{"id":2707,"date":"2021-03-30T10:08:17","date_gmt":"2021-03-30T13:08:17","guid":{"rendered":"http:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/2021\/03\/30\/dona-ivone-lara-foi-transformadora-sem-ser-ativista-mostra-biografia\/"},"modified":"2021-03-30T10:08:17","modified_gmt":"2021-03-30T13:08:17","slug":"dona-ivone-lara-foi-transformadora-sem-ser-ativista-mostra-biografia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/2021\/03\/30\/dona-ivone-lara-foi-transformadora-sem-ser-ativista-mostra-biografia\/","title":{"rendered":"Dona Ivone Lara foi transformadora sem ser ativista, mostra biografia"},"content":{"rendered":"<p>S\u00c3O PAULO, SP (FOLHAPRESS) &#8211; A proposta de &#8220;Dona Ivone Lara &#8211; Sorriso Negro&#8221; trazia um risco embutido -fazer da cantora e compositora apenas pretexto para um ensaio sobre as lutas de mulheres e negros. A autora, Mila Burns, escapa dessa armadilha ao entrela\u00e7ar biografia e reflex\u00e3o sem que uma anule a outra.<\/p>\n<div class=\"dummyPub\"><\/div>\n<p>Em 2009, a jornalista e pesquisadora lan\u00e7ou &#8220;Nasci para Sonhar e Cantar: Dona Ivone Lara &#8211; A Mulher no Samba&#8221;, fruto de seu mestrado em antropologia social.<\/p>\n<p>Para a disserta\u00e7\u00e3o, fez v\u00e1rias entrevistas com Dona Ivone. O livro de agora chega tr\u00eas anos depois da morte da artista carioca, aos 96 anos, segundo o registro oficial, ou 97, como aponta Lucas Nobile em &#8220;Dona Ivone Lara &#8211; A Primeira-dama do Samba&#8221;.<\/p>\n<p>O novo trabalho de Burns -que vive em Nova York desde 2010- integra a cole\u00e7\u00e3o &#8220;O Livro do Disco&#8221;, voltada para \u00e1lbuns musicais importantes, n\u00e3o s\u00f3 brasileiros. O disco, no caso, \u00e9 &#8220;Sorriso Negro&#8221;, lan\u00e7ado em 1981.<\/p>\n<p>Perpassa todo o livro uma ideia que Burns resume j\u00e1 perto do final. &#8220;Apesar da tenacidade, Dona Ivone nunca abra\u00e7ou nenhuma forma de engajamento pol\u00edtico. Preferia a melodia \u00e0 letra, o lirismo ao poder, a concilia\u00e7\u00e3o ao questionamento. Apesar de ela rejeitar r\u00f3tulos, sua exist\u00eancia teve uma import\u00e2ncia para as pessoas negras e as mulheres no Brasil que muitos ativistas nunca conseguir\u00e3o alcan\u00e7ar.&#8221;<\/p>\n<p>Conceito fundamental para a autora \u00e9 &#8220;resist\u00eancia pela exist\u00eancia&#8221;. Segundo Burns, Dona Ivone n\u00e3o ergueu bandeiras, mas sua vida encarna grandes avan\u00e7os. Crescida no morro da Serrinha, na zona norte do Rio de Janeiro, n\u00e3o quis depender de provedores e, em 1947, foi trabalhar no Instituto de Psiquiatria do Engenho de Dentro, onde ficou por 30 anos. Esteve ao lado de Nise da Silveira, m\u00e9dica que, entre outras a\u00e7\u00f5es transformadoras, usava arte no tratamento de doen\u00e7as mentais.<\/p>\n<p>S\u00f3 ao se aposentar, a sambista passou a se dedicar integralmente \u00e0 m\u00fasica. Como Burns destaca, Dona Ivone tinha consci\u00eancia de que ser mulher e negra atrasara seu reconhecimento como artista, mas n\u00e3o demonstrava ressentimento. &#8220;Fiz porque queria&#8221; era um lema para indicar que escolheu seus caminhos.<\/p>\n<p>Compunha sambas desde a d\u00e9cada de 1940, algo ent\u00e3o malvisto para uma mulher. Repassava a autoria a Mestre Fuleiro, seu primo. &#8220;A discrimina\u00e7\u00e3o nunca me enfureceu. Eu tinha orgulho de ver que as pessoas gostavam das minhas cria\u00e7\u00f5es&#8221;, disse a Burns.<\/p>\n<p>A faixa-t\u00edtulo do disco &#8220;Sorriso Negro&#8221; \u00e9 uma das duas que n\u00e3o t\u00eam o nome de Dona Ivone na parceria. Mas ela contou que fez ajustes na composi\u00e7\u00e3o, s\u00f3 dispensando o cr\u00e9dito.<\/p>\n<p>Entre outras can\u00e7\u00f5es, est\u00e3o no \u00e1lbum &#8220;Algu\u00e9m me Avisou&#8221;, &#8220;A Sereia Guiomar&#8221;, &#8220;Tend\u00eancia&#8221; e uma regrava\u00e7\u00e3o de &#8220;Os Cinco Bailes da Hist\u00f3ria do Rio&#8221;. Este samba-enredo do Imp\u00e9rio Serrano, de 1965, foi o primeiro de uma escola do grupo principal a ter uma mulher entre os autores.<\/p>\n<p>Burns reconhece que &#8220;Sorriso Negro&#8221; n\u00e3o \u00e9 um disco ativista, mas o situa num momento de ativismos. O pa\u00eds vivia sua abertura pol\u00edtica, no lento ocaso da ditadura. Organiza\u00e7\u00f5es de mulheres se formavam em busca da igualdade de direitos. Surgiam for\u00e7as como o Movimento Negro Unificado, nascido em 1978, com L\u00e9lia Gonzalez e Abdias do Nascimento \u00e0 frente.<\/p>\n<p>Bisneta de escravizada, Dona Ivone tem composi\u00e7\u00f5es em que as origens africanas est\u00e3o expl\u00edcitas, caso de &#8220;Ax\u00e9 de Ianga&#8221;, \u00faltima faixa de &#8220;Sorriso Negro&#8221;. Ela conhecia bem manifesta\u00e7\u00f5es afro-brasileiras como o jongo e dan\u00e7as como o miudinho, que mostrava nos palcos.<\/p>\n<p>O tratamento de &#8220;dona&#8221;, que ela rejeitou de in\u00edcio, evoca as matriarcas negras, como as m\u00e3es de santo no candombl\u00e9 e as tias baianas que est\u00e3o nos prim\u00f3rdios do samba.<\/p>\n<p>Burns conta que &#8220;Sorriso Negro&#8221;, um samba de afirma\u00e7\u00e3o e n\u00e3o de revolta, \u00e9 cantado nas celebra\u00e7\u00f5es da Irmandade Nossa Senhora do Ros\u00e1rio dos Pretos, em Salvador.<\/p>\n<p>&#8220;Dona Ivone n\u00e3o fala de justi\u00e7a social&#8221;, escreve a autora. &#8220;Ela simplesmente afirma sua identidade. Mesmo assim, ao fazer isso, gera um consider\u00e1vel impacto social. A biografia de uma mulher como Dona Ivone tem papel central na constru\u00e7\u00e3o da identidade negra brasileira.<\/p>\n<p><span class=\"news_bold\">&#8220;DONA IVONE LARA &#8211; SORRISO NEGRO<\/span><br \/>Pre\u00e7o R$ 46 (162 p\u00e1gs.)<br \/>Autor Mila Burns<br \/>Editora Cobog\u00f3<br \/>Avalia\u00e7\u00e3o Muito bom<\/p>\n<p>Not\u00edcias ao Minuto Brasil &#8211; Cultura<br \/>\n<a href=\"https:\/\/www.noticiasaominuto.com.br\/ultima-hora\/1790814\/dona-ivone-lara-foi-transformadora-sem-ser-ativista-mostra-biografia?utm_source=rss-cultura&amp;amp;utm_medium=rss&amp;amp;utm_campaign=rssfeed\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Read More<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>S\u00c3O PAULO, SP (FOLHAPRESS) &#8211; A proposta de &#8220;Dona Ivone Lara &#8211; Sorriso Negro&#8221; trazia<\/p>\n","protected":false},"author":0,"featured_media":2708,"comment_status":"","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[4],"tags":[],"class_list":["post-2707","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cultura"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2707","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2707"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2707\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/2708"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2707"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2707"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2707"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}