{"id":213925,"date":"2026-10-15T05:38:35","date_gmt":"2026-10-15T08:38:35","guid":{"rendered":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/?p=213925"},"modified":"2026-10-15T05:38:38","modified_gmt":"2026-10-15T08:38:38","slug":"picanha-nao-vem-de-boi-vivo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/2026\/10\/15\/picanha-nao-vem-de-boi-vivo\/","title":{"rendered":"Picanha n\u00e3o vem de boi vivo"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O Brasil tem uma tradi\u00e7\u00e3o secular: o consumo de carne vermelha. Essa tradi\u00e7\u00e3o garante, muito al\u00e9m da satisfa\u00e7\u00e3o e do prazer do paladar, uma vida mais saud\u00e1vel \u00e0 sua popula\u00e7\u00e3o. A carne faz parte do dia a dia, e \u00e9 em torno dela que amigos e fam\u00edlias se re\u00fanem em datas comemorativas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ao longo dos anos, esse produto nobre deixou de ser apenas um item da cultura e dos costumes e passou a ser uma riqueza nacional. Se, como parte dos nossos costumes e da nossa cultura, j\u00e1 merecia todo o cuidado, agora, com sua import\u00e2ncia econ\u00f4mica, precisamos redobrar a aten\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Cuidados com aqueles que a produzem, com aqueles que a processam e com aqueles que a consomem.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Se, por um lado, temos o livre mercado, por outro, temos a responsabilidade da regulamenta\u00e7\u00e3o e da estrat\u00e9gia, que devem cuidar das duas pontas do processo: de quem produz e de quem consome. Entender o mercado e agir como mediador, coibindo distor\u00e7\u00f5es, \u00e9 dever do setor p\u00fablico.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A valoriza\u00e7\u00e3o do nosso produto ocorreu ao longo de d\u00e9cadas, com o aumento da renda do brasileiro, e se acelerou com as exporta\u00e7\u00f5es, especialmente com a abertura do mercado chin\u00eas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c0 medida que novos mercados se abrem, os volumes e os valores v\u00e3o se alinhando e se equilibrando em n\u00edveis internacionais, pois essa \u00e9 a regra do livre mercado. E \u00e9 nesse ponto que mora o perigo das distor\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ainda que haja entendimentos e acordos internacionais, todos os pa\u00edses criam mecanismos de defesa para seus produtos, produtores e consumidores. As a\u00e7\u00f5es governamentais se d\u00e3o por meio de subs\u00eddios e da tributa\u00e7\u00e3o ao longo da cadeia. O Brasil vende para mercados com diferen\u00e7as enormes nas tarifas cobradas na entrada do nosso produto.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">H\u00e1 casos de pequenas cotas sem tributa\u00e7\u00e3o e outros com tarifas que variam de 12% a 50%, sem citar exce\u00e7\u00f5es que chegam a 100%. Nesse ponto, surgem grandes diferen\u00e7as entre o valor do que sai do pasto brasileiro e o pre\u00e7o do que chega \u00e0 mesa dos consumidores de alguns pa\u00edses.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Enquanto o produto brasileiro chega a certos pa\u00edses com alta carga tribut\u00e1ria, o mesmo produto, vindo dos Estados Unidos, da Austr\u00e1lia e, \u00e0s vezes, da Argentina, entra com tributa\u00e7\u00e3o zero. Aqui est\u00e1 a necessidade de adotar estrat\u00e9gias nas negocia\u00e7\u00f5es internacionais, e \u00e9 nesse campo que vemos a diferen\u00e7a na atua\u00e7\u00e3o dos governos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Corremos hoje um grande perigo, agravado pelas distor\u00e7\u00f5es tribut\u00e1rias internacionais. Um boi abatido no Brasil deixa um enorme benef\u00edcio, que vai da gera\u00e7\u00e3o de empregos \u00e0 entrada de divisas, al\u00e9m de fornecer mat\u00e9ria-prima para muitas outras ind\u00fastrias.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quando um boi sai vivo do pa\u00eds, al\u00e9m de exportarmos emprego e renda, ele se torna um grande concorrente da pr\u00f3pria carne brasileira.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Vejamos o exemplo da Turquia, maior importadora de bovinos vivos brasileiros. Esse pa\u00eds n\u00e3o importa carne brasileira e, caso passasse a faz\u00ea-lo, sinaliza uma alta tributa\u00e7\u00e3o, enquanto n\u00e3o tributa a entrada de animais vivos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O nosso boi est\u00e1 gerando emprego, tributos e mat\u00e9ria-prima para as ind\u00fastrias daquele pa\u00eds, em vez de gerar essa riqueza aqui.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os n\u00fameros recordes registrados ano ap\u00f3s ano na exporta\u00e7\u00e3o de animais vivos come\u00e7am a causar estragos em nossa economia. Para se ter uma ideia, somente em agosto foram exportados mais de 170 mil animais, o equivalente a 2.380.000 quilos de carne, cujo processamento exigiria 10 ind\u00fastrias e 8 mil colaboradores.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A ind\u00fastria come\u00e7a a sentir a falta de animais em suas escalas de abate, enquanto o pre\u00e7o da carne no balc\u00e3o se eleva de maneira perigosa. Se, em uma concorr\u00eancia livre, \u00e9 o mercado que dita as regras do jogo, em um jogo honesto as regras devem ser iguais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ao virar as costas para o problema, o governo penaliza v\u00e1rios segmentos da ind\u00fastria nacional, o emprego de milhares de brasileiros e a arrecada\u00e7\u00e3o de munic\u00edpios e estados. Al\u00e9m disso, pressiona o pre\u00e7o dessa prote\u00edna, que ainda \u00e9 a mais querida da popula\u00e7\u00e3o brasileira.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">N\u00e3o se trata de proibir ou n\u00e3o a exporta\u00e7\u00e3o, mas de equilibrar o &#8220;jogo&#8221; com medidas racionais e plaus\u00edveis.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><em><strong>Paulo Bellincanta<\/strong> \u00e9 presidente do Sindicato das Ind\u00fastrias de Frigor\u00edficos de Mato Grosso<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Brasil tem uma tradi\u00e7\u00e3o secular: o consumo de carne vermelha. Essa tradi\u00e7\u00e3o garante, muito<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":213926,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[36],"tags":[],"class_list":["post-213925","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/213925","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=213925"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/213925\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":213927,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/213925\/revisions\/213927"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/213926"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=213925"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=213925"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=213925"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}