{"id":32719,"date":"2021-09-11T15:08:49","date_gmt":"2021-09-11T18:08:49","guid":{"rendered":"http:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/2021\/09\/11\/eua-menosprezaram-bin-laden-antes-de-declara-lo-inimigo-numero-1\/"},"modified":"2021-09-11T15:08:49","modified_gmt":"2021-09-11T18:08:49","slug":"eua-menosprezaram-bin-laden-antes-de-declara-lo-inimigo-numero-1","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/2021\/09\/11\/eua-menosprezaram-bin-laden-antes-de-declara-lo-inimigo-numero-1\/","title":{"rendered":"EUA menosprezaram Bin Laden antes de declar\u00e1-lo inimigo n\u00famero 1"},"content":{"rendered":"<p>F\u00c1BIO ZANINI<br \/>S\u00c3O PAULO, SP (FOLHAPRESS) &#8211; No in\u00edcio da d\u00e9cada de 1990, Osama bin Laden havia se tornado persona non grata no Sud\u00e3o, onde tinha estabelecido uma base para sua nascente rede de terror.<\/p>\n<div class=\"dummyPub\"><\/div>\n<p>Incomodado com o apoio dado pelo saudita a movimentos isl\u00e2micos no pa\u00eds, o governo sudan\u00eas procurou os EUA com uma proposta: levar Bin Laden embora, preso.<\/p>\n<p>Os americanos declinaram da oferta, achando que n\u00e3o valeria a pena, por se tratar de um militante menor.<\/p>\n<p>Mais do que um erro de avalia\u00e7\u00e3o de propor\u00e7\u00f5es tr\u00e1gicas, a hist\u00f3ria mostra como a percep\u00e7\u00e3o dos EUA sobre aquele que viria a ser o respons\u00e1vel pelo mais impactante ato terrorista de todos os tempos mudou ao longo dos anos. &#8220;Os EUA demoraram para perceber o potencial destrutivo de Bin Laden e o qu\u00e3o perigoso ele poderia ser&#8221;, diz Nigel Inkster, ex-agente do servi\u00e7o secreto brit\u00e2nico por 30 anos e atualmente ligado ao International Institute for Strategic Studies, de Londres.<\/p>\n<p>Nas tr\u00eas d\u00e9cadas em que esteve no radar americano, Bin Laden assumiu diversas facetas para a superpot\u00eancia. Nos anos 1980, quando lutava contra a ocupa\u00e7\u00e3o sovi\u00e9tica no Afeganist\u00e3o, era um aliado de ocasi\u00e3o. Em grande parte dos anos 1990, quando viveu seus anos de ostracismo, era visto no m\u00e1ximo como uma fonte de inconvenientes, um ator secund\u00e1rio no mapa do terror internacional.<\/p>\n<p>Isso s\u00f3 mudaria no final daquela d\u00e9cada, a partir de uma s\u00e9rie de ataques que podem ser considerados uma esp\u00e9cie de ensaio geral do 11 de Setembro. S\u00e3o desse per\u00edodo os atentados contra as embaixadas dos EUA em Nair\u00f3bi (Qu\u00eania) e Dar es Salaam (Tanz\u00e2nia), em 1998, que deixaram 224 mortos. E tamb\u00e9m a explos\u00e3o provocada no navio de guerra americano USS Cole na costa do I\u00eamen, em 2000, com 17 v\u00edtimas.<\/p>\n<p>Bin Laden passou ent\u00e3o a ser um criminoso internacional procurado, com uma recompensa sobre sua cabe\u00e7a. Mas o status de superterrorista s\u00f3 foi adquirido ap\u00f3s a derrubada das Torres G\u00eameas e o ataque ao Pent\u00e1gono, em 2001. Essa condi\u00e7\u00e3o seria mantida at\u00e9 sua morte, dez anos depois, no Paquist\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8220;Bin Laden \u00e9 uma figura muito simb\u00f3lica para o terror global, iniciou o processo que nos trouxe at\u00e9 aqui. As respostas prec\u00e1rias e equivocadas dos EUA ajudaram a cimentar essa situa\u00e7\u00e3o&#8221;, diz Barak Mendelsohn, coordenador do Projeto de Pesquisa em Terrorismo Global do Haverford College, nos EUA.<\/p>\n<p>Segundo ele, Bin Laden come\u00e7ou a construir sua reputa\u00e7\u00e3o ap\u00f3s a vit\u00f3ria dos mujahedins (guerreiros isl\u00e2micos) sobre os sovi\u00e9ticos no Afeganist\u00e3o, em 1989. O saudita nascido em fam\u00edlia rica, herdeiro de um conglomerado de constru\u00e7\u00e3o civil, nunca foi exatamente um protagonista naquele conflito. At\u00e9 por isso, diz Mendelsohn, s\u00e3o exageradas as avalia\u00e7\u00f5es de que tivesse sido um aliado dos americanos na ocasi\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8220;N\u00e3o temos evid\u00eancia de que ele obteve algum tipo de apoio americano. Havia um inimigo comum, mas n\u00e3o coopera\u00e7\u00e3o. N\u00e3o temos evid\u00eancia de Bin Laden encontrando autoridades americanas, por exemplo.&#8221;<\/p>\n<p>Inkster concorda: &#8220;Bin Laden forneceu dinheiro aos jihadistas e tecnologia. Mas ele nunca foi aliado dos americanos, n\u00e3o tinha contato com eles&#8221;.<\/p>\n<p>Finda a guerra afeg\u00e3, a massa de guerrilheiros de v\u00e1rios cantos do mundo isl\u00e2mico que haviam atendido ao chamado da guerra santa viu-se vitoriosa, com moral elevado e bem-treinada. Mas sem rumo claro sobre o que fazer em seguida. &#8220;Havia duas vis\u00f5es predominantes do que fazer depois do Afeganist\u00e3o. Uma era os guerrilheiros voltarem a seus pa\u00edses e lutar contra os regimes locais, seja no Egito, na L\u00edbia ou na Arg\u00e9lia, por exemplo. Outra era combater em lugares em que mu\u00e7ulmanos estavam sob ocupa\u00e7\u00e3o, como Caxemira, B\u00f3snia, Chech\u00eania ou Palestina&#8221;, afirma Mendelsohn.<\/p>\n<p>Foi quando Bin Laden ofereceu uma terceira via, bem mais ambiciosa. &#8220;Ele passa a dizer que, para haver mudan\u00e7a para o mundo isl\u00e2mico, primeiro \u00e9 preciso atacar a cabe\u00e7a da cobra, ou seja, os EUA, em vez de desperdi\u00e7ar energia em outros lugares&#8221;, diz o analista.<\/p>\n<p>Come\u00e7a ent\u00e3o a ser esbo\u00e7ada a Al Qaeda, que inovou ao adquirir contornos de uma multinacional do terror, comandada por integrantes de diversos pa\u00edses. Neste in\u00edcio, Bin Laden viveu alguns de seus anos mais dif\u00edceis, primeiro expulso da Ar\u00e1bia Saudita, para onde havia retornado ap\u00f3s o per\u00edodo no Afeganist\u00e3o, e depois do Sud\u00e3o. Foi sob os ausp\u00edcios do Talib\u00e3, de novo em solo afeg\u00e3o, que ele conseguiu estruturar sua organiza\u00e7\u00e3o e planejar seus atentados mais espetaculares.<br \/>Mas para ele e a Al Qaeda, o p\u00f3s-11 de Setembro n\u00e3o foi apenas de euforia, diz Inkster.<\/p>\n<p>&#8220;Muitos na Al Qaeda avaliaram que Bin Laden deu o passo maior do que a perna com o 11 de Setembro, pois fez algo que exigiu uma resposta firme dos EUA&#8221;, afirma Inkster.<\/p>\n<p>Nesse momento, diz o especialista, a rede que Bin Laden havia criado pouco mais de uma d\u00e9cada antes viu-se obrigada a fazer um recuo estrat\u00e9gico. &#8220;A Al Qaeda, em meados da d\u00e9cada, foi colocada sob enorme press\u00e3o e n\u00e3o conseguia mais se manifestar como um fen\u00f4meno global \u00fanico&#8221;, afirma.<\/p>\n<p>Em resposta a essa situa\u00e7\u00e3o, Bin Laden outra vez provou ser uma esp\u00e9cie de vision\u00e1rio, descentralizando sua rede e permitindo que diversas filiais surgissem pelo mundo isl\u00e2mico, como se fossem franquias.<\/p>\n<p>Surgiram Al Qaedas no norte da \u00c1frica, no Sahel, no I\u00eamen, no Paquist\u00e3o e na Som\u00e1lia, entre outros locais. Muitas seguem atuantes at\u00e9 hoje, embora bem mais enfraquecidas com rela\u00e7\u00e3o a seu auge.<br \/>Posteriormente, esse movimento de fragmenta\u00e7\u00e3o iria se intensificar com o surgimento dos chamados &#8220;lobos solit\u00e1rios&#8221;, indiv\u00edduos radicalizados em pa\u00edses europeus ou nos EUA que adotavam a organiza\u00e7\u00e3o como um r\u00f3tulo, uma inspira\u00e7\u00e3o. Mas sem liga\u00e7\u00e3o org\u00e2nica com ela.<\/p>\n<p>Mesmo antes de ser localizado e morto, quando ainda era uma figura elusiva, Bin Laden adquiriu a derradeira personalidade de sua movimentada biografia: a de mito.<\/p>\n<p>Para os americanos, um \u00edcone do mal, figura que deveria ser eliminada sumariamente, sem que se cogitasse pris\u00e3o ou julgamento. Como foi feito em maio de 2011 em Abbottabad, no Paquist\u00e3o, onde foi localizado vivendo tranquilamente em um complexo residencial.<\/p>\n<p>J\u00e1 para as hordas de jihadistas que seguem atuantes pelo mundo, recentemente fortalecidas pela humilha\u00e7\u00e3o imposta aos americanos pelo Talib\u00e3 no Afeganist\u00e3o, Bin Laden segue sendo uma perigosa inspira\u00e7\u00e3o. &#8220;Bin Laden continua a ser um modelo para um grupo relativamente restrito de pessoas, mas que \u00e9 grande o suficiente para criar muitos problemas. Sua imagem tende a crescer \u00e0 medida que nos distanciamos de sua morte. As pessoas esquecem de suas muitas falhas&#8221;, afirma Mendelsohn.<\/p>\n<p>Not\u00edcias ao Minuto Brasil &#8211; Mundo<br \/>\n<a href=\"https:\/\/www.noticiasaominuto.com.br\/mundo\/1841595\/eua-menosprezaram-bin-laden-antes-de-declara-lo-inimigo-numero-1?utm_source=rss-mundo&amp;amp;utm_medium=rss&amp;amp;utm_campaign=rssfeed\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Read More<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>F\u00c1BIO ZANINIS\u00c3O PAULO, SP (FOLHAPRESS) &#8211; No in\u00edcio da d\u00e9cada de 1990, Osama bin Laden<\/p>\n","protected":false},"author":0,"featured_media":32720,"comment_status":"","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[],"class_list":["post-32719","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-mundo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/32719","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=32719"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/32719\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/32720"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=32719"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=32719"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=32719"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}