{"id":26625,"date":"2021-08-06T12:08:58","date_gmt":"2021-08-06T15:08:58","guid":{"rendered":"http:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/2021\/08\/06\/jimmy-cliff-lenda-do-reggae-diz-que-hip-hop-e-pop-atuais-tem-as-suas-raizes-na-jamaica-2\/"},"modified":"2021-08-06T12:08:58","modified_gmt":"2021-08-06T15:08:58","slug":"jimmy-cliff-lenda-do-reggae-diz-que-hip-hop-e-pop-atuais-tem-as-suas-raizes-na-jamaica-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/2021\/08\/06\/jimmy-cliff-lenda-do-reggae-diz-que-hip-hop-e-pop-atuais-tem-as-suas-raizes-na-jamaica-2\/","title":{"rendered":"Jimmy Cliff, lenda do reggae, diz que hip-hop e pop atuais t\u00eam as suas ra\u00edzes na Jamaica"},"content":{"rendered":"<p>S\u00c3O PAULO, SP (FOLHAPRESS) &#8211; Nesta sexta-feira (6), a Jamaica completa seus 59 anos de independ\u00eancia. Mas, neste ano, as comemora\u00e7\u00f5es v\u00e3o ser diferentes. &#8220;A maior parte da Jamaica est\u00e1 mais ou menos em lockdown. N\u00e3o sei como v\u00e3o ser as comemora\u00e7\u00f5es&#8221;, diz Jimmy Cliff, um dos grandes nomes da cultura do pa\u00eds.<\/p>\n<div class=\"dummyPub\"><\/div>\n<p>Os dois temas \u2013a independ\u00eancia e a Covid-19\u2013 est\u00e3o presentes em &#8220;Human Touch&#8221;, o novo single do cantor, primeiro de um \u00e1lbum que ele pretende lan\u00e7ar no ano que vem. \u00c9 uma can\u00e7\u00e3o de amor e de celebra\u00e7\u00e3o, mas tamb\u00e9m de esperan\u00e7a, clamando pela volta do contato humano depois dos tempos de isolamento.<\/p>\n<p>&#8220;Somos um pa\u00eds que n\u00e3o tem a pr\u00f3pria vacina e, considerando isso, estamos at\u00e9 indo bem&#8221;, ele diz, sobre o controle do v\u00edrus no pa\u00eds. &#8220;Para mim n\u00e3o fez muita diferen\u00e7a. Continuei fazendo o que gosto, que \u00e9 compor, nadar, caminhar. Ficar em casa n\u00e3o me incomoda.&#8221;<\/p>\n<p>Jimmy Cliff \u00e9 uma lenda viva. Aos 77 anos, conta hist\u00f3rias com a mesma facilidade que atinge agudos \u00fanicos com sua voz de tenor e prepara o retorno depois de um hiato de quase dez anos sem lan\u00e7ar disco. O \u00faltimo deles \u00e9 o elogiado &#8220;Rebirth&#8221;, de 2012, que tem produ\u00e7\u00e3o de Tim Armstrong, do Rancid, e venceu at\u00e9 Grammy.<\/p>\n<p>Naquele \u00e1lbum, Cliff conversava com a linha evolutiva da m\u00fasica jamaicana a partir dos anos 1950, do ska ao reggae, uma evolu\u00e7\u00e3o que ele viveu de perto \u2013e como protagonista. Essa m\u00fasica, diz, reflete o pr\u00f3prio processo de independ\u00eancia da Jamaica.<br \/>&#8220;A m\u00fasica na \u00e9poca era o ska, que expressava o esp\u00edrito das pessoas, que estavam animadas. Tipo &#8216;olha, somos independentes&#8217;. Depois daquilo, a m\u00fasica ficou mais lenta, o rocksteady. Era assim &#8216;que independ\u00eancia \u00e9 essa?&#8217;. N\u00e3o somos independentes! Nada melhorou.&#8221;<\/p>\n<p>Foi quando veio o reggae -Cliff, inclusive, foi quem fez a primeira audi\u00e7\u00e3o de Bob Marley em est\u00fadio. &#8220;Come\u00e7amos a buscar algo que nos tornasse independentes. Olhamos para a \u00c1frica. E a\u00ed veio o reggae, uma m\u00fasica entre o rocksteady e o ska. E junto veio o rastafari, que \u00e9 da cultura ind\u00edgena jamaicana.&#8221;<\/p>\n<p>Segundo Cliff, a Jamaica evoluiu bastante \u2013tem grandes artistas, intelectuais e atletas. Tamb\u00e9m produz grande parte da pr\u00f3pria comida. Mas n\u00e3o \u00e9 totalmente independente. &#8220;Para isso, voc\u00ea precisa falar a pr\u00f3pria l\u00edngua. Voc\u00ea est\u00e1 no Brasil e fala portugu\u00eas, que \u00e9 de Portugal. Falamos ingl\u00eas, de um pa\u00eds chamado Inglaterra. A l\u00edngua une as pessoas, e \u00e9 a coisa mais importante para mim.&#8221;<\/p>\n<p>Em termos de m\u00fasica, a Jamaica tem contribu\u00eddo de maneira fundamental. O hip-hop, que hoje tem uma das m\u00fasicas mais ouvidas ao redor do mundo, tem como um de seus fundadores o DJ Kool Herc \u2013jamaicano que levou consigo a cultura dos sound systems quando se mudou para Nova York.<\/p>\n<p>&#8220;O hip-hop tem ra\u00edzes na m\u00fasica jamaicana. Cham\u00e1vamos [os raps] de toasting e de DJs as pessoas nos sound systems. Ent\u00e3o, isso foi at\u00e9 os Estados Unidos e eles disseram &#8216;o que \u00e9 isso?&#8217; e pegaram para eles. Fizeram aquilo no ambiente pr\u00f3prio deles e chamaram de hip-hop.&#8221;<\/p>\n<p>E a influ\u00eancia do hip-hop, como uso de samples e batidas eletr\u00f4nicas, est\u00e1 circunscrita em grande parte da m\u00fasica pop atual. &#8220;Se voc\u00ea olhar a m\u00fasica mainstream hoje, o hip-hop, o reggaeton, isso tudo tem ra\u00edzes na Jamaica. A m\u00fasica mainstream internacional \u2013tirando, por exemplo, o Brasil, que tem uma m\u00fasica pr\u00f3pria\u2013, olhando para Estados Unidos e Europa, mesmo falando de rock, tudo tem raiz na Jamaica.&#8221;<\/p>\n<p>Para entender como uma ilha t\u00e3o pequena pode ser t\u00e3o influente numa \u00e1rea, ele lembra as caracter\u00edsticas do pr\u00f3prio povo. &#8220;Foi um pa\u00eds em que os escravos se rebelaram contra os opressores. \u00c9 o esp\u00edrito de &#8216;voc\u00ea sabe quem eu sou?&#8217;. &#8216;N\u00e3o vou abaixar a cabe\u00e7a para voc\u00ea&#8217;. Sempre tivemos isso. A Inglaterra teve que nos dar um peda\u00e7o de terra, porque n\u00e3o podiam nos controlar. A m\u00fasica sai desse esp\u00edrito. Mesmo pequenos, influenciamos o mundo.&#8221;<\/p>\n<p>Mas Cliff tamb\u00e9m foi muito influenciado pelo Brasil. Veio ao pa\u00eds em 1968 para cantar no Festival Internacional da Can\u00e7\u00e3o, no Rio de Janeiro. Ia ficar duas semanas, mas acabou ficando por quatro meses e ainda lan\u00e7ou o disco &#8220;Jimmy Cliff in Brazil&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;Foi um momento de virada n\u00e3o s\u00f3 na minha carreira, mas na minha vida. Tinha ido \u00e0 Inglaterra em 1965 cheio de ambi\u00e7\u00f5es. Ia ser maior que Beatles e Stones. Mas n\u00e3o aconteceu. Quando veio a oportunidade de tocar no Brasil, fui na hora. Tinha ouvido que n\u00e3o existia preconceito no Brasil \u2013e quando cheguei a\u00ed descobri que era mentira.&#8221;<\/p>\n<p>Na \u00e9poca, Cliff era um desconhecido no mundo da m\u00fasica, mas lembra que o Maracan\u00e3zinho veio abaixo quando ele cantou \u2013experi\u00eancia que inspirou a can\u00e7\u00e3o &#8220;Wonderful World, Beautiful People&#8221;. Outra m\u00fasica que fez inspirado no Brasil foi &#8220;Many Rivers to Cross&#8221;, mas por outra raz\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 um pa\u00eds lindo, tudo \u00e9 bonito, mas existe um segredo por debaixo disso. Os pretos n\u00e3o lutavam contra as pessoas que os oprimiam. Eu entrava no banco e n\u00e3o via uma pessoa negra. Era opressor de tantas maneiras que eu n\u00e3o conseguia entender como eles n\u00e3o se revoltavam.&#8221;<\/p>\n<p>Al\u00e9m das turn\u00eas e das colabora\u00e7\u00f5es com artistas brasileiros, o cantor morou um per\u00edodo em Salvador, quando gravou m\u00fasicas com o Olodum \u2013antes de Michael Jackson e Paul Simon\u2013 e Margareth Menezes, h\u00e1 30 anos.<\/p>\n<p>Ele rasga elogios \u00e0 nossa m\u00fasica. &#8220;Voc\u00eas fazem m\u00fasicas com muitos acordes e ainda assim ela soa simples&#8221;, diz. &#8220;Quando ouvi a batucada do samba na Bahia, enlouqueci. Queria aquilo para mim.&#8221;<\/p>\n<p>Amigo de Gilberto Gil, Cliff lamenta que est\u00e3o h\u00e1 um tempo sem se falar, mas d\u00e1 risada quando lembrado de um show que fez com o brasileiro no Recife, em 1980. Segundo o Di\u00e1rio de Pernambuco, a dupla foi alvo de inqu\u00e9rito policial, por apologia de crime, quando cantaram uma vers\u00e3o de &#8220;Legalize It&#8221;, de Peter Tosh. Era o auge do reggae, e boa parte do p\u00fablico de 20 mil pessoas aproveitou o momento para acender um cigarro de maconha.<\/p>\n<p>&#8220;Todos os artistas do reggae s\u00e3o tachados de maconheiros, assim como os roqueiros com coca\u00edna, os de blues com \u00e1lcool. N\u00e3o me surpreende. Mas tudo bem, veja s\u00f3, agora \u00e9 at\u00e9 legalizado! Peter Tosh ficaria muito feliz. N\u00f3s previmos!&#8221;<\/p>\n<p>Ele n\u00e3o fuma mais maconha, mas \u00e9 a favor da legaliza\u00e7\u00e3o. &#8220;Claro, porque n\u00e3o faz mais mal que o \u00e1lcool -na verdade, o \u00e1lcool \u00e9 mais perigoso. Mas, ainda assim, sobre fumar em geral, acho que a pessoa deveria zelar pelo templo que \u00e9 o seu corpo, o manter limpo. Uma boa mente precisa de um bom corpo para funcionar.&#8221;<\/p>\n<p>Preparando o novo \u00e1lbum, Cliff acredita que ainda tem muito a fazer. Por exemplo, ele diz, nunca ganhou um Oscar, embora em diversos lugares do mundo seja mais conhecido pela atua\u00e7\u00e3o no filme &#8220;Balada Sangrenta&#8221;, de 1972, do que como cantor.<\/p>\n<p>Com exce\u00e7\u00e3o do Brasil \u2013onde foi trilha de diversas novelas\u2013 e pa\u00edses da \u00c1frica, Cliff diz &#8220;sou um artista de festival, \u00e0s vezes de teatro&#8221;. &#8220;Mas o objetivo \u00e9 tocar em arenas e est\u00e1dios. Quero conseguir no mundo inteiro.&#8221;<\/p>\n<p>Ele tamb\u00e9m tem mais um objetivo. Quer escrever dois livros -uma autobiografia, provavelmente cheia de hist\u00f3rias do Brasil, e outro volume sobre a hist\u00f3ria do reggae, dando luz a personagens menos conhecidos, como o influente engenheiro de som King Tubby. &#8220;As pessoas veem os artistas, mas n\u00e3o veem os transformadores, que s\u00e3o os m\u00fasicos, os engenheiros. N\u00e3o conhecem quem criou a m\u00fasica daqueles artistas. Vai ser a hist\u00f3ria verdadeira do reggae, porque eu sou qualificado para contar, estava l\u00e1 desde o come\u00e7o, desde quando ainda se chamava ska.&#8221;<\/p>\n<p>Not\u00edcias ao Minuto Brasil &#8211; Cultura<br \/>\n<a href=\"https:\/\/www.noticiasaominuto.com.br\/cultura\/1830383\/jimmy-cliff-lenda-do-reggae-diz-que-hip-hop-e-pop-atuais-tem-as-suas-raizes-na-jamaica?utm_source=rss-cultura&amp;amp;utm_medium=rss&amp;amp;utm_campaign=rssfeed\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Read More<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>S\u00c3O PAULO, SP (FOLHAPRESS) &#8211; Nesta sexta-feira (6), a Jamaica completa seus 59 anos de<\/p>\n","protected":false},"author":0,"featured_media":26626,"comment_status":"","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[4],"tags":[],"class_list":["post-26625","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cultura"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/26625","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=26625"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/26625\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/26626"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=26625"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=26625"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=26625"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}