{"id":2525,"date":"2021-03-29T14:08:38","date_gmt":"2021-03-29T17:08:38","guid":{"rendered":"http:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/2021\/03\/29\/dificuldade-para-montar-equipes-de-uti-atinge-pelo-menos-nove-estados\/"},"modified":"2021-03-29T14:08:38","modified_gmt":"2021-03-29T17:08:38","slug":"dificuldade-para-montar-equipes-de-uti-atinge-pelo-menos-nove-estados","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/2021\/03\/29\/dificuldade-para-montar-equipes-de-uti-atinge-pelo-menos-nove-estados\/","title":{"rendered":"Dificuldade para montar equipes de UTI atinge pelo menos nove Estados"},"content":{"rendered":"<p>O r\u00e1pido agravamento da pandemia no Brasil pressiona hospitais, que j\u00e1 lidam com a insufici\u00eancia de leitos e escassez de rem\u00e9dios. O risco de um apag\u00e3o de profissionais especializados tamb\u00e9m \u00e9 um problema. No ca\u00f3tico ambiente hospitalar, gestores e entidades m\u00e9dicas de pelo menos nove Estados &#8211; Bahia, Mato Grosso, Par\u00e1, Piau\u00ed, Rond\u00f4nia, Rio Grande do Sul, Rio Grande do Norte, Santa Catarina e Tocantins &#8211; relatam falta de intensivistas, dificuldades no atendimento ou necessidade de abrir rodadas de processos seletivos para contratar tempor\u00e1rios.<\/p>\n<div class=\"dummyPub\"><\/div>\n<p>O Brasil tem 543 mil m\u00e9dicos, mas nem todos preparados para as demandas atuais. &#8220;O que precisamos \u00e9 de profissionais treinados para interna\u00e7\u00e3o sob cuidados intensivos&#8221;, diz o presidente da Associa\u00e7\u00e3o M\u00e9dica Brasileira (AMB), C\u00e9sar Eduardo Fernandes. &#8220;E tamb\u00e9m dos demais profissionais de sa\u00fade, porque n\u00e3o \u00e9 qualquer m\u00e9dico ou t\u00e9cnico que pode trabalhar numa UTI. As equipes de enfermagem t\u00eam de ter treinamento para manejar m\u00e1quinas modernas e os respiradores.&#8221;<\/p>\n<p>Em Santa Catarina, um dos Estados com maior colapso, j\u00e1 foram 32 processos de contrata\u00e7\u00e3o na crise sanit\u00e1ria. Mas parte dos inscritos n\u00e3o aparece ap\u00f3s a convoca\u00e7\u00e3o. &#8220;Cremos que as desist\u00eancias se d\u00e3o por receio de trabalhar na linha de frente ao combate \u00e0 covid-19. Mesmo assim, n\u00e3o se considera um apag\u00e3o de profissionais, pelo menos no \u00e2mbito das estruturas pr\u00f3prias da Secretaria Estadual da Sa\u00fade&#8221;, diz o governo. O Estado tem 2,6 mil profissionais a mais e na rede de hospitais filantr\u00f3picos, cerca de 2,5 mil, em &#8220;amplia\u00e7\u00e3o sem precedentes&#8221;.<\/p>\n<p>Na Bahia, informa\u00e7\u00f5es oficiais do governo mostram que a demanda ainda tem sido atendida, mas os dados j\u00e1 apontam &#8220;dificuldades&#8221; para achar profissionais. Em Salvador e regi\u00e3o metropolitana, foram abertas cerca de 2 mil vagas este m\u00eas.<\/p>\n<p>O Piau\u00ed admite que a dificuldade maior \u00e9 a de encontrar m\u00e9dicos. Foram ao menos dois processos seletivos em 2020 para m\u00e9dicos e demais \u00e1reas de enfermagem. A rede p\u00fablica, diz o Estado, j\u00e1 teve 1.112 contratados e hoje s\u00e3o 1.004 em opera\u00e7\u00e3o. No fim do ano passado, houve desligamentos por t\u00e9rmino de contrato ou pedidos de afastamento, alega o governo.<\/p>\n<p>Segundo Gerson Junqueira Junior, presidente da Associa\u00e7\u00e3o M\u00e9dica do Rio Grande do Sul, existem hoje no Pa\u00eds cerca de 20 mil m\u00e9dicos, de v\u00e1rias especialidades, que j\u00e1 trabalham em UTIs, mas a demanda pode chegar ao dobro disso. O ideal \u00e9 que cada m\u00e9dico cuide de at\u00e9 10 leitos de UTI, acrescenta o cirurgi\u00e3o. &#8220;No interior, a dificuldade \u00e9 muito grande para encontrar o profissional&#8221;, explica. &#8220;E al\u00e9m da equipe, tem de ver se h\u00e1 estrutura de rede el\u00e9trica para os equipamentos, rede de abastecimento de oxig\u00eanio para os respiradores de alto fluxo, equipamentos de di\u00e1lise&#8221;, diz.<\/p>\n<p>O Estado tinha, segundo Junqueira, de 800 a mil leitos de UTI antes da crise. &#8220;Hoje tem 3.195 leitos operacionais de UTI, 1.021 na capital. N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel suportar isso&#8221;, destaca. &#8220;H\u00e1 hospital com 160% de ocupa\u00e7\u00e3o de UTI, outro com 145%, outro com 133%&#8221;, afirma. &#8220;Se isso n\u00e3o \u00e9 colapso, o que seria?&#8221;.<\/p>\n<p>O Rio Grande do Sul destacou que, &#8220;diferentemente de alguns Estados, n\u00e3o conta com rede hospitalar pr\u00f3pria&#8221;. A pedido do governo estadual, o Ex\u00e9rcito montou unidade de campanha ao lado do Hospital de Restinga, em Porto Alegre.<\/p>\n<p><strong>Plant\u00f5es e horas extras<\/strong><\/p>\n<p>Rond\u00f4nia j\u00e1 abriu 85 editais de chamamento emergencial para todas as \u00e1reas, principalmente m\u00e9dicos. Na rede p\u00fablica, segundo o governo, foram chamados 2.191 servidores, inclu\u00eddos os administrativos. Colaboradores volunt\u00e1rios, diz o governo, s\u00e3o &#8220;casuais&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;N\u00e3o temos funcion\u00e1rios suficientes nas UTIs. At\u00e9 porque nem todos querem assumir contratos provis\u00f3rios, de car\u00e1ter emergencial, e vir para c\u00e1, em plena pandemia, trabalhar com pacientes que est\u00e3o com o coronav\u00edrus&#8221;, conta Maira Joaneide de Oliveira Barros, enfermeira que atua na UTI do Hospital Regina Pacis e de uma unidade de campanha em Porto Velho.<\/p>\n<p>&#8220;Muitas vezes precisamos nos desdobrar, fazer mais horas extras, mais plant\u00f5es&#8221;, acrescenta Maira Joaneide. &#8220;Vivemos horas, minutos e segundos de forma muito imprevis\u00edvel. Quando pensamos que n\u00e3o, a satura\u00e7\u00e3o dos pacientes come\u00e7a a cair, e \u00e9 muito r\u00e1pido. Corremos para tentar manter viva aquela pessoa.&#8221;<\/p>\n<p>O governo de Mato Grosso admite dificuldade de aumentar os quadros da linha de frente, mas informa que &#8220;ainda \u00e9 poss\u00edvel contratar profissionais da sa\u00fade&#8221; e a Secretaria Estadual de Sa\u00fade est\u00e1 com processo seletivo em aberto. &#8220;No ano passado, a Secretaria Estadual de Sa\u00fade de Mato Grosso abriu dois processos seletivos, um para atua\u00e7\u00e3o nos oito Hospitais Regionais geridos pelo Estado e outro para contratar atua\u00e7\u00e3o no Centro de Triagem da covid-19&#8221;, diz. J\u00e1 foram contratados, segundo o governo, mais de 1,5 mil trabalhadores para atuar nessas unidades.<\/p>\n<p>O Tocantins informa ter contratado cerca de 1,5 mil profissionais em diversas \u00e1reas de atua\u00e7\u00e3o de combate \u00e0 pandemia. A Secretaria de Sa\u00fade local diz que foi aberto edital de cadastro para integrar volunt\u00e1rios \u00e0 linha de frente, mas isso n\u00e3o ocorreu.<\/p>\n<p>O Par\u00e1 diz que foram contratados, em car\u00e1ter emergencial, 316 profissionais, entre m\u00e9dicos, enfermeiros, farmac\u00eauticos, t\u00e9cnicos de enfermagem e de apoio administrativo. Conforme o governo, o quadro m\u00e9dico de contrata\u00e7\u00e3o direta da secretaria atende \u00e0 capacidade de atendimentos di\u00e1rios nas policl\u00ednicas itinerantes&#8221;.<\/p>\n<p>Presidente do Sindicato dos M\u00e9dicos do Rio Grande do Norte, Geraldo Ferreira diz que &#8220;h\u00e1 improvisa\u00e7\u00e3o, principalmente na rede p\u00fablica&#8221;. E alerta tamb\u00e9m para as perdas entre profissionais para a covid, o que piora a escassez. O Estado j\u00e1 acumula 50 mortes nas equipes de sa\u00fade que enfrentam o v\u00edrus, entre m\u00e9dicos e enfermagem, conforme a entidade. Trabalhadores doentes tamb\u00e9m precisam desfalcar, de forma tempor\u00e1ria, a linha de frente. &#8220;A situa\u00e7\u00e3o \u00e9 grav\u00edssima&#8221;, avalia Ferreira.<\/p>\n<p>O governo potiguar diz &#8220;fazer contratos tempor\u00e1rios e convoca\u00e7\u00f5es de servidores concursados&#8221;. At\u00e9 o dia 4, foram contratados 1.476 efetivos (concurso p\u00fablico), 2.331 tempor\u00e1rios, mais 188 convocados para assinar contratos tempor\u00e1rios. No dia 13, inda foi preciso abrir convoca\u00e7\u00e3o de mais 69 profissionais.<\/p>\n<p><strong>Distribui\u00e7\u00e3o desigual<\/strong><\/p>\n<p>A presen\u00e7a desigual de m\u00e9dicos e outros profissionais da sa\u00fade pelo Brasil \u00e9 um problema cr\u00f4nico. A pandemia evidenciou ainda mais essa dificuldade.<\/p>\n<p>Segundo Mario Scheffer, professor da Faculdade de Medicina da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP), existe uma &#8220;m\u00e1 distribui\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica, concentra\u00e7\u00e3o no setor privado, baixa qualifica\u00e7\u00e3o, e, principalmente, m\u00e1 gest\u00e3o desses recursos humanos de alta especializa\u00e7\u00e3o&#8221;.<\/p>\n<p>Ele aponta que falta coordena\u00e7\u00e3o nacional do recrutamento desses profissionais. &#8220;H\u00e1 uma fragmenta\u00e7\u00e3o e precariza\u00e7\u00e3o de contrata\u00e7\u00e3o de recursos humanos via OSs (Organiza\u00e7\u00f5es sociais, que prestam servi\u00e7os para o poder p\u00fablico), diz Scheffer.<\/p>\n<p>C\u00e9sar Eduardo Fernandes, presidente da Associa\u00e7\u00e3o M\u00e9dica Brasileira (AMB), v\u00ea falta de planejamento do poder p\u00fablico e afirma que as universidades no Pa\u00eds enviam n\u00famero suficiente de profissionais para o mercado. &#8220;O governo precisa cuidar disso com responsabilidade, fazer plano de carreira, parar de tratar isso com pol\u00edticas de tapa-buracos&#8221;, defende.<\/p>\n<p>Entidades m\u00e9dicas tamb\u00e9m reclamam de remunera\u00e7\u00f5es e contratos prec\u00e1rios, principalmente entre profissionais mais jovens. Segundo Geraldo Ferreira, do sindicato potiguar da categoria, muitos s\u00e3o atra\u00eddos como &#8220;s\u00f3cios&#8221; de empresas. Isso pode favorecer, diz, fraudes trabalhistas e tribut\u00e1rias.<\/p>\n<p><strong>Ajuda remota<\/strong><\/p>\n<p>&#8220;Aumentar o n\u00famero de leitos exige profissionais capacitados, m\u00e9dicos, enfermeiros, fisioterapeutas, para atender pacientes muito cr\u00edticos, muito graves. Achar esses profissionais agora \u00e9 muito dif\u00edcil&#8221;, destaca Viviane Cordeiro Veiga, presidente do Comit\u00ea de Analgesia, Seda\u00e7\u00e3o e Delirium da Associa\u00e7\u00e3o de Medicina Intensiva Brasileira (Amib).<\/p>\n<p>A entidade recomenda que, nas regi\u00f5es onde n\u00e3o h\u00e1 especialistas em terapia intensiva, \u00e9 preciso ter um intensivista para dar suporte, inclusive por telemedicina. &#8220;H\u00e1 outra quest\u00e3o: j\u00e1 temos a falta de insumos, de medicamentos. Ent\u00e3o, esses profissionais t\u00eam de estar preparados para usar novas medica\u00e7\u00f5es, novos protocolos&#8221;, afirma ela, chefe de UTI do Hospital Benefic\u00eancia Portuguesa. As informa\u00e7\u00f5es s\u00e3o do jornal <strong>O Estado de S. Paulo.<\/strong><\/p>\n<p>Not\u00edcias ao Minuto Brasil &#8211; Brasil<br \/>\n<a href=\"https:\/\/www.noticiasaominuto.com.br\/ultima-hora\/1790563\/dificuldade-para-montar-equipes-de-uti-atinge-pelo-menos-nove-estados?utm_source=rss-brasil&amp;amp;utm_medium=rss&amp;amp;utm_campaign=rssfeed\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Read More<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O r\u00e1pido agravamento da pandemia no Brasil pressiona hospitais, que j\u00e1 lidam com a insufici\u00eancia<\/p>\n","protected":false},"author":0,"featured_media":2526,"comment_status":"","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[],"class_list":["post-2525","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-brasil"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2525","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2525"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2525\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/2526"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2525"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2525"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2525"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}