{"id":28801,"date":"2021-08-19T08:08:31","date_gmt":"2021-08-19T11:08:31","guid":{"rendered":"http:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/2021\/08\/19\/ciclismo-brasileiro-sofre-com-falta-de-investimento-e-nao-tem-atleta-na-elite\/"},"modified":"2021-08-19T08:08:31","modified_gmt":"2021-08-19T11:08:31","slug":"ciclismo-brasileiro-sofre-com-falta-de-investimento-e-nao-tem-atleta-na-elite","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/2021\/08\/19\/ciclismo-brasileiro-sofre-com-falta-de-investimento-e-nao-tem-atleta-na-elite\/","title":{"rendered":"Ciclismo brasileiro sofre com falta de investimento e n\u00e3o tem atleta na elite"},"content":{"rendered":"<p>O ciclismo brasileiro tem pouca hist\u00f3ria no cen\u00e1rio europeu da modalidade. Eventos como a Volta da Fran\u00e7a, Giro d&#8217;It\u00e1lia e Volta da Espanha s\u00e3o poucos frequentados por atletas do Brasil, que teve apenas dois competidores nas pistas de rua desde 1903, ano em que foi criada a famosa competi\u00e7\u00e3o disputada em solo franc\u00eas.<\/p>\n<div class=\"dummyPub\"><\/div>\n<p>Nem o &#8220;boom&#8221; de adeptos do ciclismo n\u00e3o competitivo no Pa\u00eds nos \u00faltimos anos motivou a participa\u00e7\u00e3o nessas tradicionais provas.<\/p>\n<p>O \u00faltimo representante brasileiro numa competi\u00e7\u00e3o de primeira escala na Europa foi Murilo Fischer, que completou a 70\u00aa edi\u00e7\u00e3o da Volta da Espanha na temporada de 2015. Ele \u00e9 o \u00fanico ciclista brasileiro a concluir as tr\u00eas provas das Grandes Voltas. Completou o evento na Fran\u00e7a em tr\u00eas oportunidades e a vers\u00e3o italiana quatro vezes.<\/p>\n<p>Antes dele, apenas o ciclista Mauro Ribeiro fez hist\u00f3ria. Em 1991, al\u00e9m de fazer parte da equipe francesa RMO, venceu uma das etapas da Volta da Fran\u00e7a. O paranaense de 57 anos \u00e9 o primeiro e \u00fanico brasileiro a obter tal feito. O que falta ent\u00e3o para que o esporte d\u00ea o pr\u00f3ximo passo e comece a integrar o circuito europeu da modalidade com frequ\u00eancia?<\/p>\n<p>Em entrevista ao site especializado RFI, Mauro Ribeiro comemorou o feito que conseguiu h\u00e1 30 anos, mas tamb\u00e9m lamentou que ningu\u00e9m veio depois dele para continuar a hist\u00f3ria do ciclismo nacional nas grandes provas. &#8220;A hist\u00f3ria \u00e9 contada por aquilo que foi feito, mas tamb\u00e9m por aquilo que \u00e9 continuado a ser feito&#8221;, lamentou o ex-ciclista.<\/p>\n<p>Naquela \u00e9poca, o esporte come\u00e7ava a se globalizar, com australianos, colombianos e atletas de outras nacionalidades ganhando espa\u00e7o em um ambiente previamente dominado por europeus. Al\u00e9m do crescente interesse do p\u00fablico brasileiro pelos eventos principais do ciclismo, Mauro Ribeiro cr\u00ea que o Pa\u00eds tem condi\u00e7\u00f5es de desenvolver a modalidade.<\/p>\n<p>Um pa\u00eds sul-americano que leva a s\u00e9rio o ciclismo europeu \u00e9 a Col\u00f4mbia. Mesmo passando por um per\u00edodo de viol\u00eancia nos anos 90, com as Farc (For\u00e7as Armadas Revolucion\u00e1rias da Col\u00f4mbia) dominando cerca de 40% do pa\u00eds, a Col\u00f4mbia levou um atleta ao topo da Volta da Fran\u00e7a.<\/p>\n<p>Em 2019, Egan Bernal, de 22 anos apenas, se tornou o primeiro latino-americano a vencer a prova fadada a ficar com os europeus. Outros dois colombianos integravam o top 10 na ocasi\u00e3o. Bernal, ao chegar na frente, afirmou que seu triunfo n\u00e3o era s\u00f3 dele, &#8220;mas de todo um pa\u00eds&#8221;.<\/p>\n<p>Assim como os europeus, a na\u00e7\u00e3o sul-americana decidiu colocar grandes marcas por tr\u00e1s de times nacionais. E o fato de a Col\u00f4mbia ter v\u00e1rias montanhas em sua forma\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica contribuiu para o treinamento dos seus atletas de ciclismo, que subiram de n\u00edvel. Aqui no Brasil, ainda h\u00e1 um longo caminho e muitas pedaladas antes de se pensar em vit\u00f3rias. O primeiro passo \u00e9 ter mais investimento.<\/p>\n<p>Ribeiro aponta um cen\u00e1rio pessimista e n\u00e3o acredita na evolu\u00e7\u00e3o da modalidade no Pa\u00eds a curto prazo. &#8220;Atualmente, no Brasil, o ciclismo de alto rendimento ou de direcionamento para chegar ao alto rendimento ainda est\u00e1 muito longe de chegar aonde \u00e9 necess\u00e1rio para entregar alguns atletas com capacita\u00e7\u00e3o e experi\u00eancia. Infelizmente, ainda estamos distantes dos europeus, por exemplo. Ent\u00e3o, vai levar algum tempo para credenciar algum brasileiro para entrar no Tour de France&#8221;, disse.<\/p>\n<p>TREINAMENTO &#8211; Mas o que precisa fazer para ser um ciclista dessas corridas? \u00c9 poss\u00edvel treinar individualmente, mas para competir, o ciclismo de estrada \u00e9 feito em equipe. Cada membro do time tem uma fun\u00e7\u00e3o que precisa ser bem executada para alcan\u00e7ar a vit\u00f3ria. H\u00e1 estrat\u00e9gias. N\u00e3o \u00e9 s\u00f3 pedalar. Conhecer a performance de cada integrante do time, os detalhes do percurso e o planejamento da prova \u00e9 essencial para um bom desempenho.<\/p>\n<p>Ao menos tr\u00eas membros precisam desempenhar um papel. O greg\u00e1rio \u00e9 o apoio da equipe, o passista \u00e9 o respons\u00e1vel por marcar o ritmo e o velocista \u00e9 quem aparece no fim e se esfor\u00e7a ao m\u00e1ximo para vencer a competi\u00e7\u00e3o. O l\u00edder ou o capit\u00e3o \u00e9 sempre o velocista. O resto do time deve garantir que ele se canse o menos poss\u00edvel para que, no fim, assuma a frente e ven\u00e7a os advers\u00e1rios no sprint final.<\/p>\n<p>Todos os ciclistas presentes em um evento como a Volta da Espanha s\u00e3o &#8216;preparados&#8217; para sentir um elevado n\u00edvel de dor durante as provas. Os percursos exigem demais em termos de dist\u00e2ncia, dura\u00e7\u00e3o, subidas e descidas. As pernas pesam. As costas podem doer. O perigo de se acidentar e as condi\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas extremas tamb\u00e9m s\u00e3o fatores que influenciam no trabalho de um profissional.<\/p>\n<p>Para estar apto a disputar uma prova de 3.500 km (de S\u00e3o Paulo a Manaus, a dist\u00e2ncia \u00e9 de 3.971 km, por exemplo), um ciclista precisa em primeiro lugar ser capaz de treinar essa dist\u00e2ncia. T\u00e9cnicos da equipe africana Dimension Data deram uma entrevista ao site da ESPN americana em 2017 detalhando as dist\u00e2ncias que um atleta deve percorrer, de acordo com sua idade. &#8220;A partir dos 18 anos, nossos ciclistas sub-23 come\u00e7am treinando cerca de 1.800 km\/m\u00eas e vamos aumentando com objetivo de que eles treinem 2.500 km\/m\u00eas. Para correr no n\u00edvel World Tour, \u00e9 preciso que eles treinem em m\u00e9dia de 2.500 km por m\u00eas&#8221;, informou \u00e0 \u00e9poca.<\/p>\n<p>Quando se considera as horas gastas, um jovem de 18 anos treina algo em torno de 60 horas por m\u00eas. O objetivo \u00e9 que esse n\u00famero aumente gradativamente para chegar entre 80 a 100 horas\/m\u00eas para atletas da equipe World Tour. Ou seja, s\u00e3o cerca de 1.000 horas ou entre 28.000 e 32.000 km por ano.<\/p>\n<p>INVESTIMENTO &#8211; Para ser profissional e chegar ao n\u00edvel mais alto do ciclismo, um atleta n\u00e3o precisa apenas de um grande preparo f\u00edsico, no entanto. Ele necessita de um grande investimento financeiro tamb\u00e9m. Geralmente, vai encontrar o dinheiro em uma empresa conhecida que deseja expor sua marca no uniforme usado pelo competidor, com a esperan\u00e7a de que o atleta apare\u00e7a no pelot\u00e3o de frente e mostre a marca na tev\u00ea.<\/p>\n<p>Rafael Andriato, 8\u00ba lugar no Pan de Estrada deste ano, afirmou \u00e0 ESPN em 2015 que, se o Brasil quisesse alcan\u00e7ar o topo, precisaria se espelhar nos colombianos. Ele apontou a cria\u00e7\u00e3o da equipe Col\u00f4mbia como um diferencial, pois \u00e9 um time praticamente europeu, que segue o calend\u00e1rio do continente do outro lado do Atl\u00e2ntico. &#8220;Era disso que o Brasil precisava, mas n\u00e3o tem como nesse momento. N\u00e3o temos dinheiro. Precis\u00e1vamos de 15 ciclistas, carros, uniformes, staff, o que demanda uns R$ 7 milh\u00f5es de investimento por temporada. Seria o \u00fanico jeito de aparecermos no ciclismo mundial&#8221;, disse.<\/p>\n<p>Not\u00edcias ao Minuto Brasil &#8211; Esporte<br \/>\n<a href=\"https:\/\/www.noticiasaominuto.com.br\/esporte\/1834233\/ciclismo-brasileiro-sofre-com-falta-de-investimento-e-nao-tem-atleta-na-elite?utm_source=rss-esporte&amp;amp;utm_medium=rss&amp;amp;utm_campaign=rssfeed\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Read More<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O ciclismo brasileiro tem pouca hist\u00f3ria no cen\u00e1rio europeu da modalidade. 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