{"id":25809,"date":"2021-08-02T06:08:39","date_gmt":"2021-08-02T09:08:39","guid":{"rendered":"http:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/2021\/08\/02\/cenario-internacional-cambio-e-inflacao-afastam-brasil-de-juros-mais-baixos\/"},"modified":"2021-08-02T06:08:39","modified_gmt":"2021-08-02T09:08:39","slug":"cenario-internacional-cambio-e-inflacao-afastam-brasil-de-juros-mais-baixos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/2021\/08\/02\/cenario-internacional-cambio-e-inflacao-afastam-brasil-de-juros-mais-baixos\/","title":{"rendered":"Cen\u00e1rio internacional, c\u00e2mbio e infla\u00e7\u00e3o afastam Brasil de juros mais baixos"},"content":{"rendered":"<p>S\u00c3O PAULO, SP (FOLHAPRESS) &#8211; Sens\u00edvel ao cen\u00e1rio externo e ao c\u00e2mbio e constantemente assombrado pelo fantasma da infla\u00e7\u00e3o, o Brasil tem dificuldade para sustentar uma taxa de juros em um patamar mais baixo por muito tempo.<\/p>\n<div class=\"dummyPub\"><\/div>\n<p>Hoje, a taxa b\u00e1sica, a Selic, est\u00e1 em 4,25% ao ano. At\u00e9 o come\u00e7o de 2021, ela chegou a ficar na m\u00ednima hist\u00f3rica de 2%, e o mercado, de acordo o mais recente boletim Focus, espera que os juros fiquem em 7% ao ano.<\/p>\n<p>Em mar\u00e7o, o Copom (Comit\u00ea de Pol\u00edtica Monet\u00e1ria) elevou os juros pela primeira vez em quase seis anos, em 0,75 ponto percentual, para 2,75%, e repetiu a dose nas reuni\u00f5es seguintes, acompanhando a alta da infla\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>Ao longo de 2021, a alta da comida -que havia disparado na pandemia, afetando principalmente os mais pobres- desacelerou, mas o IPCA (\u00cdndice de Pre\u00e7os ao Consumidor Amplo) tem encontrado novos vil\u00f5es nos combust\u00edveis e na energia el\u00e9trica.<\/p>\n<p>Em 12 meses at\u00e9 junho, o \u00edndice oficial avan\u00e7ou 8,35%.<\/p>\n<p>Um movimento semelhante ocorreu a partir de outubro de 2014, quando a Selic entrou em um novo ciclo de alta, chegando a 14,25% em 2015, para responder a um forte aumento da infla\u00e7\u00e3o no governo da ex-presidente Dilma Rousseff (PT).<\/p>\n<p>&#8220;A volatilidade interna do Brasil \u00e9 muito alta e por sermos bastante vulner\u00e1veis ao que ocorre no ambiente externo, isso acaba tornando dif\u00edcil a manuten\u00e7\u00e3o dos juros em um patamar mais baixo&#8221;, avalia Jos\u00e9 Julio Senna, do Ibre-FGV (Instituto Brasileiro de Economia, da Funda\u00e7\u00e3o Getulio Vargas) e ex-diretor do Banco Central.<\/p>\n<p>Ele, que comandava na d\u00e9cada de 1980 a equipe que definia onde as taxas ficariam, ressalta que o BC poderia ter sido mais conservador durante o \u00faltimo ciclo de baixa dos juros, mas as incertezas provocadas pela pandemia de Covid-19 acabam prejudicando o planejamento da pol\u00edtica monet\u00e1ria.<\/p>\n<p>O economista Br\u00e1ulio Borges, tamb\u00e9m do Ibre, avalia que a decis\u00e3o do BC de voltar a subir juros este ano \u00e9 acertada. &#8220;Ap\u00f3s a queda provocada pela pandemia, o PIB [Produto Interno Bruto] reagiu bem no primeiro trimestre, embora alguns setores, como de servi\u00e7os, estejam mal. Mas alguma normaliza\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica monet\u00e1ria era necess\u00e1ria.&#8221;<\/p>\n<p>Borges considera, no entanto, que a busca pelo juro neutro (a taxa que estimula o crescimento, mas sem resultar em um aumento da infla\u00e7\u00e3o), que j\u00e1 foi de -5% durante a crise de 2015 e 2016 e hoje est\u00e1 em torno de 6,5%, \u00e9 muito mais uma demanda do mercado.<\/p>\n<p>&#8220;Toda a discuss\u00e3o no mundo vai na dire\u00e7\u00e3o de que a pol\u00edtica monet\u00e1ria n\u00e3o pode olhar s\u00f3 para a infla\u00e7\u00e3o. O BC passou a ter como objetivo estimular a atividade econ\u00f4mica e o pleno emprego como parte de seu mandato, mas ele ainda n\u00e3o age dessa forma e o foco continua sendo a infla\u00e7\u00e3o. &#8220;<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 dif\u00edcil dizer que a meta deveria ser o juro neutro. A ideia \u00e9 ter uma economia equilibrada, mas isso se complica pelos choques que v\u00eam tanto de fora e de dentro&#8221;, avalia de Juliana Inhasz, do Insper.<\/p>\n<p>Ela ressalta que o Brasil tem tido de conviver com infla\u00e7\u00e3o, flutua\u00e7\u00f5es do c\u00e2mbio e baixo crescimento. &#8220;Para o crescimento, subir juros \u00e9 um problema, j\u00e1 que isso desestimula investimentos. Mas a gente tem uma infla\u00e7\u00e3o que subiu muito e est\u00e1 apertando o bolso, principalmente na classe m\u00e9dia baixa.&#8221;<\/p>\n<p>A economista avalia que a pol\u00edtica do BC est\u00e1 acertada, ao tentar reduzir o impacto da alta de pre\u00e7os. &#8220;Se o governo tem de escolher um lado, ele tenta reduzir o desconforto para quem tem um custo de vida maior pela frente.&#8221;<\/p>\n<p>J\u00e1 o professor da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) Pedro Paulo Zahluth Bastos argumenta que, quando o aumento da infla\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 resultado de press\u00f5es de demanda, como ocorre agora, pol\u00edticas alternativas de controle s\u00e3o mais eficientes para antever e limitar choques de pre\u00e7os do que subir juros.<\/p>\n<p>Isso pode ser feito por meio de outras pol\u00edticas, como impostos sobre commodities e manuten\u00e7\u00e3o de estoques reguladores de produtos.<\/p>\n<p>Ele lembra de um estudo do americano Christopher Adolph, que mostra como a origem dos presidentes dos bancos centrais tem impacto sobre a pol\u00edtica de juros: elas s\u00e3o mais elevadas nos pa\u00edses onde o BC \u00e9 comandado por algu\u00e9m que veio do setor privado. J\u00e1 os que v\u00eam do setor p\u00fablico normalmente deixam as taxas de juros mais baixas.<\/p>\n<p>&#8220;O sistema financeiro cresceu muito e para os seus agentes \u00e9 importante ter uma infla\u00e7\u00e3o mais baixa e evitar perdas reais no rendimento de ativos. A defini\u00e7\u00e3o da taxa de juros tamb\u00e9m \u00e9 uma quest\u00e3o pol\u00edtica&#8221;, diz.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.noticiasaominuto.com.br\/economia\/1828778\/cenario-internacional-cambio-e-inflacao-afastam-brasil-de-juros-mais-baixos?utm_source=rss-economia&amp;amp;utm_medium=rss&amp;amp;utm_campaign=rssfeed\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Read More<\/a><br \/>\nNot\u00edcias ao Minuto Brasil &#8211; Economia<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>S\u00c3O PAULO, SP (FOLHAPRESS) &#8211; Sens\u00edvel ao cen\u00e1rio externo e ao c\u00e2mbio e constantemente assombrado<\/p>\n","protected":false},"author":0,"featured_media":25810,"comment_status":"","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[11],"tags":[],"class_list":["post-25809","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-economia"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/25809","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=25809"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/25809\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/25810"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=25809"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=25809"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=25809"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}