{"id":2376,"date":"2021-03-29T06:12:58","date_gmt":"2021-03-29T09:12:58","guid":{"rendered":"http:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/2021\/03\/29\/quem-e-o-ator-que-fez-novela-no-br-antes-de-berlin-alexanderplatz\/"},"modified":"2021-03-29T06:12:58","modified_gmt":"2021-03-29T09:12:58","slug":"quem-e-o-ator-que-fez-novela-no-br-antes-de-berlin-alexanderplatz","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/2021\/03\/29\/quem-e-o-ator-que-fez-novela-no-br-antes-de-berlin-alexanderplatz\/","title":{"rendered":"Quem \u00e9 o ator que fez novela no BR antes de &#8216;Berlin Alexanderplatz&#8217;"},"content":{"rendered":"<p>S\u00c3O PAULO, SP (FOLHAPRESS) &#8211; Ingl\u00eas, alem\u00e3o, creole. As tr\u00eas l\u00ednguas s\u00e3o faladas pelo ator Welket Bungu\u00e9, de 33 anos, ao longo das tr\u00eas horas de &#8220;Berlin Alexanderplatz&#8221;, em cartaz no streaming agora. Na nova vers\u00e3o da trama, um cl\u00e1ssico da literatura alem\u00e3, ele \u00e9 um refugiado que encontra um destino tr\u00e1gico em meio \u00e0 viol\u00eancia, o sexo e as luzes n\u00e9on da madrugada berlinense.<\/p>\n<div class=\"dummyPub\"><\/div>\n<p>\u00c9 em portugu\u00eas, no entanto, que Bungu\u00e9 conversa com esta rep\u00f3rter por telefone, numa brecha das filmagens de um longa que ele protagoniza e que roda agora na B\u00e9lgica. O ator, nascido na Guin\u00e9-Bissau, na costa oeste africana, cresceu em Portugal. Mais especificamente, em Beja, no sul do pa\u00eds, num internato, onde morou dos 11 aos 19 anos. &#8220;S\u00f3 ia para casa nas f\u00e9rias, P\u00e1scoa, Natal.&#8221;<\/p>\n<p>Foi tamb\u00e9m em Portugal que Bungu\u00e9 descobriu e desenvolveu o gosto pela atua\u00e7\u00e3o, entre videocassetes alugados nos fins de semana \u2013ele cita as performances de Will Smith em &#8220;Inimigo do Estado&#8221; e de Russel Crowe em &#8220;Gladiador&#8221; como algumas que mais o marcaram na \u00e9poca\u2013 e, mais tarde, a forma\u00e7\u00e3o na Escola Superior de Teatro em Cinema, em Amadora, a 20 minutos de Lisboa.<\/p>\n<p>Foi no Brasil, por\u00e9m, que a carreira de Bungu\u00e9 ganhou tra\u00e7\u00e3o. Por causa de um mestrado, o ator se mudou para o Rio de Janeiro em 2012, quando a cidade estava &#8220;no pico&#8221;, diz. Conta que estava decepcionado com as oportunidades que vinham sendo oferecidas a ele depois de um papel importante na miniss\u00e9rie &#8220;Equador&#8221;, adapta\u00e7\u00e3o do best-seller de Miguel Sousa Tavares, exibida quatro anos antes.<\/p>\n<p>&#8220;Estava entre os que eram na \u00e9poca os atores mais respeitados da ind\u00fastria portuguesa. E isso n\u00e3o me deu, a meu ver, o respaldo e a aten\u00e7\u00e3o da m\u00eddia que teria em outro pa\u00eds&#8221;, diz. &#8220;Sa\u00ed de Portugal por ser muitas vezes obrigado a aceitar pap\u00e9is residuais nas hist\u00f3rias. Estava sendo subaproveitado enquanto artista, escalonado para fazer personagens que na trama n\u00e3o tinham grande impacto.&#8221;<\/p>\n<p>O caminho que Bungu\u00e9 encontrou foi, ent\u00e3o, virar um ator global. Ou melhor \u2013&#8221;globalizado&#8221;, ele corrige, rindo. &#8220;Ator global, voc\u00ea sabe, \u00e9 da Globo.&#8221;<\/p>\n<p>Bungu\u00e9 hoje fala seis l\u00ednguas. Aprendeu alem\u00e3o em menos de seis meses para &#8220;Berlin Alexanderplatz&#8221;. Para o longa de agora, estuda u\u00f3lofe, idioma falado no Senegal e em outros pa\u00edses da costa ocidental da \u00c1frica.<\/p>\n<p>A aposta numa carreira ainda mais internacional foi refor\u00e7ada no ano passado, quando ele enfim se mudou para Berlim, uma das cenas art\u00edsticas mais efervescentes da Europa.<\/p>\n<p>O ator, que passou os primeiros meses de pandemia no Rio, diz que chegou a pensar em fixar ra\u00edzes por aqui, mas desistiu depois da elei\u00e7\u00e3o de Bolsonaro. &#8220;E isso se revelou sintom\u00e1tico, porque na comunidade art\u00edstica, todos os que puderam est\u00e3o agora vivendo em Lisboa ou em Berlim.&#8221; Ele e a companheira ainda mant\u00eam um apartamento no bairro de Santa Teresa, por\u00e9m.<\/p>\n<p>Questionado se conhece outros atores que, como ele, n\u00e3o temem a barreira do territ\u00f3rio ou da l\u00edngua, Bungu\u00e9 responde que isso n\u00e3o \u00e9 exatamente novo. O que ele diz observar agora \u00e9 uma autonomia maior dos descendentes da di\u00e1spora africana para atuar no mercado global. &#8220;Agora temos acesso a uma maior diversidade de atores e atrizes, com perfis muito diferentes daqueles que a pr\u00f3pria Globo vinha celebrando desde os anos 1980.&#8221;<\/p>\n<p>Bungu\u00e9 atuou, ali\u00e1s, numa novela da emissora, &#8220;Novo Mundo&#8221;. Tamb\u00e9m participou de uma s\u00e9rie de filmes nacionais. Viveu um escravo, fiel escudeiro de Tiradentes, em &#8220;Joaquim&#8221;, de Marcelo Gomes. Um oper\u00e1rio imigrante em &#8220;Corpo El\u00e9trico&#8221;, de Marcelo Caetano. E um contra-almirante ingl\u00eas no ainda in\u00e9dito &#8220;Pedro&#8221;, retrato intimista de dom Pedro 1\u00ba de La\u00eds Bodanzky.<\/p>\n<p>Uma das parcerias mais longevas desde que o ator veio para o Brasil \u00e9 menos conhecida do p\u00fablico, no entanto. \u00c9 com o cineasta capixaba Bernard Lessa, que ele conheceu ainda em terras lusas. Bungu\u00e9 atuou na maioria dos filmes que Lessa dirigiu. No \u00faltimo, &#8220;A Mat\u00e9ria Noturna&#8221;, ainda em processo de finaliza\u00e7\u00e3o, vive um romance com uma motorista de aplicativo.<\/p>\n<p>Lessa diz que, das qualidades de Bungu\u00e9, uma das mais marcantes \u00e9 sua presen\u00e7a em cena. &#8220;Ele pode n\u00e3o estar fazendo nada, mas voc\u00ea percebe que h\u00e1 uma densidade por tr\u00e1s. A c\u00e2mera adora isso.&#8221; Al\u00e9m disso, acrescenta, ao mesmo tempo em que o ator n\u00e3o perde a c\u00e2mera de vista, ele se deixa levar pelos personagens que interpreta, e tem uma grande capacidade de improviso.<\/p>\n<p>O \u00faltimo coment\u00e1rio \u00e9 ecoado por outros cineastas que trabalharam com o ator. Marcelo Gomes lembra como ele trouxe textos em creole e coreografias aos ensaios de &#8220;Joaquim&#8221;. La\u00eds Bodanzky conta que Bungu\u00e9 e Isab\u00e9l Zuaa, outra atriz portuguesa, estavam prestes a rodar suas cenas finais em &#8220;Pedro&#8221; quando sugeriram \u00e0 diretora um novo desfecho para os personagens.<\/p>\n<p>&#8220;Ainda bem que eles apertaram o bot\u00e3o vermelho e disseram &#8216;essa cena est\u00e1 estranha'&#8221;, diz Bodanzky. &#8220;Do ponto de vista narrativo, e principalmente do respeito \u00e0s personagens pretas e dos seus destinos nos filmes.&#8221;<\/p>\n<p>&#8220;Ach\u00e1vamos que o final que o roteiro propunha n\u00e3o era o mais justo para a trajet\u00f3ria dos dois personagens&#8221;, afirma Bungu\u00e9 sobre o epis\u00f3dio. &#8220;Ao mesmo tempo, estamos contribuindo para que esse cinema que \u00e9 feito com um enquadramento hist\u00f3rico n\u00e3o reproduza a imagem de descr\u00e9dito e subalternidade de determinados perfis. N\u00f3s ficcionalizamos hist\u00f3rias, e essa fic\u00e7\u00e3o deve contribuir para elevar a autoestima e, sobretudo, trazer um imagin\u00e1rio mais livre entre interpreta\u00e7\u00f5es estigmatizados. \u00c9 nisso que acredito.&#8221;<\/p>\n<p>\u00c9 uma busca que, quanto mais se conversa com Bungu\u00e9, mais soa crucial para ele. Ele diz que parte do motivo pelo qual decidiu se mudar para o Brasil foi a percep\u00e7\u00e3o de que s\u00f3 assim entraria em contato com suas origens africanas -ele s\u00f3 voltou \u00e0 Guin\u00e9-Bissau, da onde saiu aos tr\u00eas anos, em 2019. &#8220;Uma m\u00e3e de santo me disse que eu voltaria&#8221;, conta, lembrando a passagem pela Bahia durante as grava\u00e7\u00f5es de &#8220;Equador&#8221;.<\/p>\n<p>A quest\u00e3o ainda permeia suas incurs\u00f5es pela dire\u00e7\u00e3o \u2013ele j\u00e1 dirigiu mais de 15 curtas at\u00e9 agora. Seis deles ser\u00e3o exibidos numa mostra dedicada a Bungu\u00e9 no festival Cine Esquema Novo, que acontece entre 10 e 15 de abril de forma virtual e gratuita.<\/p>\n<p>&#8220;Como ator, defendo o personagem. Mas como diretor, no limite, terei a oportunidade e a responsabilidade de expor as motiva\u00e7\u00f5es est\u00e9ticas, pol\u00edticas e pessoais que est\u00e3o na base daquele trabalho&#8221;, diz. Mas esclarece que n\u00e3o tem planos de abandonar a interpreta\u00e7\u00e3o. &#8220;Ser ator \u00e9 o meu sonho concretizado. \u00c9 a\u00ed que me vejo me expressando.&#8221;<\/p>\n<p>BERLIN ALEXANDERPLATZ<br \/>Onde: Dispon\u00edvel no Now e aluguel no Looke, Apple TV, Google Play e Microsoft<br \/>Classifica\u00e7\u00e3o: 16 anos<br \/>Elenco: Welket Bungu\u00e9, Albrecht Schuch, Jella Haase<br \/>Produ\u00e7\u00e3o: Alemanha, 2020<br \/>Dire\u00e7\u00e3o: Burhan Qurbani14\u00ba CINE ESQUEMA NOVO &#8211; MOSTRA ARTISTA CONVIDADO WELKET BUNGU\u00c9<br \/>Quando: 10 a 15 de abril<br \/>Pre\u00e7o: Gr\u00e1tis<br \/>Link: https:\/\/www.cineesquemanovo.org\/site\/<br \/>Programa\u00e7\u00e3o: &#8216;Mudan\u00e7a&#8217;, &#8216;Treino Perif\u00e9rico &#8211; \u00c9 Bom Te Conhecer&#8217;, &#8216;Bu\u00f4n&#8217;, &#8216;Cacheu Cuntun&#8217; e &#8216;Bustagate&#8217;<br \/>Debate com Welket Bungu\u00e9 11 de abril, no YouTube do festival<\/p>\n<p>Not\u00edcias ao Minuto Brasil &#8211; Cultura<br \/>\n<a href=\"https:\/\/www.noticiasaominuto.com.br\/ultima-hora\/1790130\/quem-e-o-ator-que-fez-novela-no-brasil-antes-de-brilhar-no-filme-berlin-alexanderplatz?utm_source=rss-cultura&amp;amp;utm_medium=rss&amp;amp;utm_campaign=rssfeed\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Read More<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>S\u00c3O PAULO, SP (FOLHAPRESS) &#8211; Ingl\u00eas, alem\u00e3o, creole. 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