{"id":3485,"date":"2021-04-03T12:18:46","date_gmt":"2021-04-03T15:18:46","guid":{"rendered":"http:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/2021\/04\/03\/ex-atleta-brasileiro-sobrevive-fazendo-entregas-por-aplicativo\/"},"modified":"2021-04-03T12:18:46","modified_gmt":"2021-04-03T15:18:46","slug":"ex-atleta-brasileiro-sobrevive-fazendo-entregas-por-aplicativo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/2021\/04\/03\/ex-atleta-brasileiro-sobrevive-fazendo-entregas-por-aplicativo\/","title":{"rendered":"Ex-atleta brasileiro sobrevive fazendo entregas por aplicativo"},"content":{"rendered":"<p>Trabalhar como entregador de aplicativo n\u00e3o estava nos planos do ex-atleta Ca\u00edque Palma de Souza, de 23 anos. Mesmo que estivesse, ele teria dificuldades para executar tal tarefa. N\u00e3o existe uma categoria espec\u00edfica para deficientes f\u00edsicos dentro dos aplicativos. A bicicleta era a op\u00e7\u00e3o mais pr\u00f3xima de sua realidade. Apesar de n\u00e3o poder us\u00e1-la, foi nela que ele se cadastrou para fazer entregas em Paul\u00ednia, cidade do interior de S\u00e3o Paulo. \u00c9 sobre duas rodas paralelas que ele se desloca. Ca\u00edque \u00e9 cadeirante.<\/p>\n<div class=\"dummyPub\"><\/div>\n<p>As dificuldades impostas pela pandemia fizeram com que Ca\u00edque, um dia velocista de destaque, passasse a fazer entregas. Isso porque sua m\u00e3e perdeu o emprego. Aos 57 anos, ela trabalhava como diarista em rep\u00fablicas pr\u00f3ximas \u00e0 Universidade Estadual de Campinas, a Unicamp. Sem aulas presenciais, n\u00e3o havia mais o que limpar.<\/p>\n<p>Ca\u00edque, ent\u00e3o, decidiu fazer entregas. A cadeira de rodas, sua companheira de grandes conquistas, &#8220;115 medalhas&#8221;, segundo suas contas, passou a ter outra fun\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8220;Um dia, um amigo esqueceu a &#8216;bag&#8217; (apelido dado \u00e0 mochila que os entregadores usam) aqui em casa&#8221;, relata. &#8220;Como j\u00e1 tinha tentado de tudo, sabia que do aplicativo n\u00e3o ouviria o &#8216;n\u00e3o'&#8221;. Bastou um simples cadastro. Ele sequer precisou omitir que era deficiente.<\/p>\n<p>Nos \u00faltimos dois meses, Ca\u00edque j\u00e1 passou por quase tudo nas ruas de Paul\u00ednia com a bag nas costas. Chegou a percorrer 4,5 km em um \u00fanico dia, enfrentou o ardido sol do ver\u00e3o do interior de S\u00e3o Paulo e as fortes chuvas que acompanham os fins de tarde da esta\u00e7\u00e3o. Mas, n\u00e3o desanima. &#8220;O f\u00edsico de atleta ainda ajuda&#8221;, diz.<\/p>\n<p>Por 10 anos, Ca\u00edque se dedicou ao paratletismo. Ele nasceu com uma malforma\u00e7\u00e3o rara e irrevers\u00edvel na coluna chamada mielomeningocele. \u00c9 esse defeito cong\u00eanito que provoca a aus\u00eancia de movimentos nas pernas. Ele diz que a inf\u00e2ncia, apesar das circunst\u00e2ncias, foi normal. &#8220;Meus pais sempre fizeram de tudo para que fosse como a das outras crian\u00e7as&#8221;, diz, orgulhoso.<\/p>\n<p>Ca\u00edque sempre foi muito ativo. Tanto que entrou cedo no esporte. Aos sete anos, j\u00e1 praticava basquete. Aos nove, r\u00fagbi. Mais tarde, aos 12, ele havia se mudado de Campinas para Paul\u00ednia e iniciou no paratletismo, mais precisamente no arremesso de peso, disco e dardo. Logo largou. Isso porque durante sua primeira competi\u00e7\u00e3o viu os velocistas em suas cadeiras de corrida e se apaixonou. &#8220;Foi amor \u00e0 primeira vista&#8221;, conta.<\/p>\n<p>No mesmo ano, foi campe\u00e3o brasileiro juvenil. Tr\u00eas anos mais tarde, atingiu o \u00edndice adulto. Ca\u00edque, por\u00e9m, n\u00e3o encontrou patrocinadores que o ajudassem com as despesas do esporte. &#8220;Mesmo sendo bolsista da sele\u00e7\u00e3o, era muito caro&#8221;, lamenta. A manuten\u00e7\u00e3o dos pneus da cadeira de rodas lhe custava R$ 500 por m\u00eas. Sua especialidade era a prova de 100 metros, onde obteve expressivos resultados em competi\u00e7\u00f5es nacionais e internacionais organizadas pelo Comit\u00ea Paral\u00edmpico Brasileiro.<\/p>\n<p>Sem conseguir arcar com as despesas, Ca\u00edque decidiu abandonar as competi\u00e7\u00f5es. Seu foco at\u00e9 janeiro era exclusivamente os estudos. Ele cursa Educa\u00e7\u00e3o F\u00edsica e est\u00e1 perto de se formar. Seu sonho \u00e9 voltar a ser atleta e, um dia, quem sabe, se tornar um grande treinador. &#8220;Quero dar o incentivo que eu n\u00e3o tive aos meus alunos&#8221;, diz.<\/p>\n<p>Enquanto esse dia n\u00e3o chega, Ca\u00edque continua fazendo entregas. H\u00e1 dias bons e dias ruins. Os piores s\u00e3o aqueles de muito sol ou de muita chuva. Ao <strong>Estad\u00e3o<\/strong>, o iFood informou que &#8220;desenvolve recursos em seu aplicativo para pessoas com algum tipo de defici\u00eancia&#8221;. Pesquisa sobre acessibilidade realizada com os entregadores parceiros cadastrados revelou que cerca de 1% dos entrevistados possui algum tipo de defici\u00eancia, sendo a maioria auditiva.<\/p>\n<p>A empresa diz que entende a exist\u00eancia de &#8220;uma demanda espec\u00edfica para entregadores com mobilidade reduzida&#8221; e refor\u00e7a que trabalha &#8220;constantemente, como sempre esteve, em solu\u00e7\u00f5es inclusivas para os parceiros e vai analisar outras iniciativas para melhorar a experi\u00eancia dos entregadores, sempre baseadas em escuta ativa e constante&#8221;.<\/p>\n<p>No fim deste m\u00eas, Ca\u00edque fechou parceria com uma plataforma de entregas por aplicativo, que atua em cidades do interior. Ele deixar\u00e1 de ser entregador e ter\u00e1 a sua pr\u00f3pria franquia, em Paul\u00ednia. Atualmente, ele passa por um processo de treinamento.<\/p>\n<p>Not\u00edcias ao Minuto Brasil &#8211; Esporte<br \/>\n<a href=\"https:\/\/www.noticiasaominuto.com.br\/esporte\/1792024\/ex-atleta-sobrevive-fazendo-entregas-por-aplicativo-em-cadeira-de-rodas?utm_source=rss-esporte&amp;amp;utm_medium=rss&amp;amp;utm_campaign=rssfeed\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Read More<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Trabalhar como entregador de aplicativo n\u00e3o estava nos planos do ex-atleta Ca\u00edque Palma de Souza,<\/p>\n","protected":false},"author":0,"featured_media":3486,"comment_status":"","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[3],"tags":[],"class_list":["post-3485","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-esportes"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3485","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3485"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3485\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/3486"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3485"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3485"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3485"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}