{"id":33995,"date":"2021-09-19T11:08:31","date_gmt":"2021-09-19T14:08:31","guid":{"rendered":"http:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/2021\/09\/19\/brasileira-morre-na-fronteira-entre-eua-e-mexico-apos-ser-abandonada-no-deserto\/"},"modified":"2021-09-19T11:08:31","modified_gmt":"2021-09-19T14:08:31","slug":"brasileira-morre-na-fronteira-entre-eua-e-mexico-apos-ser-abandonada-no-deserto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/2021\/09\/19\/brasileira-morre-na-fronteira-entre-eua-e-mexico-apos-ser-abandonada-no-deserto\/","title":{"rendered":"Brasileira morre na fronteira entre EUA e M\u00e9xico ap\u00f3s ser abandonada no deserto"},"content":{"rendered":"<p>FL\u00c1VIA MANTOVANI<br \/>S\u00c3O PAULO, SP (FOLHAPRESS) &#8211; &#8220;Eu dormi aqui, eu n\u00e3o aguentei, eu t\u00f4 sozinha. Mas eles est\u00e3o vindo me buscar. Eu t\u00f4 chegando, falta um pouquinho s\u00f3 para eu chegar. Eu n\u00e3o aguentei.&#8221;<\/p>\n<div class=\"dummyPub\"><\/div>\n<p>Com essas mensagens de voz enviadas pelo celular, a enfermeira Lenilda dos Santos, 49, avisou a familiares que tinha sido abandonada no deserto na fronteira do M\u00e9xico com os Estados Unidos. Eram 15h25 do dia 7 de setembro, uma ter\u00e7a-feira, e desde as 4h da manh\u00e3 de domingo ela estava com tr\u00eas amigos e mais um coiote mexicano na caminhada que a levaria at\u00e9 o sonho de morar nos Estados Unidos mesmo sem ter o visto de entrada.<\/p>\n<p>Dois minutos depois, ela n\u00e3o respondeu mais, apesar de visualizar as mensagens que a fam\u00edlia enviava desde Vale do Para\u00edso, cidade com menos de 10 mil habitantes em Rond\u00f4nia. \u00c0s 17h08, Lenilda enviou a localiza\u00e7\u00e3o de onde estava. Uma semana depois, na quarta-feira (15), \u00e0s 16h16, seu corpo foi encontrado.<\/p>\n<p>A ajuda que Lenilda esperava nunca chegou. Quem conta \u00e9 o irm\u00e3o dela, o pecuarista Leci Pereira, 48, que sabe de cor o hor\u00e1rio exato de cada mensagem. Segundo ele, a brasileira foi abandonada pelo grupo porque passou mal durante a \u00e1rdua caminhada.<\/p>\n<p>&#8220;Largaram ela para tr\u00e1s. S\u00e3o pessoas que foram criadas junto com a gente, que conhecemos h\u00e1 mais de 30 anos. Ela confiou que eles iam voltar para busc\u00e1-la&#8221;, diz Pereira. &#8220;Eles me falaram que n\u00e3o aguentaram carregar ela, que n\u00e3o teve o que fazer. Se sentiram culpados, me pediram perd\u00e3o, mas ser\u00e1 que eles conseguem colocar a cabe\u00e7a no travesseiro e dormir sossegados?&#8221;<\/p>\n<p>Segundo ele, Lenilda enviou \u00e1udios aos amigos pedindo \u00e1gua. &#8220;Manda ela trazer uma \u00e1gua pra mim que eu n\u00e3o t\u00f4 aguentando de sede&#8221;, diz a mensagem, que foi ouvida pela reportagem. &#8220;Eu esperei at\u00e9 as 11h e ningu\u00e9m veio, a\u00ed eu peguei e sa\u00ed do lugar&#8221;, diz ela em outro \u00e1udio.<br \/>O corpo de Lenilda foi encontrado na regi\u00e3o da cidade de Deming, no estado americano do Novo M\u00e9xico, pela patrulha de fronteira dos Estados Unidos. O caso foi revelado primeiro pelo jornal O Globo.<\/p>\n<p>Mesmo trabalhando em dois empregos em Vale do Para\u00edso, Lenilda ficou endividada e n\u00e3o conseguia mais pagar a mensalidade das faculdades de suas duas filhas. A enfermeira, que j\u00e1 tinha morado nos EUA por tr\u00eas anos em 2004 e tem irm\u00e3os vivendo no pa\u00eds, decidiu voltar para tentar um trabalho que pagasse mais.<\/p>\n<p>Em abril, tentou entrar se entregando aos guardas da fronteira, no sistema conhecido como &#8220;cai-cai&#8221;. Acabou sendo deportada e voltou agora tentando atravessar o deserto sem ser vista, uma modalidade mais perigosa.<\/p>\n<p>&#8220;Ela estava devendo e a d\u00edvida foi s\u00f3 aumentando. A\u00ed entrou em desespero, disse: &#8216;tenho que ir'&#8221;, diz o irm\u00e3o. &#8220;Nosso pa\u00eds est\u00e1 t\u00e3o ruim que mesmo uma pessoa sendo formada, como ela, preferiu sair para trabalhar de faxineira nos Estados Unidos.&#8221;<\/p>\n<p>At\u00e9 o desaparecimento dela ser esclarecido, a fam\u00edlia procurou v\u00e1rios conhecidos nos Estados Unidos e chegou a achar que ela havia sido detida. Um deles \u00e9 o empres\u00e1rio Kleber Vilanova, amigo da fam\u00edlia, que mora em Columbus, Ohio.<\/p>\n<p>Ele conta que a patrulha de fronteira n\u00e3o encontrou a brasileira no in\u00edcio das buscas, um dia ap\u00f3s o desaparecimento. &#8220;Eles fizeram busca a\u00e9rea, a p\u00e9, a cavalo. Ela usava roupa camuflada, o que dificulta de ser visualizada&#8221;, conta Vilanova, que enviou \u00e0 reportagem uma foto em que Lenilda aparece ao lado de outras sete pessoas, todas com cal\u00e7as e blusas com essa estampa, botas e chap\u00e9us.<\/p>\n<p>Vilanova insistiu para que a pol\u00edcia fizesse uma busca mais detalhada e ampla. Desta segunda vez, o corpo foi encontrado. Agora, a fam\u00edlia aguarda uma aut\u00f3psia e a documenta\u00e7\u00e3o para a repatria\u00e7\u00e3o. Amigos criaram uma vaquinha virtual para arrecadar dinheiro para o traslado.<br \/>Desaparecimentos durante a travessia entre o M\u00e9xico e os EUA s\u00e3o comuns. &#8220;O deserto chega a ter 35\u00baC com ar seco durante o dia e de noite tem um vento muito frio. Tem muita pedra, muito buraco, tem tr\u00e1fico de drogas, tr\u00e1fico humano, n\u00e3o \u00e9 seguro. Ela estava muito desidratada, passou mal, n\u00e3o dava mais conta de caminhar&#8221;, afirma.<\/p>\n<p>O irm\u00e3o de Lenilda diz que a fam\u00edlia pensa em processar as pessoas que abandonaram a brasileira no deserto. &#8220;N\u00e3o tem como deixar impune. Minha irm\u00e3 era muito querida, a cidade toda est\u00e1 de luto. Quem fez isso tem que pagar.&#8221;<\/p>\n<p>Not\u00edcias ao Minuto Brasil &#8211; Mundo<br \/>\n<a href=\"https:\/\/www.noticiasaominuto.com.br\/mundo\/1843644\/brasileira-morre-na-fronteira-entre-eua-e-mexico-apos-ser-abandonada-no-deserto?utm_source=rss-mundo&amp;amp;utm_medium=rss&amp;amp;utm_campaign=rssfeed\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Read More<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>FL\u00c1VIA MANTOVANIS\u00c3O PAULO, SP (FOLHAPRESS) &#8211; &#8220;Eu dormi aqui, eu n\u00e3o aguentei, eu t\u00f4 sozinha.<\/p>\n","protected":false},"author":0,"featured_media":33996,"comment_status":"","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[],"class_list":["post-33995","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-mundo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/33995","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=33995"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/33995\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/33996"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=33995"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=33995"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=33995"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}