{"id":29483,"date":"2021-08-23T17:08:24","date_gmt":"2021-08-23T20:08:24","guid":{"rendered":"http:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/2021\/08\/23\/imigrantes-ficam-presos-em-terra-de-ninguem-nas-portas-da-uniao-europeia\/"},"modified":"2021-08-23T17:08:24","modified_gmt":"2021-08-23T20:08:24","slug":"imigrantes-ficam-presos-em-terra-de-ninguem-nas-portas-da-uniao-europeia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/2021\/08\/23\/imigrantes-ficam-presos-em-terra-de-ninguem-nas-portas-da-uniao-europeia\/","title":{"rendered":"Imigrantes ficam presos em &#8216;terra de ningu\u00e9m&#8217; nas portas da Uni\u00e3o Europeia"},"content":{"rendered":"<p>VILNIUS. LITU\u00c2NIA (FOLHAPRESS) &#8211; Quando enviaram um pedido de socorro \u00e0 organiza\u00e7\u00e3o internacional Alarm Phone, eles estavam havia cinco dias barrados numa &#8220;zona de ningu\u00e9m&#8221; entre a Uni\u00e3o Europeia e a Belarus.<\/p>\n<div class=\"dummyPub\"><\/div>\n<p>&#8220;Estou lhe dizendo, eu n\u00e3o tenho nada aqui, eu tenho tudo ali. Voc\u00ea entende? Por favor, amigo&#8221;, diz um dos imigrantes iraquianos a guardas lituanos enfileirados.<br \/>&#8220;Volte para a Belarus! Voc\u00ea entende? Volte!&#8221;, responde o agente.<\/p>\n<p>&#8220;Como voltar?&#8221;, pergunta o estrangeiro, em ingl\u00eas. A metros dali, uma patrulha belarussa impede que o grupo passe.<\/p>\n<p>O caso, gravado em v\u00eddeo e confirmado pela guarda de fronteira lituana, n\u00e3o era isolado: h\u00e1 de 4.000 a 5.000 estrangeiros espalhados ao longo das fronteiras, afirmou na \u00faltima semana o ministro da Defesa lituano, Arvydas Anushauskas.<\/p>\n<p>Desde 3 de agosto, quando a Litu\u00e2nia refor\u00e7ou a guarda e baixou um decreto para conter a chegada de centenas de imigrantes vindos da Belarus, mais de 1.500 foram impedidos de entrar no pa\u00eds b\u00e1ltico.<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 um jogo c\u00ednico feito com vidas humanas&#8221;, afirma Maurice Sierl, porta-voz da Alarm Phone, que atribui a crise ao ditador belarusso, Aleksandr Lukachenko.<\/p>\n<p>Segundo o ativista, que conversou com os iraquianos por videochamada no dia 7, eles tremiam de frio e um, doente, desmaiou mais de uma vez.<\/p>\n<p>O impasse prosseguiu at\u00e9 o p\u00f4r do sol: os imigrantes repetem &#8220;Quero ir para casa. Estou com muita fome. Por favor, ajude. Preciso beber \u00e1gua&#8221;, sem obter resposta al\u00e9m do ganido de um dos c\u00e3es de guarda.<\/p>\n<p>Depois de alguns dias sem contato, Sierl soube no dia 13 que o governo iraquiano os havia repatriado. Na mesma tarde, o Alarm Phone recebeu novo pedido de socorro, desta vez de tr\u00eas mulheres e dois homens barrados na altura da cidade polonesa de Kuznica.<\/p>\n<p>\u00c0quela altura, ao menos 4.000 estavam em campos de refugiados lituanos ampliados ou improvisados \u00e0s pressas. Ap\u00f3s o n\u00famero de entradas ilegais saltar de 6, em mar\u00e7o, para 3.115 em julho, o governo triplicou o patrulhamento de fronteira e enviou militares, c\u00e3es, helic\u00f3pteros e c\u00e2meras noturnas aos 670 km de divisa com a Belarus.<\/p>\n<p>Uma &#8220;cerca anti-imigrantes&#8221; de arame farpado e concertina avan\u00e7a ao ritmo de mais de meio quil\u00f4metro por dia. Ter\u00e1 quatro metros de altura, 508 km de extens\u00e3o, pontas farpadas em formato de Y e custo de 150 milh\u00f5es de euros (R$ 929 mi), segundo o diretor de comunica\u00e7\u00e3o do Servi\u00e7o de Guarda da Fronteira, Rokas Pukinskas.<\/p>\n<p>Os estrangeiros bloqueados pela Litu\u00e2nia ainda tentaram entrar pela Let\u00f4nia e pela Pol\u00f4nia, em v\u00e3o. A primeira decretou estado de emerg\u00eancia, no dia 11 de agosto e desde ent\u00e3o barrou 436 pessoas.<\/p>\n<p>A Pol\u00f4nia, ap\u00f3s receber 491 pedidos de asilo na primeira semana de agosto -nove vezes mais que na semana anterior-, j\u00e1 impediu 1.342 entradas.<\/p>\n<p>Relatos de pessoas numa &#8220;zona de ningu\u00e9m&#8221; tamb\u00e9m chegaram ao Acnur (ag\u00eancia para refugiados da ONU), diz Elisabeth Arnsdorf Haslund, porta-voz da entidade: &#8220;\u00c9 um grupo muito diverso -jovens, idosos, mulheres, homens, fam\u00edlias de v\u00e1rias nacionalidades\u2013, que precisa de ajuda humanit\u00e1ria&#8221;.<\/p>\n<p>Esses estrangeiros &#8220;vagam pelas florestas do oeste belarusso, vivem em hot\u00e9is enquanto o dinheiro acaba&#8221;, segundo a descri\u00e7\u00e3o do ministro da Defesa lituana ao jornal Delfi, e a m\u00eddia belarussa diz que casas abandonadas em vilarejos j\u00e1 est\u00e3o sendo ocupadas por eles.<\/p>\n<p>A crise deve se agravar com o fim do ver\u00e3o. As noites esfriam rapidamente em setembro na zona de fronteira, e em outubro ou novembro come\u00e7a a nevar. No inverno, a temperatura m\u00e9dia dessa zona \u00e9 de -6\u00b0C, com os term\u00f4metros negativos mesmo durante o dia.<\/p>\n<p>O frio j\u00e1 \u00e9 sentido mesmo pelos que entraram de forma legal e aguardam a an\u00e1lise de pedido de ref\u00fagio, como o russo Anton (nome fict\u00edcio, a pedido dele). No campo de Pabrad\u00e9, onde est\u00e1 desde junho, &#8220;as tendas militares t\u00eam ar-condicionado, mas n\u00e3o aquecedor&#8221;. &#8220;Quando chove encharca tudo&#8221;, contou na tarde do dia 11.<\/p>\n<p>O campo lotou desde que \u00e1rabes e africanos come\u00e7aram a chegar. &#8220;Lukachenko abriu uma enorme janela de passagem para a Europa, \u00e9 um programa em larga escala o jeito como as pessoas est\u00e3o sendo trazidas&#8221;, descreve Anton.<\/p>\n<p>&#8220;Os estrangeiros s\u00e3o uma arma pesada nas m\u00e3os do ditador. Se atacar com bombas, a Otan vai se defender. Ele usa os \u00e1rabes como suas balas, e o dano \u00e9 muito maior&#8221;, diz o russo.<\/p>\n<p>A tese de que o ditador da Belarus est\u00e1 por tr\u00e1s dessa crise \u00e9 compartilhada por autoridades lituanas e da UE, que nesta semana fez quest\u00e3o de separar a amea\u00e7a de crise imigrat\u00f3ria decorrente dos conflitos no Afeganist\u00e3o do que chama de &#8220;crise de agress\u00e3o&#8221; provocada por Lukachenko.<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 um ato severo de agress\u00e3o arquitetado para provocar&#8221;, afirmou a comiss\u00e1ria europeia respons\u00e1vel por imigra\u00e7\u00e3o, Ilva Johansson, em visita \u00e0 Litu\u00e2nia. &#8220;Usar os migrantes como arma, empurrando as pessoas contra as fronteiras, \u00e9 inaceit\u00e1vel&#8221;, afirmou o chefe da diplomacia do bloco, Josep Borrell.<\/p>\n<p>S\u00e3o v\u00e1rios os relatos de que a Belarus facilitou vistos de entrada e a log\u00edstica entre o aeroporto de Minsk e as fronteiras da UE a imigrantes, que pagaram entre 1.000 e 3.000 euros (de R$ 6.200 a R$ 18,6 mil).<\/p>\n<p>&#8220;Tamb\u00e9m \u00e9 preciso subornar os guardas de fronteira belarussos, que sabem exatamente as rotas e mostram os pontos em que h\u00e1 menos patrulha lituana&#8221;, afirma Victar Savich, 31, ex-diretor de uma ind\u00fastria madeireira que se exilou no pa\u00eds b\u00e1ltico ap\u00f3s ser perseguido por Lukachenko.<\/p>\n<p>&#8220;Acreditaram na hist\u00f3ria belarussa de que a Litu\u00e2nia seria passagem livre para chegar a outros pa\u00edses da Uni\u00e3o Europeia.&#8221;<br \/>Foi o caso de Mujbil Muhammad, que diz ter feito um empr\u00e9stimo para levantar os 10 mil euros (cerca de R$ 62 mil) para a viagem da mulher e quatro filhos \u2013&#8221;todos com menos de 10 anos&#8221;\u2013 ao bloco europeu.<\/p>\n<p>A maior parte do dinheiro ficou com &#8220;um taxista que conhecia a passagem pela fronteira&#8221;, afirmou Muhammad, localizado por meio de um telefone passado por sua mulher a Savich. Como outros entrevistados, embora confirme as conex\u00f5es belarussas, o iraquiano evita dar detalhes.<\/p>\n<p>Savich diz que a maioria dos rec\u00e9m-chegados ao campo de Kabeliai \u2013onde ficou uma semana, antes de se instalar em Minsk\u2013 n\u00e3o pretende ficar na Litu\u00e2nia: &#8220;Os \u00e1rabes e indianos, principalmente, t\u00eam dinheiro e parentes na Finl\u00e2ndia, na Alemanha&#8221;.<\/p>\n<p>Em Pabrad\u00e9, conversas sobre viagens para a Alemanha s\u00e3o cada vez mais frequentes, segundo Anton, principalmente depois que a Litu\u00e2nia anunciou que vai acelerar deporta\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Na cidade de Alytus, um grupo de 36 fugiu na madrugada do dia 12, ap\u00f3s cavar um buraco sob a cerca. Rastejaram pelo mato, chegaram a uma linha de trem e de l\u00e1 seguiram na dire\u00e7\u00e3o da Pol\u00f4nia, segundo o governo. De acordo com dados do Minist\u00e9rio do Interior, mais de 350 estrangeiros que desapareceram dos alojamentos.<\/p>\n<p>O governo investiga a a\u00e7\u00e3o de quadrilhas que prometem faz\u00ea-los chegar \u00e0 Pol\u00f4nia ou \u00e0 Alemanha, por cerca de 8.000 euros (cerca de R$ 50 mil). Na semana retrasada, um desses esquemas foi relatado mostrado por um rep\u00f3rter da emissora p\u00fablica LRT, que se fez passar por imigrante.<\/p>\n<p>Litu\u00e2nia, Let\u00f4nia e Pol\u00f4nia agora tentam acelerar a an\u00e1lise de pedidos de ref\u00fagio e a repatria\u00e7\u00e3o dos que n\u00e3o se enquadram.<br \/>O objetivo \u00e9 aliviar a press\u00e3o interna, que j\u00e1 provoca rea\u00e7\u00f5es como as de Rudninkai, onde 800 estrangeiros foram alojados em uma \u00e1rea militar.<\/p>\n<p>Na tarde do dia 10, pela tela de arame, imigrantes gritavam em ingl\u00eas &#8220;\u00e1gua, por favor&#8221; e &#8220;n\u00f3s queremos falar com ela&#8221;, mas os guardas n\u00e3o permitiram que a Folha os entrevistasse. Nove vans policiais guardavam a entrada do campo.<\/p>\n<p>\u00c0 noite, houve protestos, motim e fugas, pela segunda vez neste m\u00eas, para revolta dos moradores do vilarejo pr\u00f3ximo, incomodados com a improvisa\u00e7\u00e3o do campo em suas redondezas.<\/p>\n<p>&#8220;Ningu\u00e9m consegue mais dormir \u00e0 noite. Eles passam, avaliam nossas casas, sempre h\u00e1 fugas&#8221;, afirmou um lituano de 42 anos, que n\u00e3o quis se identificar.<\/p>\n<p>Na cerca de seu vizinho, uma faixa estampa um grande s\u00edmbolo vermelho de &#8220;Pare&#8221; e pede a sa\u00edda dos imigrantes da cidade.<\/p>\n<p>Em Pabrad\u00e9 as condi\u00e7\u00f5es s\u00e3o menos cr\u00edticas, conta Anton, enquanto anda pelo campo para mostrar suas instala\u00e7\u00f5es. Mulheres e crian\u00e7as ficam em apartamentos de alvenaria, h\u00e1 playground e quadra de esportes.<\/p>\n<p>A cantina serve refei\u00e7\u00f5es vegetarianas (para os hindus) e halal (para os mu\u00e7ulmanos), afirma o russo, e crian\u00e7as de at\u00e9 12 anos recebem refor\u00e7o de leite e chocolate. &#8220;Mas a resposta a uma crise repentina pode n\u00e3o funcionar a longo prazo&#8221;, diz Haslund, do Acnur, e um dos problemas \u00e9 tamb\u00e9m o inverno rigoroso. Casas feitas em cont\u00eaineres est\u00e3o sendo preparadas para 1.000 pessoas na regi\u00e3o de Medininkai e em alguns dos campos j\u00e1 existentes.<\/p>\n<p>A Litu\u00e2nia abriu um programa de repatria\u00e7\u00e3o volunt\u00e1ria, que at\u00e9 agora teve apenas 20 ades\u00f5es \u2013na semana passada, voltou para casa o primeiro iraquiano.<\/p>\n<p>Ryan Schroeder, porta-voz da OIM (Organiza\u00e7\u00e3o Internacional de Migra\u00e7\u00e3o), afirma que o fluxo pode crescer quando mais imigrantes ficarem sabendo da op\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>N\u00e3o ser\u00e1 t\u00e3o breve, por\u00e9m: na semana passada, o governo lituano tentava contratar int\u00e9rpretes de \u00e1rabe e curdo (idioma de metade dos iraquianos que entraram na UE) para conseguir ao menos identific\u00e1-los.<\/p>\n<p>Not\u00edcias ao Minuto Brasil &#8211; Mundo<br \/>\n<a href=\"https:\/\/www.noticiasaominuto.com.br\/mundo\/1835384\/imigrantes-ficam-presos-em-terra-de-ninguem-nas-portas-da-uniao-europeia?utm_source=rss-mundo&amp;amp;utm_medium=rss&amp;amp;utm_campaign=rssfeed\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Read More<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>VILNIUS. 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