{"id":20535,"date":"2021-07-01T13:10:58","date_gmt":"2021-07-01T16:10:58","guid":{"rendered":"http:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/2021\/07\/01\/um-terco-das-mortes-no-primeiro-semestre-no-pais-sao-por-covid-19\/"},"modified":"2021-07-01T13:10:58","modified_gmt":"2021-07-01T16:10:58","slug":"um-terco-das-mortes-no-primeiro-semestre-no-pais-sao-por-covid-19","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/roteironoticias.com.br\/index.php\/2021\/07\/01\/um-terco-das-mortes-no-primeiro-semestre-no-pais-sao-por-covid-19\/","title":{"rendered":"Um ter\u00e7o das mortes no primeiro semestre no pa\u00eds s\u00e3o por covid-19"},"content":{"rendered":"<p>Dos 927.568 registros de \u00f3bito no primeiro semestre no pa\u00eds, 314.036 foram por covid-19. Os n\u00fameros est\u00e3o no Portal da Transpar\u00eancia do Registro Civil e foram atualizados at\u00e9 a madrugada de hoje (1\u00ba).<\/p>\n<div class=\"dummyPub\"><\/div>\n<p>Os dados do portal s\u00e3o atualizados duas vezes por dia e seguem os prazos legais. A fam\u00edlia tem at\u00e9 24 horas ap\u00f3s o falecimento para registrar o \u00f3bito em cart\u00f3rio, por\u00e9m esse prazo foi estendido para 15 dias por causa da pandemia. O cart\u00f3rio tem at\u00e9 cinco dias para efetuar o registro de \u00f3bito e depois at\u00e9 oito dias para enviar o ato \u00e0 Central Nacional de Informa\u00e7\u00f5es do Registro Civil, que atualiza a plataforma online. Portanto, os n\u00fameros ainda podem mudar.<\/p>\n<p>At\u00e9 o momento, os dados oficiais do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade somam 518.066 mortes causadas pelo novo coronav\u00edrus no Brasil desde o in\u00edcio da pandemia.<\/p>\n<p>O registro de \u00f3bitos por covid-19 vem caindo. Em mar\u00e7o, a m\u00e9dia m\u00f3vel de mortes dos \u00faltimos sete dias chegou a 3.357 no dia 30. Foi o ponto mais alto do primeiro semestre. Em junho, essa m\u00e9dia ficou entre 1.600 e 2.000 \u00f3bitos. O m\u00eas termina com uma m\u00e9dia m\u00f3vel de 592 mortes. Apesar da incid\u00eancia de casos continuar acima de 70 mil novos casos di\u00e1rios. No pico da pandemia no ano passado, entre o fim de maio e o fim de agosto, a m\u00e9dia m\u00f3vel de \u00f3bitos ficou em torno de 1.000 registros por dia.<\/p>\n<p>O presidente da Associa\u00e7\u00e3o Nacional dos Registradores de Pessoas Naturais do Estado do Rio de Janeiro (Arpen\/RJ), Humberto Costa, disse que esse n\u00famero n\u00e3o leva em conta as mortes causadas por outras doen\u00e7as que podem ser associadas ao agravamento da covid-19, principalmente a s\u00edndrome respirat\u00f3ria aguda grave (SRAG), respons\u00e1vel por 16.868 \u00f3bitos em 2020 e 8.613 este ano. Em 2019, antes da pandemia portanto, foram registrados 1.512 \u00f3bitos por SRAG.<\/p>\n<p>\u201cHouve um aumento exacerbado no n\u00famero de \u00f3bitos. No cart\u00f3rio em que eu sou titular, em Nova Igua\u00e7u, na Baixada Fluminense, por exemplo, a gente passou de um total de 300 a 400 \u00f3bitos mensais para 600 a 700 \u00f3bitos mensais. Isso em raz\u00e3o da pandemia, antes o n\u00famero m\u00e1ximo que a gente tinha feito era de 400 \u00f3bitos\u201d, explicou Costa.<\/p>\n<p>No ano passado, dos 1.460.991 registros de \u00f3bito emitidos no pa\u00eds, 198.547 tiveram como causa a covid-19, o que equivale a 13,59% do total. Foram cerca de 190 mil mortes a mais em 2020 do que em 2019 no pa\u00eds. Para Costa, a \u00fanica explica\u00e7\u00e3o para esse excedente de \u00f3bitos \u00e9 a pandemia.<\/p>\n<p>\u201cMorreu um n\u00famero muito maior de pessoas. A \u00fanica diferen\u00e7a dos anos anteriores para o ano passado e este ano \u00e9 o coronav\u00edrus. Nossos n\u00fameros s\u00e3o muito altos, espero que com a vacina\u00e7\u00e3o eles diminuam\u201d, disse.<\/p>\n<p>Somente no primeiro trimestre deste ano, o aumento no n\u00famero de registros de \u00f3bitos no pa\u00eds foi de 40%. Segundo a Arpen, em maio de 2021, apesar da queda nos registros em rela\u00e7\u00e3o a mar\u00e7o e abril, os \u00f3bitos ainda ficaram 70% acima da m\u00e9dia de registros mensais da pandemia, iniciada em mar\u00e7o de 2020.<\/p>\n<p>O professor e pesquisador C\u00e1ssio Turra, do Departamento de Demografia da Universidade Federal de Minas Gerais, destaca que medidas sanit\u00e1rias e o avan\u00e7o do conhecimento cient\u00edfico e tecnol\u00f3gico propiciaram um aumento linear no crescimento populacional desde o s\u00e9culo 19. \u201cO aumento s\u00f3 foi interrompido por grandes crises como a gripe espanhola de 1918-1919, que matou 50 milh\u00f5es de pessoas, e a 2\u00aa Guerra Mundial, que deixou 40 milh\u00f5es de civis e 20 milh\u00f5es de soldados mortos entre 1939 e 1945. Agora, o mundo passa por um novo impacto de aumento exacerbado da mortalidade, causado pela pandemia de covid-19, que j\u00e1 se aproxima de 4 milh\u00f5es\u201d, disse Turra.<\/p>\n<p>\u201cO c\u00e1lculo do excesso de mortalidade \u00e9 feito com a extrapola\u00e7\u00e3o a partir dos \u00f3bitos do ano anterior com o que era esperado para cada pa\u00eds. Os pa\u00edses tiveram comportamento muito diferente, no Brasil teve um excesso de mortalidade de 22% no ano de 2020 e, em 2021, at\u00e9 aqui est\u00e1 com um excesso de 67%, em fun\u00e7\u00e3o do agravamento da crise em mar\u00e7o e abril\u201d, disse o professor.<\/p>\n<p>Turra explicou que esse excesso de mortalidade \u00e9 uma combina\u00e7\u00e3o de efeitos diretos e indiretos, resultantes tanto dos \u00f3bitos por covid-19 como por outras causas como o estrangulamento do sistema de sa\u00fade e mudan\u00e7a de comportamento dos indiv\u00edduos.<\/p>\n<p>As informa\u00e7\u00f5es foram dadas pelo professor no evento online UFMG Talks em Casa.<\/p>\n<p>No mesmo evento, a professora e pesquisadora Sandhi Barreto, do Departamento de Medicina Preventiva da UFMG, lembrou que o Brasil tem despontado pelos piores indicadores de mortes por milh\u00e3o de habitantes nessa pandemia, ultrapassando a m\u00e9dia de uma morte por minuto em 2021.<\/p>\n<p>\u201cEssa despropor\u00e7\u00e3o fica evidente quando a gente compara a rela\u00e7\u00e3o popula\u00e7\u00e3o mundial e o percentual de mortes. O Brasil responde por 2,7% da popula\u00e7\u00e3o mundial e 13% das mortes por covid-19 est\u00e3o aqui no pa\u00eds. A preval\u00eancia e a gravidade da pandemia foram ampliadas porque, diferente de outros v\u00edrus respirat\u00f3rios que enfrentamos, a covid afeta os mais velhos e aqueles com doen\u00e7as cr\u00f4nicas\u201d. Disse a professora.<\/p>\n<p>Entre as quase 520 mil v\u00edtimas da covid-19 no Brasil, 29.145 tinham 90 anos ou mais, sendo que desse total 1.576 tinham 100 anos de idade ou mais. Com base nas proje\u00e7\u00f5es da popula\u00e7\u00e3o para 2021 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE), isso equivale a 3,40% dos brasileiros com 90 anos ou mais perdidos para a pandemia.<\/p>\n<p>Por faixas et\u00e1rias, o Brasil perdeu 0,69% das pessoas de 60 a 69 anos de idade, 1,28% entre 70 e 79 anos de idade e 2,30% dos idosos de 80 a 89 anos de idade, segundo os \u00f3bitos registrados por idade no site dos cart\u00f3rios especial da covid-19. Para a popula\u00e7\u00e3o total, a pandemia levou 0,24% dos brasileiros entre 16 de mar\u00e7o de 2020 e 28 de junho de 2021.<\/p>\n<p>Com o avan\u00e7o da vacina\u00e7\u00e3o, a faixa et\u00e1ria das v\u00edtimas tem diminu\u00eddo, como destaca o presidente da Arpen-RJ, Humberto Costa.<\/p>\n<p>\u201cO n\u00famero de \u00f3bitos que a gente teve \u00e9 bem expressivo, morreu gente de todas as faixas et\u00e1rias. No in\u00edcio da pandemia, quando os idosos n\u00e3o estavam vacinados, a faixa et\u00e1ria que a gente mais registrava \u00f3bito era entre 70 e 80 anos de idade. Me parece que \u00e9 bem claro que a vacina\u00e7\u00e3o faz com que o n\u00famero de \u00f3bitos caia radicalmente. Se a gente tivesse com um percentual maior da popula\u00e7\u00e3o vacinada, com certeza n\u00e3o teria tantos \u00f3bitos quanto estamos registrando\u201d, disse Humberto Costa.<\/p>\n<p>Com a perda dos idosos pela covid-19, a expectativa de vida do brasileiro ao nascer diminuiu em, pelo menos, dois anos, segundo aponta um estudo da UFMG em colabora\u00e7\u00e3o com as universidades norte-americanas de Harvard, do sul da Calif\u00f3rnia e de Princeton, publicado na plataforma MedRxiv. O estudo foi baseado nos dados do ano passado, mas com o recrudescimento da pandemia, em 2021 o \u00edndice ser\u00e1 ainda pior.<\/p>\n<p>Segundo o levantamento, pessoas nascidas no ano passado viver\u00e3o, em m\u00e9dia, 1,94 ano a menos do que se esperaria, de volta aos patamares de 2013. Essa \u00e9 a primeira queda desde a d\u00e9cada de 1940. De acordo com o IBGE, uma pessoa nascida no Brasil em 2019 tinha expectativa de viver, em m\u00e9dia, at\u00e9 os 76,6 anos de idade. Para os homens eram 73,1 anos de idade e para as mulheres 80,1 anos de idade.<\/p>\n<p>O estudo indica que, na faixa et\u00e1ria dos 65 anos de idade, a redu\u00e7\u00e3o da expectativa de vida no ano passado foi de 1,58 ano, o que coloca o Brasil de volta aos n\u00edveis de 2009. Entre as unidades da federa\u00e7\u00e3o, a queda na expectativa de vida ao nascer foi maior no Distrito Federal, com uma diminui\u00e7\u00e3o de 3,68 anos.<\/p>\n<p>C\u00e1ssio Turra explica que esse efeito na expectativa de vida traduz, de forma simples, o impacto do excesso de \u00f3bitos. Para os nascidos em 2021, o c\u00e1lculo j\u00e1 indica uma redu\u00e7\u00e3o de 1,78 anos na expectativa de vida em rela\u00e7\u00e3o a 2019. Para ele, essa flutua\u00e7\u00e3o tende a ser tempor\u00e1ria e \u00e9 poss\u00edvel que o n\u00edvel seja recuperado no pr\u00f3ximo ano.<\/p>\n<p>\u201cEu sou um otimista cauteloso com rela\u00e7\u00e3o a 2022, imaginando o seguinte: se a vacina\u00e7\u00e3o em 2021 avan\u00e7ar para patamares que permitam a redu\u00e7\u00e3o da mortalidade de forma significativa, certamente a expectativa deve voltar aos n\u00edveis de 2019 ou para o que estava projetado para 2022. No m\u00e9dio prazo, depende de quais as marcas diretas e indiretas que a doen\u00e7a vai deixar nas pessoas, como de outras doen\u00e7as que deixaram de ser acompanhadas nesse per\u00edodo\u201d, disse.<\/p>\n<p>De acordo com Turra, \u00e9 preciso analisar tamb\u00e9m a seletividade da mortalidade, j\u00e1 que no excesso de \u00f3bito est\u00e1 contida tamb\u00e9m a perda da popula\u00e7\u00e3o que inicialmente j\u00e1 poderiam ser mais suscet\u00edvel \u00e0 morte.<\/p>\n<p>\u201cIsso pode ter um efeito no m\u00e9dio prazo. Acho que os ganhos anuais v\u00e3o voltar, mas num ritmo menor. No longo prazo, os efeitos seculares predominam. A gente vai ter um ritmo de aumento na expectativa de vida quanto mais profundas forem as mudan\u00e7as estruturais que j\u00e1 est\u00e3o acontecendo no Brasil, como o aumento da escolaridade e a melhoria da sa\u00fade preventiva. Se olharmos um pouco al\u00e9m da nossa conjuntura atual, s\u00e3o movimentos que vem favorecendo a nossa expectativa de vida\u201d, explicou.<\/p>\n<p>A pesquisadora Sandhi Barreto destaca que, al\u00e9m do meio milh\u00e3o de mortes, o pa\u00eds teve mais de 18,5 milh\u00f5es de pessoas infectadas e ainda s\u00e3o necess\u00e1rios mais estudos para estimar os efeitos de longo prazo no envelhecimento saud\u00e1vel.<\/p>\n<p>\u201cMais ou menos 20% dos hospitalizados por covid v\u00e3o desenvolver complica\u00e7\u00f5es graves como insufici\u00eancia respirat\u00f3ria, disfun\u00e7\u00e3o de m\u00faltiplos \u00f3rg\u00e3os, interna\u00e7\u00f5es prolongadas, preju\u00edzos motores, cognitivos e mentais. A gente sabe que quanto mais grave o adoecimento por covid, maior o risco de sequelas e necessidade de reabilita\u00e7\u00e3o e cuidados com os sobreviventes\u201d, disse a pesquisadora.<\/p>\n<p>A pesquisadora explica que estudos j\u00e1 mostraram que um em cada tr\u00eas sobreviventes da covid-19 apresentaram doen\u00e7a mental ou neurol\u00f3gica ap\u00f3s 6 meses. \u201cNo curto prazo, a pandemia acentuou as desigualdades que j\u00e1 existiam, al\u00e9m de piorar as condi\u00e7\u00f5es das pessoas idosas e que tinham doen\u00e7as cr\u00f4nicas\u201d.<\/p>\n<p>De acordo com Sandhi Barreto, entre os problemas causados pela covid-19 nos sobreviventes j\u00e1 foram identificados a redu\u00e7\u00e3o da autonomia nos idosos, que pode levar \u00e0 depend\u00eancia, o atraso em diagn\u00f3sticos de outros problemas, atraso em tratamentos, cancelamento de procedimento, modifica\u00e7\u00e3o de comportamentos importantes para o controle de doen\u00e7as cr\u00f4nicas, como exerc\u00edcio e alimenta\u00e7\u00e3o, deteriora\u00e7\u00e3o na qualidade do sono e diminui\u00e7\u00e3o da rede de apoio social.<\/p>\n<p>Not\u00edcias ao Minuto Brasil &#8211; Brasil<br \/>\n<a href=\"https:\/\/www.noticiasaominuto.com.br\/ultima-hora\/1818964\/um-terco-das-mortes-no-primeiro-semestre-no-pais-sao-por-covid-19?utm_source=rss-brasil&amp;amp;utm_medium=rss&amp;amp;utm_campaign=rssfeed\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Read More<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dos 927.568 registros de \u00f3bito no primeiro semestre no pa\u00eds, 314.036 foram por covid-19. 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