do hip-hop, cruzando com esse idioma formas jazz\u00edsticas e sonoridades de m\u00fasica eletr\u00f4nica de pista.<\/p>\n<p>&#8220;Eles s\u00e3o meus \u00eddolos&#8221;, diz Rebillet. &#8220;Conhecer todos eles e tocar com eles foi uma das maiores experi\u00eancias da minha vida.&#8221;<\/p>\n<p>Acostumado com o frisson do ao vivo, que pode ser um terreno perigoso ou um molde engessado para muitos artistas, Rebillet agora tem como desafio o exato oposto \u2013gravar um disco de est\u00fadio, num ambiente totalmente controlado. Esse processo, ele conta, demanda t\u00e9cnicas e habilidades que n\u00e3o fazem parte do seu dia a dia de streaming. Nos \u00faltimos meses, ele tamb\u00e9m tem ensaiado para sua pr\u00f3xima turn\u00ea, que passar\u00e1 por Estados Unidos e Europa.<\/p>\n<p>O m\u00fasico n\u00e3o descarta uma vinda ao Brasil antes de se lan\u00e7ar no projeto do disco. Muitos f\u00e3s brasileiros comentam no seu canal do YouTube, e alguns at\u00e9 enviam dinheiro e novos roup\u00f5es para o artista. Boatos de que ele estaria no Lollapalooza em 2022, contudo, s\u00e3o desmentidos pelo pr\u00f3prio. &#8220;Meu nome est\u00e1 muito pequeno nesse cartaz que est\u00e1 circulando por a\u00ed&#8221;, diz ele, fazendo gra\u00e7a.<\/p>\n<p>Not\u00edcias ao Minuto Brasil &#8211; Cultura<br \/>\n<a href=\"https:\/\/www.noticiasaominuto.com.br\/ultima-hora\/1848519\/quem-e-marc-rebillet-dj-e-youtuber-que-ficou-famoso-ao-fazer-shows-so-de-cueca?utm_source=rss-cultura&amp;amp;utm_medium=rss&amp;amp;utm_campaign=rssfeed\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Read More<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>PARIS, FRAN\u00c7A (FOLHAPRESS) &#8211; Mais de cem roup\u00f5es. 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