{"id":31244,"date":"2021-09-01T22:08:16","date_gmt":"2021-09-02T01:08:16","guid":{"rendered":"http:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/2021\/09\/01\/inflacao-sera-mais-persistente-do-que-preve-o-mercado\/"},"modified":"2021-09-01T22:08:16","modified_gmt":"2021-09-02T01:08:16","slug":"inflacao-sera-mais-persistente-do-que-preve-o-mercado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/2021\/09\/01\/inflacao-sera-mais-persistente-do-que-preve-o-mercado\/","title":{"rendered":"&#8216;Infla\u00e7\u00e3o ser\u00e1 mais persistente do que prev\u00ea o mercado&#8217;"},"content":{"rendered":"<p>A infla\u00e7\u00e3o alta ser\u00e1 mais persistente do que o mercado financeiro e o Banco Central est\u00e3o considerando, segundo Solange Srour. De acordo com a an\u00e1lise da economista-chefe do Credit Suisse no Brasil, isso ocorrer\u00e1 porque a in\u00e9rcia inflacion\u00e1ria (processo em que infla\u00e7\u00e3o atual se reflete na futura) voltou a crescer. &#8220;O mercado e o BC acreditavam que a in\u00e9rcia havia sido quebrada depois de a infla\u00e7\u00e3o convergir para a meta em 2017 e 2018. Isso se mostrou errado. A in\u00e9rcia ainda \u00e9 muito elevada e anda com a infla\u00e7\u00e3o. Quando a infla\u00e7\u00e3o come\u00e7a a subir muito, a in\u00e9rcia aumenta&#8221;, disse ela ao <strong>Estad\u00e3o<\/strong>.<\/p>\n<div class=\"dummyPub\"><\/div>\n<p>Um estudo recente do Credit Suisse mostra, inclusive, que desde 1999 a infla\u00e7\u00e3o nunca havia surpreendido tanto o mercado quanto agora. O \u00edndice de &#8220;surpresa da infla\u00e7\u00e3o&#8221; do banco alcan\u00e7ou 4,6% em julho. O n\u00famero \u00e9 1,1 ponto porcentual superior ao segundo mais alto da s\u00e9rie, os 3,5% registrados em janeiro de 2016. Confira, abaixo, trechos da entrevista.<\/p>\n<p><strong>Dadas as surpresas constantes na infla\u00e7\u00e3o, por que o mercado ainda est\u00e1 com uma expectativa relativamente baixa para a infla\u00e7\u00e3o do ano que vem?<\/strong><\/p>\n<p>A infla\u00e7\u00e3o deste ano est\u00e1 sendo bastante surpreendente para o Banco Central e para o mercado. \u00c9 a maior surpresa da hist\u00f3ria do regime de metas para a infla\u00e7\u00e3o (instaurado em 1999). E \u00e9 uma surpresa alta e persistente. Quando voc\u00ea tem uma surpresa por alguns meses consecutivos, teoricamente as pessoas deveriam se surpreender menos, mas isso n\u00e3o est\u00e1 acontecendo. Outro fato \u00e9 que o Focus (pesquisa feita pelo BC com bancos e consultorias para saber as expectativas do mercado) reage muito lentamente. Quando voc\u00ea pensa em proje\u00e7\u00e3o para 12 meses, o mercado ainda acredita que a infla\u00e7\u00e3o vai convergir para a meta no ano que vem. Ele n\u00e3o tem ajustado a expectativa. Isso mostra uma certa in\u00e9rcia do Focus e do mercado. As expectativas no Focus est\u00e3o demorando para se mexer, e s\u00e3o essas expectativas que o Banco Central foca. Mas \u00e9 quest\u00e3o de tempo para o Focus come\u00e7ar a subir as expectativas para 2022. O choque no pre\u00e7o da energia vai aumentar significativamente a infla\u00e7\u00e3o neste ano e, pela in\u00e9rcia inflacion\u00e1ria, deve come\u00e7ar a afetar os pre\u00e7os no ano que vem. Mas tem outra vari\u00e1vel importante para o ano que vem, o c\u00e2mbio. O mercado agora est\u00e1 muito estressado com a quest\u00e3o dos precat\u00f3rios e do Bolsa Fam\u00edlia. O mercado espera hoje uma solu\u00e7\u00e3o menos pior para esses pontos.<\/p>\n<p><strong>Qual o impacto das crises pol\u00edtica e fiscal nessas surpresas na infla\u00e7\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p>Pelos fundamentos da economia e pela valoriza\u00e7\u00e3o das commodities, a taxa de c\u00e2mbio deveria estar mais apreciada. Ent\u00e3o, tem um pr\u00eamio de risco, sim, ligado \u00e0 incerteza pol\u00edtica e fiscal. Quando a pandemia come\u00e7ou, a taxa de c\u00e2mbio depreciou bastante, porque a avers\u00e3o ao risco aumentou globalmente. Todas as moedas depreciaram. O real foi a moeda que ficou mais depreciada por mais tempo. Isso est\u00e1 relacionado ao fiscal, \u00e0 d\u00favida em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 manuten\u00e7\u00e3o do teto. A\u00ed o c\u00e2mbio influencia a infla\u00e7\u00e3o. \u00c9 claro que isso surpreendeu o mercado e o BC tamb\u00e9m. Quando o BC jogou a Selic (a taxa b\u00e1sica de juros) para baixo, imaginou que a deprecia\u00e7\u00e3o do c\u00e2mbio seria tempor\u00e1ria. O que acabou n\u00e3o ocorrendo. Mas eu diria que essa n\u00e3o \u00e9 uma surpresa do m\u00eas a m\u00eas. A surpresa do c\u00e2mbio aparece no m\u00e9dio prazo. J\u00e1 essa surpresa que aparece m\u00eas a m\u00eas est\u00e1 relacionada \u00e0 pandemia, \u00e0 quebra de cadeia produtiva que ningu\u00e9m conseguiu prever. Isso est\u00e1 se prolongando. Outro ponto que explica essa surpresa \u00e9 a in\u00e9rcia inflacion\u00e1ria. O mercado e o BC acreditavam que a in\u00e9rcia inflacion\u00e1ria da economia tinha sido quebrada depois de a infla\u00e7\u00e3o convergir para a meta em 2017 e 2018. Isso se mostrou errado. A in\u00e9rcia ainda \u00e9 muito elevada e anda com a infla\u00e7\u00e3o. Quando a infla\u00e7\u00e3o come\u00e7a a subir muito, a in\u00e9rcia aumenta.<\/p>\n<p><strong>Por que isso ocorre?<\/strong><\/p>\n<p>Como a infla\u00e7\u00e3o est\u00e1 se mantendo alta por muito tempo, as pessoas come\u00e7am a tentar se adaptar a esse ambiente. O empres\u00e1rio tenta recompor sua margem aumentando os pre\u00e7os. Os funcion\u00e1rios barganham sal\u00e1rios maiores. Todo mundo come\u00e7a a projetar que o futuro vai ser parecido com o momento atual, de infla\u00e7\u00e3o alta. Com o choque inflacion\u00e1rio, logo depois de abril do ano passado, quando as surpresas come\u00e7aram a aparecer, a in\u00e9rcia virou rapidamente. Com a infla\u00e7\u00e3o acumulada pr\u00f3ximo a 9%, \u00e9 natural esperar que a in\u00e9rcia aumente. Foi um erro apostar que ela tinha se quebrado estruturalmente.<\/p>\n<p><strong>Qual ser\u00e1 o impacto dessa infla\u00e7\u00e3o mais alta do que o esperado na economia?<\/strong><\/p>\n<p>H\u00e1 dois canais aqui. O juro vai ter de ir para um patamar mais restritivo para levar a infla\u00e7\u00e3o para a meta e ter\u00e1 de ficar mais alto por mais tempo. Isso impacta no crescimento. Outro lado \u00e9 que o consumidor perde poder de compra. Se a economia estiver crescendo, esse poder de compra \u00e9 reposto, e a infla\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 um grande problema. Mas, com a economia come\u00e7ando a desacelerar porque o juro de longo prazo j\u00e1 est\u00e1 mais alto devido \u00e0s incertezas eleitoral, pol\u00edtica e fiscal, o poder de compra pode ser corro\u00eddo de maneira mais forte. Isso tamb\u00e9m freia a economia. Por isso, baixamos nossa expectativa de crescimento para 2% no ano que vem e ainda achamos que o vi\u00e9s \u00e9 de baixa.<\/p>\n<p><strong>Como voltar a uma in\u00e9rcia menor?<\/strong><\/p>\n<p>O Banco Central ter\u00e1 de continuar apertando juros. Essa \u00e9 a maneira mais direta de controlar a expectativa. Se os agentes perceberem que o Banco Central n\u00e3o est\u00e1 mirando a meta, todo mundo aumenta a expectativa de infla\u00e7\u00e3o. Agora, o BC vai precisar da ajuda do fiscal. Se o fiscal n\u00e3o estiver ancorado e o BC sobe o juro, tendo 40% da d\u00edvida atrelada \u00e0 Selic, isso come\u00e7a a gerar temor de domin\u00e2ncia fiscal (quando o aumento do pagamento do juro da d\u00edvida agrava o desequil\u00edbrio fiscal, o que afugenta investidores, deprecia o c\u00e2mbio e eleva, novamente, a infla\u00e7\u00e3o). O BC, portanto, n\u00e3o vai conseguir fazer o trabalho sozinho.<\/p>\n<p>As informa\u00e7\u00f5es s\u00e3o do jornal <strong>O Estado de S. Paulo.<\/strong><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.noticiasaominuto.com.br\/economia\/1838289\/inflacao-sera-mais-persistente-do-que-preve-o-mercado?utm_source=rss-economia&amp;amp;utm_medium=rss&amp;amp;utm_campaign=rssfeed\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Read More<\/a><br \/>\nNot\u00edcias ao Minuto Brasil &#8211; Economia<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A infla\u00e7\u00e3o alta ser\u00e1 mais persistente do que o mercado financeiro e o Banco Central<\/p>\n","protected":false},"author":0,"featured_media":31245,"comment_status":"","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[11],"tags":[],"class_list":["post-31244","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-economia"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/31244","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=31244"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/31244\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/31245"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=31244"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=31244"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=31244"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}