{"id":33106,"date":"2021-09-14T10:09:18","date_gmt":"2021-09-14T13:09:18","guid":{"rendered":"http:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/2021\/09\/14\/avanco-de-destruicao-no-coracao-da-amazonia-preocupa-pesquisadores\/"},"modified":"2021-09-14T10:09:18","modified_gmt":"2021-09-14T13:09:18","slug":"avanco-de-destruicao-no-coracao-da-amazonia-preocupa-pesquisadores","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/2021\/09\/14\/avanco-de-destruicao-no-coracao-da-amazonia-preocupa-pesquisadores\/","title":{"rendered":"Avan\u00e7o de destrui\u00e7\u00e3o no cora\u00e7\u00e3o da Amaz\u00f4nia preocupa pesquisadores"},"content":{"rendered":"<p>S\u00c3O PAULO, SP (FOLHAPRESS) &#8211; No cora\u00e7\u00e3o da Amaz\u00f4nia, veias t\u00eam sido abertas, cada vez em maior escala, com explora\u00e7\u00e3o de madeira, desmatamentos e queimadas. Essa destrui\u00e7\u00e3o coloca em risco o bloco da floresta amaz\u00f4nica at\u00e9 ent\u00e3o mais preservado.<\/p>\n<div class=\"dummyPub\"><\/div>\n<p>O avan\u00e7o da devasta\u00e7\u00e3o no estado do Amazonas preocupa pesquisadores. Eles apontam que o momento de agir para impedir a pulveriza\u00e7\u00e3o dos danos na \u00e1rea \u00e9 agora.<\/p>\n<p>A situa\u00e7\u00e3o \u00e9 apavorante, diz Marco Lentini, coordenador-s\u00eanior de projetos do Imaflora. &#8220;Pode virar uma trag\u00e9dia.&#8221;<\/p>\n<p>A expans\u00e3o da derrubada da floresta no Amazonas fica vis\u00edvel nos dados atualizados constantemente pelo Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais).<\/p>\n<p>Agosto de 2021 \u00e9 um exemplo. Foi o m\u00eas com o maior n\u00famero de queimadas j\u00e1 registrado no estado do Amazonas. Com 8.588 focos de calor, agosto deste ano superou o recorde anterior, agosto de 2020, que, por sua vez, tinha superado agosto de 2019.<\/p>\n<p>O fogo na Amaz\u00f4nia e em outros biomas brasileiros tem uma rela\u00e7\u00e3o muito pr\u00f3xima com o desmatamento, sendo usado, costumeiramente, como \u00faltima etapa do processo de desmate, para queimar a vegeta\u00e7\u00e3o derrubada e, assim, limpar a \u00e1rea.<\/p>\n<p>Ou seja, sem escapar do ditado, onde h\u00e1 fuma\u00e7a, h\u00e1 fogo -e \u00e9 prov\u00e1vel que tenha havido tamb\u00e9m desmatamento.<\/p>\n<p>Por isso, n\u00e3o chega a ser surpreendente que a derrubada de vegeta\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m venha crescendo ou, pelo menos, mantendo-se em patamares elevados no estado.<\/p>\n<p>Nos \u00faltimos anos, o Amazonas sofreu uma maior devasta\u00e7\u00e3o, superou Rond\u00f4nia e se isolou como o terceiro estado com maior grau de desmatamento, segundo o sistema Prodes, do Inpe.<\/p>\n<p>Mas o dado do Prodes que ser\u00e1 divulgado nos pr\u00f3ximos meses pode trazer uma nova mudan\u00e7a, com o Amazonas pulando para o segundo lugar no ranking de desmate, preveem cientistas. At\u00e9 agora, esse posto pertence a Mato Grosso. Se isso ocorrer, o Amazonas s\u00f3 perder\u00e1 a primeira posi\u00e7\u00e3o para o tamb\u00e9m gigante vizinho Par\u00e1.<\/p>\n<p>A ultrapassagem prov\u00e1vel j\u00e1 foi apontada pelos dados do Deter (sistema do Inpe destinado a dar alertas de desmate e auxiliar na fiscaliza\u00e7\u00e3o ambiental) referentes ao per\u00edodo entre agosto de 2020 e julho de 2021.<\/p>\n<p>&#8220;O Amazonas me assusta mais por ter uma \u00e1rea muito grande de terra p\u00fablica que est\u00e1 ali, ao l\u00e9u, sem governan\u00e7a&#8221;, diz Ane Alencar, diretora de ci\u00eancia do Ipam (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amaz\u00f4nia). &#8220;\u00c9 o cora\u00e7\u00e3o da Amaz\u00f4nia.&#8221;<\/p>\n<p>Segundo os especialistas ouvidos pela reportagem, o potencial de perdas no estado \u00e9 enorme.<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 uma \u00e1rea pouco ocupada, e h\u00e1 o medo de que seja invadida e perdida para grileiros&#8221;, afirma Alencar.<\/p>\n<p>Lentini, aponta a baixa quantidade de pesquisas cient\u00edficas desenvolvidas no estado e, consequentemente, a biodiversidade local que nem sequer \u00e9 conhecida.<\/p>\n<p>&#8220;Ali tem um estoque de vegeta\u00e7\u00e3o florestal que n\u00e3o tem nos outros estados&#8221;, afirma Ant\u00f4nio Fonseca, pesquisador do Imazon. &#8220;Preocupa porque est\u00e1 adentrando o maior remanescente florestal da Amaz\u00f4nia legal.&#8221;<\/p>\n<p>Os principais pontos de desmate no Amazonas ainda est\u00e3o concentrados ao sul do estado, pr\u00f3ximos a Mato Grosso, Rond\u00f4nia e Acre, em regi\u00f5es com forte presen\u00e7a de atividade madeireira.<\/p>\n<p>Segundo o especialista do Imaflora, a extra\u00e7\u00e3o madeireira funciona como &#8220;ponta de lan\u00e7a&#8221;. Estradas s\u00e3o abertas na floresta em busca de \u00e1rvores com elevado valor comercial. A partir dessas vias, facilitado por elas, espalha-se o processo de ocupa\u00e7\u00e3o, com desmatamento, queimadas e grilagem.<\/p>\n<p>No sul do Amazonas, a atividade de explora\u00e7\u00e3o de madeira teve um crescimento expressivo nos \u00faltimos anos. Lentini ressalta que parte do processo \u00e9 legal, mas que n\u00e3o se pode ignorar a atua\u00e7\u00e3o ilegal nesse tipo de atividade.<\/p>\n<p>A regi\u00e3o tamb\u00e9m pode ser v\u00edtima de &#8220;vazamentos&#8221; de desmatamento. Fonseca explica que, de forma geral na Amaz\u00f4nia, atores que colocam abaixo a floresta podem se deslocar de \u00e1reas com intenso desmatamento e, por consequ\u00eancia, uma presen\u00e7a mais forte de fiscaliza\u00e7\u00e3o para outras com menor vigil\u00e2ncia.<\/p>\n<p>Por fim, o especialista do Imazon afirma que a cria\u00e7\u00e3o da Zona de Desenvolvimento Sustent\u00e1vel dos Estados do Amazonas, Acre e Rond\u00f4nia, projeto conhecido como Amacro, tamb\u00e9m pode j\u00e1 estar come\u00e7ando a influenciar o desmate ligado ao roubo de terras.<\/p>\n<p>A Amacro, com participa\u00e7\u00e3o de governos estaduais, da Sudam (Superintend\u00eancia de Desenvolvimento da Amaz\u00f4nia) e da Suframa (Superintend\u00eancia da Zona Franca de Manaus), tem a inten\u00e7\u00e3o de desenvolvimento de uma \u00e1rea de mais de 30 munic\u00edpios do sul do Amazonas, leste do Acre e noroeste de Rond\u00f4nia -regi\u00f5es que j\u00e1 t\u00eam, em geral, forte presen\u00e7a de desmatamento associado ao agroneg\u00f3cio.<\/p>\n<p>O programa diz ter a inten\u00e7\u00e3o de promover regulariza\u00e7\u00e3o fundi\u00e1ria, diminui\u00e7\u00e3o de desmate e queimadas, al\u00e9m de investimento em infraestrutura, como rodovias, hidrovias e energia sustent\u00e1vel.<\/p>\n<p>&#8220;Entra a quest\u00e3o de instala\u00e7\u00e3o de obras de infraestrutura na regi\u00e3o, o que sempre acaba valorizando a posse da terra. Uma hip\u00f3tese \u00e9 que os desmatadores que est\u00e3o avan\u00e7ando nessa regi\u00e3o j\u00e1 est\u00e3o vislumbrando que l\u00e1 na frente essas terras v\u00e3o ter um aumento de valor&#8221;, diz Fonseca.<\/p>\n<p>Como raz\u00f5es para esse avan\u00e7o sobre a floresta do Amazonas, os pesquisadores ouvidos apontam ainda para a fragilidade da governan\u00e7a ambiental no estado e para uma menor presen\u00e7a de entidades organizadas da sociedade civil.<\/p>\n<p>Quanto \u00e0s solu\u00e7\u00f5es, eles apontam caminhos que j\u00e1 existem, principalmente o monitoramento por sat\u00e9lite. O problema, por\u00e9m, \u00e9 a perda de investimentos e a capacidade de a\u00e7\u00e3o nos \u00f3rg\u00e3os ambientais, que nos \u00faltimos anos passaram por um processo de enfraquecimento.<\/p>\n<p>Tem peso tamb\u00e9m na situa\u00e7\u00e3o atual, eles avaliam, a sensa\u00e7\u00e3o de impunidade dos criminosos e o discurso do governo Jair Bolsonaro (sem partido), que pode ser lido como passe-livre para crimes ambientais. O presidente \u00e9 abertamente favor\u00e1vel a pr\u00e1ticas com elevado impacto socioambiental, como minera\u00e7\u00e3o em terras ind\u00edgenas -que est\u00e3o entre os locais mais preservados do pa\u00eds.<\/p>\n<p>Bolsonaro, sua equipe e apoiadores, em diversos momentos, tamb\u00e9m j\u00e1 minimizaram os crimes de desmatamento ilegal e queimadas na Amaz\u00f4nia. O presidente chegou at\u00e9 mesmo a desautorizar a\u00e7\u00e3o de fiscaliza\u00e7\u00e3o do Ibama e questionar a destrui\u00e7\u00e3o de maquin\u00e1rio usado para devastar a floresta.<\/p>\n<p>Mais recentemente, o ent\u00e3o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, tomou partido de empresas de extra\u00e7\u00e3o de madeira que tinham tido toras apreendidas pela Pol\u00edcia Federal -opera\u00e7\u00e3o tida como a maior apreens\u00e3o de madeira ilegal da hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>Segundo Alencar, do Ipam, a\u00e7\u00f5es estrat\u00e9gicas e coordenadas de intelig\u00eancia s\u00e3o cada vez mais necess\u00e1rias para frear as quadrilhas envolvidas.<\/p>\n<p>&#8220;Se as pessoas tiverem a percep\u00e7\u00e3o de que os peixes grandes v\u00e3o ser pegos, os peixes pequenos v\u00e3o ficar mais cabreiros de invadir terra p\u00fablica&#8221;, diz Alencar.<\/p>\n<p>&#8220;Para isso \u00e9 preciso que o Ibama recupere a sua capacidade de atua\u00e7\u00e3o, com toda a liberdade poss\u00edvel de fazer o trabalho que fazia antes. E com apoio da Pol\u00edcia Federal, do Ex\u00e9rcito e articulado com as secretarias de meio ambiente e com as pol\u00edcias ambientais estaduais. Isso tudo tem que funcionar de forma articulada.&#8221;<\/p>\n<p>Segundo Fonseca, os esfor\u00e7os precisam ser direcionados para a regi\u00e3o de fronteira do Amazonas, buscando evitar que o desmatamento se espalhe ainda mais para o interior do estado.<\/p>\n<p>&#8220;N\u00e3o podemos chegar no cen\u00e1rio em que est\u00e1 o Par\u00e1, onde praticamente todas as regi\u00f5es do estado tem zonas cr\u00edticas de desmatamento&#8221;, diz Fonseca. &#8220;O momento para atua\u00e7\u00e3o \u00e9 agora.&#8221;<\/p>\n<p>Procurados para comentar o plano espec\u00edfico de combate ao desmatamento no Amazonas, o Minist\u00e9rio do Meio Ambiente e a secretaria de meio ambiente do estado n\u00e3o se manifestaram at\u00e9 a publica\u00e7\u00e3o desta reportagem.<\/p>\n<p>Not\u00edcias ao Minuto Brasil &#8211; Brasil<br \/>\n<a href=\"https:\/\/www.noticiasaominuto.com.br\/brasil\/1842264\/avanco-de-destruicao-no-coracao-da-amazonia-preocupa-pesquisadores?utm_source=rss-brasil&amp;amp;utm_medium=rss&amp;amp;utm_campaign=rssfeed\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Read More<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>S\u00c3O PAULO, SP (FOLHAPRESS) &#8211; No cora\u00e7\u00e3o da Amaz\u00f4nia, veias t\u00eam sido abertas, cada vez<\/p>\n","protected":false},"author":0,"featured_media":33107,"comment_status":"","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[],"class_list":["post-33106","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-brasil"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/33106","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=33106"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/33106\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/33107"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=33106"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=33106"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=33106"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}