{"id":36273,"date":"2021-10-02T14:10:13","date_gmt":"2021-10-02T17:10:13","guid":{"rendered":"http:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/2021\/10\/02\/estudos-novelas-e-lingua-em-comum-atraem-imigrantes-de-paises-lusofonos-ao-brasil\/"},"modified":"2021-10-02T14:10:13","modified_gmt":"2021-10-02T17:10:13","slug":"estudos-novelas-e-lingua-em-comum-atraem-imigrantes-de-paises-lusofonos-ao-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/2021\/10\/02\/estudos-novelas-e-lingua-em-comum-atraem-imigrantes-de-paises-lusofonos-ao-brasil\/","title":{"rendered":"Estudos, novelas e l\u00edngua em comum atraem imigrantes de pa\u00edses lus\u00f3fonos ao Brasil"},"content":{"rendered":"<p>FL\u00c1VIA MANTOVANI<br \/>S\u00c3O PAULO, SP (FOLHAPRESS) &#8211; Acostumada a ver o Brasil nas novelas e nos programas das TVs Globo e Record, a angolana L\u00facia Destineza, 29, estranhou o que viu quando chegou a S\u00e3o Paulo e foi morar em Artur Alvim, na zona leste.<\/p>\n<div class=\"dummyPub\"><\/div>\n<p>&#8220;Achava que as casas eram como as da novela, mas encontrei outra realidade&#8221;, lembra. &#8220;No princ\u00edpio fiquei um pouco decepcionada. Mas hoje n\u00e3o me imagino morando em outra cidade. Amo S\u00e3o Paulo de paix\u00e3o.&#8221;<\/p>\n<p>Assim como muitos imigrantes de Angola e de outros pa\u00edses de l\u00edngua portuguesa, L\u00facia veio ao Brasil para estudar. Chegou com um grupo de sete jovens, todos membros da Igreja Batista de Angola, que tem um conv\u00eanio com uma faculdade brasileira.<\/p>\n<p>Para realizar o sonho de ser profissional de sa\u00fade, ela primeiro cursou tecnologia em radiologia e hoje complementa sua forma\u00e7\u00e3o em um curso t\u00e9cnico em enfermagem. &#8220;O diploma brasileiro \u00e9 valorizado no meu pa\u00eds. Gosto da metodologia de aulas e da capacita\u00e7\u00e3o dos professores daqui.&#8221;<\/p>\n<p>Junto com um grupo de amigas de Angola e de Cabo Verde, L\u00facia participa do Vindas d&#8217;\u00c1frica, iniciativa que promove a arte, a gastronomia, brincadeiras e dan\u00e7as tradicionais de seus pa\u00edses.<\/p>\n<p>O interesse na \u00e1rea art\u00edstica est\u00e1 entre os motivos que a levaram a escolher o Brasil para morar. &#8220;A gente tem um hist\u00f3rico em comum. O Brasil foi o primeiro pa\u00eds a reconhecer a independ\u00eancia de Angola, estamos ligados na cultura, na gastronomia, na dan\u00e7a. \u00c9 um pa\u00eds que nos beneficia n\u00e3o s\u00f3 pela l\u00edngua.&#8221;<\/p>\n<p>Angolanos foram os que mais migraram para o Brasil nos \u00faltimos cinco anos entre habitantes de pa\u00edses lus\u00f3fonos, mostra levantamento do Observat\u00f3rio das Migra\u00e7\u00f5es Internacionais a pedido do jornal Folha de S.Paulo.<\/p>\n<p>Segundo os dados -que incluem solicitantes de ref\u00fagio, refugiados reconhecidos e demais imigrantes com Registro Nacional Migrat\u00f3rio-, a migra\u00e7\u00e3o vinda de pa\u00edses de l\u00edngua portuguesa foi um movimento crescente at\u00e9 2015, quando atingiu seu pico. At\u00e9 ent\u00e3o, Portugal era o primeiro pa\u00eds de origem entre eles, com os angolanos em segundo lugar.<\/p>\n<p>A partir de 2016, o n\u00famero de portugueses chegando ao Brasil sofreu uma queda abrupta, enquanto o de angolanos seguiu subindo at\u00e9 2017. Depois disso, o fluxo geral se reduziu, acompanhando o decl\u00ednio na chegada de imigrantes de todas as nacionalidades ao Brasil -devido \u00e0 maior taxa de desemprego decorrente da crise econ\u00f4mica e \u00e0 falta de pol\u00edticas de atra\u00e7\u00e3o para estrangeiros qualificados.<\/p>\n<p>&#8220;Pelo censo de 2010, portugueses eram 23% da popula\u00e7\u00e3o estrangeira no Brasil e 93% do grupo dos lus\u00f3fonos&#8221;, diz o dem\u00f3grafo Wilson Fusco, pesquisador da Funda\u00e7\u00e3o Joaquim Nabuco e coordenador do dossi\u00ea &#8220;Migra\u00e7\u00e3o em Pa\u00edses Lus\u00f3fonos&#8221;. &#8220;Mas avaliando quem chegou h\u00e1 menos de um ano, Portugal cai para o terceiro maior volume, representando 8%, e aumenta muito a import\u00e2ncia de Angola, Cabo Verde e Guin\u00e9 Bissau como origem de fluxos migrat\u00f3rios para o Brasil.&#8221;<\/p>\n<p>Muitos desses novos fluxos s\u00e3o de pessoas que v\u00eam ao Brasil em busca de oportunidades de estudos. Tanto que o \u00faltimo Censo da Educa\u00e7\u00e3o Superior, de 2019, mostra que angolanos est\u00e3o em primeiro lugar na lista de nacionalidades de alunos estrangeiros no pa\u00eds -s\u00e3o 10% do total. Guin\u00e9 Bissau aparece em s\u00e9timo, depois de Jap\u00e3o, Paraguai, Bol\u00edvia, Argentina e Peru, muito mais populosos ou pr\u00f3ximos ao Brasil.<\/p>\n<p>&#8220;Se comparamos com a popula\u00e7\u00e3o [de menos de 2 milh\u00f5es], ter essa quantidade no Brasil \u00e9 muito importante, pois mostra que uma grande parte de guineenses escolheu vir para c\u00e1&#8221;, diz Fusco. Ele tamb\u00e9m chama a aten\u00e7\u00e3o para o caso de Cabo Verde: com popula\u00e7\u00e3o de apenas 555 mil, \u00e9 o 15\u00ba pa\u00eds da lista de estudantes estrangeiros no Brasil.<\/p>\n<p>Guin\u00e9 Bissau e Cabo Verde s\u00e3o justamente as duas principais origens dos participantes de um dos mais tradicionais programas brasileiros de interc\u00e2mbio estudantil, o PEC-G. Existente desde 1965, recebe jovens de 59 pa\u00edses para cursar gradua\u00e7\u00e3o em universidades brasileiras. De 2000 a 2019, vieram 3.169 guineenses e 1.416 cabo-verdianos, al\u00e9m de 753 angolanos (quarto lugar nessa lista, atr\u00e1s dos peruanos).<\/p>\n<p>Desde 2011, o Brasil tem tamb\u00e9m uma institui\u00e7\u00e3o de ensino superior voltada especificamente para a integra\u00e7\u00e3o com os demais pa\u00edses de l\u00edngua portuguesa: a Unilab (Universidade da Integra\u00e7\u00e3o Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira). A procura pelas vagas para estrangeiros vem crescendo desde ent\u00e3o: se no primeiro ano s\u00f3 43 pessoas fizeram a sele\u00e7\u00e3o para as 61 vagas abertas, no ano seguinte j\u00e1 eram 200 e, em 2013, mais de 1.500. Em 2020, 5.567 pessoas tentaram as 143 vagas dispon\u00edveis.<\/p>\n<p>A Unilab tem unidades no Cear\u00e1 e na Bahia, e talvez por isso esses dois estados estejam entre os cinco com mais registros de imigrantes lus\u00f3fonos no Brasil (Cear\u00e1 em terceiro lugar, e Bahia, em quinto).<\/p>\n<p>Segundo Fusco, s\u00e3o v\u00e1rios os elementos que atraem os imigrantes de pa\u00edses lus\u00f3fonos africanos ao Brasil. &#8220;Al\u00e9m de programas como o PEC-G, tem a l\u00edngua, o passado colonial em comum, at\u00e9 a nossa novela, que l\u00e1 na \u00c1frica \u00e9 muito presente. Esses aspectos culturais facilitam a decis\u00e3o de vir para c\u00e1.&#8221;<\/p>\n<p>Portugal tamb\u00e9m \u00e9 um destino para eles, mas o custo de vida acaba tornando o pa\u00eds europeu inacess\u00edvel para os que n\u00e3o s\u00e3o de elite. &#8220;Geralmente, pessoas de pa\u00edses com IDH baixo migram para pa\u00edses de IDH m\u00e9dio. No Brasil, eles conseguem se sustentar com mais facilidade.&#8221;<\/p>\n<p>A partir dos anos 2000, acordos bilaterais com pa\u00edses africanos, com investimentos e amplia\u00e7\u00e3o da rede consular no continente, tamb\u00e9m geraram um movimento nos dois sentidos: muitos profissionais qualificados brasileiros trabalharam em projetos em Angola e Mo\u00e7ambique, por exemplo, e o n\u00famero de africanos em situa\u00e7\u00e3o regular no Brasil cresceu e se diversificou na primeira d\u00e9cada do mil\u00eanio.<\/p>\n<p>Com o tempo, as caracter\u00edsticas desse tipo de migra\u00e7\u00e3o v\u00eam se alterando. Se no in\u00edcio vinham principalmente homens jovens solteiros, agora j\u00e1 chegam tamb\u00e9m fam\u00edlias. Segundo o censo da Educa\u00e7\u00e3o B\u00e1sica, em 2020 havia 1.100 crian\u00e7as angolanas matriculadas em escolas brasileiras, sendo a 15\u00aa nacionalidade mais comum.<\/p>\n<p>&#8220;Isso acontece em outros fluxos, como o de brasileiros nos EUA, por exemplo. Aos poucos deixa de ter s\u00f3 gente solteira, vai equilibrando a propor\u00e7\u00e3o entre os sexos, a migra\u00e7\u00e3o se torna mais familiar&#8221;, observa.<\/p>\n<p>No caso das mulheres angolanas, um fen\u00f4meno curioso tem sido registrado nos \u00faltimos anos: muitas delas t\u00eam vindo gr\u00e1vidas para ter seus filhos no Brasil ou para se submeterem a tratamentos de fertiliza\u00e7\u00e3o. Elas costumam viajar sem os companheiros, sozinhas ou com parentes e amigas, principalmente para a cidade de S\u00e3o Paulo, conforme relata o estudo &#8220;Mulheres angolanas no Brasil: reflex\u00f5es sobre migra\u00e7\u00f5es, g\u00eanero e maternidade&#8221;, que ouviu 22 delas.<\/p>\n<p>Entre as gestantes, a inten\u00e7\u00e3o \u00e9 ter uma melhor assist\u00eancia no parto e tamb\u00e9m que a crian\u00e7a adquira a nacionalidade brasileira, algo valorizado em Angola. A maioria volta para o pa\u00eds de origem ap\u00f3s o nascimento do beb\u00ea. J\u00e1 as que t\u00eam dificuldade de engravidar e buscam o Brasil para reprodu\u00e7\u00e3o assistida permanecem no pa\u00eds durante o tratamento ou v\u00e3o e voltam com frequ\u00eancia para se submeter aos procedimentos. Geralmente s\u00e3o mulheres com boas condi\u00e7\u00f5es socioecon\u00f4micas que consideram o Brasil um pa\u00eds com medicina de ponta nessa \u00e1rea.<\/p>\n<p>J\u00e1 a migra\u00e7\u00e3o mais recente de portugueses para o Brasil se intensificou ap\u00f3s uma s\u00e9rie de acordos geopol\u00edticos entre os dois pa\u00edses no come\u00e7o dos anos 2000, que facilitaram a regulariza\u00e7\u00e3o dos dois lados. Eles vieram especialmente no per\u00edodo de recess\u00e3o no pa\u00eds europeu, entre 2005 e 2014, quando a economia brasileira estava pujante.<\/p>\n<p>&#8220;A maioria deles foi para outros pa\u00edses da Europa, o Brasil n\u00e3o era o destino principal. Mas vieram muitas pessoas de classes mais altas, que tiveram suas qualifica\u00e7\u00f5es profissionais muito bem aproveitadas no Brasil -algo que n\u00e3o acontece quando o brasileiro vai para l\u00e1&#8221;, aponta Fusco.<\/p>\n<p>Segundo o pesquisador, \u00e9 preciso levar em conta tamb\u00e9m que o n\u00famero de portugueses que migram para o Brasil inclui tamb\u00e9m os filhos dos retornados, ou seja, imigrantes brasileiros que voltaram do pa\u00eds europeu junto com a fam\u00edlia. &#8220;Muitos dos imigrantes registrados como nascidos em Portugal e em outros pa\u00edses desenvolvidos, como EUA, It\u00e1lia, Fran\u00e7a, Espanha e Reino Unido, s\u00e3o, na verdade, o que os dem\u00f3grafos chamam de efeito indireto da migra\u00e7\u00e3o de retorno. S\u00e3o filhos, filhas e c\u00f4njuges de pessoas nascidas no Brasil que v\u00eam para c\u00e1 quando o migrante brasileiro retorna.&#8221;<\/p>\n<p>Not\u00edcias ao Minuto Brasil &#8211; Mundo<br \/>\n<a href=\"https:\/\/www.noticiasaominuto.com.br\/mundo\/1847927\/estudos-novelas-e-lingua-em-comum-atraem-imigrantes-de-paises-lusofonos-ao-brasil?utm_source=rss-mundo&amp;amp;utm_medium=rss&amp;amp;utm_campaign=rssfeed\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Read More<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>FL\u00c1VIA MANTOVANIS\u00c3O PAULO, SP (FOLHAPRESS) &#8211; Acostumada a ver o Brasil nas novelas e nos<\/p>\n","protected":false},"author":0,"featured_media":36274,"comment_status":"","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[],"class_list":["post-36273","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-mundo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/36273","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=36273"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/36273\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/36274"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=36273"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=36273"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=36273"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}