{"id":2665,"date":"2021-03-30T07:09:38","date_gmt":"2021-03-30T10:09:38","guid":{"rendered":"http:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/2021\/03\/30\/e-muito-dificil-para-o-ocidente-mudar-a-china-diz-especialista\/"},"modified":"2021-03-30T07:09:38","modified_gmt":"2021-03-30T10:09:38","slug":"e-muito-dificil-para-o-ocidente-mudar-a-china-diz-especialista","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/2021\/03\/30\/e-muito-dificil-para-o-ocidente-mudar-a-china-diz-especialista\/","title":{"rendered":"\u00c9 muito dif\u00edcil para o Ocidente mudar a China, diz especialista"},"content":{"rendered":"<p>S\u00c3O PAULO, SP (FOLHAPRESS) &#8211; O Ocidente n\u00e3o tem muitos instrumentos para mudar a China, o conflito entre Pequim e Washington tende a crescer, mas no fim do dia os interesses econ\u00f4micos falar\u00e3o mais alto de lado a lado.<\/p>\n<div class=\"dummyPub\"><\/div>\n<p>Essa \u00e9 a avalia\u00e7\u00e3o de Arthur Kroeber, um dos mais importantes analistas econ\u00f4micos norte-americanos quando o assunto \u00e9 o pa\u00eds de Xi Jinping, acerca das renovadas tens\u00f5es geopol\u00edticas entre chineses e ocidentais.<\/p>\n<p>Fundador da consultoria Gavekal Dragonomics, baseada em Hong Kong e Pequim, ele disse ao jornal Folha de S.Paulo por telefone na sexta (26) acreditar que a recupera\u00e7\u00e3o chinesa p\u00f3s-pandemia \u00e9 &#8220;muito s\u00f3lida&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;Eles controlaram a crise muito bem. N\u00e3o haver\u00e1 problemas no curto prazo. Em 2020, o PIB cresceu 2,3%, o melhor das grandes economias. Em 2021, eu acho que ser\u00e1 de 8% a 9%&#8221;, afirmou.<\/p>\n<p>No m\u00eas passado, durante o encontro anual do Congresso do Povo Chin\u00eas, o governo estabeleceu uma meta modesta de 6% de crescimento, para ter espa\u00e7o fiscal e atacar gargalos estruturais.<\/p>\n<p>&#8220;O mais importante \u00e9 a ideia de criar crescimento com a indu\u00e7\u00e3o estatal do setor de alta tecnologia. \u00c9 muito ambicioso, nunca fizeram isso, e potencialmente podem perder muito.&#8221;<\/p>\n<p>Para Kroeber, &#8220;parece fazer bastante sentido focar na tecnologia&#8221;, apesar dos riscos.<\/p>\n<p>Um dos focos \u00e9 conquistar independ\u00eancia do Ocidente nas cadeias produtivas de chips, que t\u00eam sido alvo de amea\u00e7as de interrup\u00e7\u00e3o por parte dos EUA.<\/p>\n<p>O economista aponta para o catalisador do processo: a Guerra Fria 2.0 criada por Donald Trump em 2017, na qual todo tema virou motivo de conflito entre americanos e chineses.<\/p>\n<p>&#8220;At\u00e9 h\u00e1 cinco anos, os EUA falavam de forma colaborativa sobre a China. Com Trump, decidiram competir. [O novo presidente, Joe] Biden diz essencialmente a mesma coisa&#8221;, afirma.<\/p>\n<p>Para ele, &#8220;no curto prazo haver\u00e1 um establishment de seguran\u00e7a nacional querendo desengajar da China, enquanto o mundo dos neg\u00f3cios quer continuar seus investimentos&#8221;.<\/p>\n<p>Com efeito, a primeira reuni\u00e3o diplom\u00e1tica com os chineses na era Biden, no Alasca h\u00e1 duas semanas, foi marcada por acusa\u00e7\u00f5es duras e em p\u00fablico.<\/p>\n<p>A interdepend\u00eancia das duas maiores economias do mundo pode ser medida no seu investimento direto m\u00fatuo.<\/p>\n<p>Nos \u00faltimos 30 anos, empresas chinesas investiram US$ 154 bilh\u00f5es nos EUA. Na m\u00e3o inversa, foram US$ 258 bilh\u00f5es.<br \/>Ela \u00e9 um seguro, acredita Kroeber, contra um cen\u00e1rio de &#8220;armadilha de Tuc\u00eddides&#8221;.<\/p>\n<p>Criado pelo professor de Harvard Graham Allison, o termo evoca o historiador grego da guerra entre Esparta, ent\u00e3o a pot\u00eancia dominante, e Atenas, a ascendente, no s\u00e9culo 5\u00ba antes de Cristo.<\/p>\n<p>Observando situa\u00e7\u00f5es semelhantes nos \u00faltimos 500 anos, Allison analisa a chance da repeti\u00e7\u00e3o do conflito na forma de uma guerra entre Washington e Pequim.<\/p>\n<p>&#8220;Eu acho muito determinista. Pode haver uma guerra, fria ou quente, claro. Mas ela ser\u00e1 s\u00f3 vai acontecer se todos cometerem muitos erros&#8221;, diz.<\/p>\n<p>Riscos de choques n\u00e3o faltam, no estreito de Taiwan ou no mar do Sul da China. H\u00e1 assimetrias: al\u00e9m de ter uma economia maior, os EUA t\u00eam um gasto militar quase quatro vezes maior que o chin\u00eas, por exemplo.<\/p>\n<p>Ele concorda com a avalia\u00e7\u00e3o de que a assertividade de Xi, l\u00edder cada vez mais autocr\u00e1tico da ditadura comunista que encabe\u00e7a h\u00e1 nove anos, tamb\u00e9m pesa na equa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A repress\u00e3o aos movimentos democr\u00e1ticos de Hong Kong e o tratamento \u00e0 minoria mu\u00e7ulmana da prov\u00edncia de Xinjiang levaram a um questionamento \u00f3bvio no Ocidente.<\/p>\n<p>Afinal de contas, os neg\u00f3cios s\u00e3o feitos com um pa\u00eds acusado at\u00e9 de genoc\u00eddio pelos seus rivais.<\/p>\n<p>&#8220;Mas n\u00e3o acho que \u00e9 s\u00f3 uma quest\u00e3o com os EUA, \u00e9 tamb\u00e9m com a Europa. E a cada vez que dizem que n\u00e3o concordam com [a repress\u00e3o em] Hong Kong, os chineses contra-atacam&#8221;, diz o pesquisador.<\/p>\n<p>&#8220;No fim do dia, os interesses financeiros s\u00e3o muito grandes. Pode haver um limite para isso, mas h\u00e1 pouco que o Ocidente pode fazer para mudar a China.&#8221;<\/p>\n<p>Ele aponta, por outro lado, que a quest\u00e3o de valores leva a uma contradi\u00e7\u00e3o que &#8220;s\u00f3 vai crescer&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;Biden est\u00e1 apostando numa pol\u00edtica industrial para reconstruir a base americana. Ele pensa &#8216;Como vamos competir?&#8217;, e diz: &#8216;Investindo nas nossas pr\u00f3prias capacidades'&#8221;, afirma.<\/p>\n<p>&#8220;O mais prov\u00e1vel \u00e9 que ambos os pa\u00edses ir\u00e3o coexistir e, em tr\u00eas ou quatro anos, haja ainda mais interdepend\u00eancia.&#8221;<\/p>\n<p>Kroeber tamb\u00e9m v\u00ea com ceticismo as iniciativas, do Ocidente e da China, por maior independ\u00eancia tecnol\u00f3gica.<\/p>\n<p>&#8220;Creio que n\u00e3o seja poss\u00edvel separar completamente o mundo. Na Europa, por exemplo, a [gigante de telecomunica\u00e7\u00e3o chinesa] Huawei est\u00e1 em todo o 4G. E apostar nas fabricantes ocidentais do 5G significa mais custo e prazo&#8221;, diz.<\/p>\n<p>&#8220;A cadeia produtiva tecnol\u00f3gica passa toda pela China. N\u00e3o acho que seja poss\u00edvel ter um futuro com zero participa\u00e7\u00e3o chinesa. Pa\u00edses com quest\u00f5es de seguran\u00e7a, como os EUA, v\u00e3o trabalhar mais por isso e podem ter sucesso local.&#8221;<\/p>\n<p>Ele ressalva tamb\u00e9m que, se os produtos da Huawei s\u00e3o tentadores, o modelo de internet aut\u00f4noma chinesa e sob censura n\u00e3o \u00e9 algo que se exporte \u2013exceto como ideia para outros regimes autorit\u00e1rios.<\/p>\n<p>Na m\u00e3o inversa, o plano chin\u00eas de chegar \u00e0 d\u00e9cada de 2030 como um l\u00edder de mercado de semicondutores parece de dif\u00edcil execu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8220;N\u00f3s \u00faltimos cinco anos, eles investiram US$ 50 bilh\u00f5es e v\u00e3o investir mais. Eles t\u00eam uma grande chance de sucesso com chips menos sofisticados&#8221;, afirma.<\/p>\n<p>Ainda assim, hoje Pequim s\u00f3 tem autonomia para cerca de 25% a 30% de suas necessidades -chips v\u00e3o em tudo, de celulares a avi\u00f5es de guerra.<\/p>\n<p>O problema come\u00e7a com os chips com tecnologia dual, civil e militar. Para produzi-los, s\u00e3o necess\u00e1rias m\u00e1quinas americanas, japonesas ou holandesas.<\/p>\n<p>E, desde o ano passado, Washington tem buscado uma pol\u00edtica industrial para atrair a principal fornecedora chinesa, a taiwanesa TSCM, para investir nos EUA.<\/p>\n<p>&#8220;A habilidade dos chineses est\u00e1 represada. Teoricamente os EUA podem parar tudo, mas a\u00ed ir\u00e3o destruir seus interesses tamb\u00e9m&#8221;, afirma.<\/p>\n<p>Questionado acerca dos problemas diplom\u00e1ticos do Brasil com a China, encarnados nas brigas do embaixador em Bras\u00edlia com os filhos do presidente Jair Bolsonaro, Kroeber \u00e9 direto.<\/p>\n<p>&#8220;Os chineses s\u00e3o muito claros nas suas prioridades. Primeiro os EUA, depois a Europa, os aliados americanos na \u00c1sia. O Brasil est\u00e1 muito no fim da lista&#8221;, diz.<\/p>\n<p>Para ele, o interesse chin\u00eas no Brasil se divide entre investimento direto, como a estatal State Grid fez no setor el\u00e9trico, e geopol\u00edtica.<\/p>\n<p>No caso, ter um p\u00e9 no quintal estrat\u00e9gico dos EUA. &#8220;Eles querem impedir a cria\u00e7\u00e3o de uma alian\u00e7a muito ampla de pa\u00edses contr\u00e1rios \u00e0 China. Mas fazem isso com muito cuidado&#8221;, diz. Os americanos v\u00eam fazendo o mesmo com aliados no Indo-Pac\u00edfico.<\/p>\n<p>Para ele, o Brasil deveria apostar numa diversifica\u00e7\u00e3o de sua pauta agr\u00edcola, fugindo das commodities b\u00e1sicas e buscando ampliar a paleta com alimentos processados.<\/p>\n<p>Kroeber falar\u00e1 sobre a China p\u00f3s-pandemia em um semin\u00e1rio virtual do Conselho Empresarial Brasil-China e do Centro Brasileiro de Rela\u00e7\u00f5es Internacionais \u00e0s 10h de quarta (31).<br \/>Interessados podem se registrar no link http:\/\/bit.ly\/TheVenture-CapitalistArthurKroeber. A media\u00e7\u00e3o \u00e9 da colunista da Folha Tatiana Prazeres.<\/p>\n<p>Not\u00edcias ao Minuto Brasil &#8211; Mundo<br \/>\n<a href=\"https:\/\/www.noticiasaominuto.com.br\/esporte\/1790768\/e-muito-dificil-para-o-ocidente-mudar-a-china-diz-especialista?utm_source=rss-mundo&amp;amp;utm_medium=rss&amp;amp;utm_campaign=rssfeed\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Read More<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>S\u00c3O PAULO, SP (FOLHAPRESS) &#8211; O Ocidente n\u00e3o tem muitos instrumentos para mudar a China,<\/p>\n","protected":false},"author":0,"featured_media":2666,"comment_status":"","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[],"class_list":["post-2665","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-mundo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2665","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2665"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2665\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/2666"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2665"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2665"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2665"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}