{"id":3507,"date":"2021-04-03T14:08:21","date_gmt":"2021-04-03T17:08:21","guid":{"rendered":"http:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/2021\/04\/03\/artistas-espalham-esqueletos-de-peruca-e-letreiros-gigantes-por-desertos-dos-eua\/"},"modified":"2021-04-03T14:08:21","modified_gmt":"2021-04-03T17:08:21","slug":"artistas-espalham-esqueletos-de-peruca-e-letreiros-gigantes-por-desertos-dos-eua","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/2021\/04\/03\/artistas-espalham-esqueletos-de-peruca-e-letreiros-gigantes-por-desertos-dos-eua\/","title":{"rendered":"Artistas espalham esqueletos de peruca e letreiros gigantes por desertos dos EUA"},"content":{"rendered":"<p>Foi s\u00f3 deixar o esqueleto sozinho por alguns minutos nas areias de Bombay Beach, numa poltrona cor-de-rosa desfacelada, que logo brotaram curiosos de celulares na m\u00e3o.<\/p>\n<div class=\"dummyPub\"><\/div>\n<p>A praia, a tr\u00eas horas de carro de Los Angeles ou de San Diego, n\u00e3o tem nada de paradis\u00edaca. Suas \u00e1guas s\u00e3o t\u00f3xicas e malcheirosas, e h\u00e1 peixes mortos \u00e0s margens. Mas o local \u00e9 um ponto de encontro popular no deserto do sul da Calif\u00f3rnia para gente interessada em arte, algo intensificado no \u00faltimo ano com o fechamento de espa\u00e7os culturais vizinhos.<\/p>\n<p>Ao lado do esqueleto com cabe\u00e7a de carneiro, que parece acenar ao espectador, estava uma torre apelidada de &#8220;bonolito&#8221;. Instalada por um artista desconhecido, \u00e9 provavelmente uma s\u00e1tira ao mon\u00f3lito de metal que apareceu no deserto de Utah em novembro. Havia tamb\u00e9m um antigo balan\u00e7o de madeira nas \u00e1guas rasas e um letreiro na areia com os dizeres filos\u00f3ficos: &#8220;a \u00fanica outra coisa \u00e9 o nada&#8221;.<\/p>\n<p>O cen\u00e1rio apocal\u00edptico parece perfeito para os tempos atuais, embora o artista e pesquisador de arte Paul Koudounaris prefira chamar suas cria\u00e7\u00f5es de &#8220;fantasias arqueol\u00f3gicas&#8221;. Ele \u00e9 o dono do esqueleto em quest\u00e3o, um antigo e pesado modelo anat\u00f4mico feito de cer\u00e2mica. O artista leva o &#8220;companheiro&#8221; para posar em cen\u00e1rios pelo deserto, \u00e0s vezes com perucas coloridas e caudas cintilantes de sereia.<\/p>\n<p>Especialista em oss\u00e1rios e ritos funer\u00e1rios, Koudounaris passou a \u00faltima d\u00e9cada percorrendo o mundo para fazer tr\u00eas livros sobre os temas. Com a pandemia, passou a explorar mais a regi\u00e3o onde mora, que engloba o parque nacional Joshua Tree, o vale Coachella e o deserto Mojave. Em vez de ossos, agora busca ru\u00ednas deixadas pelas vilas de minera\u00e7\u00e3o da corrida pelo ouro do s\u00e9culo 19.<\/p>\n<p>O que ele descobre desses lugares, posta no Instagram. De quebra, incorpora seu esqueleto para criar fotografias que deslocam o espectador para outra dimens\u00e3o. Longe do macabro, a maioria de suas imagens tem senso de humor, ainda que algumas sejam inspiradas em quadros religiosos renascentistas.<br \/>\u00c0s vezes, \u00e9 seu gato de estima\u00e7\u00e3o Walter que serve de modelo, dentro de um curioso bagageiro que o transforma num gato-astronauta.<\/p>\n<p>&#8220;O deserto ainda \u00e9, de certa forma, o Velho Oeste. H\u00e1 tanta coisa aqui que foi esquecida&#8221;, diz Koudounaris. &#8220;Desertos t\u00eam essa personalidade estranha meio tr\u00e1gica. Voc\u00ea nunca vai derrotar o deserto, ele sempre vence. No fim, tudo \u00e9 reduzido a deserto. \u00c9 um poder que atrai e desperta uma imagina\u00e7\u00e3o rom\u00e2ntica.&#8221;<\/p>\n<p>Em lugares de acesso mais f\u00e1cil, como Bombay Beach, \u00e9 dif\u00edcil n\u00e3o cruzar com visitantes, a maioria de c\u00e2mera na m\u00e3o.<\/p>\n<p>Apesar da paisagem \u00e1rida, o local \u00e9 rico em hist\u00f3ria. Criada por acidente em 1905, quando desviavam \u00e1gua do rio Colorado, a lagoa Salton Sea foi um resort popular nos anos 1950. Tr\u00eas d\u00e9cadas depois, se transformou em praia fantasma com a degrada\u00e7\u00e3o das \u00e1guas, resultado de alta salinidade, seca e polui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Com o tempo, artistas encontraram potencial para o lugar, cuja toxicidade e saliniza\u00e7\u00e3o d\u00e3o cores especiais a suas \u00e1guas e margens espumosas. No \u00faltimo ano, as interven\u00e7\u00f5es se multiplicaram. Instala\u00e7\u00f5es surgem do dia para a noite pelas areias. &#8220;Confunde a defini\u00e7\u00e3o do que \u00e9 arte. A arte torna-se parte da vida di\u00e1ria, e a vida di\u00e1ria, parte da arte&#8221;, diz Koudounaris.<\/p>\n<p>Para ele, a pandemia criou um certo renascimento de obras de arte na regi\u00e3o. &#8220;N\u00e3o precisamos ficar parados em rever\u00eancia olhando para uma vitrine de vidro de museu. Aqui podemos fazer parte da arte e do processo criativo.&#8221;<\/p>\n<p>Koudounaris tamb\u00e9m faz funerais para animais mortos que encontra nas estradas. Ele registra as cenas em fotografias que n\u00e3o considera arte e sim uma forma de luto. A alta mortalidade n\u00e3o \u00e9 necessariamente relativa aos turistas e sim pelos inc\u00eandios de 2020. Ele afirma que muitos animais migraram para c\u00e1 e ainda est\u00e3o descobrindo seus novos habitats.<\/p>\n<p>Desde os anos 1960, os desertos da costa oeste americana atraem artistas em busca de grandes espa\u00e7os remotos longe das garras das institui\u00e7\u00f5es culturais.<\/p>\n<p>Hoje, o movimento \u00e9 tamb\u00e9m o oposto. Artistas s\u00e3o levados ao deserto por institui\u00e7\u00f5es culturais, como a Desert X, uma bienal que come\u00e7ou aqui em 2017 e ganhou uma edi\u00e7\u00e3o num deserto da Ar\u00e1bia Saudita em 2020.<\/p>\n<p>&#8220;O deserto traz uma ideia de possibilidade ilimitada e, talvez, de escrut\u00ednio existencial&#8221;, diz um de seus curadores, Neville Wakefield. &#8220;\u00c9 um lugar de descoberta justamente porque n\u00e3o tem a intensa presen\u00e7a social e arquitet\u00f4nica que distraem em ambientes onde h\u00e1 maior concentra\u00e7\u00e3o humana.&#8221;<\/p>\n<p>A terceira edi\u00e7\u00e3o californiana abriu em mar\u00e7o e vai at\u00e9 maio, com 13 trabalhos espalhados pelo vale Coachella por artistas de oito pa\u00edses. Judy Chicago, uma das pioneiras da land art, far\u00e1 uma de suas esculturas de fuma\u00e7a numa performance em abril. Doug Aitken, John Gerrard, o coletivo Superflex e at\u00e9 uma brasileira, a mineira Cinthia Marcelle, participaram das bienais anteriores.<\/p>\n<p>A edi\u00e7\u00e3o \u00e9 mais compacta, com menos trabalhos e em locais mais pr\u00f3ximos um dos outros para facilitar o transporte e dar mais tempo \u00e0 introspec\u00e7\u00e3o. &#8220;Queremos explorar o deserto como um lugar feito de camadas de hist\u00f3rias acumuladas ao longo do tempo, semelhante \u00e0s camadas geol\u00f3gicas daqui&#8221;, diz Wakefield.<br \/>&#8220;Assim, chegamos a certos temas relacionados a justi\u00e7a social, narrativas ambientais e imigra\u00e7\u00e3o. \u00c9 uma explora\u00e7\u00e3o tanto da paisagem social quanto da f\u00edsica.&#8221;<\/p>\n<p>Entre os artistas selecionados, est\u00e3o o angeleno Eduardo Sarabia, com um labirinto em grande escala feito de fibra de palmeira por artes\u00e3os locais, e Nicholas Galanin, do Alasca, que aborda a quest\u00e3o dos monumentos e do direito \u00e0 terra com um gigantesco letreiro que diz &#8220;Indian Land&#8221;, similiar ao de Hollywood. H\u00e1 outros tr\u00eas artistas latinos: argentina Vivian Suter, o colombiano Oscar Murillo e o mexicano Felipe Baeza.<\/p>\n<p>Os trabalhos da Desert X s\u00e3o tempor\u00e1rios, mas h\u00e1 muitas cria\u00e7\u00f5es permanentes para explorar na regi\u00e3o, al\u00e9m mesmo de Bombay Beach, que, ali\u00e1s, tamb\u00e9m tem sua bienal em anos intercalados \u00e0 Desert X.<\/p>\n<p>J\u00e1 na cidade de Joshua Tree, o artista Noah Purifoy, morto em 2004, passou seus \u00faltimos 15 anos de vida montando instala\u00e7\u00f5es de ferro-velho num terreno, hoje conhecido como Outdoor Museum. \u00c9 um espa\u00e7o sem cercas, sem c\u00e2meras e com entrada gratuita.<\/p>\n<p>Apesar de escondido nas franjas da cidade, onde casas e trailers ficam cada vez mais espa\u00e7ados e o deserto d\u00e1 as caras, o museu passou a receber mais visitantes no \u00faltimo ano. &#8220;Sabemos que o fluxo de pessoas segue bom porque a quantidade de doa\u00e7\u00f5es na entrada continua boa&#8221;, diz Joe Lewis, presidente da Noah Purifoy Foundation.<\/p>\n<p>&#8220;Nosso \u00fanico problema \u00e9 que \u00e0s vezes as pessoas v\u00eam aqui para beber \u00e0 noite. Fora isso, n\u00e3o h\u00e1 vandalismo&#8221;, continua. Os trabalhos ficam expostos ao calor e \u00e0 neve, fazendo com que alguns materiais se desintegrem. &#8220;Noah dizia que era sua colabora\u00e7\u00e3o com o meio ambiente. Mas fazemos uma manuten\u00e7\u00e3o anual.&#8221;<\/p>\n<p>A 30 minutos de carro de Bombay Beach, est\u00e1 outro cl\u00e1ssico do deserto californiano, a Salvation Mountain, onde um artista local converteu uma encosta numa pintura de 15 metros dedicada a Jesus. Foi justamente aqui que Koudounaris cruzou com um grupo de modelos quando se preparava para fotografar seu gato.<\/p>\n<p>&#8220;Elas queriam tirar foto com ele, mas n\u00e3o deixei&#8221;, diz, rindo. &#8220;Honestamente, esses encontros fazem parte da beleza do que vemos aqui. O deserto n\u00e3o \u00e9 um lugar est\u00e1tico, estagnado. \u00c9 um quadro vivo.&#8221;<\/p>\n<p>Not\u00edcias ao Minuto Brasil &#8211; Mundo<br \/>\n<a href=\"https:\/\/www.noticiasaominuto.com.br\/ultima-hora\/1792028\/artistas-espalham-esqueletos-de-peruca-e-letreiros-gigantes-por-desertos-dos-eua?utm_source=rss-mundo&amp;amp;utm_medium=rss&amp;amp;utm_campaign=rssfeed\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Read More<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Foi s\u00f3 deixar o esqueleto sozinho por alguns minutos nas areias de Bombay Beach, numa<\/p>\n","protected":false},"author":0,"featured_media":3508,"comment_status":"","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[],"class_list":["post-3507","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-mundo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3507","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3507"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3507\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/3508"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3507"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3507"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3507"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}