{"id":23274,"date":"2021-07-16T20:08:29","date_gmt":"2021-07-16T23:08:29","guid":{"rendered":"http:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/2021\/07\/16\/ex-domestica-escravizada-por-38-anos-ganha-apartamento-de-patrao-como-indenizacao\/"},"modified":"2021-07-16T20:08:29","modified_gmt":"2021-07-16T23:08:29","slug":"ex-domestica-escravizada-por-38-anos-ganha-apartamento-de-patrao-como-indenizacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/2021\/07\/16\/ex-domestica-escravizada-por-38-anos-ganha-apartamento-de-patrao-como-indenizacao\/","title":{"rendered":"Ex-dom\u00e9stica escravizada por 38 anos ganha apartamento de patr\u00e3o como indeniza\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>A dom\u00e9stica Madalena Gordiano diz que nunca esteve t\u00e3o feliz. Ela, que se tornou s\u00edmbolo da luta contra o trabalho escravo no Brasil, fechou h\u00e1 tr\u00eas dias um acordo com a fam\u00edlia que a manteve por 38 anos em condi\u00e7\u00f5es an\u00e1logas \u00e0 escravid\u00e3o em sua resid\u00eancia, em Patos de Minas, regi\u00e3o do Alto Parana\u00edba, em Minas Gerais.<\/p>\n<div class=\"dummyPub\"><\/div>\n<p>Pelo acerto, Madalena j\u00e1 recebeu um apartamento, avaliado entre R$ 400 mil e R$ 600 mil, e um carro, no valor de R$ 70 mil, bens que pertenciam \u00e0 fam\u00edlia que \u00e9 r\u00e9 num processo aberto pelo Minist\u00e9rio P\u00fablico do Trabalho no ano passado. O acordo prev\u00ea mais R$ 20 mil para pagamento de impostos dos bens em quest\u00e3o.<\/p>\n<p>Assim como Madalena, seus advogados, volunt\u00e1rios da Cl\u00ednica de Enfrentamento ao Trabalho Escravo da Faculdade de Direito da Universidade Federal de Uberl\u00e2ndia (UFU), consideraram o acordo satisfat\u00f3rio &#8211; apesar de terem reivindicado R$ 2,2 milh\u00f5es.<\/p>\n<p>Madalena, no entanto, disse ao Estad\u00e3o que n\u00e3o vai ficar com os bens. Ela pretende vend\u00ea-los para construir ou comprar uma casa, ainda n\u00e3o sabe bem. A v\u00edtima pretende seguir morando em Uberaba, onde atualmente mora com uma assistente social. &#8220;Vou vender o apartamento. N\u00e3o vou morar l\u00e1 n\u00e3o, porque tenho muita recorda\u00e7\u00e3o ruim. Mas vou ter de entrar, olhar. Agora \u00e9 meu, n\u00e9?<\/p>\n<p>As lembran\u00e7as ela ainda n\u00e3o consegue apagar. &#8220;Eles me maltratavam muito, n\u00e3o me deixavam fazer nada. Eu queria ir na missa e n\u00e3o podia, ou tinha de voltar depressa. Me davam muita bronca&#8221;, lembra.<\/p>\n<p>Esse sofrimento, por\u00e9m, ficou para tr\u00e1s. Quando atendeu ao telefonema da reportagem, primeiro disse que n\u00e3o poderia falar porque estava indo para a academia. Mas logo come\u00e7ou a contar como tem sido a nova vida e a rela\u00e7\u00e3o ainda recente com a liberdade. &#8220;Fui para a praia, entrei no mar, fizeram uma festinha de anivers\u00e1rio para mim, pequena, por causa da pandemia. Estou de cabelo novo&#8221;, contou ela, rindo. &#8220;Estou feliz demais&#8221;.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m est\u00e1 muito contente por ter voltado a estudar, est\u00e1 aprendendo Portugu\u00eas e Matem\u00e1tica, e falou sobre o futuro. Trabalhar de dom\u00e9stica, nunca mais. &#8220;Eu quero \u00e9 estudar, virar enfermeira, ajudar a atender as pessoas&#8221;, sonha. E passear. Depois de conhecer o mar de Paraty, o pr\u00f3ximo destino ser\u00e1 a cidade maravilhosa. &#8220;O Rio \u00e9 muito lindo, quero ir l\u00e1.&#8221;<\/p>\n<p>Sobre a fam\u00edlia que a mantinha como escrava, ela diz que nunca mais se encontrou com eles. &#8220;Nem quero. De vez em quando eles aparecem em audi\u00eancia, custaram a fazer o acordo, o advogado deles n\u00e3o aceitava nada. Ele tamb\u00e9m n\u00e3o&#8221;, disse, referindo-se ao professor Dalton Cesar Milagres Rigueira, que est\u00e1 sendo processado junto com a mulher, Valdirene Rigueira. A reportagem n\u00e3o conseguiu contato com a defesa de Rigueira.<\/p>\n<p>Madalena Gordiano foi resgatada pelo MPT e Pol\u00edcia Federal em Patos de Minas em 27 de novembro de 2020. A dom\u00e9stica morava na casa dos patr\u00f5es, n\u00e3o tinha registro em carteira, nem sal\u00e1rio m\u00ednimo garantido ou descanso semanal remunerado.<\/p>\n<p>&#8220;N\u00e3o foi um acordo f\u00e1cil. As audi\u00eancias foram muito longas. Reivindicamos tudo o que ela tinha direito, que somava esses R$ 2 milh\u00f5es, mas o acordo foi muito bem-vindo, ela queria resolver isso&#8221;, conta a advogada M\u00e1rcia Leonora Santos R\u00e9gis Orlandini, professora de Direito do Trabalho da Faculdade de Direito da UFU e coordenadora da Cl\u00ednica de Enfrentamento ao Trabalho Escravo da universidade.<\/p>\n<p>&#8220;Todos os advogados que atuaram no caso s\u00e3o volunt\u00e1rios. Foi um esfor\u00e7o muito grande. Por mais que se tenha indigna\u00e7\u00e3o, foi muito r\u00e1pido o acordo, foram sete meses&#8221;, afirma M\u00e1rcia Orlandini. Segundo ela, o MPT fez uma devassa no patrim\u00f4nio da fam\u00edlia e n\u00e3o foram encontrados outros bens al\u00e9m dos citados no acordo.<\/p>\n<p>A advogada tamb\u00e9m disse que um acordo foi fechado com cinco bancos onde os acusados fizeram empr\u00e9stimos consignados em nome de Madalena, no valor estimado de R$ 50 mil. Todos os empr\u00e9stimos ser\u00e3o cancelados.<\/p>\n<p>Not\u00edcias ao Minuto Brasil &#8211; Brasil<br \/>\n<a href=\"https:\/\/www.noticiasaominuto.com.br\/ultima-hora\/1823412\/ex-domestica-escravizada-por-38-anos-ganha-apartamento-de-patrao-como-indenizacao?utm_source=rss-brasil&amp;amp;utm_medium=rss&amp;amp;utm_campaign=rssfeed\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Read More<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A dom\u00e9stica Madalena Gordiano diz que nunca esteve t\u00e3o feliz. 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